' Porque a nossa guerra é outra . . '
Depois da tempestade, vem a descrença.
Não se iludam, a batalha ainda agora começou.
Na procura da cura para todo este suor
que escorre pel'alma e que invade o terreno
em redor, a terra apodrece, e os pensares
fazem pactos com a ignorância.
União mental, física e sentimental,
a gargalha só podia ser fria,
alargada ao eco de uma gruta.
Vai e volta, embate num poder mais fraco
as batalhas de ontem já não querem chegar amanhã.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
no Céu a metamorfose é somente
entre o preto e o cinzento, e cantam
luzes que abalam quem está por esta terra,
sobra o medo, sobra o negro,
sobra tudo aquilo que escolheu ficar ao vosso lado.
Aperfeiçoamento numa ira verdadeira
de lutar pelo que se quer, antes do Fim.
(Porque a vossa guerra deveria ser outra)
Cordeiros numa planície aberta
à espera do caçador; ele virá, eles virão,
e o sangue escorrerá antes do dia chegar a meio.
Depois da tempestade foi roubada a esperança...
Que se erga a Fénix, a obra prima humana
sem limites primários, que se abra a caixa
de Pandora de olhos bem abertos, sem hesitação.
Porque a vossa guerra deveria ser outra
- Mas não é.
domingo, 8 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
o Outro caminho
Serão precisas palavras, mas só mais tarde,
não agora, não aqui,
o silêncio, se for partilhado perante
peças que se encaixaram
por uma vontade ou por uma não vontade
de deuses em uníssono, bastará.
Podem entrar num desacordo cósmico,
planetas embatem com planetas,
e a chuva d'estrelas só é bela vista
cá deste chão, sobe o mar,
expira o vulcão, mas são outras guerras.
O tempo envelhece e leva com ele
tudo o que não se pode recuperar.
Cara e coroa. Porquê esperar?
Se a verdade dos olhos bastasse,
os movimentos que param a meio caminho
que transbordam vontade,
e um desenho nos lábios impossível de forjar.
Serão precisas palavras. Mas as palavras
nunca chegam, porque são de mais. Ditas em
silêncio. O silêncio bastará...até que
se escolha o outro caminho.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
omnisciência
Saberão os deuses, saberá Deus, mais um pouco,perante toda esta minha arrogância.
Mais um dia, mais uma noite,
num relógio com ponteiros que rodam parados,
momentos contados num calendário.
Toda esta minha ignorância.
Um movimento acelerado de quem se arrasta,
um sorriso de louco para quem se aproxima
e para aquele que se afasta.
Por mim não basta. Nesta simplicidade em decomposição
nesta complicação vasta; onde os sonhos trocam
noites e as noites são divagações; rangendo
pensamentos, crucificando escolhas.
Quem se lembrará destes nomes?
Mais ninguém. Omnipresente, preso em dois lugares,
tão diferentes, comuns naquilo que fazem sentir,
e num perfume partilhado que não volta.
Perante toda a minha arrogância,
afinal que sei eu?
Quando penso saber, saber mais do que outros,
tudo se torna engano. E a certeza era tanta..
Nada. O nada é o denominador comum.
E as palavras começam a ser como incógnitas,
não se percebendo deixam de fazer sentido.
Não que me importe, não que precise,
apenas queria. Não que me importe, mesmo
que precise, apenas queria.
Afinal que sei eu? Nada. E nada
vale tanto como nuvens no céu nocturno.
O medo de estar enganado consome tudo,
o sentir e o pensar, lutar ou recuar,
já não alimentam o ar forçado que respiro.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
argumentos de uma maldição
Doce despertar de uma loucura...
Amargo adormecer numa noite
sem sonhos, numa conclusão escura.
O que pode ser tolerado
até que as costuras da alma
se rasguem, deixando vísivel
o medo, o falhado, o adormecido?
Não era preciso ter acabado assim.
Grita a tortura - que não se consegue calar
por muito que doa.
São nuvens negras que iluminam o caminho,
mesmo nos que procuram a luz,
fogem e voltam, e se voltam a fugir
é porque pretendem voltar.
Já não consigo sentir dessa forma.
A frieza acompanha um gesto que agora já é puro,
Aceito esta herança humana, como aceito
a esperança divina. Consegui admitir
que neste momento parado nada tem de fazer
sentido, que neste barulho completo
tudo pode estar distorcido - mas o mais importante
é saber que é tudo isto assim, sabê-lo e senti-lo.
Não era preciso ter acabado assim.
A sede - acordar de saliva seca, rodeado
de um mar exageradamente salgado,
E na fome de quem se vê no pedaço de carne
que pende do bico de um abutre que se distancia ao longe.
Este mundo é d'outrem, e este mundo não é de ninguém,
Mas tudo isto, mais tudo o resto, continua sem chegar,
porque o tudo não basta, o mundo é pouco, o amanhã
é outra coisa desinteressante e sem valor...
