sábado, 14 de dezembro de 2013

com-ple-men-to

No final de todas as contas
ainda outras ficam por calcular,
números dos mais variáveis pesos
e medidas, letras ilegíveis,
outras mais definidas,
Aguardam por uma mão e por uma razão
que os solucione.
Num encontro de pesadelos e sonhos
a única certeza é a transpiração
que nos recorda que a realidade
faz parte dos dois.

De que vale essa luz
mundana, essa luz medíocre
que não basta para fazer temer a noite?
Essas pausas entre monólogos,
Esses pensares cansados de quem tudo procura
e nada encontra,
por entre histórias e Histórias
tão pouco nossas... - apesar de o serem.

Nesta visão ambiciosa, onde ser-se rei é pouco,
E ser-se deus é pouco mais,
Num escrever rouco, algures nesse sufoco
encontro a guerra que preparei por tanto tempo,
E aguardo-a, por um momento de reflexão...
Afinal de contas, do que vale a luz
se não existir escuridão?

domingo, 1 de dezembro de 2013

des-mem-bra-men-to

SENTI a falta de sentir este sentimento,
De quem recalca os confins da alma
numa maldade calma,
Tal faca que magoa pouco
mas que na realidade
está envenenada.

A poesia é só uma,
escrita dum passado,
canção da rua,
Pintura do que se vive
e do futuro.

Sangro negro neste sonho de ser maior,
E só na poesia se torna menos delirante
o surreal do chegar algum dia a ser,
Deus, deuses, pastores, videntes,
A esperança que não descansa mesmo
olhando as trevas.

Moldaram-se apartir de pequenas falhas
que julgam ser monstruosas,
Apenas isso, e apenas nada mais,
Mas eu, nasci nas trevas,
E mesmo essas trevas que me moldaram
São trevas dóceis
Em comparação com o rugido que sustende o mundo.

Para que os demónios possam brincar neste jardim
basta estarmos aqui, de olhos fechados,
Vontade seca, com mãos e pés em caminhos
errados...
Nessa passividade cega,
Sem amor ou ódio à verdadeira entrega,
Vivendo e criando falsas memórias rasgadas,
Num testamento para ninguém.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ao longe no mar

E os Homens não são ilhas...
Mas os monstros vão e voltam
na sua procura,
Eternos passageiros estrangeiros
sem terra natal.
Na origem do bem e na origem do mal
estão as canções que fazem movimentar
esses esqueletos, músculos e carne;
Por favor, alimentai esta fome
medonha, de quem por mal viver
já pouco ou nada sonha,
Esses Adamastores, esses guerreiros épicos
e míticos, que abalam as almas,
que as sacodem para que possam acordar.
Que se atormentem os corações
cansados de bater por bater e bater apenas;
Façam por deslizar esses pesos na balança,
nessa pequena dança entre o que poderia ir
mas não vai, e o que não deveria mas vem...
Caminhem sobre as chamas da escuridão,
De Luzes na mão, e nos olhos,
Caminhem sobre os mares,
Ao longe, encontrarão
um ilha...

Acordai.

(Obrigado pela música meu amor - Passenger, Deftones com Maynard JK)

domingo, 20 de outubro de 2013

Demolição Mental

Semeio tempestades
para que possa colher destruições.
Totais e sinistras são as canções
que embalam essas gentes quase mortas,
desgastadas de todo o sol
que as tornou cegas - e agora sofrem
entregues à escuridão.

Em nome dos pais,
dos filhos, e dos restantes em que podem
ou não acreditar.

O mental sonha controlar o físico,
mas mais cedo do que mais tarde
é por ele demolido;
sem aviso, sem cálculo para uma margem
confortável que evite um pouco mais essa dor,
Destrói-se o sonho e a morte é inevitável.

Alguns, de inocência forjada,
Podem alegar que desconheciam as consequências...
Não importa mais,
As sementes foram lançadas
E todos, com ou sem culpa,
Acabarão por as colher.

domingo, 13 de outubro de 2013

SkyFall


Deixem o Céu cair em plena terra
desabando o que dela restava
Atingindo as profundezas do maldito.
Tudo já se encontra à mesma altura
à mesma distancia, no mesmo círculo imperfeito.
Dito e feito, que tudo o que são palavras
se deixem soltar nas trevas de uma infância
que descalça os pés pronto para caminhar sobre
pó e cinza...Que tudo se deixe queimar,
Por quem tem a coragem de apontar um caminho,
Uma solução, um futuro melhor.
É este o sabor do início do fim,
Do conjugar do que já está conjugado à muito,
que o Céu caia, que a criatura humana trema
com o tremer do chão, da sua identidade,
Da sua prepotência, da sua arrogância,
Que se revele o interior verdadeiro, a mediocridade,
Que a cidade se transforme novamente
em terra e buracos, onde pequenas ervas e flores
das mais variadas cores,
encontram um motivo para nascer.

