Acordei certo dia
Vivendo um pesadelo
Soube desde logo
Que jamais iria esquece-lo.
Uma luz pálida expulsou-me
Da mim e obrigou-me a caminhar
Na rua.
Vi então uma chuva forte que
Caía do céu
E eu nada sentia,
Tudo em volta molhado
E eu privado da sua frescura.
A saudade antiga fez-te correr
Até mim, agarrei-te com força
Como se te fosse perder outra vez.
Afinal era um sonho.
Mas não sentia a tua pele
Beijei-te e não sentia o teu sabor,
Afinal era um pesadelo.
Encostei-me a ti… e nada cheirei.
Bate-me até perder os sentidos,
Não basta a fé que tenho?!
Acredito, não preciso de rituais inventados
Por homens que se julgam melhores,
Respeito, não preciso de ficar com
Os joelhos dormentes,
Digo, não preciso de ser hipócrita.
Perco a visão e fico nessa incógnita existencial
Do ser: não vejo, não sinto, não saboreio, não cheiro,
De que vale não sentir dor?
Não vale de nada.
Seja pois feita a Tua vontade
Se essa for igual à minha.
22/10/08 – 23:00
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Psicanálise
Eu sei que as peças encaixam
Porque as vi caírem desfragmentadas no chão,
Mas imagina que aceitavas a verdade.
Um vírus, um cancro que te
Devora por dentro
Enquanto sorris de frente para
A vida.
Ninguém te pode dizer
O que deves sentir,
Ninguém te pode dizer
O que queres gritar.
Pobres crentes na ilusão humana,
Apalpam pedaços de céu na
Vontade vã de se sentirem superiores.
A alegria que me corre nas veias
Deve-se a esta vontade não efémera
De provar que estão errados.
Os teus olhos que penetram
Numa solidão escura e sem sentido
Acabarão por se habituar à luz.
Deixa-te ser quem és.
Julgam poder voar alto como Ícaro
E cairão dessa mesma altura.
E não será a queda que vos magoa
Será terem-se tornado naquilo que mais temiam.
Num revirar constante de identidades
Subjectivamente infinitas,
Freud pensou:
Não há bem que sempre dure
Nem mal que dure para sempre. Ainda mal!
(17/10/08 – A primeira estrofe é tradução ligeiramente alterada de frases das músicas “The truth”(Limp Bizkit) e “Schism”(Tool). )
Porque as vi caírem desfragmentadas no chão,
Mas imagina que aceitavas a verdade.
Um vírus, um cancro que te
Devora por dentro
Enquanto sorris de frente para
A vida.
Ninguém te pode dizer
O que deves sentir,
Ninguém te pode dizer
O que queres gritar.
Pobres crentes na ilusão humana,
Apalpam pedaços de céu na
Vontade vã de se sentirem superiores.
A alegria que me corre nas veias
Deve-se a esta vontade não efémera
De provar que estão errados.
Os teus olhos que penetram
Numa solidão escura e sem sentido
Acabarão por se habituar à luz.
Deixa-te ser quem és.
Julgam poder voar alto como Ícaro
E cairão dessa mesma altura.
E não será a queda que vos magoa
Será terem-se tornado naquilo que mais temiam.
Num revirar constante de identidades
Subjectivamente infinitas,
Freud pensou:
Não há bem que sempre dure
Nem mal que dure para sempre. Ainda mal!
(17/10/08 – A primeira estrofe é tradução ligeiramente alterada de frases das músicas “The truth”(Limp Bizkit) e “Schism”(Tool). )
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Encantamento
Por isso vim,
Envolta em sombras
E cinzentas poeiras
Ouvi-te chamar.
E porque iluminas
Pedaços da noite
Como matas o dia
Trazendo as trevas
Vim.
Enfrento-te sem nada recear.
Enquanto me encantas
Eu finjo não me deixar
Encantar, saboreio a tua
Pessoa e gosto tanto
Da tua presença
Como gosto do teu lado lunar.
Um ódio reprimido
Solta o meu eu num
Espaço reduzido ao teu encantamento.
O melhor passou a pior
Num instante banal,
Sem regras, sem justificações,
Sem beleza…
E quando algo perde a beleza,
Seja ela de que género for,
Tudo perde sentido e lógica.
Quando vejo a tua alma
Força de tempestade
Tornar-se brisa,
Onde luto por ressuscitá-la
Sem conseguir,
Então começo a perder
O encantamento.
Com triste agradecimento
Procuro desencantar-me.
