Num abraço aparentemente inocente
só o olhar mais atento
consegue observar o pormenor
onde a mão do demónio acaricia
o fundo das costas do anjo...mas
a mão sobe e por entre os omoplatas
crava-se...tudo se dá num Instante
e nesse Instante tudo muda.
A verdade é fácil de esconder,
A mentira é fácil de aceitar.
Tudo já mudou, e mudou há muito tempo.
Os olhares fingem estar fixos, num ponto escolhido.
O livre arbítrio é justificação para os que não entendem
o lugar matemático em que estão situadas as estrelas,
E o Fado, desculpa justificada, para que o peso
do erro e da morte, não seja tão pesado.
Já não me sinto preso, aprendi a respirar este pesadelo,
a vive-lo, porque assim é a vida.
Entrelaçados movimentos, sentimentos,
unidos pela origem e pela origem separados,
Será isto o que perpetua a história do Homem?
Quem poderá negar? Fazer diferente? Iluminar?
Quando tudo o restam são trevas.
A sabedoria está na altura máxima que os olhos alcançam
A sabedoria está na distância máxima que os olhos alcançam
Mas é aqui, tão perto, tão junto ao chão, que olhos olham.
Respirar e viver dentro de um pesadelo é a única forma
de morrer a sonhar, por uma realidade diferente,
pois esta já é autêntica e pura, na escuridão, na certeza.
O anjo teria conseguido voar se qualquer homem ou mulher o tivessem
soltado. Mas ninguém se moveu. E mesmo se alguém se tivesse movido
teriam chegado a tempo de evitar aquele Instante?
Digam-me...porque demoraram tanto? Porque continuam a demorar?
terça-feira, 4 de setembro de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
No lesson learned
'
Sometimes in life you feel the fight is over,
And it seems as though the writings on the wall, .. '
Sensações tão merecidas,
carícias ressequidas apodrecem esquecidas
dentro de quatro paredes fechadas
- Nunca existiu saída.
Culpamos os outros pelo excesso de ingratidão
Por não terem dado o valor
Por ser tão tarde agora...
Mas nada é o que parece ser
e agora já não adianta esforçar as pernas
empurrar os braços contra esse chão tão pesado
- Com ou sem ajuda é impossível voltar a erguer.
Repetição constante de uma desgraça que nasceu
no dia do nosso nascimento, lutando contra um vento
que nunca fez por se desviar.
E o que toda essa gente teme
é que a fraqueza e o errar
estejam enraizados no seu ADN.
Os anos passam e voltam a passar,
as letras marcam palavras nessas quatro paredes
e nas paredes da alma
Fortes como quem as escreveu
fracas pelo vazio de actividade que são,
O que as mudará? A vida essa está morta
só nos resta negar mais uma lição.
And it seems as though the writings on the wall, .. '
Sensações tão merecidas,
carícias ressequidas apodrecem esquecidas
dentro de quatro paredes fechadas
- Nunca existiu saída.
Culpamos os outros pelo excesso de ingratidão
Por não terem dado o valor
Por ser tão tarde agora...
Mas nada é o que parece ser
e agora já não adianta esforçar as pernas
empurrar os braços contra esse chão tão pesado
- Com ou sem ajuda é impossível voltar a erguer.
Repetição constante de uma desgraça que nasceu
no dia do nosso nascimento, lutando contra um vento
que nunca fez por se desviar.
E o que toda essa gente teme
é que a fraqueza e o errar
estejam enraizados no seu ADN.
Os anos passam e voltam a passar,
as letras marcam palavras nessas quatro paredes
e nas paredes da alma
Fortes como quem as escreveu
fracas pelo vazio de actividade que são,
O que as mudará? A vida essa está morta
só nos resta negar mais uma lição.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
ataque De pânico
Os olhos assustados observam
trevas, movimentos acelarados
de passos dados em direção a um fim.
Garras afiadas e infectadas rasgam
a pele do peito, cravam carne
destroem osso, finalmente é atingido
o objectivo. Na ignorância da ingenuidade
está o perigo, acreditar sem ver, acreditar
sem sentir por completo,
acreditar numa sombra daquilo
que realmente existe.
Estar morto é como ser-se deserto:
o calor é em demasia, e cansa e o silêncio
é infinitamente frio.
O sistema nervoso dá cordas à imaginação,
o coração aperta até ao tamanho de um pequeno grão,
e a dor é a consequência de uma vivência
exagerada na ilusão.
