Antes de começar a escrever sobre esta frase que apela ao nosso interior poético e que desperta em mim uma profunda curiosidade em descobrir até onde chegam os limites (se existirem) dessa mesma alma e o que poderá estar para além deles, gostava de esclarecer que esta frase apareceu na minha vida através de uma aula em que nos falavam sobre aços. Pois não deixa de ser uma irónica contrariedade falar de alma num pedaço de objecto. Só a título de curiosidade uma peça de aço que possa servir para suportar algo é constituída por duas partes: os banzos e a alma. Agora que já dei o meu toque de futuro homem ligado ao mundo das construções posso-me debruçar sobre o eu que eu mais gosto.
Começo pela questão mais básica da História: o que é a alma? Mas a esta pergunta nem filósofos, cientistas ou homens das religiões conseguiram dar resposta. Alguns defendem que a palavra alma é apenas uma designação mais bela para cérebro, outros dizes que o cérebro e a alma são coisas diferentes. Começo pois a duvidar da coerência e da razão de existir deste texto que escrevo. Senão sabemos definir “alma” como podemos então definir a sua espessura? Procurei então a sua definição no dicionário e passo a citar: “Alma, s.f. parte imaterial da natureza humana, constituída pela inteligência, o temperamento e o carácter. Principio vital. (…)”. Assim sendo já posso procurar encontrar a espessura da alma.
Na minha opinião todos nascemos com uma pequena alma, não que se possa medir ou pesar a alma, digo pequena no sentido que ainda tem muito para crescer. Assim como acredito que todos nós nascemos maioritariamente bons, no contexto das leis e normas da sociedade. Penso no entanto que a alma, em toda a sua complexa grandeza, é no fundo moldável. Acontecimentos e/ou pessoas tornam-nos constantemente melhores ou piores com seres humanos.
Qual é então a espessura da alma? Não me queria tornar previsível, por isso não direi sem pensar, impossível. Mas seria também arriscado dizer que a sua espessura é finita. Existem duas questões fundamentais: o que pode a alma alcançar e poderá a alma resistir à morte? A esta segunda pergunta não consigo responder, faltam-me argumentos plausíveis, é algo que por enquanto, depende de cada pessoa. Em relação à primeira pergunta poderia responder com uma frase cliché, que possivelmente encerraria a questão: o Homem é capaz do melhor e do pior. Certo? Se por um lado ousamos por vezes pensar que já vimos as piores acções feitas pelo Homem, a verdade é que nos conseguem sempre surpreender mais. São histórias e feitos incontáveis desde os primórdios até hoje, que todos nós conhecemos. Por isso, e acrescento aqui um infelizmente, para o lado negativo a alma não até hoje finita. Para o lado bom também existem muitos acontecimentos que fazem com que este mundo seja melhor, dando-nos assim uma alma infinita, ou se preferirem não finita por explorar.
Esta frase merecia diálogo, merecia discussão. Dada a minha situação reflicto para vocês. Qual é a espessura da alma?
13/12/08 , Foi apenas uma pequena reflexão. Há muito por onde explorar este tema.
domingo, 14 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Balada ao sentido
Apenas sei que sinto da mesma forma que tu,
Se algum dia precisares de mim aqui estou,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
O momento sempre me custou a passar
Se o passo longe de quem gosto,
Seja em competição ou cooperação o tempo
Passa tão mais rápido quanto menos se espera,
E esperar não basta, esperar não chega. Sente-me.
Respira-me na minha calma, respira na minha força
E deixemo-nos ficar ofegantes, apenas nós, a nossa respiração
E o esquecimento de tudo o que nos envolve.
Deixemo-nos cair nesse silêncio, onde duas pessoas de corpos entrelaçados,
De mãos dadas simplesmente olham o céu ou o tecto.
Apenas sei que sinto da mesma forma que tu,
Se algum dia precisares de mim aqui estou,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
07/12/08 – 03h00
Se algum dia precisares de mim aqui estou,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
O momento sempre me custou a passar
Se o passo longe de quem gosto,
Seja em competição ou cooperação o tempo
Passa tão mais rápido quanto menos se espera,
E esperar não basta, esperar não chega. Sente-me.
