quinta-feira, 24 de junho de 2010

Não é uma velha imagem é um símbolo


"Só paga o preço errado quem não enxerga a outra face da moeda..."

Há muito para compreender
para descobrir...
Nisso não me duvido, nem duvido de ninguém.
Observar com sentimento de quem perdeu para
sempre uma imagem antiga,
sorrir com essa fome de quem a viveu.
Somos nós aqui, naquele momento,
naquele sentimento,
não é uma mera imagem
é um símbolo.
Estava vivo. E vivo estou se a observo.
Para trás ficará uma imagem
um estímulo, algo de difícil definição...
Apreciar um passado, pensar um futuro,
agarrar o presente...
Tirar lições constantes desse mar calmo
e turvo que é a vida...
Sentimento em bruto
à espera que dê fruto.
A moeda cai ao chão...
A maioria vê a face que ficou virada para cima.
Eu levanto a moeda e depois de ver a face superior
olho para a outra face.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sombras

"I am just a worthless liar, I am just an imbecile...There's a shadow just behind me
shrouding every step I take. Making every promise empty, pointing every finger at me..."


São sombras sombrias que me assombram...
E eu não gosto de me sentir assim.
Existe uma sombra que me acompanha mesmo quando não
há luz, que me segue durante o dia, mais silenciosa,
que não me deixa durante a noite.
E o sossego que povoa em mim
anda desaparecido de momento,
deixando-me sozinho nesta frustração
neste nervosismo, como se soubesse o caminho
mas não o conseguisse encontrar.
O que queres?
Eu quero o que eu quero.
E vou elevar-me para cair mais alto,
vou preencher para depois deixar um vazio.
Vou odiar-me durante muito tempo...
E a sombra acabará por ficar
algum tempo mais.

Arremessamento contra qualquer coisa


"Take everything from the inside and throw it all away..."

Pego em todos os pedaços do meu ser
e vou arremessando-os contra qualquer
coisa, a toda a força, a toda a velocidade.
E aguardo, quase paciente
por algum reacção.
Pego em todos os pedaços que tenho dentro de mim
e faço-os voar em várias direcções
contra qualquer superficie ou vazio,
E vou esperando ouvir um som que se propague
em mim, uma destruição qualquer,
qualquer evolução que me faça render
à verdade que todos estes pedaços nada faziam
dentro de mim.
Arremesso todos.
Partam-se, façam ricochete contra a parede
e voltem para mim! Magoem-me se for preciso.
Só quero mandar tudo contra alguma coisa,
seja o que for,
seja para o que for.
Eu
pela última vez
mando tudo embora de mim,
para me sentir aberto, ou fechado,
ou qualquer coisa que não seja isto.
Porque isto não me chega.

Piano, essa frágil folha de Outono


Enquanto a realidade ainda acredita...

Onde coloquei os meus dedos de pianista?
Eram finos, saudáveis, eram dedos numa mão
bonita, num tom de pele bronzeado.
Onde está o piano que nunca tive?
Nessas melodias que nos preenchem de tristezas,
nesse não saber se se está num vazio
ou numa aurora, uma melodia carinhosa
que nos sobe pelo corpo, arrepiando a pele,
até atingir o prazer do cérebro...
Onde está?
Essa melodia, nunca cansada, sempre profunda,
num ritmo que nos agita a alma, que nos faz pedir:
toca outra vez,
toca mais uma vez até eu ficar consolado
de toda esta realidade.
Toca outra vez, só mais uma vez,
até me sentir eu de novo,
até me sentir bem
como outrora.
E os dedos percorrem o piano, como se fosse
a primeira vez, sentem as teclas, sentem
o mundo que me rodeia. Os dedos têm vida
e dão vida,
tiram vida,
fazem milagres, e são capazes
das piores catástrofes.
Melodia perdida que ainda vive na minha memória.
Quem sabe onde?
Quem sabe como?
Quem saberá?
Sei o que sinto, sei o que existo,
mas pouco mais sei,
sei que não sei desses dedos belos que queriam
tocar uma melodia bela, mesmo não a sabendo tocar...
Os dedos estão desfeitos.
E a melodia toca, ou vai tocando,
lembrando-me o porquê desse Outono ter acabado
fora do seu tempo,
e vai tocando enquanto essa frágil folha cai
e cai num silêncio mudo, num som surdo,
cai e só eu a vejo cair.
É frágil mas poderosa como a música deste
piano que não toco, que não sei tocar,
e a folha caída está intacta.
Não a pisem...
Pelo menos hoje,
pelo menos nunca.

Parabol(a)


"Twirling round with this familiar parabol. Spinning, weaving round each new experience. Recognize this as a holy gift and celebrate this chance to be alive and breathing."

