domingo, 14 de junho de 2009

O resto do mundo

"Tudo aquilo que alguma vez amaste vai rejeitar-te ou morrer.

Numa linha do tempo suficientemente longa a taxa de sobrevivência desce para zero.

A desgraça, dizia ela, é que não morria.

Tu não és aquilo que vestes, tu não aquilo que tens, tu não és o conteúdo da tua carteira, tu não és a tua roupa, tu não és a tua familia, tua não és a tua cara.

Nascemos num mundo sujo e estragado, e agora querem que eu o limpe?

Nós não fazemos parte da História, não existem grandes guerras, grandes crises, a nossa crise é espiritual, a nossa luta é com nós próprios.

Isto não é um seminário...isto não é um retiro de fim de semana...
Apetece-me respirar fumo..." (Fight Club)


Se vos dissesse que sou igual a vocês possivelmente
Riam-se na minha cara. Outros cuspiam-me na cara.
Outro lutavam comigo.
Sou o resto do mundo. Digo isto poéticamente.
Vejo-vos espalhados pelas ruas, no vosso azar abençoado,
A pedir esmola. Vejo-vos morrer à fome através da televisão...
Se queremos ver desgraça, vocês oferecem-na...

Sou o resto do mundo.
Luto pela sobrevivência, como tudo e qualquer tudo que possa
ser comido, bebo qualquer liquido para saciar a sede,
Uso qualquer degrau como cama,
Refujio-me em qualquer deus para não sofrer tanto.

Sou o resto do mundo, ninguém me quer, ninguém me suporta,
Nem o meu rosto, nem o meu cheiro,
Sou o resto do mundo.

Vejo-vos a desperdiçarem tantas oportunidades,
e eu, só peço uma...

E hoje é um dia, um dia igual a todos os outros,
Um dia onde já não existe esperança,
Um dia onde já não existe dia seguinte...

Eu sou o resto do mundo...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Lição de Poker


Nos dias que correm é um jogo que está muito na moda. Porquê? Eu digo-vos porquê:
é fácil de se aprender (aliás ter duas cartas na mão não é muito dificil), é divertido, é um jogo que também depende da sorte, da divertida e interessante probabilidade, e acima de tudo: onde muitas vezes mentir, compensa. Quem é indeferente?
Mas não estou aqui para falar deste jogo tão fascinante. Aliás este texto deveria-se chamar "as pequenas lições de vida que o Diogo tirou de um jogo tão divertido!".
É pois este um texto para dois tipos de pessoas: os que podem ter dois pássaros na mão e nenhum a voar, e os que preferem ter dois a voar e nenhum da mão. Resumidamente, quase todos os que conheço e eu próprio.

No Poker acontecem muitas coisas, todas elas, ou quase todas elas interessantes e\ou frustantes. Mas eu vou apenas falar de duas. Que me fizeram inventar uma espécie de parabola, à minha maneira.

Lição primeira, segundo Diogo Garcia:
Às vezes na vida temos as melhores pessoas há nossa volta, as melhores coisas que poderiamos imaginar. Pessoas, momentos, lugares que estão lá...como sempre tiveram, mas nós, cegos burros, incompetentes sentimentais, não lhes ligamos.

Às vezes temos a melhor mão...e nem sequer nos apercebemos disso...só tarde demais...
Saiu-nos um dois e um três(cartas). É claro que não estamos dispostos a ir a jogo com tal mão. Se for preciso ainda praguejamos com a sorte. Ou com o azar. Quando sai o flop, ainda praguejamos mais. Se tivessemos ficado com a mão(que deitamos for julgando ser muito má) teriamos feito uma sequência...ou dois pares...ou um trio...ou um par e um trio...

Lição segunda, segundo Diogo Garcia:

Por outro lado às vezes pensamos que temos tudo, tudo do melhor, desde o sentimental, ao material, qualquer coisa, seja ela o que for. Pensamos estar a salvo. Quase arrogantes, quase intocáveis. Pequenos deuses...

