sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Herege

Os sentimentos não se devem escrever
Mas a raiva que sinto por vezes
É tamanha que é impossível deixa-la
Dentro de mim.
E por muito que lute por vislumbrar
Uma luz tua, que apenas encontro
Em felizes pequenos acontecimentos
Que são tão insignificantes como pó,
Não te vejo em parte alguma.
Há tempos presentes afastei-me
De uma das tuas religiões,
Por ter sentido honestamente que
Ela nada me fazia sentir diferente
Para ser melhor como ser humano.
Agora caiu na tentação de me afastar
De ti. Assim como outros que te chamam
Apenas em horas de aflição é o sentimento
Que me envolve de momento.
É apenas um sentimento do momento,
Bem o sei, mas não deixa de ser sentido.
A maneira como seivas vidas sem lógica
Ao nosso pensamento, como fazes sofrer
Inocentes que apenas praticam o bem.
Porque não esperas? Porque tiras com
Uma velocidade imensa pessoas às pessoas,
Felicidade a quem já não a tem?
Porque ofereces doenças a quem já sofre?
A fome e a miséria pintam o mundo
De vermelho, cinzento e preto.
Os pobres que te seguem sem questionar,
Que hipocritamente se fingem insensíveis à dor
À perda, a todo este lixo de humanismo,
Desculpam-te dizendo que são os teus desígnios
Que sejam…Não me interessam até me serem explicados.
A minha passividade agressiva é comum a quem sente.
E hoje, por uma vez que seja na minha vida, tenho fé no homem.
E a tua vontade, injustifica racionalmente, é me indiferente.

27/11/08 – 23:20
A todos faz pensar, em cada esquina esconde-se desgraça e injustiça.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Imagina..

You may say i’m a dreamer… but i’m not the only one…” (John Lennon)

Imagina que a vida é curta, onde cada momento é único
Um momento tão único que jamais vai voltar,
Imagina que aceitas a verdade tal como ela é, mesmo quando esta magoa,
Senta-te aqui ao pé de mim e vamos imaginar juntos.

Imagina que pões em prática todas as falas e acções que praticas em pensamento,
Consegues imaginar um mundo tão maior quanto maior for a perspectiva?
Imagina que não existem limites, que nada é o que parece…
Imagina que o mundo pode ser tudo o que possas imaginar.

Tens pernas, caminha. Tens mãos, faz. Tens alma, cria. És pessoa? Ama.
Imagina de quantas cores pode ser o teu céu, de que forma será a tua terra.
Imagina um mundo sem fome, sem guerra, sem hipocrisia. Um mundo à parte.
Se imaginar for o motor da tua acção…então…imagina.

26/11/08
Este poema está tão pequeno, minusculo, insatesfatório, comparado com a verdadeira música. Foi o pouco que consegui.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Desfibrilhador

Eras dois, tornaste-te um.
Bebeste dessa bênção branca
Que te deu força e vontade
Para lutares contra a falta de equilíbrio.
Deixaste que te educassem, aprendeste.
Descobriste a necessidade de partilhar
E receber, amar e odiar,
Descobriste que neste mundo ninguém nasce só.
Experimentaste e foste experiência.

Apertas a gravata para realçar
A tua sorte de condenado.
Nesse teu corpo rígido
Engomado pela sociedade
Respiras aflição numa arte já aperfeiçoada.
Sentes a revolta e uma pergunta
Frustrada de ironia
Bloqueia o teu pensamento:
Se o arrependimento não mata
Porque me sinto morto?
Tão morto quanto um morto deve estar…
Ouves vozes à tua volta,
Sentes um frio no peito que vai e vem…
E agora?

Hora da morte: dez e trinta.

18/11/08

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Decisão

Perdi-me outra vez
Mas encontrei o meu nome no mapa.
Da última vez que joguei xadrez
Com Deus ambos ficamos só com o rei.
Encontrei a luz,
Não uma luz divina mas
A luz que alguém acendeu para mim.
Neste profundo sentimento abstracto
Que me une à terra
Procurei uma razão segura
Para vos amar eternamente,
Até que veio alguém que me disse:
Não te deixes enganar.
Fui-me deixando render à paz
E ao ódio nunca quis dar tréguas.
Podem-me chamar sonhador
Mas prefiro estar só contra todos
Do que estarmos todos juntos
Contra nada.
Quem me ama aguarda nesse silêncio
De quem ama, sem esperar pela sua vez
De falar, apenas ouvem tudo o que
Podem escutar.
Os outro fingem ouvir,
Aguardam apenas a decisão.
Alguns deitam-me ao chão
Através do pensamento, outros erguem-me
Porque faço parte deles.
Que decides tu?
Eu escolho viver.