Respira-me na minha calma, respira na minha força
E deixemo-nos ficar ofegantes, apenas nós, a nossa respiração
E o esquecimento de tudo o que nos envolve.
Deixemo-nos cair nesse silêncio, onde duas pessoas de corpos entrelaçados,
De mãos dadas simplesmente olham o céu ou o tecto.
Apenas sei que sinto da mesma forma que tu,
Se algum dia precisares de mim aqui estou,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
07/12/08 – 03h00
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Sentado ao lado de um fantasma teu
Cruzei-me com um frio
Que me fez tremer as pernas em plena cidade.
O tabaco de nada valia, servia apenas para passar o tempo,
Todo o ar que me entrava nos pulmões também era frio.
Depois de uma hora, onde o frio vinha e ia consoante o lugar
Onde estava, finalmente cheguei ao meu belo Terreiro do Paço.
É meu unicamente por que o amo e porque quando lá chego
É como se chegasse a um Oásis, é como chegar a terra firme
Depois de uma tempestade em alto mar.
Entrei então nesses vias subterrâneas que nos levam onde queremos
Em poucos minutos. Nunca apreciei a velocidade se esta não tem beleza
Em seu redor. E viajar vendo túneis não me faz feliz. Tão pouco gosto
De ver janelas quase artificiais que nos dão a ilusão de estarmos
Rodeados de ar e vento… Nunca gostei de nada ligado à claustrofobia.
Os vidros desses comboios subterrâneos são a única coisa onde encontro
Alguma graça. São espelhos enormes, com imagens cruzados de vários pontos.
E dada a falta de cor e de alternativas para quem viaja, acabamos por passar muito
Do tempo da viagem estudando rostos, olhando rostos, olhando olhos.
E numa distracção minha, devo ter fechado temporariamente os olhos,
Sentas-te a meu lado. Mas não podia ser…quais eram as probabilidades?
Só as mesmas do sol e da lua se beijarem…Mas isso já aconteceu algumas vezes desde
Que nasci… Só as mesmas de um pingo de chuva de alguma varanda, com tanto espaço
No chão e nos corpos que passam por ele, nos cair directamente na nuca...
Mas isso também me acontece e muito. Mas não podia ser. Tentei me manter calmo
E estudar-te. Virei devagar a cara e senti desde logo o teu perfume. Igual. Aquele
Aroma suave, que faz lembrar a Primavera mesmo no Inverno. A maneira como
Pegavas nos objectos que trazias contigo também era tão tua, como seguravas nas
Folhas, canetas, tudo. Mexias em tudo com a tua maneira de mexer. Nunca te captei
Os olhos, mas as sobrancelhas eram as tuas. A tua mão, não muito suave, mas perfeita,
A maneira como as tuas unhas se conjugavam com o dedo… Mas não podia ser.
Sim, claro, o nariz engraçava o ambiente. E o teu cabelo…que mais posso dizer?
Levantei-me, cheguei onde finalmente queria chegar. Ao sair, passando pelo primeiro vidro
Virei a cara e olhei-te. Não eras tu. Depois fiquei a pensar: terei mudado de perspectiva
Ou terei colocado naquela mulher as tuas características?
Saí para a rua, abrindo os abraços ao frio
Sabendo que estive sentado ao lado de um fantasma teu.
Que me fez tremer as pernas em plena cidade.
O tabaco de nada valia, servia apenas para passar o tempo,
Todo o ar que me entrava nos pulmões também era frio.
Depois de uma hora, onde o frio vinha e ia consoante o lugar
Onde estava, finalmente cheguei ao meu belo Terreiro do Paço.
É meu unicamente por que o amo e porque quando lá chego
É como se chegasse a um Oásis, é como chegar a terra firme
Depois de uma tempestade em alto mar.
Entrei então nesses vias subterrâneas que nos levam onde queremos
Em poucos minutos. Nunca apreciei a velocidade se esta não tem beleza
Em seu redor. E viajar vendo túneis não me faz feliz. Tão pouco gosto
De ver janelas quase artificiais que nos dão a ilusão de estarmos
Rodeados de ar e vento… Nunca gostei de nada ligado à claustrofobia.