O barulho estica o comprimento da alma
até à sua exaustão, e enquanto esta não quebrar
tudo pode continuar...foi apenas mais um ataque de pânico.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Transcrições
Não existe origem diferente
daquela que já existia. Observam-se
as emoções, o vento das palavras, as ilustrações,
com detalhe tudo é assimilado
e são feitas transcrições.
Que falta de autenticidade.
Mas esta é a realidade.
Somos todos iguais, no bom, no mau
na igualdade. Transcreve e continua a viver.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
( 10 000 )
Dias, punhos no ar, lágrimas, sorrisos, abraços, beijos, quedas, pensamentos, palavras...Vinte mil olhos, dez mil visualizações. Obrigado
sábado, 4 de agosto de 2012
o Corvo

Todas as noites caio novamente - e se me levanto
é somente para poder cair outra vez. E outra.
Porque voar alto não me chegou. Porque deveríamos beijar
o céu, se um pouco mais acima está o sol?
Cai-se, cai-se abaixo da terra, onde as chamas
queimam e ardem à inferno.
Aceitei, o que me demonstraram por tantas vezes
ser o destino que um Homem deve aceitar,
ser destruído por ele era um desafio demasiado imenso.
E não se luta - não se deve lutar - as lutas estão guardadas
para os que devem sangrar - na busca do verdadeiro alimento.
Aceitação numa luta medíocre...e mesmo nessa
falta a força de ser lutada. Fraca, hostil, esta é a minha casa.
Orgulho ou pena são em vão
numa aceitação que foi assente na escolha.
Por muito que queime - e queima sempre,
na dura ausência de um verdadeiro alimento
sobram os restos mortais de tudo o que rodeia.
Voa, mas voa muito baixo, e chega ao longe que pretende,
tão só, tão perto, da tua janela - vestido de negro
na vastidão da noite - protegendo-te dos pesadelos
mesmo quando não sabes que lá está,
sozinho no escuro - e os olhos não se movimentam
para além de ti, deitada, num descanso sereno.
E o grito é o alongar da queimadura...e o pequeno consolo
é ver-te sonhar perante este horror cravejado de trevas da realidade...
Descansa, deves estar cansada. Aqui caio, aqui grito,
daqui vejo o teu nome, por detrás do vidro.
domingo, 29 de julho de 2012
depois da Madrugada
' Há algo de desesperante na solidão, na dormência.
Algo de inevitabilidade no vazio que ecoa cá dentro.
Nas palavras que ardem como se o sol me ferisse o
Coração. Que nunca vão, porque são a realidade. ' JH
estrelas que retiram ao céu a monotonia das trevas,
céu esse, reflexo interior de almas negras
sem estrelas que lhes dêem brilho.
na noite o único conforto é o sonho
e o desejo do milagre humano ou divino
trazer um sentimento diferente no dia seguinte.
E o dia vem, vem sempre, até deixar de vir,
mas nada muda, tudo está igual, tudo está pior,
a rotina crava-se na coluna vertebral -
controlando todos os gestos, todos os movimentos,
Cala o cérebro, cala os pensamentos, os ditos
e não ditos. E o vazio não chega, porque já cá estava,
e fica, continua a ficar, porque a madrugada
é calma. Um pesadelo que dura até ao noite cair
só para que haja espaço para o sonho sonhar - ilusões.
O avanço poderia ser cego, mas não há avanço,
os ponteiros rodam, acrescentando sempre mais tempo,
o tempo que já não volta; mas não faz mal, nada se perdeu,
porque durante todo esse tempo nada se ganhou.
Uns avançam, para não recuar, uns recuam só para
ganhar balanço. Todos olham o sol que se esconde,
de esperança na mão. Amanhã será um novo dia,
mas um dia igual. Espera, escuta e olha, ouve
e fala, deseja e faz...a mentira do resto ficará responsável,
pelas feridas, suores frios, silêncios frios, espaços vazios
dentro de algo que devia estar sempre a evoluir.
O dia nasce...vive, morre ou perde-te.
Algo de inevitabilidade no vazio que ecoa cá dentro.