Dois pontos equidistantes vão se aproximando,
e não deixa de ser belo
apreciar a velocidade a que caminham um para
o outro.
Começam muito longe um do outro...
E é como se vagueassem sem rumo,
e apesar de não saberem da presença do outro
vão à mesma velocidade, vão na mesma distância,
vão juntos, coordenados, mesmo sem saberem...
E não é menos belo observar o que acontece
quando estes dois pontos se apercebem um do outro.
De inicio ficam surpresos, intrigados,
Será possível terem feito a mesma rota
ao mesmo tempo?
Os pontos começam a conhecer-se, de longe.
Quando dão por eles estão a correr cada vez mais depressa
como se isso os fizesse chocar, como se isso
os fizesse tornarnarem-se num só.
Uma luz começa a crescer dentro destes dois
pontos.
A velocidade aumenta.
É possível vê-los a aproximarem-se...naquela pequena
curva que une os dois caminhos.
Terão chocado?
Terão passado um pelo outro
trocando assim de lugar?
Meu Deus.
O que fui eu fazer?!
Morro.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Imito este ódio


"...while you were beggin' me to stay,take care not to make me enter, if I do we both may disappear...Managed to push myself away, and you, as well, my dear...There's no love in feaaaaaaaar!..."

Escorrego por ti abaixo apesar
de nunca ter chegado ao ponto mais alto.
Então puxo mais por mim para desaparecer
duma das faces deste mundo, duma face
quase imortal, como toda a alma humana,
porque eu não vos ambiciono...
E não tão pouco talvez, é mesmo nunca,
é mesmo nada, é mesmo para sempre,
por toda a linha rasgada que ficou por contar.
Poderia fraquejar, ser igual aos outros,
mas eu não sou igual a mais ninguém,
sou único, como seria única cada pedra da calçada,
fixa no seu lugar, com uma história por detrás
para ser contada,
unicamente neste local colocado
para fazer algo mais do que aquilo que faço,
talvez mais do que aquilo que posso,
único, como o monstro que não dorme,
como o monstro que vive sem quase se alimentar
porque ser-se monstro é lutar contra o vazio,
e viver quente quando está frio, e viver ao frio
quando está mais calor.
Vi hoje uma coroa de ódio tão bela,
senti necessidade de vos imitar,
Coloquei-a.
Fica-me tão bem.
E não me bastando o ódio que não tenho
imito este ódio
tão bem coordenado neste mundo
tão bem balanceado.
A morte é a minha única amiga.
E Deus sabe-O.
E apesar de vos amar
sinto que o vosso amor vai acabando,
lentamente como se alimenta-se um doente
impaciente na lentidão da doença,
preso,
cheio de dor,
farto desta vida, vivida desta forma.
Há falta de melhor
imito este ódio.

Oitavo Pecado


"O mal não vem por magia, é parido na perversão do dia-a-dia...(não dão importância aos actos que cometem)...voam como anjos, mas o que escondem com as asas é macabro."

Bem sei que me fui repetindo
em cada linha sentida, em cada linha
pensada, mas a intolerância
esmaga-me o que ainda me resta de consciência,
o que ainda me resta de razão,
o que ainda sobra de sentimentalismo.
As vossas personalidades saturam-me,
enervam-me, fazem-me questionar a essência humana.
E por muito que me repita só encontro
um motivo para essa vossa constante falta de vontade:
a felicidade de pecarem com um oitavo pecado.
E agora, tudo faz sentido...como consegui ser tão cego?
Não me chegava toda uma luz fraca?
Não. Precisei de receber esta escuridão clara
para compreender as vossas almas.
Descobriram um pecado que envolve ao de leve
todos os outros,
um pecado que vos prende à insatisfação,
que vos controla a vida de forma absurda,
e deixam-se ficar nessa aparente paz de alma
enquanto a alma corrói, aflita, sedente,
Pessoas deste mundo eu guardo-vos: Pena,
e quase não demonstro compaixão...
Pensem nisso. Ou não pensem, sintam.
Ou não sintam...Façam o que quiserem,
não sei porque tanto me preocupo.
Talvez saiba.
Deixei para trás imensas teorias
razões de mudança.
Deixei escrito no tempo:
fortes ajudas para quem quer ser ajudado,
talvez até tenha mostrado portas...maçanetas...
Apenas têm de mover a mão num sentido qualquer
para abrir a porta.
Oitavo pecado...
Talvez seja a hora de ser levado,
de desistir disto tudo,
talvez seja meu fado tentar sem resultado,
quem se interessa?
Eu.
Oitavo pecado: medo de se deixar ser feliz.

domingo, 20 de junho de 2010

Testamento da razão - a Secura


"Almas vagueiam na escuridão do mental eclipse..."

É isto que permite às almas evoluírem?
A minha gargalhada finda
num silêncio frio
quase nu, como o mendigo que ajudei ontem...
É isto que vocês querem?
Acabar rasgados? Juntamente com os erros?
Preferem o fácil
ao que vos exige alguma luta?
Estou SECO.
Não me chega a água toda deste planeta.
ESTOU seco. Uma secura sem fim à vista,
sem conclusão, sem nada, estou
apenas
seco.
E morreu a razão...
Deixou para trás todo um testamento,
onde separou todas as inteligências
toda a parte intelectual deste mundo.
E eu encontro-me seco.
Li mais tarde que este testamento
guardava todas as inovações, todas as conclusões,
todas as soluções, todas as verdades
atingidas...
Mas sobrou na minha mão
a única verdade desses que ousaram mais:

a coragem de fazer do vosso pensamento
uma acção realizada,
concretizada.
O que era sonho
passou a ser realidade.
Rasgo folhas na secura da minha não arte.
As palavras afogam-se numa água que não vem...

