segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Contraditório espelho

O desespero de um homem nunca vem só,
Assim como o seu alívio.
Assim como o tudo.
Encontro-me assim, como outrora
se encontraram os homens e o Homem,
vítima da sua própria ganancia
nesse possível que se quis,
patético,
nessa pequena fúria
nesse mal e bem estar,
nessa paragem...
E no entanto ainda respiro.
A escolha?
A acção?
Argumentos usados.
Deus diz que para já não me quer
nem no Céu nem no Inferno,
está na hora de guiar-me para casa
...seja lá onde isso for.

sábado, 5 de junho de 2010

omen

Lembro-me como se fosse hoje.
Chegaste ao pé mim e disseste:
A elevação e sabedoria atingem-se através
do sofrimento e do choro.
Na altura ignorei-te. Estava demasiadamente
abismado com a minha cegueira, com a minha
arrogância. Julguei-me um deus qualquer.
E pedi que te calasses...Nada do que poderias
dizer me fazia qualquer sentido.
E foi então que tu te calaste.
Fez-se um silêncio na minha vida que me deixou
tão sossegado. Ai o silêncio. Veio. E veio
por muito tempo.
E mais tarde voltaste, com outra cara, outras filosofias.
Mas desta vez soube aproveitar-te. A minha arrogância
morreu...foi trocado por humildade.
E eu, finalmente estava pronto.
Estaria?
Não sei mas desta vez ouvi-te.
Disseste que é preciso perdermos, roçar a porcaria
tocar no lodo
respirar e cair no lodo,
para depois nos sentimos prontos para elevar,
sair dele,
voltar a viver e a sonhar.
Não és mestre, nem eu discípulo, mas juntos
aprendemos, e junto ensinamos.
Hoje ouvi-te. E tu pouco ou nada disseste
mas esse pouco ou nada foi muito para mim.
Entrou-me, mudou-me.
Olhas-me e dizes que estou pronto para voar
voar longe de Ícaro.
Eu tenho medo.
Mas o medo nunca me impediu de viver.
É então que ponho em dúvida várias certezas tuas.
É então que percebo que ainda não posso voar.
É altura apenas de soltar as asas,
mas soltar as asas de forma muito lenta
como se não tivesse vontade...
Tu não gostas dos meus gestos.
Tu não me apoias,
não me compreendes.
Quando dou por mim partiste,
e desta vez não foi pela minha ganância
nem arrogância.
Mais tarde voltas. Como se eu não soubesse.
Como se eu me importasse.
Perguntas-me se já comecei a voar. Dizes
que já é tempo, aliás atacas dizendo que já
se faz tarde...
Começo a temer-te. O que queres desta vez?
Mas tu sorris...dizes que é preciso perder tudo
para podermos ter tudo outra vez.
E aí percebo-te. E sinto-me livre, e até mesmo feliz.
Não me sinto completo, mas sinto-me feliz.
Agora, dizes-me, só te falta o H.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Uma despedida?

Hoje fui à Loja do Cidadão. Para quem não conhece é um local onde se pagam todo o tipo de contas. E como se não bastasse é onde se tratam de assuntos ligados à segurança social e onde se pode fazer o bilhete de identidade, agora chamado de cartão único. Mas este não vai ser um texto a bater forte na burocracia portuguesa...por muito aliciante que o tema fosse. Aliás já foi começado um texto sobre isso que ainda não foi acabado, será escrito quando encontrar mais necessidade. Enquanto a minha irmã estava a tratar do seu cartão único, e dado que todo o local estava cheio de gente à espera que chegasse a sua vez, vim cá para fora...fumar um cigarro e apanhar sol. Tinha dormido três horas e tinha o estômago feito num oito. Dores e mal estar. Cheguei cá fora e foi aí que assisti a uma cena peculiar.
Um casal despedia-se de forma tão intensa. Eram beijos e abraços, beijos e abraços e segredos passados ao ouvido. Fiquei triste. Tudo parecia indicar uma despedida de dias, ou semanas...A verdade é que não tinham vontade alguma de se afastar um do outro, como se estarem juntos bastasse, como se a simples ideia de se separarem desligasse o mundo...E veio um último abraço...e veio um último beijo. Neste caso os lábios demoraram-se um pouco mais colados.
A verdade é que não pude deixar de sorrir quando vejo o homem a pegar nas suas coisas e a dizer em voz alta: Até já.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Outra