Nas palavras que ardem como se o sol me ferisse o
Coração. Que nunca vão, porque são a realidade. ' JH
estrelas que retiram ao céu a monotonia das trevas,
céu esse, reflexo interior de almas negras
sem estrelas que lhes dêem brilho.
na noite o único conforto é o sonho
e o desejo do milagre humano ou divino
trazer um sentimento diferente no dia seguinte.
E o dia vem, vem sempre, até deixar de vir,
mas nada muda, tudo está igual, tudo está pior,
a rotina crava-se na coluna vertebral -
controlando todos os gestos, todos os movimentos,
Cala o cérebro, cala os pensamentos, os ditos
e não ditos. E o vazio não chega, porque já cá estava,
e fica, continua a ficar, porque a madrugada
é calma. Um pesadelo que dura até ao noite cair
só para que haja espaço para o sonho sonhar - ilusões.
O avanço poderia ser cego, mas não há avanço,
os ponteiros rodam, acrescentando sempre mais tempo,
o tempo que já não volta; mas não faz mal, nada se perdeu,
porque durante todo esse tempo nada se ganhou.
Uns avançam, para não recuar, uns recuam só para
ganhar balanço. Todos olham o sol que se esconde,
de esperança na mão. Amanhã será um novo dia,
mas um dia igual. Espera, escuta e olha, ouve
e fala, deseja e faz...a mentira do resto ficará responsável,
pelas feridas, suores frios, silêncios frios, espaços vazios
dentro de algo que devia estar sempre a evoluir.
O dia nasce...vive, morre ou perde-te.
sábado, 28 de julho de 2012
o silêncio de Deus, o sorriso do diabo, e outras coisas insignificantes

..fazendo
com que fosse aberta a porta, onde com um sorriso distante nos espera
do outro lado a criatura que diz com uma voz firme: Estás de volta.
Quando tudo o que está à volta
crescer deixarei de escrever,
quando morrer, finalmente deixarei
de escrever.
a sanidade não é constante, reflexos
de uma doença igual a tantas outras.
Meros seres humanos, numa luta,
num amor, numa derrota certa
contra a divindade humana.
Já lá estiveram, de lá não conseguiram sair,
para lá voltaram. São pegadas que acabam,
é impossível seguir mais, para onde terá ido?
Coincidências são leituras forçadas,
o cérebro é iludido por uma vontade
e os sentimentos revoltam-se
deixando como movimento um atrito maldito.
Sentimentos racionais, religiões cientificas,
os contrários que se unem
os contrários que se destróiem
A ira de outrora, o escárnio de outrem.
(Para que os que foram presos possam escapar,
para que os que se prenderam tenham
igual força para se soltar)
Diz a verdade, para que a mentira possa
viver sossegada e feliz noutro lugar qualquer.
Quem se importa o suficiente para alterar
seja o que for?
Nem eu, nem os outros.
Dizem-me e eu sozinho acompanho - tenho medo.
sábado, 21 de julho de 2012
não perguntes

por esses movimentos
levemente pesados, trilhos escolhidos,
indecisos fados, nas estrelas estranhas
dum céu que não consegues entender.
Devaneios de quem procura na loucura
uma razão distante de ser apenas diferente,
brincadeiras de um Deus
perante uma negação constante e firme do ser humano.
Alguns sabem; outros fingem saber,
sobre cada pormenor
do homem, da mulher. De cada parede,
das suas janelas ou portas, e da importância
da sua ausência.
Não perguntes.
e a felicidade tamanha, tão enorme
dita quase impossível de conter,
deixou de fazer sentido; deixou de ser sentida;
e será fácil destruir mais uma teia de aranha,
pois depressa outra estará erguida.
não Perguntes.
Cortar o simples em dois,
sobram duas complicações. Sempre mais além.
Nada disto tem consequências
verdadeiras, porque a realidade está diferente.
Conhecemos esse caminho, sabemos onde vai dar,
mas escolhemos esse na mesma.
não perguntes
porque eu sei responder.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
4, os que passaram
Quatro anos a amonstrificar…
Confesso, nunca pensei ter tantas letras, para alimentar
tantas palavras, para construir versos e frases. Quatro anos. Quatros anos
passaram desde o primeiro texto que foi partilhado para este mundo enorme que
é a internet. Quatros anos de escrita, entre textos de tantas formas e
conteúdos…Uns melhores, outros piores. Por onde começar? Pelo fim? Pelo meio?