Envolta em sombras
E cinzentas poeiras
Ouvi-te chamar.
E porque iluminas
Pedaços da noite
Como matas o dia
Trazendo as trevas
Vim.
Enfrento-te sem nada recear.
Enquanto me encantas
Eu finjo não me deixar
Encantar, saboreio a tua
Pessoa e gosto tanto
Da tua presença
Como gosto do teu lado lunar.
Um ódio reprimido
Solta o meu eu num
Espaço reduzido ao teu encantamento.
O melhor passou a pior
Num instante banal,
Sem regras, sem justificações,
Sem beleza…
E quando algo perde a beleza,
Seja ela de que género for,
Tudo perde sentido e lógica.
Quando vejo a tua alma
Força de tempestade
Tornar-se brisa,
Onde luto por ressuscitá-la
Sem conseguir,
Então começo a perder
O encantamento.
Com triste agradecimento
Procuro desencantar-me.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
E os deuses
Zeus pede cinco tempos e vai até à varanda. Senta-se e suspira. Limpa o suor da testa com o braço esquerdo. Acende um cigarro com a ponta do dedo e deixa-se fumar lentamente. Ainda cansado e com o coração em altos batimentos arranja forças para gritar pelo seu filho Apolo. Apolo vem correndo mais depressa do que o costume, pois trata-se do seu pai.
- Chamou?
- Chamei. Faz-me um favor, diz à minha esposa que tive uma reunião que vai prolongar o meu atraso.
- Com certeza pai… Hoje está com um ar mais cansado do que o normal, está bem?
- Ela hoje está insaciável.
Apolo correu então ainda mais depressa em direcção à actual esposa de Zeus, com uma nova verdade em forma de mensagem.
- Devo estar a ficar mesmo velho. Suspirou o velho Zeus.
Volta a entrar no quarto e ei-la ainda mais bela do que à cinco tempos atrás. Desta vez tinha um lençol branco que serpenteava todo o corpo, cuidadosamente por acaso tapando o ventre e os seios.
“Basta ser mulher, que homem ou deus cai na loucura. Nem só da alma podemos nós viver”, pensou. Estava agora loira, outrora morena e chegou mesmo a experimentar um tom mais ruivo. Era Vénus. Como sempre sublime, bela, intocável a qualquer um, desejando ser tocada por todos.
- Não me queres amar mais hoje?, perguntou Vénus num tom cedente de mais amor, num misto de brutalidade e melaço, enquanto se movia de mil maneiras diferentes, daquelas que levam um homem ou deus a uma loucura injustificada racionalmente. Amar… Estamos pois diante de uma palavra, com significados vários. “A carne é fraca e de muita carne vive o homem e o deus”, pensou Zeus.
- A minha esposa espera-me…
- Pois bem… Deitou-se então e apoiou a cabeça nas mãos formando uma rampa perfeita com as suas costas, num declive divinal. Que perfeição, o cabelo preso no lado direito dava a mostrar a sua cara, o seu pescoço, cada linha sua, os ombros e os belos seios que pendiam relativamente no ar apenas agarrados por aquele magnifico corpo. “Nem os homens nem eu!”
…Porém.
Zeus tinha pedido cinco tempos na varanda. Vénus olhava-o através das cortinas transparentes. “Tanta sabedoria e experiência num corpo tão belo.” Olhava-o com aquele amor de que se apaixona, de quem à primeira vista só procura atingir os olhos e a alma. Mas depressa mordeu o lábio e desejou toda aquela força possante dele nela. Afinal era apenas um corpo, talvez o melhor, mas apenas um corpo, que mais do que qualquer outro estaria ali a fazer o impossível para a fazer ter prazer. “A carne é fraca e é a carne que o homem ou o deus deseja, que o faz trair o espírito.”
Os seus cabelos brancos caiam-lhe harmoniosamente na testa. Um pescoço forte ligava o bonito rosto aos fortes ombros, donos de braços esculpidos. Todo ele ardia harmonia. Vénus gostava de harmonia e adorava queimar-se.
Zeus entrou no quarto. As velas iluminavam apenas uma das suas faces, como se exprimisse também a sua alma; a fome carnal ou uma presença crescente de espírito.
Há várias coisas que passam pela cabeça de um homem ou deus nestes momentos. Todas elas apesar de lógicas, vêem sempre desordenadas. Por um lado: vive a vida, aproveita o momento, goza o sabor doce da traição. Por outro lado: se amas quem amas para quê fazeres isso? Se amas quem desejas e desejas quem amas, para quê?