Criatura




"Be my reminder here that I am not alone in
This body, this body holding me, feeling eternal
All this pain is an illusion..."


Todos as criaturas que caminham neste mundo
têm dentro delas várias criaturas aprisionadas.
E não sei quantas balas seriam necessárias
para matar todas elas.
Algumas vivem mortas
outras nascem aprisionadas
e vivem quase em sofrimento.
Outras vivem como plantas
respiram sol durante toda a sua
existência, e desaparecem sem nunca
terem feito parte da história.
Algumas representam os nossos
mais obscuros medos...e outras
tantas fobias, receios,
Algumas são criaturas grandiosas
que são a criança que sonha,
Mas tudo tem uma razão de ser
ou talvez não, mas o que interessa?
São criaturas de formas estranhas
que nos contam coisas estranhas.
Tenho assombro de algumas.
Venero outras.
Tenho criaturas dentro de mim
e queria fazer parte delas,
ou já farei?
O tempo vai-se contando sozinho...
E quando a morte chegar levo comigo
todas as criaturas
e para trás fica apenas o monstro
que conseguiu descreve-las.

Contraste físico - desconhecimento



"Desafio o ritmo e com o ritual entrego-me...em mim nasce a tempestade..."

Fazem-me acreditar que tudo está bem
até ser derramada a primeira lágrima.
Que o mundo está a cumprir
as rotações correctas...que o sol
um dia vai rebentar deixando-nos
na perfeita escuridão.
Sento-me neste conflito
como se fosse o melhor lugar para
pensar, onde melhor medito,
onde posso escrever, onde grito,
onde agradeço a dádiva de viver
e onde critico este mundo maldito.
Desconheço o meu lugar concreto neste silêncio.
Sou demónio branco ou negro anjo?
Ajudo a criar vidas ou destruo fantasias?
Que faço eu afinal?
Sei que vivo hoje
e pouco ou nada prometo
que estarei cá amanhã,
seja que amanhã for.
E a única tranquilidade que atinjo é
num sonho do qual me custa despertar.

O meu sangue noutro local



Sou quase perfeito.
Além de ser dotado de razão
valorizo-a. Mas aos poucos
muito devagar
começo a valorizar o sentimento...mas muito devagar.
Consciente que me respeitam pelo meu esforço
e pelos meus resultados na vida.
Tenho dois irmãos.
Uma irmã da qual me orgulho muito
apesar de quase nada lhe dizer sobre
esse mesmo orgulho. Amo-a.
E tenho um irmão do qual me afastei para sempre.
Detesto-o por tudo o que ele não faz
ele que podia fazer bem mais...
Perdeu-se algures na brincadeira calma
e na irresponsabilidade que não compreendo.
Estou na minha varanda
a falar com alguém que aos poucos começo a
amar. Ela vive em Sintra. E eu fumo enquanto falo
com ela. É bom. É maravilhoso.
O mundo até pode dormir lá fora
mas eu estou bem acordado.
Sou negro como a razão em dias menos
iluminados.

sábado, 19 de junho de 2010

O Pêndulo - O Inicio


"Deixo-me cair em queda livre...
Estou farto de acordar ofegante com pesadelos
a suar frio, sem conseguir resolve-los..."


Simbolizo medos e fobias,
Mortes que venceram com incultas sangrias.
Avançam sobre mim
Pedem-me que me sente
para respirar fundo
e olhar fixamente o pêndulo.
Deixo-me ir ao fundo...
Já aqui estive.
Tudo o que fiz passa-me pelas mãos
com um toque sublime das sensações que espalhei
à minha volta.
Tamanha alegria, tamanha desilusão.
Tamanha ajuda e simpatia. Tamanho sofrimento...
Por razões loucas.
Eu já aqui estive...Eu vivi aqui toda a minha vida.
Desde pequeno. Gatinhei, escorreguei, caí. Chorei e ri,
sorri e caí.
Para onde me levaram? Sempre aqui estive mas nunca aqui quis
ficar. Já não me distingo.
Está escuro...uma canção de embalar apura-me os sentidos...
Quem está aí?
Agarrem-me, tirem-me daqui.
Alguém me ajuda?
Sinto o corpo pesado...
Devo ter viajado para outro mundo.
Onde estou eu agora? Nunca aqui estive.
Tudo o que me envolve está destruído.
Eu mesmo sou ruínas, sou pó junto da poeira,
somos todos um só, todos aniquilados.
Somos todos pó...
Eu não quero sentir isto, isto não sou eu.
Eu não sou silêncio
nem escuridão...não desta forma.
(Estalam os dedos)
Continuo com o mesmo pesadelo...
Mas desta vez sinto que posso resolve-lo.