Todos os dias passo por este "quadro" implantado na parede. Acho-o fantástico. Para mim é a coisa mais bela dessa terra cinzenta chamada Barreiro. É arte. Todo um desespero, por "carregar", por viver neste mundo. A vida é uma porcaria ou é bela? Ou é um pouco das duas? Porque existem pessoas que têm a capacidade de alterar isto? Porque temos nós o poder de fazer o mesmo aos outros? E a nós próprios? Se ter razão bastasse...Se ter sonhos bastasse. Se apertar um coração nas mãos para o por a funcionar novamente bastasse...E talvez baste. Depende das pessoas.
Tudo nesta vida depende do valor que damos às pessoas e aos momentos e às coisas...Disse-o sempre, e direi sempre. E agora que entendo isso...sinto-me triste. Porque tem de ser assim? Tudo depende do sentimento aplicado. E depois? Depois não sobra mais nada, é ter força e imaginação para sonhar outra vez.
E se eu não basto então basta.

É outra manhã. O sol nasceu.
O sol brilhava. Eram dez da manhã.
Sentia em mim toda a alegria do fim de tarde
e da noite anterior. Está vivo. Estava feliz.
Em mim fluía a paz do mundo, o calor e o amor do mundo.
Como podem coisas tão pequenas valer tanto para mim?
Senti-me inteiro, preenchido, senti-me no sitio certo
como se tudo o que estava a viver fosse
aquilo que eu sentiria e faria durante o resto dos meus dias,
até ser ceifado pela morte.
Eu não podia estar mais feliz.
A sensação é tão forte, que mesmo uma má notícia,
não me iria abalar muito, como se naquele momento
toda a minha sensibilidade estivesse hipnotizada
para algo mais forte, mais importante.
Eram dez da manhã...o sol brilhava. E estava muito frio.
Muito frio. A temperatura quase roçava esse número que separa
o positivo do negativo.
Mas ali estava eu, quase despido, na varanda
a fumar um cigarro e meio.
Tinha frio?
Não me lembro.
Não me afectou.
Nada.
Tinha algo que emanava de mim, de forma tão segura,
tão quente, que nada, nem mesmo esse frio
que deixava os carros com geada me fazia nada.
Eu, estava completo.
É mais uma prova do sentimento.
Eu estava bem, e não queria estar em mais lado nenhum.
Mas foi apenas uma manhã. Outra.
Outra manhã, que está presa na minha memória.
E que me leva e me trás...me leva, eu deixo-me quase ir
feliz. Palmilhando esse sentimento outra vez...
Mas quando percebo que apenas é uma fotografia
eu volto...e volto sem nada.
E a tristeza abate-se. E toda a minha alma sacode-se fisicamente
como que para mandar para longe o pensamento que foi pensado.
E fico ali, na minha cama, a tentar ir esquecendo, a pouco
e pouco...até me perder da amargura da saudade.
E depois? Tento fugir.
E ao inicio custou. Ainda custa. Mas um dia, querendo ou não,
talvez deixe de custar.
Não choro por um dia que passou, mesmo sabendo
que não voltará a acontecer...
Choro por uma sensação que senti, como única
como duradoura, como delineadora de uma existência.
Se assim o foi, ou é, é assunto que para mim chega
ser sentido.
E tudo o que sou, fui-o numa outra manhã.
Um círculo perfeito? Eu senti-o e vivi-o.
Eles existem, cabe-nos deixa-los ser
ou termina-los.

terça-feira, 1 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A minha razão

Em certos momentos, como se isso não fizesse parte da minha pessoa, sinto a razão a sumir-se, sinto a razão a vir a negro...e de repente aparecem a branco as seguintes palavras: eu não sei nada, eu sinto.