Zeus sorriu a Vénus e saiu do quarto. Reflectiu no caminho para casa. “É verdade que desejo Vénus, mas não a amo e desejo mais quem amo. É essa talvez a diferença entre paixão e amor. A paixão pode ser avassaladora, tão forte que parece por vezes derrubar o amor. Mas não. O amor está sempre lá. Cresce, esconde-se das intempéries e se for verdadeiro volta ainda mais forte.“
Errar é humano e divino, cabe pois ao homem ou deus aprender com o erro e não voltar a errar. E Zeus foi assobiando felicidade no caminho para casa.
- Chamou?
- Chamei. Faz-me um favor, diz à minha esposa que tive uma reunião que vai prolongar o meu atraso.
- Com certeza pai… Hoje está com um ar mais cansado do que o normal, está bem?
- Ela hoje está insaciável.
Apolo correu então ainda mais depressa em direcção à actual esposa de Zeus, com uma nova verdade em forma de mensagem.
- Devo estar a ficar mesmo velho. Suspirou o velho Zeus.
Volta a entrar no quarto e ei-la ainda mais bela do que à cinco tempos atrás. Desta vez tinha um lençol branco que serpenteava todo o corpo, cuidadosamente por acaso tapando o ventre e os seios.
“Basta ser mulher, que homem ou deus cai na loucura. Nem só da alma podemos nós viver”, pensou. Estava agora loira, outrora morena e chegou mesmo a experimentar um tom mais ruivo. Era Vénus. Como sempre sublime, bela, intocável a qualquer um, desejando ser tocada por todos.
- Não me queres amar mais hoje?, perguntou Vénus num tom cedente de mais amor, num misto de brutalidade e melaço, enquanto se movia de mil maneiras diferentes, daquelas que levam um homem ou deus a uma loucura injustificada racionalmente. Amar… Estamos pois diante de uma palavra, com significados vários. “A carne é fraca e de muita carne vive o homem e o deus”, pensou Zeus.
- A minha esposa espera-me…
- Pois bem… Deitou-se então e apoiou a cabeça nas mãos formando uma rampa perfeita com as suas costas, num declive divinal. Que perfeição, o cabelo preso no lado direito dava a mostrar a sua cara, o seu pescoço, cada linha sua, os ombros e os belos seios que pendiam relativamente no ar apenas agarrados por aquele magnifico corpo. “Nem os homens nem eu!”
…Porém.
Zeus tinha pedido cinco tempos na varanda. Vénus olhava-o através das cortinas transparentes. “Tanta sabedoria e experiência num corpo tão belo.” Olhava-o com aquele amor de que se apaixona, de quem à primeira vista só procura atingir os olhos e a alma. Mas depressa mordeu o lábio e desejou toda aquela força possante dele nela. Afinal era apenas um corpo, talvez o melhor, mas apenas um corpo, que mais do que qualquer outro estaria ali a fazer o impossível para a fazer ter prazer. “A carne é fraca e é a carne que o homem ou o deus deseja, que o faz trair o espírito.”
Os seus cabelos brancos caiam-lhe harmoniosamente na testa. Um pescoço forte ligava o bonito rosto aos fortes ombros, donos de braços esculpidos. Todo ele ardia harmonia. Vénus gostava de harmonia e adorava queimar-se.
Zeus entrou no quarto. As velas iluminavam apenas uma das suas faces, como se exprimisse também a sua alma; a fome carnal ou uma presença crescente de espírito.
Há várias coisas que passam pela cabeça de um homem ou deus nestes momentos. Todas elas apesar de lógicas, vêem sempre desordenadas. Por um lado: vive a vida, aproveita o momento, goza o sabor doce da traição. Por outro lado: se amas quem amas para quê fazeres isso? Se amas quem desejas e desejas quem amas, para quê?
Zeus sorriu a Vénus e saiu do quarto. Reflectiu no caminho para casa. “É verdade que desejo Vénus, mas não a amo e desejo mais quem amo. É essa talvez a diferença entre paixão e amor. A paixão pode ser avassaladora, tão forte que parece por vezes derrubar o amor. Mas não. O amor está sempre lá. Cresce, esconde-se das intempéries e se for verdadeiro volta ainda mais forte.“
Errar é humano e divino, cabe pois ao homem ou deus aprender com o erro e não voltar a errar. E Zeus foi assobiando felicidade no caminho para casa.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Fragmento do ser
Ficas-te preso ao tapete
Desde o esquecimento da
Empregada de Fernando Pessoa.
