sábado, 5 de fevereiro de 2011

Outras espirais de origem

(Passo a vida a dizer à minha irmã: não te esqueças de onde vieste, das tuas origens, das tuas espirais...Mas poderão de facto as músicas, e\ou filmes, e\ou livros, moldarem quem somos? A fazer de nós alguém melhor\pior? Serão eles reais inspirações nas nossas modificações? No meu caso sei que sim. E a espiral que me invade de momento é a mesma de há já algum tempo atrás...e é forte, faminta, com fé de continuar a crescer e a girar, até...não sei ainda onde. No entanto quis recordar uma espiral que já fez parte de mim, e que na altura foi importante, e ainda hoje, mesmo já só somente pairando na minha memória, ainda está cravada com força bruta no meu coração...)

"Don't tell me what you've done..." (FATM)
"Cause I don't wanna know..." (APC)

Guiai-vos por isto, pois por vezes nada mais interessa:
(Fado Vadio - Dealema)

"Tudo que eu tenho é uma caneta e o pôr do sol desenhado
No canto de um papel, amarrotado pelo meu ódio
Acredito em pesadelos belos
Quando a vida dá-me estalos com luvas de ferro;
Mas de coração cheio, vou compreendendo
Que a máquina que move a vida é o sentimento...

Porque quem tem tudo, vive por trás de um escudo
Mas quem não tem nada, vive pela lei da espada
A sentença é pesada, mas encara-a de frente
Quem tem vergonha do que sente, perde sempre e nunca ganha
O peso na consciência é clara evidência da falta de experiência
No campo do relacionamento humano...

Criando o futuro, passo a passo
Nada aqui é permanente
Tudo o que tem começo também acaba
Cinzas, pó e nada...


A brilhar como o orvalho na madrugada
O nosso fado faz chorar as pedras da calçada...
Há quem viva esta vida em vão
Sem dar valor à dádiva, sem acção
Como um espectador de televisão
Qual é a direcção? Quem saberá...
Muita gente tira e muita pouca dá
A vida são dois dias, um deles é para acordar
O tempo começa a apertar
Está na altura de expulsar os vendilhões do templo
Criar sustento, parar, pensar e apreciar o momento
Somos guiados por valores:
Uma voz interior que me move
Encontro o verdadeiro norte
O coração sofre quando alguém parte
Porque o amor é forte como a morte
E foi na arte de viver que nos reconhecemos
Erguemos isto desde os velhos tempos, que saudade!
A nossa história é única, como uma rubrica
Canto esta canção com paixão, como se fosse a última...

Vivemos tempos soturnos, nestes locus horrendus
Não é à toa que vêm à tona os nossos medos mais intensos
Nós lidamos com sentimentos, sem ressentimentos
Seguimos pressentimentos
Vozes interiores sussurram orientação
Dão-nos a obrigação de ver na vida uma benção
Apesar da sucessão de depressões e desilusões
Perdi batalhas, mas nunca perdi lições...
Dias bem difíceis que passava para os papéis
Ansiedades e angústias abalavam a alma
Anestesiava os sentidos, tentava manter a calma
Vi sonhos ruírem como castelos de cartas
Quase desacreditei, abandonei as palavras
Neste mundo de mau carma, armas e pragas
Invado-me... A minha imaginação tem asas
Exorcizo fantasmas nas folhas de um caderno
Através da criação eu consigo ser eterno
Poeta boémio, gato vadio
Noctívago nas ruas deste Porto sombrio
Os meus pais perguntam-me o que é que eu vou fazer da vida
Prometo-vos, é este o ano em que tudo cambia
Tenho fé, esse é o meu trunfo na manga
Junto com os meus irmãos dou o grito do ipiranga..."

Estava à muito tempo para fazer isto;
pareceu-me a altura ideal.
Obrigado ao Norte pelos preenchimentos
na minha vida.