Às vezes temos a suposta melhor mão...cegos, donos da razão, fechados...e só nos apercebemos que não era a melhor mão, tarde de mais...
Temos um par de ases na mão ou um par de reis...às vezes o flop ajuda ou não...mas mesmo saindo cartas baixas, ou muito baixas, há o risco de aparecer alguém não se sabe bem de onde, e fazer um flush, uma sequência, dois pares, um trio...e tu, na tua aparente euforia feliz, ficas triste...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Frustração Frustração Frustração Frustração Frustração Frustração

Frustração,
Frustração,Frustração,
Frustração, Frustração, Frustração...

É a primeira palavra que me chega à ideia,
Pedem-me uma sugestão? Está dito, tão claro,
Tão rápido, como se fizesse parte de mim!
Frustração, Frustração, Frustração!
Não a consigo engolir, dói de mais,
Não a consigo cuspir, não consigo, é impossivel.
Frustração, Frustração, Frustração...

Angústia, traição, ódio, raiva, mas frustração...não!
Frustração, Frustração, Frustração...

Este sentimento preenchido de tão oco,
Tão medriocre, tão seco, tão...impotente!
Frustração! Frustração! Frustração!

É tentar, tentar muito, e não se conseguir ser,
É dar-mos o melhor a alguém e esse alguém
não perceber.
É ser-mos imbecis. Imbecis frustrados
Num sentimento frustrante, chamado frustração.

Frustro-me...

Frustração...
Frustração...
Frustração.

sábado, 6 de junho de 2009

Argumentos de um demónio

"Theres a shadow just behind me. shrouding every step I take.
Making every promise empty. pointing every finger at me.

I am just a worthless liar. I am just an imbecile.
I will only complicate you. trust in me and fall as well.

I will work to elevate you, just enough to bring you down." (Tool)


Deixa-me renegar a tua luz, a tua aura de beleza,
Hoje nasci para ti e morro por te amar,
Morro cansado da verdade, do receio de te perder
mesmo antes de te ganhar. Mafélico é o pensamento.
Deixa-me guiar-te para as trevas, para o escuro da tua alma,
Para o recreio dos malvados, onde a mentira dá prazer,
Numa vida obscura, sedente de lixo nuclear e trevas...

A sombra que te segue pode crescer, pode dominar-te,
Consumir as tuas qualidades, fazer-te subir muito baixo...

Trabalho num futuro bem pior,
Sei tudo o que nos vai acontecer, até que enfim, tudo acaba.

Estripa, arrepia, contrasta e retira,
Esmaga, alimenta, morte e vida,
Tudo e nada na mesma fasquia,
Sou treva sou mágoa, pesadelo e agonia...

São argumentos de um demónio que não cessam,
Que me fazem querer dormir,
Viver?
Quero-te sem me sentir desta forma,
Da forma que tu me fazes ser.
E a culpa?
É de todos e é de ninguém...

O sol que bate nas almas escuras
é o mesmo sol que as aquece...
Os lábios serão pálidos ao cair da noite,
E tu?
Quero-te sem me sentir desta forma,
Da forma que tu me fazes ser...
E a culpa?
É de ninguém e é de todos...

São os argumentos de um demónio,
Que teve tudo para voar branco...
Mas preferiu a cor da noite...

E a culpa?
É minha! E é tua... e não é de mais ninguém!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sacrificai o ego

Como não tinha mais nada para fazer, e dado que estou num dia que pensava eu vir a ser um grande dia, mas afinal de contas revelou-se um dia exactamente igual aos outros. Quando digo isto tenho de sublinhar: sem grande beleza, sem grandes feitos, sem grande entusiasmo, sem grandes amores. (Não obstante estar vivo e agradecer por isso mesmo. E isso será sempre apreciado, independemente das correrias dos meus dias.)