Sentes os pés de quem te pisa
E sentes revolta:
Ou pisam de propósito
Fingindo não te ver
Ou pisam porque não te vêem.
Das duas uma,
E das duas ficas sempre infeliz.
És vidro partido, pedaço de porcelana,
Pedaço de alma fragmentada, fragmento de ser.
Tentas esquecer em vão
A razão pela qual te esqueceram no chão.
E sonhas todos os dias
Que alguém repare em ti
E te coloque no lixo,
Lugar onde encontrarás
Mais pedaços esquecidos e partidos
Como tu.
Fechas os olhos e tentas ignorar
O facto de a empregada ter
Acabado de varrer todo o tapete
Deixando-te numa solidão limpa.
Desde o esquecimento da
Empregada de Fernando Pessoa.
Sentes os pés de quem te pisa
E sentes revolta:
Ou pisam de propósito
Fingindo não te ver
Ou pisam porque não te vêem.
Das duas uma,
E das duas ficas sempre infeliz.
És vidro partido, pedaço de porcelana,
Pedaço de alma fragmentada, fragmento de ser.
Tentas esquecer em vão
A razão pela qual te esqueceram no chão.
E sonhas todos os dias
Que alguém repare em ti
E te coloque no lixo,
Lugar onde encontrarás
Mais pedaços esquecidos e partidos
Como tu.
Fechas os olhos e tentas ignorar
O facto de a empregada ter
Acabado de varrer todo o tapete
Deixando-te numa solidão limpa.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Humanador
“Só acredito num deus que saiba dançar.”
Porque até lá respiro.
Subiste ao púlpito e gritas-te
O teu sermão para os teus
Fiéis. Eles gostam de ti.
Enquanto gritas, todos
Fingem prestar atenção.
E tu gostas dessa sensação.
Sofres e falas as tuas verdades
Em voz alta, com os sentimentos
Ao teu rubro, com uma força
De vontade tamanha que quase
Te chego a admirar.
Estou sentado na extremidade
Da sombra, tu sentes a minha
Presença e gritas ainda mais alto.
Alguns sorriem, ou acenam
Positivamente, tu começas a chorar,
Percebes que eles nada sabem de ti,
São apenas pessoas colocadas
No lugar certo para te fazer viver.
Dooooooooooooooooooooooooooooor!
Começas então a sussurrar
Para a única pessoa que te escuta.
E sussurras para mim.
No fim, só eu poderei dizer
Enquanto caminho para longe de ti
Se foste ou não uma desilusão.
Porque até lá respiro.
Subiste ao púlpito e gritas-te
O teu sermão para os teus
Fiéis. Eles gostam de ti.
Enquanto gritas, todos
Fingem prestar atenção.
E tu gostas dessa sensação.
Sofres e falas as tuas verdades
Em voz alta, com os sentimentos
Ao teu rubro, com uma força
De vontade tamanha que quase
Te chego a admirar.
Estou sentado na extremidade
Da sombra, tu sentes a minha
Presença e gritas ainda mais alto.
Alguns sorriem, ou acenam
Positivamente, tu começas a chorar,
Percebes que eles nada sabem de ti,
São apenas pessoas colocadas
No lugar certo para te fazer viver.
Dooooooooooooooooooooooooooooor!
Começas então a sussurrar
Para a única pessoa que te escuta.
E sussurras para mim.
No fim, só eu poderei dizer
Enquanto caminho para longe de ti
Se foste ou não uma desilusão.
Beleza artificial
Perguntaste-me certo dia
Até que ponto era eu real.
Disse-te que não bastava
O facto de existir, de estar
Nesse momento a olhar-te nos olhos
E a dizer-te ditos de amor.
Ficas-te sentada a olhar
Para mim, sorris-te
E fizeste-me o elogio mais
Original que me fizeram até hoje.
Disseste-me que tinha um aspecto confortável.
Ri-me e disse-te que a melhor
Prova de que existia
Era contar-te tudo o que já tinha sido,
Tudo o que era e tudo o que queria ser.
Acrescentei ainda, que seria desde logo
Mostrar-te todas as qualidades e defeitos meus.
E que contigo, se eu de facto existisse,
Devia abusar das minhas qualidades
E acalmar desde logo os meus defeitos.
Ficas-te satisfeita com a resposta
E continuamos a conversar.
Até que ponto era eu real.
