sábado, 19 de junho de 2010

Lutadores

Este é o meu último poema, prosa, chamem-lhe o que preferirem, positivista. Depois cairá um anjo e estarei de volta à poesia mais negra, de volta ao inicio. Estarei de volta às minhas trevas. Mas não se perde nada. Eu gosto de chamar à minha escrita: poesia negra que ilumina. Seja como for, para os lutadores. Para o que não lutam, para os que lutam e são desvalorizados. Para os que lutam por um mundo melhor, por uma vida mais completa, para quem luta para que cada dia seja diferente de todos os outros dias. Para os que sabem que a dor é apenas uma ilusão...os limites estão à nossa volta, os limites existem para ser ultrapassados. A sensação de os ultrapassar é bem melhor do que a sensação de ficar escondidos, com medo, de os ultrapassar. Tenho dito.

Celebrem que estamos vivos.
Não somos esqueletos que se movem na terra
não somos um exército de mortos coordenados
ao sabor de um ritmo pobre, sem chama,
que caminha só por caminhar.
Somos lutadores.
Luta pelo sol que vai nascer todos dias
brilhante ou escondido nas nuvens...
Quem se importa?
O sol está sempre lá, não interessa de que forma.
Somos lutadores
somos aqueles que dão o suor o sangue a força,
aqueles que não se limitam a uma só meta.
Somos o equilibrio entre a teoria
e a prática. Podemos admirar o abstracto
mas vivemos no concreto.
Somos directos, acolhemos esperanças para viver
bons tempos, bons momentos, cuspimos na desgraça com
desprezo, porque a queremos extinguir.
Somos lutadores
que não cessam mesmo com o corpo cheio de dores,
Somos criadores, conquistadores,
somos tudo o que podemos ser
no tempo que nos é concedido.
Envelhecemos com um sorriso nos lábios,
a vida não nos passa ao lado,
é agarrada como se fosse única, como se fosse a última,
Estamos unidos nesta vida para cumprir uma missão:
ser felizes, viver totalmente, espalhar a lição.
Estamos num lugar à parte.
Não somos cordeiros num rebanho,
somos pastores perdidos no centro disto tudo,
e já somos poucos.
Mas ainda lutamos.
Lutamos por nós. Pela nossa vida.
Todos os dias podem ser diferentes
e nós sabemos isso. Nós vivemos isso.
Celebramos a vida
conscientes das coisas más e boas que se atravessam
na nossa vida...Mas não paramos. Lutamos sempre mais.
E nunca, mas nunca, desistimos.
Desistir é morrer, e morrer é ficar de braços
cruzados perante a vida.
Somos lutadores.
Lutamos até ao último suspiro,
até à última inalação de ar,
a vida é uma batalha?
Então vivemos-la a batalhar.
A vontade é faminta,
é escrever até ficar sem tinta,
gritar até ficar com a voz rouca.
A fome nunca é pouca...
Somos únicos. Somos diferentes.
Vivemos de peito erguido
rosto feliz, alma preenchida.
Somos lutadores
quebradores de limites, a rotina para nós
não existe.
Não temos medo de sofrer em vão nem de ser felizes,
aproveitamos a vida no seu total...
Somos lutadores.
Juntem-se a nós,
a vida terá mais sabor
e vão-se sentir vivos.

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