Os vidros desses comboios subterrâneos são a única coisa onde encontro
Alguma graça. São espelhos enormes, com imagens cruzados de vários pontos.
E dada a falta de cor e de alternativas para quem viaja, acabamos por passar muito
Do tempo da viagem estudando rostos, olhando rostos, olhando olhos.
E numa distracção minha, devo ter fechado temporariamente os olhos,
Sentas-te a meu lado. Mas não podia ser…quais eram as probabilidades?
Só as mesmas do sol e da lua se beijarem…Mas isso já aconteceu algumas vezes desde
Que nasci… Só as mesmas de um pingo de chuva de alguma varanda, com tanto espaço
No chão e nos corpos que passam por ele, nos cair directamente na nuca...
Mas isso também me acontece e muito. Mas não podia ser. Tentei me manter calmo
E estudar-te. Virei devagar a cara e senti desde logo o teu perfume. Igual. Aquele
Aroma suave, que faz lembrar a Primavera mesmo no Inverno. A maneira como
Pegavas nos objectos que trazias contigo também era tão tua, como seguravas nas
Folhas, canetas, tudo. Mexias em tudo com a tua maneira de mexer. Nunca te captei
Os olhos, mas as sobrancelhas eram as tuas. A tua mão, não muito suave, mas perfeita,
A maneira como as tuas unhas se conjugavam com o dedo… Mas não podia ser.
Sim, claro, o nariz engraçava o ambiente. E o teu cabelo…que mais posso dizer?
Levantei-me, cheguei onde finalmente queria chegar. Ao sair, passando pelo primeiro vidro
Virei a cara e olhei-te. Não eras tu. Depois fiquei a pensar: terei mudado de perspectiva
Ou terei colocado naquela mulher as tuas características?
Saí para a rua, abrindo os abraços ao frio
Sabendo que estive sentado ao lado de um fantasma teu.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Herege
Os sentimentos não se devem escrever
Mas a raiva que sinto por vezes
É tamanha que é impossível deixa-la
Dentro de mim.
E por muito que lute por vislumbrar
Uma luz tua, que apenas encontro
Em felizes pequenos acontecimentos
Que são tão insignificantes como pó,
Não te vejo em parte alguma.
Há tempos presentes afastei-me
De uma das tuas religiões,
Por ter sentido honestamente que
Ela nada me fazia sentir diferente
Para ser melhor como ser humano.
Agora caiu na tentação de me afastar
De ti. Assim como outros que te chamam
Apenas em horas de aflição é o sentimento
Que me envolve de momento.
É apenas um sentimento do momento,
Bem o sei, mas não deixa de ser sentido.
A maneira como seivas vidas sem lógica
Ao nosso pensamento, como fazes sofrer
Inocentes que apenas praticam o bem.
Porque não esperas? Porque tiras com
Uma velocidade imensa pessoas às pessoas,
Felicidade a quem já não a tem?
Porque ofereces doenças a quem já sofre?
A fome e a miséria pintam o mundo
De vermelho, cinzento e preto.
Os pobres que te seguem sem questionar,
Que hipocritamente se fingem insensíveis à dor
À perda, a todo este lixo de humanismo,
Desculpam-te dizendo que são os teus desígnios
Que sejam…Não me interessam até me serem explicados.
A minha passividade agressiva é comum a quem sente.
E hoje, por uma vez que seja na minha vida, tenho fé no homem.
E a tua vontade, injustifica racionalmente, é me indiferente.
27/11/08 – 23:20
A todos faz pensar, em cada esquina esconde-se desgraça e injustiça.
Mas a raiva que sinto por vezes
É tamanha que é impossível deixa-la
Dentro de mim.
E por muito que lute por vislumbrar
Uma luz tua, que apenas encontro
Em felizes pequenos acontecimentos
Que são tão insignificantes como pó,
Não te vejo em parte alguma.
Há tempos presentes afastei-me
De uma das tuas religiões,
Por ter sentido honestamente que
Ela nada me fazia sentir diferente
Para ser melhor como ser humano.