Disse-te que não bastava
O facto de existir, de estar
Nesse momento a olhar-te nos olhos
E a dizer-te ditos de amor.
Ficas-te sentada a olhar
Para mim, sorris-te
E fizeste-me o elogio mais
Original que me fizeram até hoje.
Disseste-me que tinha um aspecto confortável.
Ri-me e disse-te que a melhor
Prova de que existia
Era contar-te tudo o que já tinha sido,
Tudo o que era e tudo o que queria ser.
Acrescentei ainda, que seria desde logo
Mostrar-te todas as qualidades e defeitos meus.
E que contigo, se eu de facto existisse,
Devia abusar das minhas qualidades
E acalmar desde logo os meus defeitos.
Ficas-te satisfeita com a resposta
E continuamos a conversar.
sábado, 4 de outubro de 2008
Last day on earth
Visto deste meu actual presente. De certo faltam muitas coisas, de qualquer maneira nesse dia, mais do que em qualquer outro, o tempo passará a voar. Serio o meu. Como será o teu? Aproveita pois, como diz o povo, cada dia como se fosse o último.
“O que farias de diferente se o mundo acabasse amanhã, se exactamente ao fazeres algo diferente o mundo não acabasse?” (Bill Watterson – criador de Calvin and Hobbes)
Descobri hoje que tenho como últimas horas a réstia de tempo dos minutos de um nascer do sol até ao outro nascer do sol.
Acordo às oito da manhã e deixo-me na cama. Saboreio a sorna matinal no aconchego da cama. Sem alguém ao meu lado a quem possa acordar com suaves beijos, visto os calções e vou correr um bocado. Correr, pelo simples prazer de correr, sem qualquer meta, apenas até os músculos pegarem fogo e os pulmões fraquejarem é o que eu mais gosto.
O resto da manhã passo-a com os meus. Recordamos os velhos tempos. Choramos de tanto rir com histórias e fotografias antigas. Dedico um tempo especial à minha irmã. Ela merece-o. Damos um passeio agradável. Prometo-lhe que à tarde estará comigo na despedida da praia e do mar.
Volto para casa e despeço-me de quem posso através do computador e telefone. Vou ouvindo todas as músicas que posso. Almoço a melhor lasanha alguma feita por um português. Bebo água, a melhor bebida até hoje inventada.
Peço um momento a sós e passeio na minha rua. A mais comprida estrada lisboeta, a Estrada de Benfica. Não choro mas comovo-me, a minha rua e um último caminhar nela. Adeus vizinho e conhecidos, foi um prazer.
Reservo uma boa fatia da tarde para pegar nos meus verdadeiros amigos. Nunca vos esquecerei. Há três coisas que os verdadeiros podem e devem fazer: estar lá no bom e no mau, apoiar-nos quando estamos certos e corrigir-nos quando estamos errados. Por último filosofar ou rir até não podermos mais. Vamos de carro para me despedir dessa cidade mais bonita que alguma vez encontrei. A grande Lisboa. Colocamos uma banda sonora só nossa. Variada. Lisboa serei para sempre teu. Sentirei falta de cada pedra na calçada tão perfeitamente colocada com arte e engenho, dos teus monumentos, dos teus mendigos, lojas e paisagens. Lamento não me puder despedir de sítios tão belos como o Algarve, Sintra, a terra da minha avó e mais ainda do grandioso Porto.
Na praia aproveito a areia, a calma e o mar. Amigos de todos os géneros e família. É bom estar ali.
Tinha mesmo razão, tantas coisas para fazer e tão pouco tempo. De volta a casa faço uns últimos recados e janto esparguete à bolonhesa. Que posso dizer? Adoro comer e adoro comida italiana. A comida portuguesa ficará sempre no meu paladar, desde a feijoada, cozido à portuguesa, os enchidos, os peixes, as sopas. A melhor.
Despeço-me por fim da minha família, como qualquer viajante para a morte deixo uma mensagem especial para cada um.
Saio de casa. Uma noite enorme espera-me. Com os meus amigos vamos viver o que resta da minha vida.
Conversamos, bebemos álcool até ao estado de felicidade consciente e rimos.
De manhã corri, de noite danço. Dançar liberta-nos. Ironicamente parece-me a noite mais comprida que alguma vez já tive dada a diversão diversificada. Está quase a nascer o sol. Vamos até Belém enquanto saboreio um ‘final-fast-food’.