Sacrificai a vida que te foi dada para protegeres os que mais gostas
Num lugar sagrado e belo chamado Céu.
Sacrificai a juventude alegre que te foi dada
Para mergulhares em problemas vãos
E em situações mediocres...
Sacrificai o livre arbitrio, sacrificai a vontade
que balança no teu coração, sacrificai o corpo e a alma...
Sacrificai os que te amam, os que mais te ajudam,
Os que estão ao pé de ti mesmo que a eles sejas cego.

Esmagai o ódio, conquistai mudança!
Esmagai a falta de fé em ti próprio...
Esmagai...o que não pode ser esmagado.

Sacrificai os animais irracionais, sacrificai
as árvores que te dão sustento na vida.

Queria-te cantar uma música ao ouvido, sussurá-la,
Baixo, muito devagar, como se fosse uma oração,
Canta-la sem grande exagero no som, apenas uma canção
verdadeira, cheia de surpresa, leve, levezinha, muito baixo,
Sussurá-la devagar, para sentires que no mundo ninguém está só,
Que nem tudo tem de ser para sempre, nem o bom nem o pior...
Queria e vou querendo até me cansar...

Sacrificai a saudade, o peso das costas,
A vida materialista, a vida fútil, o pesadelo!

Digo e não o direi sempre:
SACRIFICAI O EGO!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Na pele de um ser humano

Despassarado. É assim que atravesso a estrada. Acabei de perder o autocarro, que parou numa paragem a cem metros do terminal dos barcos. Corro e corro, corre e faço da corrida a minha prioridade. A próxima paragem fica em pleno Terreiro do Paço. Afinal é assim que os seres humanos se sentem... Uma pressa doida por chegar e por evitar esperar. Hoje é daqueles dias...daqueles dias em que nada parece correr bem. Assim falando começo a parecer-me com um ser humano. E eu a pensar que os dias podiam ser todos diferentes e especiais. Mas corro, com muita sorte e dedicação nas pernas ainda intercepto o autocarro antes de chegar aos semáforos. Estou me a atrasar e de que maneira, e tu estás à minha espera.
Afinal a sorte sorriu-me, apanhei o autocarro! E cá dentro, olho lá para fora, para esta bela Lisboa, com uma vontade quase exagerada de nela marchar ao som da música. É pena não estares aqui, mas também estás à minha espera, e enquanto esperas sem que desesperas, pois queres estar comigo. E eu? Desespero pois quero estar contigo. E corro em pensamentos no momento de te abraçar e estar contigo, e sei que por muito que pense, imagine e sonhe, nada vai saber tão bem como chegar ao pé de ti e estar contigo.
Reclamo com o tempo por demorar tanto tempo a passar! Reclamo com os transportes que tardam em chegar a tempo, que demoram tanto tempo a chegar ao seu devido lugar! Hoje estou-me a sentir um ser humano: vivo rotineiro, sem apreciar a vida, sem aproveitar o momento, grito por gritar, prefiro estar triste do que sentir.
Quando estou contigo o tempo passa tão devagar, porque caminhamos sem pressa.
Sonho-te tão perto. Como se fosses fruto da minha imaginação. E sorrio pois és real, existes, e fazes parte de mim.
Espero que ainda me esperes, pois estou quase a chegar...Quase a chegar.
Troco de transporte, fumo um cigarro, iludido da sua necessidade. Espero mais cinco minutos e entro no último transporte que me leva até ti.
Chego, enfim, finalmente ao pé de ti, transbordando felicidade por cada poro do corpo, pedindo desde logo desculpa pelo atraso. Mas a ti não importa! A felicidade de estar comigo, de me ver finalmente, ultrapassa a irritação. Damos um longo beijo, como se fosse o primeiro ou o último.
Ficamos juntos toda a tarde, a falar do mais precioso ao mais fútil, gozando o silêncio como gozando tudo o que possa ser gozado.