Agora caiu na tentação de me afastar
De ti. Assim como outros que te chamam
Apenas em horas de aflição é o sentimento
Que me envolve de momento.
É apenas um sentimento do momento,
Bem o sei, mas não deixa de ser sentido.
A maneira como seivas vidas sem lógica
Ao nosso pensamento, como fazes sofrer
Inocentes que apenas praticam o bem.
Porque não esperas? Porque tiras com
Uma velocidade imensa pessoas às pessoas,
Felicidade a quem já não a tem?
Porque ofereces doenças a quem já sofre?
A fome e a miséria pintam o mundo
De vermelho, cinzento e preto.
Os pobres que te seguem sem questionar,
Que hipocritamente se fingem insensíveis à dor
À perda, a todo este lixo de humanismo,
Desculpam-te dizendo que são os teus desígnios
Que sejam…Não me interessam até me serem explicados.
A minha passividade agressiva é comum a quem sente.
E hoje, por uma vez que seja na minha vida, tenho fé no homem.
E a tua vontade, injustifica racionalmente, é me indiferente.
27/11/08 – 23:20
A todos faz pensar, em cada esquina esconde-se desgraça e injustiça.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Imagina..
“You may say i’m a dreamer… but i’m not the only one…” (John Lennon)
Imagina que a vida é curta, onde cada momento é único
Um momento tão único que jamais vai voltar,
Imagina que aceitas a verdade tal como ela é, mesmo quando esta magoa,
Senta-te aqui ao pé de mim e vamos imaginar juntos.
Imagina que pões em prática todas as falas e acções que praticas em pensamento,
Consegues imaginar um mundo tão maior quanto maior for a perspectiva?
Imagina que não existem limites, que nada é o que parece…
Imagina que o mundo pode ser tudo o que possas imaginar.
Tens pernas, caminha. Tens mãos, faz. Tens alma, cria. És pessoa? Ama.
Imagina de quantas cores pode ser o teu céu, de que forma será a tua terra.
Imagina um mundo sem fome, sem guerra, sem hipocrisia. Um mundo à parte.
Se imaginar for o motor da tua acção…então…imagina.
26/11/08
Este poema está tão pequeno, minusculo, insatesfatório, comparado com a verdadeira música. Foi o pouco que consegui.
Imagina que a vida é curta, onde cada momento é único
Um momento tão único que jamais vai voltar,
Imagina que aceitas a verdade tal como ela é, mesmo quando esta magoa,
Senta-te aqui ao pé de mim e vamos imaginar juntos.
Imagina que pões em prática todas as falas e acções que praticas em pensamento,
Consegues imaginar um mundo tão maior quanto maior for a perspectiva?
Imagina que não existem limites, que nada é o que parece…
Imagina que o mundo pode ser tudo o que possas imaginar.
Tens pernas, caminha. Tens mãos, faz. Tens alma, cria. És pessoa? Ama.
Imagina de quantas cores pode ser o teu céu, de que forma será a tua terra.
Imagina um mundo sem fome, sem guerra, sem hipocrisia. Um mundo à parte.
Se imaginar for o motor da tua acção…então…imagina.
26/11/08
Este poema está tão pequeno, minusculo, insatesfatório, comparado com a verdadeira música. Foi o pouco que consegui.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Desfibrilhador
Eras dois, tornaste-te um.
Bebeste dessa bênção branca
Que te deu força e vontade
Para lutares contra a falta de equilíbrio.
Deixaste que te educassem, aprendeste.
Descobriste a necessidade de partilhar
E receber, amar e odiar,
Descobriste que neste mundo ninguém nasce só.
Experimentaste e foste experiência.
Apertas a gravata para realçar
A tua sorte de condenado.
Nesse teu corpo rígido
Engomado pela sociedade
Respiras aflição numa arte já aperfeiçoada.
Sentes a revolta e uma pergunta
Frustrada de ironia
Bloqueia o teu pensamento:
Se o arrependimento não mata
Porque me sinto morto?