Ao pé do rio Tejo despeço-me de cada um deles e de todos em conjunto. Sento-me e acendo um cigarro. Este rio sujo é o meu rio. A sua calma espera-me. Sem ninguém a quem por o braço por cima do ombro penso em todos o que ali queriam estar. Mas se a morte pode ser silenciosa também assim seria a minha despedida.
Como todos aqueles prestes a morrer ou como todos aqueles que perdem alguém reduzo-me à realidade: quem me dera voltar atrás, quem me dera ter vivido mais, ter corrido até não poder mais, ter amado cada mulher como se fosse única e última, ter feito tudo de melhor que conseguisse. Não choro, gostei de ter nascido e amei viver a vida.
A banda sonora final? O pouco barulho do rio e os carros que passam. Porque nesta vida a banda sonora é incontável, para todos nós, uma mistura de todos os estilos de música. O sol vai espreitando e desta vez não abre a janela do meu quarto mas a janela para morte. Riu-me sozinho, depois do dia que tive hoje o que poderei mais ver nas visões ante morte?
(depois de ter escrito, de facto reparei, faltaram algumas coisas)
“O que farias de diferente se o mundo acabasse amanhã, se exactamente ao fazeres algo diferente o mundo não acabasse?” (Bill Watterson – criador de Calvin and Hobbes)
Descobri hoje que tenho como últimas horas a réstia de tempo dos minutos de um nascer do sol até ao outro nascer do sol.
Acordo às oito da manhã e deixo-me na cama. Saboreio a sorna matinal no aconchego da cama. Sem alguém ao meu lado a quem possa acordar com suaves beijos, visto os calções e vou correr um bocado. Correr, pelo simples prazer de correr, sem qualquer meta, apenas até os músculos pegarem fogo e os pulmões fraquejarem é o que eu mais gosto.
O resto da manhã passo-a com os meus. Recordamos os velhos tempos. Choramos de tanto rir com histórias e fotografias antigas. Dedico um tempo especial à minha irmã. Ela merece-o. Damos um passeio agradável. Prometo-lhe que à tarde estará comigo na despedida da praia e do mar.
Volto para casa e despeço-me de quem posso através do computador e telefone. Vou ouvindo todas as músicas que posso. Almoço a melhor lasanha alguma feita por um português. Bebo água, a melhor bebida até hoje inventada.
Peço um momento a sós e passeio na minha rua. A mais comprida estrada lisboeta, a Estrada de Benfica. Não choro mas comovo-me, a minha rua e um último caminhar nela. Adeus vizinho e conhecidos, foi um prazer.
Reservo uma boa fatia da tarde para pegar nos meus verdadeiros amigos. Nunca vos esquecerei. Há três coisas que os verdadeiros podem e devem fazer: estar lá no bom e no mau, apoiar-nos quando estamos certos e corrigir-nos quando estamos errados. Por último filosofar ou rir até não podermos mais. Vamos de carro para me despedir dessa cidade mais bonita que alguma vez encontrei. A grande Lisboa. Colocamos uma banda sonora só nossa. Variada. Lisboa serei para sempre teu. Sentirei falta de cada pedra na calçada tão perfeitamente colocada com arte e engenho, dos teus monumentos, dos teus mendigos, lojas e paisagens. Lamento não me puder despedir de sítios tão belos como o Algarve, Sintra, a terra da minha avó e mais ainda do grandioso Porto.
Na praia aproveito a areia, a calma e o mar. Amigos de todos os géneros e família. É bom estar ali.
Tinha mesmo razão, tantas coisas para fazer e tão pouco tempo. De volta a casa faço uns últimos recados e janto esparguete à bolonhesa. Que posso dizer? Adoro comer e adoro comida italiana. A comida portuguesa ficará sempre no meu paladar, desde a feijoada, cozido à portuguesa, os enchidos, os peixes, as sopas. A melhor.
Despeço-me por fim da minha família, como qualquer viajante para a morte deixo uma mensagem especial para cada um.
Saio de casa. Uma noite enorme espera-me. Com os meus amigos vamos viver o que resta da minha vida.
Conversamos, bebemos álcool até ao estado de felicidade consciente e rimos.
De manhã corri, de noite danço. Dançar liberta-nos. Ironicamente parece-me a noite mais comprida que alguma vez já tive dada a diversão diversificada. Está quase a nascer o sol. Vamos até Belém enquanto saboreio um ‘final-fast-food’.
Ao pé do rio Tejo despeço-me de cada um deles e de todos em conjunto. Sento-me e acendo um cigarro. Este rio sujo é o meu rio. A sua calma espera-me. Sem ninguém a quem por o braço por cima do ombro penso em todos o que ali queriam estar. Mas se a morte pode ser silenciosa também assim seria a minha despedida.
