sexta-feira, 3 de junho de 2011

Labaredas frias

Sou uma porta de entrada
sem forma de saída...
Fui e serei sempre uma peça inacaba.


O meu peso afoga-se debaixo d'água,
fiquei presa ao teu calcanhar
e contigo desci a esse lugar onde
não existem tréguas...nesse lugar
onde todos lutam por lutar cada vez menos
em crescentes movimentos
mesmo estando em areias movediças...
Terei força para vencer sozinha?

Quando me seguravas
o sentimento nem me deixava pousar os pés
no chão...e a razão caminhava de mão dada
com a minha. Tudo ficou queimado;
tudo ficou desabitado, e é impossível a sua recuperação.
Mesmo quando se agita o meu corpo
neste mar condenado, e sou levada sempre para o mesmo lugar,
ainda acredito que tudo possa voltar.

O vosso beijo, e o vosso abraço...as vossas palavras
E as vossas soluções...em nada me conseguem alterar.
A culpa não é vossa. Nem é minha.
Por isso não peço ajuda para esquecer
ajuda para deixar ir de vez
nem ajuda para recomeçar.

Encurralem-me mais, queimem-me com essas
labaredas que já congeralam de tão frias serem,
matem-me!, para que sozinha possa finalmente
mentir de consciência mais leve.

Essa sombra que te perseguia...agora está
atrás de mim, e em cada passo que dou
sinto-a.
E quando relembro
sinto ainda mais este vazio
nas cavidades enormes da minha alma...
A carne não sofre queimada...aos poucos
a hipotermia silência a respiração...
Se pudesse voltar atrás
ficaria no sossego
ou sonharia com a mesma paixão?
(Para que tudo se calasse
ou se mexesse
mas não me enlouquecesse
nestas sensações que ardem sem fim...)