segunda-feira, 21 de maio de 2012

Outr'Água


Ao mergulho de olhos fechados
no suave abismo onde vivem os sonhos mortos,
O cinzento encaixa perfeitamente
na tua essência, da mesma forma como
o sol aconchega cada sombra de cada esquina
de cada rua, de cada aresta da tua face.
São sonhos mortos.
Vivos seres alimentados de sonhos mortos.
Realidade desigual, tornando o mais belo
em linhas e curvas tão tortas e direitas
sentimentos num silêncio barulhento
quebrados sem lugar ao certo
onde possam ser colocados
como essa pintura surreal ou abstracta
que nunca fez sentido.
Nem que voltará a fazer.
Porque sim, porque a razão é estranha e forte
mas guardada num lugar onde falta a compreensão,
porque isso poderia não interessar,
como segundas oportunidades que precisam de
uma terceira, e de uma quarta,
Como um pacto imortal entre seres vivos
onde a morte desde sempre os espera.
Fala-me tão pouco. Fala-me o suficiente.
Outr'água foi derramada, tal pequena graça
sorriso que desenlaça uma complicação tão absoluta
quanto a verdade, a dura e pesada verdade,
tão mentirosa; Outr'água que rompeu pedra,
e que se emaranhou na superfície do solo
e que se enraizou aos confins da terra
onde há calor e frio. Caminha ao teu lado,
passo a passo, como o batimento cardíaco mais íntimo,
como uma telepatia ambiciosa que procura
adivinhar o futuro, mas sem pressa.
Amaste.
Amaste.
Amas.
E amarás.
Como um batimento cardíaco íntimo
assim como o fio de pensamento que o acompanha,
a ambos, ambos em paralelo.