...argumentos de um demónio, assentes no dorso de um anjo
Sentado na cabeça do Homem, olhos brilhantes de ironia
olhando nos olhos de um monstro.
Talvez ainda não tenha acabado. E não deveria acabar assim.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Palavras de sangue
Lançaram os dados e as moedas,
rezaram aos deuses para que os dedos
fossem abençoados...mas a sorte
nunca retribui com sensatez.
Repousa-se a consciência,
com a mão apoiada no Peão
e finge-se pensar,
porque tudo vos levou a crer
que essa pequena jogada fará toda a diferença.
(Xeque)
A preocupação constante por ser ter
perdido a Rainha, esquecendo
que o que realmente importa ainda está no tabuleiro.
Avançam-se as Torres, mais nada por ali passa,
uma barreira dita implacável; Saltam e dançam
Cavalos brancos e pretos apanhando
desprevenidos os menos atentos...O Bispo
aguarda-se na fé, à espera de uma revelação divina.
(Xeque)
Sempre que uma peça é arrastada deixa
no tabuleiro um rasgo de sangue.
Somente o esforço em alcançar mais dor
será recompensado. As lágrimas e o suor
fazem parte desse jogo onde ninguém vence.
(Xeque)
O medo da morte não pode existir.
E as memórias nunca mentem.
Mas as memórias são como os sonhos
são distorcidos no movimento de cada peça.
Terão sido os actos pensados?
Ou o pensamento terá vindo depois?
Tudo passou tão distante...e todo o jogador
percebe tarde de mais que falhou na razão
ou que foi abandonado pela sorte
quando tudo perde.
(Xeque..)
Desde o primeiro movimento do Peão
começou logo a ser escrita em sangue a palavra...
(Mate)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Outr'Água
Ao mergulho de olhos fechados
no suave abismo onde vivem os sonhos mortos,
O cinzento encaixa perfeitamente
na tua essência, da mesma forma como
o sol aconchega cada sombra de cada esquina
de cada rua, de cada aresta da tua face.
São sonhos mortos.
Vivos seres alimentados de sonhos mortos.
Realidade desigual, tornando o mais belo
em linhas e curvas tão tortas e direitas
sentimentos num silêncio barulhento
quebrados sem lugar ao certo
onde possam ser colocados
como essa pintura surreal ou abstracta
que nunca fez sentido.
Nem que voltará a fazer.
Porque sim, porque a razão é estranha e forte
mas guardada num lugar onde falta a compreensão,
porque isso poderia não interessar,
como segundas oportunidades que precisam de
uma terceira, e de uma quarta,
Como um pacto imortal entre seres vivos
onde a morte desde sempre os espera.
Fala-me tão pouco. Fala-me o suficiente.
Outr'água foi derramada, tal pequena graça
sorriso que desenlaça uma complicação tão absoluta
quanto a verdade, a dura e pesada verdade,
tão mentirosa; Outr'água que rompeu pedra,
e que se emaranhou na superfície do solo
e que se enraizou aos confins da terra
onde há calor e frio. Caminha ao teu lado,
passo a passo, como o batimento cardíaco mais íntimo,
como uma telepatia ambiciosa que procura
adivinhar o futuro, mas sem pressa.
Amaste.
Amaste.
Amas.
E amarás.
Como um batimento cardíaco íntimo
assim como o fio de pensamento que o acompanha,
a ambos, ambos em paralelo.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
a Sétima vida
Era preciso uma marca mais,
mesmo que pequena, mesmo que pouca,
mesmo que sem sentido ou lógica para este lugar,
Algo mais que simples imagens reais estancadas
ou memórias.
Na esperança talvez vã, talvez de criança,
que num mundo onde reina o horrível
seja possível ao universo bater o coração
na mesma sintonia que de todos os seres vivos
que nele habitam, do racional ao irracional
porque todos pensam um pouco, porque todos sentem...
Nada é eterno, pelo menos nada que respire,
e a resistência é a inércia dos mais fortes.
Tomara aos humanos tamanha capacidade lutadora
por ti tantas vezes demonstrada;
sem medo do escuro, ou de luzes que ofuscavam
e que passavam tão depressa por ti; sons desconhecidos,
a solidão acompanhada somente de monstros,
cortes fundos e tantas foram as vidas suportadas
mas não perdidas.
A maioria não faz por resistir,
Mas mesmo os que o fazem
mais cedo ou mais tarde
não conseguem fugir da morte.
Os mais próximos jamais esquecerão,
desejando que mesmo no fim
algo possa fazer algum sentido...
E que não seja só isto.
Seis vezes te levantaste depois de cair,
e em tanta luta conquistada
só mesmo a última queda
para te deixar vencida
aos pés da Sétima vida.
( RIP Kika , o ser não racional que era família cuja falta já é mais do que sentida )
terça-feira, 8 de maio de 2012
daylight
não saberás como dizê-lo.
Dar tudo por um pouco mais
desse nada, desse tão pouco,
como dizer?