Comecei a pensar de que vale tirar conclusões certas.
Para algumas pessoas basta-lhes saber que estão certas.
O que talvez perceba...Mas poderá isso bastar
quando as situações envolvem mais do que uma pessoa?
Julgo que não. De que me vale ter razão?
De que me vale darem-me razão?
De que me vale dar o meu melhor para nada?
Vale que sou um idiota. E mesmo com todo o direito a sê-lo
não me sinto mais leve e feliz por isso.
Apontar erros...todos somos bons nessa matéria,
e eu, ao que parece, não fujo à manada...
E apontar soluções? Dar sugestões? Nestes casos
já não existem tantas pessoas...Mas mesmo assim, lá estou eu.
E para quê? Para pouco mais que nada.
Eu odeio nadas. Eu odeio vazios.

Eu odeio...tanta coisa que não cabe na razão da maioria.
Por isso, quando encontro alguém que me compreenda, que não
me julgue doudo de todo, tento agarrar.

Este mundo está estragado? Ainda não...
Mas para lá caminha...Mas ainda tem arranjo, ainda tem cura.

A diferença entre sentir e saber?
A perfeição, mais uma vez,
(sinto que me repito...
e deixo-me ir repetindo...repito-me tantas vezes...
que penso já estar louco por continuar a repetir.)
dá-se no equilíbrio, na união,
por isso se sentirmos o que sabemos e soubermos sentir
estamos tão bem...
Parece um paraíso na terra.
E senão for possível ambas as condições?
Eu prefiro sentir. Porque sentir é quase justificação para saber.
E se souber apenas...dado que vocês são humanos,
podem facilmente negar o sentimento.

Se não se esforçarem por me dar o vosso melhor,
eu não me preocupo.
Se não se esforçarem por me fazer feliz,
eu não me importo.
Querem-me mentir? Força. Mintam. Até a mentira se tornar verdade.
Mas esforcem-se por vocês. Não neguem a vocês próprios
a felicidade, façam-se felizes.
E mentir? ..................
Se há algo que odeio mais do que a hipocrisia alheia,
é ver-vos a mentir a vocês próprios.
Por isso a minha razão...infelizmente, vive só para mim,
e eu,
não vos consigo mentir,
mas custa-me ver-vos...afastar. Para sempre. E por nada.
Lamento imenso.
Adeus.

"Para os inteligentes uma mentira será sempre uma mentira. Para os menos inteligentes a mentira acabará por se tornar verdade." (JM).

domingo, 30 de maio de 2010

Poderia chamar-lhe Maio...mas seria a mesma coisa?

É tudo conforme.
Não te esqueceste, mas em ti o vento
já não sacode,
não sobra réstia de fome...
Nem a mais forte ventania...
Talvez somente um ciclone.
Resta descobrir o que sobra na boca,
se um sabor já muito usado, gasto, amargo
se um sabor quase novo, doce, e sem
grandes descrições...pois apenas sabe
quem o prova, quem o dá...
Qual é o sabor?
É o do fim de Maio
ou do início de Junho?
É uma continuação?
É a morte de algo belo, como Maio,
Ou o renascer nesse Junho que lá vem chegando?
É saber nada, saber a ausência de tudo,
é o saber tudo...porque sempre se soube.
É desejar que não arranquem os olhos como Édipo
por se terem apercebido que viveram cegos o tempo todo.
E quanto ao tempo?
Ai...o tempo. Sinto saudades de o ver à minha frente
passar de forma silenciosa, mas muito depressa...
E quanto à pressa? Nunca a tive...Tudo tem uma razão
e aceitar essa razão é não fechar os olhos à verdade,
verdade que tem por essência preencher.



Com este texto quero terminar Maio de 2010, que foi, de certa forma, muito melhor que qualquer outro Maio que tenho em memória. Mas principalmente, foi um Maio de sabores, e de cansaço, um Maio de pequenas batalhas para o grande final da guerra, um Maio de movimentos...muita água, tabaco...e um pouco de tudo a acrescentar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Desculpas-me?


Este texto é inspirado e de certa forma uma espécie de tributo ao filme "O véu pintado". Não queria fazer de todo uma reflexão...Queria talvez inventar uma ideia nova com um conceito antigo. Seja como for, deixo desde já a sugestão: vejam o filme.