Tão morto quanto um morto deve estar…
Ouves vozes à tua volta,
Sentes um frio no peito que vai e vem…
E agora?
Hora da morte: dez e trinta.
18/11/08
Bebeste dessa bênção branca
Que te deu força e vontade
Para lutares contra a falta de equilíbrio.
Deixaste que te educassem, aprendeste.
Descobriste a necessidade de partilhar
E receber, amar e odiar,
Descobriste que neste mundo ninguém nasce só.
Experimentaste e foste experiência.
Apertas a gravata para realçar
A tua sorte de condenado.
Nesse teu corpo rígido
Engomado pela sociedade
Respiras aflição numa arte já aperfeiçoada.
Sentes a revolta e uma pergunta
Frustrada de ironia
Bloqueia o teu pensamento:
Se o arrependimento não mata
Porque me sinto morto?
Tão morto quanto um morto deve estar…
Ouves vozes à tua volta,
Sentes um frio no peito que vai e vem…
E agora?
Hora da morte: dez e trinta.
18/11/08
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Decisão
Perdi-me outra vez
Mas encontrei o meu nome no mapa.
Da última vez que joguei xadrez
Com Deus ambos ficamos só com o rei.
Encontrei a luz,
Não uma luz divina mas
A luz que alguém acendeu para mim.
Neste profundo sentimento abstracto
Que me une à terra
Procurei uma razão segura
Para vos amar eternamente,
Até que veio alguém que me disse:
Não te deixes enganar.
Fui-me deixando render à paz
E ao ódio nunca quis dar tréguas.
Podem-me chamar sonhador
Mas prefiro estar só contra todos
Do que estarmos todos juntos
Contra nada.
Quem me ama aguarda nesse silêncio
De quem ama, sem esperar pela sua vez
De falar, apenas ouvem tudo o que
Podem escutar.
Os outro fingem ouvir,
Aguardam apenas a decisão.
Alguns deitam-me ao chão
Através do pensamento, outros erguem-me
Porque faço parte deles.
Que decides tu?
Eu escolho viver.
18/11/08
Mas encontrei o meu nome no mapa.
Da última vez que joguei xadrez
Com Deus ambos ficamos só com o rei.
Encontrei a luz,
Não uma luz divina mas
A luz que alguém acendeu para mim.
Neste profundo sentimento abstracto
Que me une à terra
Procurei uma razão segura
Para vos amar eternamente,
Até que veio alguém que me disse:
Não te deixes enganar.
Fui-me deixando render à paz
E ao ódio nunca quis dar tréguas.
Podem-me chamar sonhador
Mas prefiro estar só contra todos
Do que estarmos todos juntos
Contra nada.
Quem me ama aguarda nesse silêncio
De quem ama, sem esperar pela sua vez
De falar, apenas ouvem tudo o que
Podem escutar.
Os outro fingem ouvir,
Aguardam apenas a decisão.
Alguns deitam-me ao chão
Através do pensamento, outros erguem-me
Porque faço parte deles.
Que decides tu?
Eu escolho viver.
18/11/08
domingo, 16 de novembro de 2008
Black birds
Voas no ar pequena ave preta
Tão difícil de agarrar,
Mas quem precisa de te sentir
Quando nós temos as palavras?
Pequena ave preta
Que renega o chão que lhe foi dado,
Não te assustes, para quê sentir-te
Quando temos as palavras?
Preta ave pequena que se confunde na noite
Como rasga o dia trazendo o contraste,
Porque evitas o toque que não te quero dar?
Eu só tenho as palavras.
Lembra-te pois, pequena ave preta
Que neste mundo nada mais te poderemos dar,
É isto que somos, é isto que temos,
Nós apenas temos as palavras.
02:17
16/11/2008
Tão difícil de agarrar,
Mas quem precisa de te sentir
Quando nós temos as palavras?
Pequena ave preta
Que renega o chão que lhe foi dado,
Não te assustes, para quê sentir-te
Quando temos as palavras?
Preta ave pequena que se confunde na noite
Como rasga o dia trazendo o contraste,
Porque evitas o toque que não te quero dar?
Eu só tenho as palavras.
