sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Os donos da verdade


Quando quero ofender todos
Os seres humanos de uma só vez
Digo que também eu sou dono da verdade.

Falas e dizes pensar melhor que todos
Os outros.
Abram alas, chegou o sabedor.

Às vezes não te percebo, sentes-te
Vencido ou vencedor?
A verdade nunca é dita
Na sua totalidade.

Falas e dizes que só falas a verdade.
Por isso opto pela escrita,
Porque se falo as verdades estas caiem
No abstracto, perdem-se no tempo.
Quem as ouviu, depressa as
Esqueceu.

Ser-se verdadeiro não é ter-se sucesso,
É conseguir incomodar de maneira
A corrigir o que está errado.

Os donos da verdade já me acenam
Ao longe,
Eu sorrio hipocritamente,
Nem imaginam como vos odeio.

Na linha ténue, quase inexistente
Que devide uma folha pintada de preto
E de branco, ai reside a diferença:
Eu sou dono da minha verdade,
Mas sei que muitas vezes a minha verdade
Está errada.
Pois eu paro, ouço e se necessário mudo-a.

1 comentário:

Joana disse...

Gostei muito deste poema, nunca o tinha lido. Os donos da verdade são muito comuns (eu própria sou um pouco, acham que sabem tudo o que há para saber. Mas tu tens o dom de realmente chamar à realidade as pessoas orgulhosas, e consegues melhorar o nosso mundo, passo a passo, todos os dias, com a tua escrita.