O silêncio nunca poderá assustar tanto
como os gritos de uma incerteza anunciada,
Onde cada palavra
cai, enquanto cai o Céu,
E quando, quase inevitavelmente,
Não sobrar mais nada...

Deixem queimar, deixem esmagar.

sábado, 28 de setembro de 2013

Enigmática máquina que respira quando morre

Respiração profunda,
Por entre carvão queimado
E as águas dos rios.
Entrego-vos as palavras,
Porque a necessidade monstruosa
Está silenciada. Nesta hora, nesse agora,
Saciar-me das trevas, dos assombros
Dos Homens e das suas Eras,
Da magnitude dos erros colossais
E das vontades cansadas ou mortas,
Não faz mais sentido. Morder, rasgar,
Desfazer, destruir, sangrar,
Libertar, guiar, fingir ser mais alto
E maior que os Homens,
- Tudo adormecido, ainda não esquecido,
Mas adormecido.

Dou-vos as palavras,
A amizade que nunca se afastou,
A amante que nunca deixou de amar,
A revolução que conquistou e que nunca
Deixou de evoluir,
A Fé aliada e unida à Ciência.

Palavra a palavra, passo a passo,
Nada é mais belo e nada é mais incerto
E nada é mais poderoso ou frágil
Ou sentido ou camuflado
Do que as palavras.
E se por hoje, vos dou as palavras,
Absorvam-nas, venerem-nas,
E sejam palavras por inteiro.
A monstruosidade descansa,
As palavras por agora são vossas,
Até que da inspiração se volte a sentir o perfume.

Dou-vos as palavras.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

premonições

Além das montanhas e das nuvens
um pensar gelado faz por se manter sempre 
em constante
movimento.
Desejado é o alento, 
calculado é o desprezo,
Praticado é o erro.
Alucinações são sonhos com um paladar
mais febril, assim como os pesadelos
nascem com um sabor realmente amargo e real. 

Não deviam, nem devem aceitar a vida
só porque a morte ainda não chegou...
Porque ela chegará - mais cedo do que tarde
porque ninguém é eterno.

Premonições caiem das montanhas e das nuvens,
como que uma avalanche,
mas sem rochas enterradas na neve e gelo
que as consigam abrandar...
Premonições são desejadas, calculadas,
colocadas em prática,
São a esperança, são o ódio,
são todos os erros...
Eva comeu, Pandora abriu,
o Homem foi arrogante e ganancioso.

Reticências do tamanho de rochas e pedras
tão antigas quanto o mundo,
tão pesadas quanto o mundo,
caiem, depois de todas as premonições...
Para que no fim, tudo o que (continue a) restar
seja incerteza. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Quake

Ressurreição d'almas queimadas pelas preces
gritadas durante todo este tempo,
Contra o vento, contra as marés,
Contra o frio e o gelo
O calor e as areias do deserto seco.
Treme-se o coração, o medo arrebata
os sentidos, e por breves momentos
não mais escolhemos...e somos escolhidos.

Treme a terra, segura do pavor que invade
os que se julgavam superiores,
Deliciosos terrores aliciam
os mais pequenos demónios;
e os anjos não conseguem ficar indiferentes,
na mutação suprema multiplicam as suas asas,
e aprendem a respirar, a sentir prazer e dor,
A dar vida e a tirar.

Tremores, provados pela consciência
de uma demência que é revelada...
Por outras apenas aceite.
Tardias são as palavras que nada importam,
Que nada mudam, que a tudo tiram a razão de se ser.
Os tambores tocam, e se o divino permitir,
tocarão cada vez mais alto...

Nesse pequeno palco onde
a vossa verdade é a verdade de todos os outros,
Inabalável, imponente, imortal,
a mais pequena aragem, tal brincadeira do vento,
ganha proporções épicas
Forças Naturais incontroláveis
Tal terramoto que de um só movimento
divide
a terra
em
dois
.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

damage over time

Dói demais não doer já tanto - ou quase já não doer,
Dessa dor, desse dano causado, desse dano dorido
sentido constantemente, que acompanhava o respirar,
o andar, o pensar e o não pensado, o estar vivo
sem se querer estar, o aguardar que a morte
não aguardasse mais...