Como todos aqueles prestes a morrer ou como todos aqueles que perdem alguém reduzo-me à realidade: quem me dera voltar atrás, quem me dera ter vivido mais, ter corrido até não poder mais, ter amado cada mulher como se fosse única e última, ter feito tudo de melhor que conseguisse. Não choro, gostei de ter nascido e amei viver a vida.
A banda sonora final? O pouco barulho do rio e os carros que passam. Porque nesta vida a banda sonora é incontável, para todos nós, uma mistura de todos os estilos de música. O sol vai espreitando e desta vez não abre a janela do meu quarto mas a janela para morte. Riu-me sozinho, depois do dia que tive hoje o que poderei mais ver nas visões ante morte?
(depois de ter escrito, de facto reparei, faltaram algumas coisas)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Nunca lhe chamei vida utópica(6ªparte)
“Porque a nossa guerra é outra”
Está assim justificado o porquê de andarmos todos em direcções diferentes ou até mesmo opostas. Basta pensarmos que a nossa guerra é outra para seguirmos um caminho sozinho na maneira de andar mas inundado de pessoas que caminham famintas para uma meta qualquer, pessoas que se atropelam mutuamente e seguem as suas vidas. O tempo nunca pára e tu preferes caminha-lo sozinho, mesmo quando existem outros que te acompanham o pensamento e a alma. O ser humano é um ser social, as pessoas fazem falta às pessoas, o amor e amizade, uma empatia temporária ou eterna é essencial, então porquê caminhar sozinho? Para quê?
Está assim justificado o porquê de cada um caminhar por si próprio, de rosto tapado pela solidão, atropelando e deixando-se atropelar por outros: neutros, competidores, aliados. A nossa guerra às vezes é mesmo outra, mas quase sempre tens alguém que pode ajudar a trava-la. A tua guerra é outra? Que seja, mas deixa que outros iguais te ajudem a trava-la.
Está assim justificado o porquê de andarmos todos em direcções diferentes ou até mesmo opostas. Basta pensarmos que a nossa guerra é outra para seguirmos um caminho sozinho na maneira de andar mas inundado de pessoas que caminham famintas para uma meta qualquer, pessoas que se atropelam mutuamente e seguem as suas vidas. O tempo nunca pára e tu preferes caminha-lo sozinho, mesmo quando existem outros que te acompanham o pensamento e a alma. O ser humano é um ser social, as pessoas fazem falta às pessoas, o amor e amizade, uma empatia temporária ou eterna é essencial, então porquê caminhar sozinho? Para quê?
Está assim justificado o porquê de cada um caminhar por si próprio, de rosto tapado pela solidão, atropelando e deixando-se atropelar por outros: neutros, competidores, aliados. A nossa guerra às vezes é mesmo outra, mas quase sempre tens alguém que pode ajudar a trava-la. A tua guerra é outra? Que seja, mas deixa que outros iguais te ajudem a trava-la.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Coisas pequenas
O que tu sempre quiseste
Foi ter alguém para amar verdadeiramente.
E as coisas pequenas
Que para os outros não passam
De coisas pequenas
Para ti valem mais do que qualquer descoberta.
As coisas pequenas nada têm de pequeno
Apreciar o seu pormenor é das melhores
Coisas que podes apreciar.
Vives a vida procurando e por vezes
Encontras.
O que tu sempre quiseste
Foi ter alguém para amar verdadeiramente.
Lamentas agora que o passado
Seja algo que já passou.
Sentes saudade do toque, do beijo, da conversa.
Partes por isso, à procura de novas coisas pequenas.
Se são melhores ou piores não sabes,
Sabes apenas que serão diferentes.
O tempo demora-se a apagar
Fotografias de pequenas coisas antigas.
E por isso agora começas a construir um presente
Alicerçado em novas coisas pequenas.
Sorris, sabes que são coisas novas.
Saís-te da casca, ganhas-te asas, imigraste de local,
Descobres então novos gestos, maneiras de pensar,
Novas sensações, um novo tocar, lábios que não conhecias.
Tudo mudou de rumo, coisas pequenas saiem da tua vida
E entram constantemente, descobres que o que sempre quiseste
Foi alguém para amar verdadeiramente.
19/09/2008 -10:12 (Linkin Park desta vez ajudaram, thkz coelho * )
Foi ter alguém para amar verdadeiramente.