18/11/08

domingo, 16 de novembro de 2008

Black birds

Voas no ar pequena ave preta
Tão difícil de agarrar,
Mas quem precisa de te sentir
Quando nós temos as palavras?

Pequena ave preta
Que renega o chão que lhe foi dado,
Não te assustes, para quê sentir-te
Quando temos as palavras?

Preta ave pequena que se confunde na noite
Como rasga o dia trazendo o contraste,
Porque evitas o toque que não te quero dar?
Eu só tenho as palavras.

Lembra-te pois, pequena ave preta
Que neste mundo nada mais te poderemos dar,
É isto que somos, é isto que temos,
Nós apenas temos as palavras.


02:17
16/11/2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cocktail

Vejo-te sentado, aguardando
Pelo Inverno, pois assim que chegue
Aguardarás sentado pelo Verão.
Podias ter tudo ou podes não ter nada,
O relógio antigo que dá as badaladas
Recorda-te o passado que ainda te é presente.
Nesse país das maravilhas
Onde abunda o absinto e a aguardente
Sentes a felicidade como mais ninguém sente.
E brilham os olhos, de uma felicidade aparente,
Sorri a boca, presa ao cigarro que pende,
Na tua sala de fumo, és todos
E de ninguém dependes.
A dádiva da vida não é razão que chegue,
Sobram demasiados pedaços de algo,
Poderias mudar mas para quê,
Porquê, para quem.
Perdes a noção ao rosto que te olha
Quando olhas para o espelho,
A fome só dá vida a quem precisa de alimento.
Nem medicamentos, nem terapia,
Tudo não passa de uma luz artificial que dá que algum alento.
O cinzento pinta as paredes da tua alma,
Nessa luta interior de saber o próximo passo,
Aguardas o momento de falso triunfo
Em que recortas na tua lápide as palavras:
Aqui jaz ninguém.
Bebes com rapidez desse forte cocktail
Que mistura todos os sabores.
Um pouco de fé…
Um pouco de fé.

10/11/08

domingo, 9 de novembro de 2008

Canção do tempo

Quem ao tempo
Tempo tira com quanto tempo
Costuma ficar?
Não que faça do tempo
Um brinquedo ou
Um espaço familiar,
Mas o tempo que não gasto
Fica sempre a pesar,
Por outro lado o tempo que gasto
Por vezes deixa-me a desejar.

Perguntei ao tempo quanto tempo
Demoraria a chegar,
Ele franziu o sobrolho
E brincou dizendo:
Olha que o tempo não tem
Por costume atrasar.

Quanto mais corro
Mas tu passas devagar,
Ai tempo maldito
Que és tempo que chateia
Só por chatear.

Não foste criado, sempre serás
Dado adquirido, existes mesmo
Onde não existe lugar.
És sucessão de verbos, és impossível de enganar.

Embala-me e aconchega-me em ti
Até que chegue o tempo,
O tempo da minha hora.

7/11/08

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Fardo

Nasci do nada, do pedaço de nada
Que rodeia o Universo finito e infinito
Em contrariedades.
Nasci do Deus Todo-poderoso
Que se mantém silencioso.
Nasci dum amor nascido de mortais.

Pontapeio pedaços de sujidade que
Me bloqueiam o chão.
Piso o sujo caminho que os outros
Já sujaram.
Os erros ficam na história
Porque dá demasiado trabalho
Alguém os corrigir.

O fardo pesado, que hoje carrego,
Carrego-o porque nasci.
Ser-se humano é suficiente para
Reflectir sobre a razão de carregar tal fardo:
O facto de se ser um ser humano.

Instinto fatal

Sempre consciente do objectivo:
Destruir tudo
O que pode ser destruído.
” (DLM)

Nunca encontrarás o meu
Nome em santos livros…
O meu suspiro suprime
Todos os seres vivos.

Não dou ao Tempo
Tempo para criar raízes.
Eu nasci
Em vocês nasceram cicatrizes.