Por lado algum. Entre projectos sonhados que ficaram sempre pela base mais
junta ao chão, entre descobrimentos e re-descobrimentos, entre os altos e
baixos que todos os outros sofrem, o monstro não fica indiferente…Nem
quer. Nem pode. Porque escrevi durante quatro anos? Pela mesma razão que não
posso deixar de escrever. Se o mundo fosse perfeito tudo isto seria bem mais
complicado – apesar de não faltar vontade de descrever o belo existente, o belo
por alcançar. Assim sendo, ainda bem, apesar de ser um verdadeiro ainda mal.
Queria que esta
data ficasse marcada ao mesmo tempo que chegasse às 10 000 visualizações, mas
também não foi possível.
Obrigado a quem tem lido, aos que vão e aos que voltão, e
aos que desde sempre aqui estão.
Um obrigado especial a quem comenta, pela “ousadia”, pelo
feedback.
Quatro anos a amonstrificar, nestas Narrativas de um
monstro…
‘On a
long enough time line, the survival rate for everyone drops to zero.’
E isto serve para todos, humanos e monstros…
domingo, 8 de julho de 2012
na Guerra
' Porque a nossa guerra é outra . . '
Depois da tempestade, vem a descrença.
Não se iludam, a batalha ainda agora começou.
Na procura da cura para todo este suor
que escorre pel'alma e que invade o terreno
em redor, a terra apodrece, e os pensares
fazem pactos com a ignorância.
União mental, física e sentimental,
a gargalha só podia ser fria,
alargada ao eco de uma gruta.
Vai e volta, embate num poder mais fraco
as batalhas de ontem já não querem chegar amanhã.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
no Céu a metamorfose é somente
entre o preto e o cinzento, e cantam
luzes que abalam quem está por esta terra,
sobra o medo, sobra o negro,
sobra tudo aquilo que escolheu ficar ao vosso lado.
Aperfeiçoamento numa ira verdadeira
de lutar pelo que se quer, antes do Fim.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
Cordeiros numa planície aberta
à espera do caçador; ele virá, eles virão,
e o sangue escorrerá antes do dia chegar a meio.
Depois da tempestade foi roubada a esperança...
Que se erga a Fénix, a obra prima humana
sem limites primários, que se abra a caixa
de Pandora de olhos bem abertos, sem hesitação.
Porque a vossa guerra deveria ser outra
- Mas não é.
Depois da tempestade, vem a descrença.
Não se iludam, a batalha ainda agora começou.
Na procura da cura para todo este suor
que escorre pel'alma e que invade o terreno
em redor, a terra apodrece, e os pensares
fazem pactos com a ignorância.
União mental, física e sentimental,
a gargalha só podia ser fria,
alargada ao eco de uma gruta.
Vai e volta, embate num poder mais fraco
as batalhas de ontem já não querem chegar amanhã.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
no Céu a metamorfose é somente
entre o preto e o cinzento, e cantam
luzes que abalam quem está por esta terra,
sobra o medo, sobra o negro,
sobra tudo aquilo que escolheu ficar ao vosso lado.
Aperfeiçoamento numa ira verdadeira
de lutar pelo que se quer, antes do Fim.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
Cordeiros numa planície aberta
à espera do caçador; ele virá, eles virão,
e o sangue escorrerá antes do dia chegar a meio.
Depois da tempestade foi roubada a esperança...
Que se erga a Fénix, a obra prima humana
sem limites primários, que se abra a caixa
de Pandora de olhos bem abertos, sem hesitação.
Porque a vossa guerra deveria ser outra
- Mas não é.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
o Outro caminho
Serão precisas palavras, mas só mais tarde,
não agora, não aqui,
o silêncio, se for partilhado perante
peças que se encaixaram
por uma vontade ou por uma não vontade
de deuses em uníssono, bastará.
Podem entrar num desacordo cósmico,
planetas embatem com planetas,
e a chuva d'estrelas só é bela vista
cá deste chão, sobe o mar,
expira o vulcão, mas são outras guerras.
O tempo envelhece e leva com ele
tudo o que não se pode recuperar.
Cara e coroa. Porquê esperar?
Se a verdade dos olhos bastasse,
os movimentos que param a meio caminho
que transbordam vontade,
e um desenho nos lábios impossível de forjar.
Serão precisas palavras. Mas as palavras
nunca chegam, porque são de mais. Ditas em
silêncio. O silêncio bastará...até que
se escolha o outro caminho.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