E as coisas pequenas
Que para os outros não passam
De coisas pequenas
Para ti valem mais do que qualquer descoberta.
As coisas pequenas nada têm de pequeno
Apreciar o seu pormenor é das melhores
Coisas que podes apreciar.
Vives a vida procurando e por vezes
Encontras.
O que tu sempre quiseste
Foi ter alguém para amar verdadeiramente.
Lamentas agora que o passado
Seja algo que já passou.
Sentes saudade do toque, do beijo, da conversa.
Partes por isso, à procura de novas coisas pequenas.
Se são melhores ou piores não sabes,
Sabes apenas que serão diferentes.
O tempo demora-se a apagar
Fotografias de pequenas coisas antigas.
E por isso agora começas a construir um presente
Alicerçado em novas coisas pequenas.
Sorris, sabes que são coisas novas.
Saís-te da casca, ganhas-te asas, imigraste de local,
Descobres então novos gestos, maneiras de pensar,
Novas sensações, um novo tocar, lábios que não conhecias.
Tudo mudou de rumo, coisas pequenas saiem da tua vida
E entram constantemente, descobres que o que sempre quiseste
Foi alguém para amar verdadeiramente.
19/09/2008 -10:12 (Linkin Park desta vez ajudaram, thkz coelho * )
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Insónia de dormir(d'A outra face)

Davas tudo para estar aconchegado
Estares deitado com o teu amor em ti deitado.
Por outro lado não pregas olho
Dás voltas quase infinitas na tua cama…
Já nem te lembras do que queres
Se o silêncio da aldeia
Ou do barulho de carros sem rumo
Autocarros
E taxistas que gastam os pneus.
Não… O sono é para os fracos
Só os fortes lhe dão valor.
Vens à tua varanda
Fumas um cigarro para queimar tempo. O tempo passa
Mais depressa que o fim do cigarro.
A lua? Essa está igual a ela própria.
O que se faz quando o sono não vem?
Nada. Por isso mesmo é que não ter sono
É igual a outra sensação qualquer.
Culpado(d'A outra face)
Ouves o barulho da rua
Enquanto caminhas decidido
Ou de pés arrastados.
Algo te deixou enervado.
Ou és tu quem culpa
Ou és tu o culpado,
Mas o que interessa isso?
Pegas com as duas mãos
Na arma e aponta-la
Para o céu:
Neste mundo não há
Inocentes nem réus!
Se existe Deus não o vejo,
Se Ele não existe
Alguém vai ter de me responder.
Quero lá saber de todos,
Detestei ser bode expiatório
Agora procuro outro.
O culpado acabará por pagar.
Ninguém escapa impune
De fazer mal a alguém.
Quem pensas tu que és
Para mover peças
De um tabuleiro que nem sequer é teu?
Sou ateu só quando me dá mais jeito,
Prefiro procurar no dicionário
O conceito de perfeito.
Olhos cor-de-ódio-raiva
Faíscam, abusam da razão
Como se fossem sábios.
Os sábios já morreram
Viva a Era dos computadores.
Incomodo mais que preto
No branco e vice-versa,
Se queres encontrar o
Culpado não fujas e conversa.
A loucura é controversa
Mas quem é louco descobre depressa
Que só vale a pena viver
Sendo-se louco até morrer.
Enquanto caminhas decidido
Ou de pés arrastados.
Algo te deixou enervado.
Ou és tu quem culpa
Ou és tu o culpado,
Mas o que interessa isso?
Pegas com as duas mãos
Na arma e aponta-la
Para o céu:
Neste mundo não há
Inocentes nem réus!
Se existe Deus não o vejo,
Se Ele não existe
Alguém vai ter de me responder.
Quero lá saber de todos,
Detestei ser bode expiatório
Agora procuro outro.
O culpado acabará por pagar.
Ninguém escapa impune
De fazer mal a alguém.
Quem pensas tu que és
Para mover peças
De um tabuleiro que nem sequer é teu?
Sou ateu só quando me dá mais jeito,
Prefiro procurar no dicionário
O conceito de perfeito.
Olhos cor-de-ódio-raiva
Faíscam, abusam da razão
Como se fossem sábios.
Os sábios já morreram
Viva a Era dos computadores.
Incomodo mais que preto
No branco e vice-versa,
Se queres encontrar o
Culpado não fujas e conversa.
A loucura é controversa
Mas quem é louco descobre depressa
Que só vale a pena viver
Sendo-se louco até morrer.
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