Não compensa ser humano. O que parecia mau, depressa se tornou bom. O que parecia ser um mau dia, foi um dia bom, como todos os outros.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Sogros" & "sogrinhas"

Desta vez apeteceu-me escrever um texto mais solto e com algum sentido de boa disposição. Sei que estas coisas têm muito mais graça quando são vistas de fora...por isso...cá estou para me divertir desta vez. Coloquei os meus temas entre aspas, pela simples razão de considerar já sogro e sogra, numa relação relativamente séria, ou mesmo não sendo tão sério, onde já existe "encontros de terceiro grau" entre as partes.

Penso que já todos terão estado do lado de ser: namorado da filha ou namorada do filho.
Partindo do ponto de vista do pai da filha:
Para o senhor nunca seremos o namorado ideal, estaremos sempre aquem das expectativas. Ser da mesma equipa de futebol possivelmente neste caso não ajudará em nada. Somos irritantes e abusadores. Possivelmente somos a pior pessoa do mundo.
O ponto de vista de quem tem de confrontar o "sogro":
Ele para nós possivelmente é também a pior pessoa deste mundo. Olha-nos com sentido de superioridade, pensa que sabe mais do que nós, mesmo em coisas que nada percebe. Aperta-nos a mão com força de mais e se poder vigia-nos sempre. É aconselhavel para nós, diante de tal monstro, nunca pensar ideias pecaminosas, principalmente sobre a filha, pois qualquer sorriso será uma fácil descoberta. Todo e qualquer contacto fisico deve dar a entender uma beleza pura e delicada.

Ponto de vista da mãe do filho:
Para a senhora nunca será a melhor namorada. Julga-se dona do filho e conhece-o à tão pouco tempo! Mas afinal quem o carregou durante 9 meses?
Se nos der demasiado amor, será considera exagerada, se nos der amor de menos, não nos ama.
Gosta de mostrar que ama mais o filho do que qualquer pessoa no mundo e gosta de realçar que cozinha sempre melhor do que a namorada do filho.

A vida também tem graça nestas pequenas coisas.
Se tiverem sugestões (das muitas coisas de que me esqueci) digam.

sábado, 30 de maio de 2009

Sentado no desespero ( dois )


Continuo a acreditar que sim.

Às vezes vejo cores que não me interessam,
Como rostos que brilham nas ruas por onde passo,
Evitá-los seria desassossego, confrontá-los seria
perder o medo.
Vida única, fisicamente falando, tentando elevar
a minha pessoa, à procura de tudo aquilo que não vem,
Esperando quem me ama e quem me odeia também.

O som do frio aparece devagar,
Vejo-o ao longe, sentado no seu desespero,
Tão belo, tão melancólico, tão profundamente inútil.

Agarro a esperança como se nao me restasse mais nada,
E vivo feliz nesta procura que se vai dissipando.
Agarro a verdade como se não existisse mentira,
ou desilusão, ou perfeição...
Grito, porque não me basta sussurrar,
Não me basta escrever ou falar, ou fingir que estou calado,
Grito porque tenho de gritar,
Enquanto grito sinto que estou vivo
Que estou onde posso, que sou eu no meu devido lugar.
E porque enquanto grito tu ouves-me
e mesmo já rouco, sem voz, é algo pelo qual
vale a pena lutar.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Black angel, terceira e última parte, o vôo


I know the pieces fit cause I watched them fall away...(Tool)

Tudo o que sempre te faltou, pequeno pedaço de céu,
Foi a coragem pequena e mais do que suficiente,
Para cortar a corda que te amarra as asas,
Sentires o vento na cara, e sem pressa de viver tarde de mais,
Abrires asas, e finalmente, voar.
Mas às vezes a força é tão pouca, mesmo quando devemos
ser mais fortes, e foge-nos a vida, o destino, a certeza,
Feitos de pó, eterno pedaço de poeira, à procura...
Porque tu sabes que as peças encaixam, que tudo tem um sentido,
Mas não neste momento, viste-as separarem-se, cairem no chão...
E tu olhas para mim, triste olhar sem amor, na espera da calma,
Sorrindo na esperança vã que te peça para me soltares,
Para me mostrares cores ainda não absorvidas pelo meu ser,
Filosofias tão futéis que me saberiam tão bem...
Cansas-te finalmente da espera, dessa chuva de ilusão
que te escorre pela cara, quando o doce das lágrimas
se mistura com aquilo que o mundo te devolve...
Sabes que és bela e que tens espaço para voar
Apenas te falta algo...Mas esse algo volta sempre,
Possivelmente quando menos se espera.

