sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Criaturas, após a metamorfose


"Yes I am ugly as much as I can be..." (Silence 4)

Na minha melhor noite fui o meu pior pesadelo,
E continuo sem conseguir vê-lo, ao caminho
que deveria estar a caminhar.
Talvez não sejam assim tantas as perguntas
talvez não sejam assim tão poucas as respostas
mas o mundo mantêm-se no seu ciclo...
E eu? Como todas as criaturas
continuo vivo dentro desse perfeito círculo.
De um lado: a teoria
do outro a prática,
A passividade
a pragmática,
As letras, a matemática...Estou morto à tantos dias
que dificilmente volto a morrer.
Nunca pensei estar morto tanto tempo
enquanto chuvisco neste frio fraco.
Dizem que a verdade cura
mas a alma da criatura
tropeça nela, e choca nela
como se tratasse de uma rocha dura.

Será a verdade dolorosa que nos faz atingir o caminho certo?
A pessoa que se ama?
Ou pelo contrário...é a verdade dolorosa que nos afasta
daquilo que mais queremos por nos causar medo!?

São todas estas criaturas
de diferentes sentimentos
de diferentes alturas
que nascem, e vivem e morrem em nós.
São dias de sol
que se transformam em dias cinzentos,
e o calor da alma
que na cama invade uns pés frios.
São momentos completos
que o passar do tempo
de alegria ou saudade
nos causam arrepios...
Perder tudo
e deixar ir.
Para voltar a sonhar e lutar por tudo novamente.

Nunca será glorioso vencer batalhas
se no fim a guerra está perdida,
e não foi uma guerra.
Uma metamorfose começada
se não é acabada
é como se fosse nada.
O guerreiro que larga a espada
(sem que seja para descansar)
tornar-se-á em alma despedaçada.

Não quero ir a mais lado nenhum,
a menos que seja estar contigo.
A minha metamorfose está longe de estar completa.
E a tua como está?

Mensagem enigmática



Nem pareço eu...a menos que...

Unleash the hell

Tenho o poder normal de um ser humano:
catastrófico.
Consigo amar e roubar a dor,
Consigo odiar e sentir vingança.
Consigo fazer-te feliz como mais ninguém
e querer, e desejar ficar contigo para sempre
dando sempre o melhor em tudo.
Consigo atraiçoar, soltar um inferno que estava preso
deixando este mundo indefeso, pronto para sofrer
até que morra.
Tenho o poder normal de um ser humano...
Talvez outro anjo perdido no inferno.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Um grande problema?

Fiz uma pequena pausa para reflectir sobre um
(grande) pequeno problema da raça humana...
Que atire a primeira pedra quem não pensa da mesma forma que o Calvin.

Eu penso. Mesmo tentando não pensar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Unleash the silence

Os tambores de guerra deram tréguas por momentos,
e tudo o resto é vazio.
Não que esteja tudo completamente vazio,
são apenas os seus interiores que se encontram vazios,
tudo sem preenchimento.

E é então
que tudo fica nessa paz morta
nessa guerra que ficou por travar,
tudo devido ao silêncio.
Para quem conseguir esperar
os tambores de guerra
com sorte voltarão.

Unleash the anger

Deveria toda a raiva ser acção?
Existir um círculo de chamas
envolto, pronto a arder para sempre?
Deveria toda a raiva ser razão de destruição?
Algum vêem nela um caminho para a perfeição.
Para mim toda a raiva é bênção
se me entregar à inspiração.

Mas não...Soltem-na apenas,
contra todos,
deixando-a livre para atacar tudo e todos,
Livre para ser ela mesma.

Raiva presa apenas leva à frustração.
Partilhem o seu peso
e aceitem a ajuda sincera.

Unleash the pain

Estou silencioso.
Não é um silêncio misterioso,
é um silêncio covarde,
é um silêncio quase doloroso...
(Mas tenho tentado viver
através da frase que a dor é apenas uma ilusão)

Queria que a dor fosse destruída
depressa, para depressa darmos valor
à sua ausência.
É este o estado de alma
é esta a consciência, ou a falta dela,
Descobrir a cura
é mais difícil do que a reconstituição de um crime,
Onde o sangue atinge vários pontos do chão
vários pontos das paredes
criando uma imagem sublime...uma dor passada
mas não esquecida.

Cravo as unhas num sítio qualquer
na esperança da dor se desvanecer.
E rezo para ser nuvem
e conseguir dividir toda a dor
pela terra em forma de chuva,
toda ela espalhada sem um ponto a focar.
Tudo à deriva, tudo entregue ao seu ciclo
até a mim voltar (de outra forma).

É preciso cair, para depois levantar,
é preciso perder tudo para podermos ter tudo outra vez.
É preciso doer.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Unleash the heaven

Poderia reabrir a porta...

Mas não sei o quanto tentarão,
O quanto lutarão, por mais um dia.
Esta janela esteve sempre aberta
fosse a sua paisagem sol ou nuvens.
As coisas estão iguais. O mundo parece
que quase dorme em paz,
esperando a hora certa de acordar.
Mas no fim?
Um silêncio infernal abate-se sobre esta terra.
Deixando os anjos e os demónios
numa luta constante
onde o ser humano nada faz
obstante esperar...E tanto espera pelo quê?
Por tudo aquilo que não mais interessa.

Junto forças para deixar de caminhar sozinho,
Mas no fim, por muito esforço aplicado
fico a respirar este ar sem mais ninguém.
O céu sempre me deu incentivo.
Tentei sempre espalhar o bem, nas formas
naturais da minha alma, nas minhas acções,
E o bem chegaria...
A passividade e a hipocrisia vão envenenando
os passos da maioria das almas,
A umas chega mais depressa
a outras com mais calma...Porque tanto esperam?
E a falta de fome
que a todos nos consome
sem tréguas, sem chama acesa que se eleve!

