quarta-feira, 17 de outubro de 2012

modus vivendi ( II )

O pesadelo, que já não pertence ao sono, é ainda mais medonho.
Sombras arrastam-se, (a desgraça chegou),
uma a uma estendem o braço, só osso e podridão,
tentando agarrar outras almas...O drama é o lar
desta humanidade; o sol seca
a chuva e a humidade afogam.
O sonho horrível não existe
mas este local é bem real.
A culpa dos outros verga a coluna dos inocentes,
sem alimento ou água, sem coragem, sem força,
sem dignidade. São as sombras do Homem
a assombrar as planicies desta Cidade.
O Homem detem o amuleto para abrir
a Caixa de Pandora...tal poder,
mesmo que parecendo pouco,
é capaz de destruir tudo o que à volta
do sol gira. Dor.
Enquanto existir monstruosidade
haverá sempre mais alguém
a mentir, a enganar, a roubar.
A vida é um fino fio que une duas nuvens
afastadas; e ela abana, sofre forças
vindas dos trezentos e sessenta graus possíveis,
até não aguentar mais, até não querer aguentar mais.
A compaixão foi degulada, tudo o que se consegue
ouvir é um silêncio frio.