"Ás vezes a maior viagem é a distância entre duas pessoas..."
(Se o é. Mas vale a pena chegar ao destino. Sim vale.)

Parte 1

- Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa...
- Desculpa, mas não chega.

Parte 2

- Já ouviste da minha boca milhares de vezes um pedido de desculpa...todas as vezes que te fiz mal e nas quais sempre me arrependi. Apesar de o estar sempre a sentir, nunca ouviste da minha boca um "Amo-te".

Parte 3

Por alguma razão apaixonaste-te por mim...Às vezes parece uma espécie de magia. Olhamos alguém, e toda a sua presença exerce uma força, como se fosse de fora deste mundo, como se trouxesse à sua volta uma aura. E olhaste para mim e sentiste isso...Não foi por solidão. Não foi por motivo nenhum especial, excepto ter-te atingido, como nunca ninguém atingiu. E eu, por razões menos aceitáveis (muito menos aceitáveis) quis ficar contigo...E mesmo que quisesse começar a amar-te não consegui...Eras frio. Racional. Homem das ciências. E parecias sempre distante. Fazíamos amor às escuras...(porquê?), é suposto, também nestes momentos importantes olharmos nos olhos, olharmos os contornos, sentir tudo com os cinco sentidos...A distância para com a tua alma era tão grande que pensei que fosse infinita ou mesmo inexistente, como se não fosse possível chegar-te à alma. Acabei por te trair facilmente...Bastou encontrar alguém que fisicamente e emocionalmente (pelo menos à primeira vista) me fazia sentir querida e amada, verdadeiramente. Mas tu descobriste. E levaste-me para um mundo diferente, na obrigação de ficar contigo. Eu continuava afastada de ti, devido à tua maneira de ser...e tu? Tu continuavas igual, mas pior, com a desculpa da desilusão por mim causada. Tempos tristes que vivemos...e tudo isto com o medo da morte, que pairava tão de perto. Tempos tristes. Onde sofri, julgando já não ser gente, nem alma, nem coração. E foi então que aconteceu algo diferente...aos poucos fomos descobrindo as nossas almas de um ponto de vista diferente. Deixámos de ver em nós o que queríamos ver, por termos desejado ou sonhado, e passamos a ver o que de facto existia. E aos poucos...descobrimos que de facto encaixávamos...e que juntos tudo era diferente. Principalmente para nós, e depois talvez, para o mundo. E tudo começou a mudar. E tudo começou a ganhar outra cor, a brilhar...
E foi então que adoeceste. Durante todo o tempo juntos a frase que mais te disse foi "desculpa" ou "desculpa-me"...E tu, talvez por amor que me tinhas, acabavas sempre por desculpar, porque o amor era mais forte...E mesmo antes da tua morte...tudo o que consegui dizer-te foi "desculpa por tudo". E apesar de tudo o que se passou, desta distância que mudou de comprimento tantas vezes...apesar de tudo, eu...descobri-te, e senti-te, e ...Sim. Finalmente encontrei o verdadeiro amor. E para dentro, amei-te. E apesar de tudo...morreste nos meus braços e não consegui dizer que te amava...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Bater no fundo para depois sentir a gravidade (agora sim o último)



Por momentos pensei estar num dos melhores dias de à muito tempo. Mas depressa percebi que era exactamente o oposto. Já vos vi por várias vezes passarem da luz à escuridão de forma repentina...Mas na maioria dos casos acontece, e vão-me desculpar, porque não têm mais nada em que pensar, e porque, por alguma razão, preferem as coisas más às boas, mesmo quando as boas nada têm de mal para ser apontadas...Comigo não. Foi diferente. Fui pensando...e concluindo tudo com a alma triste. Tentava agarrar-me a uma ponta de luz que fosse, mas lá vinha a escuridão. Tentei e tentei, mas tudo acabava por me levar a essa escuridão. Rendi-me. As conclusões custam a ser tiradas, e custam quando não há volta a dar. Por isso, decidi escrever este texto. Ao que parece na altura pareceu-me a melhor solução em vez de justificar o meu estado de alma e os meus pensamentos. Foi bom ainda ter arranjado mais dois "episódios" do Mr. Durden para vos contar. Mas julgo serem mesmo os últimos. Espero que gostem...
(O filme já conhecem : Fight Club)
Quero participar, estou farto de ser um espectador. Não tenham medo de seguir os vossos sonhos nem tenham medo de ser felizes, nunca.
( alínea A )