Soltas finalmente as asas, destróis os grilhões que
te prendiam e que já faziam parte de ti,
Esmagas o pesadelo, vives o teu sonho,
E finalmente, passado tanto tempo, começas...a voar.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um ano de blog - Agradecimentos e tudo o mais

Psicologicamente posso considerar um ano de blog. Só o criei em Julho mas muita coisa já estava escrita antes disso, esperava apenas uma oportunidade para a divulgar.
Nesse ano que passou mudou muita coisa. Os textos acabam por acompanhar parte dela. Influências exteriores de todos os genéros moldaram a minha escrita. Uns melhores, outros piores, mas a vida é isso mesmo, e o que se pode tirar desses momentos é o melhor, e o melhor que tirei deles foi passa-los para o papel. Dessa forma tentei dar ao mau uma cor mais bela.
O que posso dizer mais? Foi um ano produtivo em termos de textos, espero que o próximo seja ainda melhor. Que nunca me falte a inspiração, e, se faltar, que volte depressa. Agradecer a quem fez parte dela, nas coisas boas e más, agradecer às músicas que me inspiraram a fazer algo melhor ( Tool, A Perfect Circle, Nirvana, e sons mais solitários).
E agora dois especiais agradecimentos:
Em primeiro lugar agradecer a quem me colocou neste mundo aberto a todos. Obrigado. Se algo fizer de belo que possa ser contemplado e reflectido foi graças a ti.
Em segundo lugar, agradecer a três pessoas que têm lido e comentado este blog:
Joana Garcia (minha querida irmã, que também tem um blog interessante), Ana Sofia Covas (amiga de longa data, agora mais afastada devido às condicionantes da vida, detentora também ela de um blog genialmente belo e interessante) e à Liliana Girão (também ela com um blog muito bom). Agradeço também a todos os que leram mas que não comentaram. Não preciso de ser comentado, apenas lido. Se sentirem algo, já é menos algo que me atormenta.
Por fim deixo aqui os links dos meus poemas preferidos de 2008. E não querendo ser arrogante, a verdade é que queria colocar muitos mais, mas esta lista possivelmente já não muita lógica de ser, portanto, ficam apenas estes.

http://versologista.blogspot.com/2008/07/auto-destruio-descritivaa-questo.html
http://versologista.blogspot.com/2008/07/pequenos-deuses.html
http://versologista.blogspot.com/2008/09/coisas-pequenas.html
http://versologista.blogspot.com/2008/10/humanador.html
http://versologista.blogspot.com/2008/10/fragmento-do-ser.html
http://versologista.blogspot.com/2008/10/psicanlise.html
http://versologista.blogspot.com/2008/11/desprezo-minucioso.html
http://versologista.blogspot.com/2008/11/cano-do-tempo.html
http://versologista.blogspot.com/2008/11/cocktail.html
http://versologista.blogspot.com/2008/12/sentado-ao-lado-de-um-fantasma-teu.html
http://versologista.blogspot.com/2008/12/balada-ao-segundo-sentido.html
http://versologista.blogspot.com/2008/12/rush_22.html
(é engraçado perceber porque só escolhi poesias...ainda estou para perceber o que tenho eu contra a prosa...mas a resposta é simples: simplesmente não tenho jeito, mesmo tentando fingir ter.)