Acorda o dia, tão cedo,
nessa violenta luz
dirão alguns
uma claridade apática
que já não te seduz. Desaparecimento.
Tudo elevado ao segundo, ao expoente máximo
do momento, sem inspiração divina
sem inspiração humana
sem inspiração cientifico-matemática-racionalizada.
E as palavras não chegam por serem tão poucas.
Sou um espaço vazio
que vive completamente entre silêncios.
Tens o mundo nas mãos,
o único crime é abri-las.
Escolher o que não fica,
olhando um espaço, interdito à presença de outro alguém,
que fica uns centímetros ao teu lado;
o molde de uma frágil alma delineado,
um corpo levemente inacabado;
às custas do pensamento nada poderia fazer
menos sentido; por cada gesto
de segredo levemente mantido
que escreveu nos lábios um sorriso.
Como poderias dizê-lo?
Se tudo o resto, assim como cada dia,
gira e mexe e vive e responde e pergunta
sempre igual ou desigual mas sem vigor,
esta máquina programada para não errar
faz tudo parecer mais fácil.
Poderias dizê-lo
para o ouvires, para o ficares a saber.
domingo, 6 de maio de 2012
( . ..)
Horrível
é o serviço oferecido
ao outro que é o dono da máscara.
E por tantas ou por tão poucas máscaras
passam todos os outros...mas elas passam
da mesma forma que por todos nós.
E a única voz que nos podia acudir
já não acode, porque sempre que tenta falar
mais fundo, mais certa, mais pura
é sacudida.
As mãos estão guardadas nos bolsos,
tão presas, escondendo o sentimento mais nobre,
por sonhos tão próximos da realidade,
novamente afastados como se não
fossem nossos.
Horrorosos
traços de negação
são aceites como a mais bela certeza.
Não se olha, não se vê, e o presente
tudo esquece. E não esquece.
O atrevimento é somente ousar
e poder querer, odiar e amar é tão fácil
quando não existe amor ou ódio,
difícil é ousar, é conseguir querer.
Todos conseguem ler mais além
como deseja o mais antigo cartomante,
e todos, pela vontade de cada outro
que não é de mais ninguém além de seu,
desgastam-se na rotina escolhida
de descer cada degrau do Inferno de Dante.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Cognitive
ali chegou, pouco tempo depois
de ter terminado uma pequena farsa,
apesar de toda a raça humana ser feita de fraca matéria
é feita de fraquezas bem diferentes.
Ali onde a chuva deixou um rastro fresco,
agora pisado por tantos que dali não eram.
Mas o movimento e a luz citadina afugentam
a claridade e o mexer dos astros,
no ali, no algures,
no vazio do conhecido. Por isso
Subiu a rua, a perfeita rua da qual
nunca se pode cansar, porque não consegue,
caminhando sobre as pedras da calçada
na sombra da escuridão,
sem forçar mais do que o suficiente
a razão da procura, ou a pergunta
que perdura sem resposta.
o Deus é silencioso, respira
no respirar das gentes, e afasta
a impotência perante os outros
através de sinais que não existem,
é um Deus que não dorme.
Tomada pela realidade daquele momento
prefere parar. Será a vida assim tão complicada,
ou serão as pessoas assim tão pouco simples?
E a resposta está guardada...vai sangrando,
ao longe, ali, no algures,
sem entendimento, sem consciência,
tão só, ... até que o melhor caçador
corra e salte ao primeiro sinal
do cheiro do sangue da presa.
Depois do ataque tudo continuou igual,
ela sozinha, e a dor, ou a sensação mais próxima
e semelhante, à procura do que está tão perto.
sábado, 14 de abril de 2012
A reviravolta do Certo
I want to tell you so,
before the sun goes dark..
só a mais pura criança
pode de facto matar a sangue frio
para depois mandar ao rio
a restante esperança.
tudo gira à volta da procura do significado,
depois do segredo ser destrancado
o sorriso do fado é ignorado.
Neste estado de inconsciência sentimental
onde a insanidade representa
um estado de alma estabilizado,
já pouco ou nada interessa o que está melhor
ou o que está mal;
a sentença é aceitar que esta inconveniência
chamada a vida que se tem
é a verdade, e que a é com toda a certeza.
Guardem a certeza que me foi tirada,
guardem-na bem guardada..
Mesmo já não estando nas minhas mãos
continua certa - o fardo e a leveza
são sempre um peso ingrato.
neste lugar não existe memória
do que ainda cá está, sempre assim foi,
será assim sempre. Olhas o monstro,
enquanto ele decide se morre
se vive, enquanto outro monstro
aceita ou nega o fogo que luta por prevalecer,
E é isto, envergonhado segredo aceite
agora que é verdade,
antes que o sol se torne negro,
só é preciso dizer, depois fazer,
ou vice versa, ou juntamente,
ou de outra maneira qualquer,
e quem sabe até
se dê a reviravolta do que era dado como Certo.
(SB - Hold my heart)
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