O Tyler tinha acabado de fechar a porta da cave.
-Vejo muitas caras novas por aqui...
Os lutadores começaram a rir, mas o Tyler cortou as gargalhadas:
-Calem-se! (Todos fizeram silêncio) Isto significa que alguns de vocês andam a transgredir as duas primeiras regras do Fight Club...
(Todos estavam atentos, e ele continuou)
-Vejo aqui tanto talento desperdiçado. Estou diante dos melhores homens. São pessoas, toda uma geração que serve à mesa, que vende jornais, que põe gasolina, ... Escravos de colarinho branco e gravata. Grande parte da culpa é do espírito da publicidade e do consumismo...que nos faz trabalhar em coisas que odiamos para comprar coisas que não precisamos. Somos os filhos do centro da História. Não temos nenhuma grande Guerra...nenhuma grande depressão...A nosso guerra é espiritual. A nossa grande depressão são as nossas vidas. E a televisão faz-nos acreditar que todos nós um dia vamos ser milionários, deuses do cinema ou cantores. Mas não vamos...e devagar estamos-nos a aperceber disso...e nós, ficamos irritados com isso!

( alínea B )

Tínhamos acabado de chegar a uma loja de conveniência mesmo ao lado de uma bomba de gasolina:
-O que estamos aqui a fazer?
-Sacrificio humano. Foi a resposta do Tyler.
-O quê?
-Vai ter comigo às traseiras da loja. Entretanto Tyler tirou da mala algo que me pareceu uma pistola.
-Diz-me que isso não é uma pistola!
-Vai ter comigo lá atrás...
-Isso é uma pistola?
-Sim é. Vai ter comigo lá atrás!
-Oh meu Deus...
Quando cheguei às traseiras da loja o Tyler trazia pelo braço um rapaz dos seus vinte e cinco anos, de nacionalidade oriental, ao que parecia. O Tyler colocou-o de joelhos no chão e tirou-lhe a carteira...
-Raymond...tu vais morrer.
O pobre do rapaz começou a choramingar.
-Ao que parece vives num apartamento minúsculo...aliás numa cave, a avaliar pela morada. Estou certo?
-Sim sim...
-Raymond, porque estás a trabalhar numa loja destas?
O rapaz não respondia. Estava a tremelicar e a choramingar. O Tyler bateu-lhe com a pistola na cabeça:
-Porque desisti de estudar!
-O que querias ser?
O rapaz balbuciava grunhidos...
-Preferes morrer nas traseiras de uma loja?!
-Não quero morrer! Queria estudar animais e essas coisas...
-Ah!, querias ser veterinário!
-Sim e essas coisas...
-Sim e essas coisas já percebi.
-E porque desististe?
-Porque tinha de estudar muito...
-Preferias estar morto? (E o Tyler fez uns sons com a pistola que deduzi darem-se antes de se disparar uma arma)
-Não, não por favor!
O Tyler guardou a arma. Tirou a carta de condução do Raymond da carteira e guardou-a no bolso:
-Vou guardar a tua morada. Para saber onde moras. Vou andar de olho em ti, se daqui a seis semanas não te estiveres a esforçar para ser veterinário então estarás morto. Agora vai, corre. Run Forrest Run!
O rapaz correu até sair da nossa vista:
-Estou enojado. Para que é que foi isso tudo? Estás feliz?
O Tyler só respondeu:
-Amanha vai ser o dia mais belo da vida do Raymaond...Tudo lhe vai parecer belo. O seu pequeno-almoço vai-lhe saber melhor que qualquer refeição que nós alguma vez comeremos. Ele vai viver o sonho dele...
O Tyler mandou-me a arma para a mão. Abri-a. Não tinha nenhuma bala...As coisas, mesmo que à maneira do Tyler, começavam a fazer sentido. Ele tinha um plano.