Lembra-te pois, pequena ave preta
Que neste mundo nada mais te poderemos dar,
É isto que somos, é isto que temos,
Nós apenas temos as palavras.
02:17
16/11/2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Cocktail
Vejo-te sentado, aguardando
Pelo Inverno, pois assim que chegue
Aguardarás sentado pelo Verão.
Podias ter tudo ou podes não ter nada,
O relógio antigo que dá as badaladas
Recorda-te o passado que ainda te é presente.
Nesse país das maravilhas
Onde abunda o absinto e a aguardente
Sentes a felicidade como mais ninguém sente.
E brilham os olhos, de uma felicidade aparente,
Sorri a boca, presa ao cigarro que pende,
Na tua sala de fumo, és todos
E de ninguém dependes.
A dádiva da vida não é razão que chegue,
Sobram demasiados pedaços de algo,
Poderias mudar mas para quê,
Porquê, para quem.
Perdes a noção ao rosto que te olha
Quando olhas para o espelho,
A fome só dá vida a quem precisa de alimento.
Nem medicamentos, nem terapia,
Tudo não passa de uma luz artificial que dá que algum alento.
O cinzento pinta as paredes da tua alma,
Nessa luta interior de saber o próximo passo,
Aguardas o momento de falso triunfo
Em que recortas na tua lápide as palavras:
Aqui jaz ninguém.
Bebes com rapidez desse forte cocktail
Que mistura todos os sabores.
Um pouco de fé…
Um pouco de fé.
10/11/08
Pelo Inverno, pois assim que chegue
Aguardarás sentado pelo Verão.
Podias ter tudo ou podes não ter nada,
O relógio antigo que dá as badaladas
Recorda-te o passado que ainda te é presente.
Nesse país das maravilhas
Onde abunda o absinto e a aguardente
Sentes a felicidade como mais ninguém sente.
E brilham os olhos, de uma felicidade aparente,
Sorri a boca, presa ao cigarro que pende,
Na tua sala de fumo, és todos
E de ninguém dependes.
A dádiva da vida não é razão que chegue,
Sobram demasiados pedaços de algo,
Poderias mudar mas para quê,
Porquê, para quem.
Perdes a noção ao rosto que te olha
Quando olhas para o espelho,
A fome só dá vida a quem precisa de alimento.
Nem medicamentos, nem terapia,
Tudo não passa de uma luz artificial que dá que algum alento.
O cinzento pinta as paredes da tua alma,
Nessa luta interior de saber o próximo passo,
Aguardas o momento de falso triunfo
Em que recortas na tua lápide as palavras:
Aqui jaz ninguém.
Bebes com rapidez desse forte cocktail
Que mistura todos os sabores.
Um pouco de fé…
Um pouco de fé.
10/11/08
domingo, 9 de novembro de 2008
Canção do tempo
Quem ao tempo
Tempo tira com quanto tempo
Costuma ficar?
Não que faça do tempo
Um brinquedo ou
Um espaço familiar,
Mas o tempo que não gasto
Fica sempre a pesar,
Por outro lado o tempo que gasto
Por vezes deixa-me a desejar.
Perguntei ao tempo quanto tempo
Demoraria a chegar,
Ele franziu o sobrolho
E brincou dizendo:
Olha que o tempo não tem
Por costume atrasar.
Quanto mais corro
Mas tu passas devagar,
Ai tempo maldito
Que és tempo que chateia
Só por chatear.
Não foste criado, sempre serás
Dado adquirido, existes mesmo
Onde não existe lugar.
És sucessão de verbos, és impossível de enganar.
Embala-me e aconchega-me em ti
Até que chegue o tempo,
O tempo da minha hora.
7/11/08
Tempo tira com quanto tempo
Costuma ficar?
Não que faça do tempo
Um brinquedo ou
Um espaço familiar,
Mas o tempo que não gasto
Fica sempre a pesar,
Por outro lado o tempo que gasto
Por vezes deixa-me a desejar.
Perguntei ao tempo quanto tempo
Demoraria a chegar,
Ele franziu o sobrolho
E brincou dizendo:
Olha que o tempo não tem
Por costume atrasar.