Não cansa mais esse trovejar a trevas,
o calor das infernais labaredas,
A luz escura do Céu...
Demónios e anjos, juntos, de mãos apertadas,
almas unidas, sentindo nos pés a mesma aspereza
da terra, da folha e do pó.

Ninguém espera mais do que aquilo que alcança,
e raramente avançam mais do que tudo aquilo que recuam,
Mais um passo, mais outro, mais dois passos,
Não há balança que se desequilibre
na hora de conquistar mais balanço...

A palavra está escondida nas cavidades
da boca,
a Palavra está trancada nos lábios...
Mas nasceu em dois sítios tão diferentes...
Como a Ciência e Fé...
Até lá, fica o agradecimento.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

a canção d'os outros

'...este fulgor baço da terra 
que é Portugal a entristecer. ' (Fernando Pessoa)

Sem medo da morte. Sem qualquer medo da morte,
assim esperam, enquanto evoluíem, 
os que entraram para a História. 
Deixaram que essa luz se acendesse por dentro,
tal incêndio a alimentar-se de uma floresta.
Naqueles onde o olhar vazio
sem fome nem sede resta
n'outros é venerado, elevado, todo e qualquer desejo
que se manifesta. 

Demónios de sal, mar e areia,
Entre danças quotidianas e simples...
Mas ilusórias e falsas como
as canções das sereias.
O desafio é o longe, mas a conquista 
começa no que está mais perto...
O incerto está repleto de olhares
tristes, de sentimentos e sufocos e apertos.

Poderia estar enganado, tal criatura humana,
por uma chama que quase ninguém consegue ver,
Numa escrita insana, seguida por pés corajosos,
Almas que por sentir a vida
escolhiam as escolhas mais perigosas.
Por entre a Mãe traiçoeira Natureza,
das suas lágrimas agitadas,
do pó nascido da destruição calma e serena das rochas
e pedras...
Por entre colinas e serras,
Paz e guerras...
Um sangue pulsava forte, 
sem medo, sem qualquer medo.

Entristecido, adormecido, 
foi em tudo isto que tudo se transformou.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Razões obscuras

A concepção nas alturas do vosso púlpito, mesmo que imaginária
terá no seu resultado uma queda real...

Adormeceram nesse sonho profundo e belo...
Acordaram neste pesadelo, numa rotina
sentimental, racional, orgânica,
Revoltada nas essências mais escuras,
mais básicas, mais enraízadas na alma dura
que tortura cada centímetro dos pontos vitais da loucura.
Cresce por dentro esse aliviar macabro,
do faminto, do mito, do primal instinto,
dessa cor, cor de absinto,
Desse suor, dessas lágrimas, que escorrem por todo o lado.

O vosso tempo chegará, quando esse vosso céu azul
e brilhante se tornar escuro,
Quando o vosso chão consistente, estável e seguro
começar a termer.

Arrepios crescem de vários pontos do corpo,
Os olhos fecham e abrem num momento absoluto
num momento único...a respiração encontra-se completa,
como uma última tentiva de acertar uma seta no seu alvo
finalmente concretizada.

Mártires, falsos modestos, ingratos,
Inconcretos.
Sobre os factos verdadeiros chovem raios de luz...
Mas as ilusões duradouras, esses delírios de romantismo
e loucuras, para onde Deus nos lançou
e o diabo nos pôs

não passam de
razões obscuras.

sábado, 13 de julho de 2013

Salvações perdidas

Num lugar corrompido pelo mais simples
movimentar de lábios, da respiração que envenena
o ar, dos pés que já não caminham apenas pisam,
O dia d'amanhã promete cheirar a nunca.
Nesse oxigénio que vai alimentando os pulmões
cansados da corrida diária na busca da procura
por respostas e por perguntas
o pó e a cinza sufocam.
Perante toda esta água que afoga
D'alto a troça divina revela-se sobre a forma de chuva.
Tambores ao longe batem treze vezes, por uma hora
inexistente, nem agora, nem depois ou antes,
A escuridão cerra os dentes
e devora todo este todo
Por quem nasce
e por quem dá o seu último fôlego.
É tempo de fazer parte da História
ou de deixá-la passar,
como passa tudo o resto.
Nesse manifesto grotesto que está retraído no vosso peito
Aceitem a sugestão deste ser imperfeito
amonstrificado pela ausência de um verdadeiro conceito:
Sintam e pensem e ajam...ou deixem-se perder nesse horrível leito.