"Só quando perderes tudo é que estarás livre para fazer tudo...

Tens de desistir. Tens que perceber que um dia vais morrer! Porque até perceberes isso és inútil."

Durante a corrida, sentimento primeiro

Este texto, se menos fortemente sentido, poderia acabar na apologia do meu eu. Por alguma razão achei mais correcto coloca-la aqui.

Ontem corri. Corri muito. Foi a vez que corri mais ao que me lembro. E a minha cabeça ia pensando da mesma forma que todo o meu corpo ia sofrendo dor. Todo o meu corpo é exagero...apenas as pernas e os pulmões. Quando estou a correr as músicas que prefiro ouvir nem sempre são as mesmas que prefiro ouvir quando não estou a correr...Apesar de gostar de todas as que transporto. Os meus pensamentos iam já perdidos, quando parei na música Sober, dos Tool. A verdade é que a ouvi umas quatro vezes. Na altura foi o que me fez companhia, e a razão pela qual comecei a pensar nas reflexões que me fizeram escrever este texto.
Comecei a pensar que não, não queria ser esse tipo de monstro. Esse tipo de ser vivo. E a música entrava dentro de mim...de forma tão suave...e eu deixei. O bater do meu coração começou a bater ao ritmo da música, pelo menos assim parecia. Comecei a ter medo não sei do quê. Não quero ser mais um imbecil neste mundo, nem o pior mentiroso. Não quero preencher ninguém só para depois sair de lá, deixando um espaço vazio. Não te quero elevar só para depois te fazer cair...Não. Eu não quero ser assim. E depois pensei...mesmo não sendo assim, conheço tanta gente que sofre por pessoas como estas, que existem em todo o lado, a todo o tempo.
Meus caros...As pessoas não são objectos, que são usados e descartados. As pessoas não devem ser abraçadas apenas em alturas que vos dá jeito para depois serem descartadas. Usam e largam...sem qualquer amor puro ou reconhecimento...Amor?Amizade? Não...para vocês, tudo se resume a necessidade. E vocês são falsos...fingem amor, ou amam mesmo, mas muito pouco, para terem o que querem...seja lá o que for.
Dizem-me desde pequeno que não se deseja a morte a ninguém...muito bem, não o farei, mas devido ao sofrimento que causam, às cicatrizes que deixam nas pessoas, posso afirmar, sem qualquer ponta de sensibilidade, se morrerem não vos lamento, e não afectarão a direcção da minha vida por um milímetro que seja.
Há pessoas que não parecem pessoas...ou então sou eu que estou no lugar errado. Talvez isso seja mais verdadeiro. Todos queremos aquilo que queremos...mas a vossa necessidade é satisfeita da forma que calhar...a minha pode ficar pendente, mas tudo o que vem com ela é a fome e o sentimento. O mais triste é que vocês mesmo sendo dessa forma, dormem descansados (não sei como), sem arrependimento, e satisfizeram-se...Não sei porque sou assim. Por isso façam-me um favor: não me preencham se depressa me deixam.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Elogio à parvoíce : D - Parte dois

A pedido de muitas famílias...Não. A pedido de uma pessoa em especial, e para outras que também sorriram (pois rir é capaz de ser um verbo exagerado...de qualquer das formas...), quis colocar mais alguns vídeos. A parvoíce não dura para sempre (será?). Obrigado às pessoas que estão no vídeo. Sem vocês a minha parvoíce...bem, não era tão parva. Foi um prazer ser eu próprio com vocês...apesar de consciente que desta forma não vou muito longe em termos de relações e trabalhos futuros...e esta frase merece um smile: xD . Ou talvez vá...Obrigado e divirtam-se!
(um vídeo do Algarve e três vídeos de uma "louca" ou douda viagem para Cascais. No nosso carrinho azul...)

"Fogo Raul reage!" "Esta passividade não é natural."
"Dá-lhe com força! (Dá-lhe com força!)"
"Parece que estamos em Marte...é só asteróides."
(se tomarem atenção reparem nos 3 segundos...que bastam para o meu amigo Bruno Varela beber um copo normal de cerveja...admiração e orgulho. Quem me dera.)