Quanto mais corro
Mas tu passas devagar,
Ai tempo maldito
Que és tempo que chateia
Só por chatear.
Não foste criado, sempre serás
Dado adquirido, existes mesmo
Onde não existe lugar.
És sucessão de verbos, és impossível de enganar.
Embala-me e aconchega-me em ti
Até que chegue o tempo,
O tempo da minha hora.
7/11/08
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Fardo
Nasci do nada, do pedaço de nada
Que rodeia o Universo finito e infinito
Em contrariedades.
Nasci do Deus Todo-poderoso
Que se mantém silencioso.
Nasci dum amor nascido de mortais.
Pontapeio pedaços de sujidade que
Me bloqueiam o chão.
Piso o sujo caminho que os outros
Já sujaram.
Os erros ficam na história
Porque dá demasiado trabalho
Alguém os corrigir.
O fardo pesado, que hoje carrego,
Carrego-o porque nasci.
Ser-se humano é suficiente para
Reflectir sobre a razão de carregar tal fardo:
O facto de se ser um ser humano.
Que rodeia o Universo finito e infinito
Em contrariedades.
Nasci do Deus Todo-poderoso
Que se mantém silencioso.
Nasci dum amor nascido de mortais.
Pontapeio pedaços de sujidade que
Me bloqueiam o chão.
Piso o sujo caminho que os outros
Já sujaram.
Os erros ficam na história
Porque dá demasiado trabalho
Alguém os corrigir.
O fardo pesado, que hoje carrego,
Carrego-o porque nasci.
Ser-se humano é suficiente para
Reflectir sobre a razão de carregar tal fardo:
O facto de se ser um ser humano.
Instinto fatal
“Sempre consciente do objectivo:
Destruir tudo
O que pode ser destruído.” (DLM)
Nunca encontrarás o meu
Nome em santos livros…
O meu suspiro suprime
Todos os seres vivos.
Não dou ao Tempo
Tempo para criar raízes.
Eu nasci
Em vocês nasceram cicatrizes.
Basto-me a mim mesmo,
Sou eu sozinho, eu e mais ninguém.
Destruidor da falsa vida
Ao ser mau pratico o bem.
Abdico do amor
Esse vosso consolo é quase sempre em vão,
Ao ser forte abro mares
E multiplico, à minha maneira, o pão.
O medo não existe,
É simples invenção humana.
Crio verdades perfeitas
A razão é sempre soberana.
Venero-vos em todo o meu ódio,
Desistem, culpam
Choram e imploram,
Os vossos erros mantêm-me sóbrio.
Destruo os vossos sonhos
Ao transforma-los em realidade.
A realidade já pouco tem de real.
Vocês preferem uma vida sem sal,
Nem conservam nem dão sabor.
Neste mundo ponto de interrogação
Resta-me revelar-vos o vosso
E o meu lado sobre o qual reside
Todo o instinto fatal.
Destruir tudo
O que pode ser destruído.” (DLM)
Nunca encontrarás o meu
Nome em santos livros…
O meu suspiro suprime
Todos os seres vivos.
Não dou ao Tempo
Tempo para criar raízes.
Eu nasci
Em vocês nasceram cicatrizes.
Basto-me a mim mesmo,
Sou eu sozinho, eu e mais ninguém.
Destruidor da falsa vida
Ao ser mau pratico o bem.
Abdico do amor
Esse vosso consolo é quase sempre em vão,
Ao ser forte abro mares
E multiplico, à minha maneira, o pão.
O medo não existe,
É simples invenção humana.
Crio verdades perfeitas
A razão é sempre soberana.
Venero-vos em todo o meu ódio,
Desistem, culpam
Choram e imploram,
Os vossos erros mantêm-me sóbrio.
Destruo os vossos sonhos
Ao transforma-los em realidade.
A realidade já pouco tem de real.
Vocês preferem uma vida sem sal,
Nem conservam nem dão sabor.
Neste mundo ponto de interrogação
Resta-me revelar-vos o vosso
E o meu lado sobre o qual reside
Todo o instinto fatal.
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