Estou apenas curioso...
Onde está guardada a chave desta porta?
E se soubéssemos que por detrás desta porta
está um céu à nossa espera?
Haveria então coragem e vontade para a abrir?
Ou continuaríamos nalgum género de trevas?

A minha aura está meio morta
meio viva; no repouso da árvore da vida.

Receamos o livre arbítrio
como tememos o infinito.

O momento é o agora
o lugar é o céu
que se rende mesmo aqui,
é a hora de abrir a caixa de Pandora,
é a hora de não me ir embora,
é hora de voltar a descer o véu...
Tenho de ser o que já fui, e viver o que vivi.

Pela esperança de voltar a abrir esta porta.

domingo, 14 de novembro de 2010

O retrocesso do universo

A violenta paz que me ignora todos os dias,
São falsas nostalgias, fracas sabedorias,
É a beleza em actos de violência
é toda a total demência
São todas as agonias.

É o negar da existência
é a morte da essência.
É um apogeu sem euforia...

São seres humanos com uma vontade vã,
Se me esquecer de fazer hoje
o importante é não me esquecer de fazer amanhã.

Deveriam ser grandiosos os cantos
aliviados pelas bocas dos anjos
para apaziguar todos os nossos prantos.

Era um sonho. Não deixes o mal entrar no meu coração,
Vai-te à luta, força forte de furacão,
Quem luta parece que não vive em vão.

É o retrocesso do universo
numa escrita resumida em verso,
Toda a não-história tem um preço
e tudo o que ainda tento pedir
e que ainda peço
é : tenta conseguir.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Demasiado novo, demasiado tarde

Something always brings me back to you...

Sete,
contados em várias velocidades,
em vários locais,
onde o abismo e a união se encontraram
mais do que o uma vez;
É um dado adquirido respeitar o tempo a passar...
Espero não ter chegado demasiado tarde.
Rostos vagos, amigos, irmãos de sangue,
a outra peça que se encaixa em nós
fazendo com que tudo faça sentido...
Espero não ter chegado demasiado tarde.

Corri, tentei, mas não tentei nem corri o suficiente.
E tento agora, novamente, correr e tentar.
Nunca deveria ter parado. Agora sinto esse peso,
mas talvez tudo aconteça por uma razão.
Ou talvez não. Interessa-me? Já não.
Quero o que quero, e só por isso devo lutar.
Existem coisas que separadas nem sequer fazem sentido,
e mesmo que possam fazer, não é a mesma coisa,
nunca estaremos a falar do mesmo.

Cabe-me agora, não ir demasiado tarde.
É ténue a linha que separa os opostos...
Todos os opostos. Mas é essa mesma linha que tento
agora, espero que não demasiado tarde, absorver,
destruir, ...

É altura de me iluminar a mim
e de conseguir aquilo que mais desejo,
a razão de viver feliz.
A razão de valer muito mais a pena viver.
E é hora de não ser demasiado tarde,
ou tudo
talvez ainda mais para sempre
tenha perdido
o sentido.

As esperas já foram mais longas,
é hora de fazer com que as peças
se voltem a encaixar.

Something always brings me back to you...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Carta para "Jimmy"

Querido amigo,

Está na hora de voltar para casa. Quero, tal como tu, voltar a encontrar a face da estabilidade, mas não a quero voltar a perder de vista. Quero voltar para casa. Quero uma nova oportunidade de descobrir como fazer a diferença, quero voltar a sentir-me eu, o eu que me preenchia, o eu que eu gostava de ser. Escrevo-te esta carta por várias razões...Em primeiro lugar posso precisar da tua ajuda para voltar para casa. O caminho é difícil mas não é impossível, e talvez precise de alguém que me guie, pelo menos inicialmente. Estou cansado, um pouco impaciente, pedia-te então, que me guiasses o mais gentilmente possível. Pedia-te também, que fosses tornando a minha casa o mais acolhedora possível, para a minha chegada, que limpasses todos os detalhes, que a tornes como outrora espelho de alegria, conforto, e salubre. Todos os dias, desde há já algum tempo, sonho com este dia, o dia de regressar a casa. Pensar no sentimento que já senti, na sensação de estar completo, capaz de vencer todos os obstáculos, faz-me sorrir enquanto caminho para casa. Mas como sempre, a meta não é o desafio, o desafio está no caminhar, está no caminho. E está, como na maioria as pessoas não entendem, na: vontade de o caminhar.
Por isso meu caro amigo, vem em meu auxílio. Não sou de pedir favores a ninguém, apesar de estar sempre disponível para ajudar os outros. E está na hora de voltar para casa. Já tentei iluminar, salvar abismos de receberem mais um corpo, já amei e tentei amar, mas também já destruí. Dizemos sempre a quem está à nossa volta que somos diferentes dos outros...mas é mentira. Somos iguais aos outros, mas de forma diferente. Compreendes? Todos somos substituíveis, porque as almas são quase infinitas, e o ser humano, para o mal como para o bem, enquanto conseguir surpreender, tem uma chance de fazer a diferença. Mas descobri que não. Existe uma excepção, ou mais do que uma. Sabia que substituir alguém de família, alguém muito próximo e amado é impossível. Mas nunca acreditei sentir isto com alguém sem ser de sangue. Portanto meu amigo, aconteceu algo que raramente acontece: tive de engolir as minhas próprias palavras e arranjar uma solução para este problema. Por isso te escrevo esta carta.
Estou quase farto destas sombras, agradecia que caminhasses na minha direcção com essa luz bem alta, para que eu pudesse ver, e guiar-me para casa.

Obrigado, e até,

Diogo GTH
8 de Novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010