sábado, 12 de setembro de 2009

Sem título ( Insanidade intemporária )


("Olá a todos...O meu nome é Diogo". Um coro de vozes responde: "Olá Diogo!" No canto da sala observo uma pequena mesa com bolachas e copos de café suficientes para matar um elefante com um enfarte. Vejo alguns restos mortais de cigarros no chão e aproximadamente quatro dezenas de rostos eufóricos à espera para ouvir a minha história. "Eu...tenho um problema...". Faço uma pausa. É tão dificil admitilo, dizê-lo em voz alta. Todos esperam, com as mãos trémulas, desejosos de bater palmas. Enfim, lá terei de vos dar esse consolo. Continuo: "Eu tenho um problema...(mais um curto silêncio para depois lhes proporcionar o auge)...sou um ser humano." Aplausos, fortes aplausos, sorrisos, muitos sorrisos. Chegou a hora do café...)

Sou forçado a desistir, quando na verdade queria continuar,
E de nada me vale tentar fugir, ou negar, aceito-o,
Como um mendigo aceita a sua pobreza e solidão,
Aceito-o.
Volto a adormecer para não me desiludir.
A exautão já não me cansa, já faz parte de mim,
Já nem me imagino sem ela.
O meu melhor amigo é o ódio. Está comigo quando preciso,
Vem me buscar quando julgo estar perdido.
E tudo aquilo que eu mais quero
E tudo aquilo que não tolero
E tudo aquilo que eu mais quero
E tudo aquilo que eu não tolero,
Tudo trancado numa jaula, uma fera sedente.
Nem sentado, nem deitado, como se não encontrasse
A paz activa que tanto procuro em nenhum lado.
E o tempa passa, levado pelo vento
Como um cigarro esquecido no chão cinzento,
Nós fazemos as nossas escolhas, pensamos saber sempre
a melhor maneira de caminhar na vida.
Julgo que estamos enganados.
Refugiamo-nos na vida para fugir à morte,
Na solidão para não amar,
E quando pensamos no que somos
não encontramos resposta que nos alegre.
Tento trepar o conhecimento e a verdade como se fosse um monte,
Mas nunca chego a meio caminho,
E não desisto, nesse mesmo meio crio um ninho,
Onde procuro um pequeno momento para não estar sozinho.
Conto histórias ao destino na tentativa de o enganar
Mas ele é sábio, tenho de desistir.
A energia que necessito está guardada dentro de outros,
E um pouco dela está dentro de mim,
Por isso acabo por morrer de sede, de fome, e não encontro ajuda,
Fico sozinho, como se aquilo que me dessem não me bastasse.
Não me levem a mal...a vida é assim mesmo:
uma bela trama, uma teia, uma bela história.
Quando o amor se mistura com o ódio
o meu coração acorda, revela-se, dá de si,
Encontra apoio, e volta a bater,
Como que ressuscitado.
E quando bate, tenta bater muito forte,
para não voltar a adormecer,
Mas mais tarde ou mais cedo o sono vem...
E que posso eu fazer?
Eu queria fazer muito,
mas contento-me em nada fazer.
Resta-me respirar e encontrar novos caminhos,
Porque sou humano, e os humanos conseguem:
Viver, matar, e tudo ao mesmo tempo;
Querer e tirar, e tudo ao mesmo tempo;
Fazer e destruir...tudo ao mesmo tempo.
Quando nos voltaramos a encontrar estarei diferente.
Prometo.
E palavra de ser humano vale mais que outras mil palavras.
Os meus olhos não vão faiscar ternura,
A minha postura vai estar direita, recta, correcta,
Serei diferente, serei menos acessivel, e tudo o que possa
ser serei.
Uma nostalgia preenche-me, não sei quando será
a última vez.
Fico à espera.
Ficarei?

1 comentário:

Joana disse...

Não fiques à espera, por favor. Mais vale continuar a lutar, mesmo que seja uma luta exaustiva sem fim, é sempre melhor. :) Como sempre, gostei muito, mas isso já é de calcular. Especial atenção para a introdução, acho que estava genial.
Acho que mesmo que já procures "a paz activa" há muito tempo, ela há-de aparecer. Tens é de ser paciente ^^. *