Basto-me a mim mesmo,
Sou eu sozinho, eu e mais ninguém.
Destruidor da falsa vida
Ao ser mau pratico o bem.

Abdico do amor
Esse vosso consolo é quase sempre em vão,
Ao ser forte abro mares
E multiplico, à minha maneira, o pão.

O medo não existe,
É simples invenção humana.
Crio verdades perfeitas
A razão é sempre soberana.

Venero-vos em todo o meu ódio,
Desistem, culpam
Choram e imploram,
Os vossos erros mantêm-me sóbrio.
Destruo os vossos sonhos
Ao transforma-los em realidade.

A realidade já pouco tem de real.
Vocês preferem uma vida sem sal,
Nem conservam nem dão sabor.
Neste mundo ponto de interrogação
Resta-me revelar-vos o vosso
E o meu lado sobre o qual reside
Todo o instinto fatal.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Desprezo minucioso

Como salvar uma vida
De quem já possui
Raízes rasgadas da terra?
Enquanto caminho vou devagar
Porque vais a meu lado,
E esse lado, essa companhia
Não provem das cinzas de um sentimento.
Se fazes questão que te vejam
Cair faz também questão que te vejam
Levantar.
De que lado vieste tu
Que não te voltei a encontrar?
Por vezes corrida louca em
Direcção a tudo
Noutras em rota de colisão
Em direcção à terra.
Depois desse astuto desprezo
De como quem brinca às sombras
Percebi que estar errado
Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Não abrirei os braços
Para te estender conforto
Mas estenderei sempre a mão
Se isso evitar que caias no abismo.

Nunca te procurei
Mas tu apareceste.
Agora que te procuro
Esse minucioso desprezo
Que me vai aguardando
Deixa soltar um suspiro de perdão
Que envolto em vento vai dando tempo às
Raízes para curarem.
Como salvar uma vida
De quem já possui
Raízes rasgadas da terra?!

Quando o pano desce


Os aplausos abrandam,
Respiras fundo e pousas a máscara.
Na máscara que repousa
Repousam também as faces
Duramente aplicadas ao teu rosto
Que hoje, assim como em tantos outros dias,
Tiveste de usar.
Porque escolhes o caminho da direita
Quando é para a esquerda que queres virar?
Quando tiras a máscara
Cai o fardo das tuas costas,
Desaparece a espada que te encosta à parede,
Quando tiras a máscara
Apenas respiras alívio e satisfação.
Então para quê usá-la?
Temes uma mudança ao deita-la fora?

Um dia decides viver sem ela,
És feliz, todos vêem o teu rosto,
Aquilo que realmente és.
Uns gostam, outros não mas a vida é assim mesmo.

Mas nem só de felicidade vive o homem…
A pressão aumenta e a vida não é
Assim mesmo.
A ilusão da perfeição gosta de colorir
Este mundo mascarado.
E apesar de humano
O Homem é um ser programado.
Não sabes a razão
Mas sabes que fazes o mais correcto,
Reconstróis a máscara e voltas a coloca-la.
A vida é assim mesmo.
O pano levanta e ouves os aplausos.

sábado, 1 de novembro de 2008

Cálculo reprovado

Caminhamos neste mundo
Sorrindo, mentindo, fugindo.
Nesse turbilhão de ideias
Que fluem em direcção ao céu
Palmilhamos as brasas do chão
Que nos acompanham quando
Mais precisamos.
E não é por acaso
Que vejo tantos reflexos meus
Quando passeio neste mundo,
Como se me visse ao espelho.
Essas exterioridades coloridas
A mim não me incomodam,
Sinto-me muito mais incomodado
Quando vejo que sujo mais do que
O próprio lixo.
Sei que existo porque faço por existir,
E enquanto a morte não me
Ceifa o corpo a alma vai brincando.
Entre a vossa verdade e a minha
Prefiro a vossa. Porquê?
Porque é mais bela, carrega
De eufemismos e tão próxima
Da mentira.
Não se incomodem, quem está errado sou eu,
O erro desta equação é culpa minha,
Nunca gostei de números apesar da sua
Perfeição e das letras pouco ou nada
Sei.
E não é por acaso que um erro de
Cálculo nos obriga a rever tudo outra vez,
Só sei que quando chego à minha
Varanda para ver duas ou três estrelas penso:
Apetecia-me destruir algo belo.

31/10/08