Não podia acabar este texto em tom de comemoração sem dar um ar de sábia graça, muito ao estilo de frase cliché, de mestre de cabelos brancos dos filmes:
Nunca guardem para dentro!Nunca...Cuspam, vomitem, chorem, falem ou escrevam. Nunca guardem para dentro, mesmo quando parece que pertence ao interior. Engolir engorda. Deitem tudo cá para fora. Falem com uma pessoa, com várias, ou escrevam...mas não guardem.

Mais uma vez, obrigado,
Diogo Garcia Tavares Henriques

sábado, 23 de maio de 2009

Aquilo que somos...ou não?

Esta música é para mim uma espécie de monstro revelado. Algo que reflecte o sentimento mais triste que penso ser muitas vezes comum aos ser humanos. Odiar e amar ao mesmo tempo, sem se saber porquê. Seguir o amor até às últimas consequências ou ser-se para sempre frustado. É uma letra que me faz sorrir como me faz ficar deprimido, que me chega a dar vontade de chorar. Por outro faz-me pensar, querer ser diferente.
As músicas são assim...outras vezes não.
Por isso partilho, aqui no meu blog, uma música dos Tool. Já os tenho usado como ajuda para justificar pensamentos, hoje uso-os para tentar justificar uma natureza humana. Que sirva de reflexão para o que estão no escuro, que seja uma salvação para quem procura sair dele.
Sei que não quero dormir para sempre, mesmo sabendo que muitas vezes não me sinto totalmente acordado.
Esta música eleva-me a alma, assim como me coloca debaixo do desespero.
Espero que gostem...

(Sober - Tool)

Theres a shadow just behind me. shrouding every step I take.
Making every promise empty. hurting everyone around me.
Waiting like a stalking butler, who upon the finger rests.
Murder now the path of must we, just because the son has come.

(...)

Why cant we not be sober? I just want to start this over.
Why cant we drink forever? I just want to start this over.

I am just a worthless liar. I am just an imbecile.
I will only complicate you. trust in me and fall as well.
I will find a center in you. I will chew it up and leave.
I will work to elevate you, just enough to bring you down.

(...)

I want what I want...
I want what I want...
I want what I want...
I want what I want...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fisionomia de algo sem corpo


Um dia viro-te as costas, como se não sobrasse mais nada.
Pedra sobre pedra, pó na luz, olhos que pairam no ar
Sem corpo, sem rosto, sem luz no olhar.
Deixei o meu antigo eu numa caixa sem lugar,
Vivida por alegres melodias tornadas agora obscuras,
Um sismo na minha alma, uma revolução quase iluminada.
Sou servo da poesia como sou da morte,
Rei no meu próprio reino, enquanto respiro
Agradeço à sorte, enquanto reinar agradeço aos céus.
Transpiro necessidade como transpiro sensação,
A vida é para mim uma ponte
Entre aquilo que quero e aquilo que não me dão.

Um dia viro-te as costas, como se não restasse mais nada!
E serei eu mesmo aquilo que sou! Forte fraqueza sem receio!
Corpo que arde debaixo de àgua! Uma vida humana!
Fusão de animal ou deus e sou criado!
Olhos cor-de-raiva faícas na vossa luz escura, palavras são
Palavras, cabe me a mim colocá-las no lugar certo!
Durmo enquanto estou acordado, para vos poder seguir
Com o meu olhar!
Confia em mim enquanto aqui estou, mais cedo ou mais tarde
Todos se cansam, todos se desiludem, todos morrem, agarra-me!
Agarra-me! Vives tu debaixo de que céu pesado?

Cansei-me...Estou à espera de ser criança.
De acordar sorrindo, convecencido que a minha vida
Será para sempre brincar...
Estou cansado...E o meu sonho acaba tarde...
A luz do teu sol nunca mais se aproxima,
E por isso mesmo a moleza por mim dentro invade.
Não quero que tudo isto acabe,
Quero que tudo isto simplesmente continue...
Às vezes peço tão pouco que recebo mais nada.
Fisionomia de algo sem corpo...