Está um frio em Lisboa que já não se sentia há muito tempo (talvez desde o ano passado). Aos poucos as acções do Homem estão a ter repercussões palpáveis a todos os sentidos. Este é um deles...
Enquanto caminhava na minha rua sabia-me mais do que muito bem o sol que se fazia penetrar em mim, mas movendo para uma sombra qualquer o frio era enorme. Levando ao extremo a comparação, é como se sentisse o deserto de dia e de noite mas com segundos de diferença. Chato. Muito chato. Não tenho luvas. Não as uso à anos, mas a realidade é que nunca me ajudaram muito...as mãos são frias. São a parte do meu corpo que me depressa e que durante mais tempo se mantêm 'mortas'. Uma desgraça. A cara gela depois, e quase se torna difícil respirar. É uma chatice. E em casa sinto saudades de algo que nunca tive, uma lareira. Mas adorava poder sentar-me em algo confortável, com uma manta quentinha, com um bom livro sobre as pernas, ou com o computador portátil, e sentir as labaredas...Não se pode ter tudo não é verdade? E os pobres coitados que não têm nada? Que nas ruas tentam encontrar conforto (se é que se pode chamar conforto) em cantos de ruas ou edifícios? Onde o papel ou roupas rotas servem de agasalho...
Por isso, dou valor a ter quatro paredes que me protegem do frio. A ter forças de lutar contra o frio. Quando penso em me queixar penso naqueles estão lá fora, a sentir o verdadeiro frio, encolho-me e mantenho-me calado.
A sorte que é soprada na nossa vida é por nós sacudida com ingratidão. E talvez ingratidão seja pouco...
E logo agora que é Natal...mas para isso preciso de mais um tempo.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Master of puppets , parte Dois e última

Pensamos sempre que o fim está próximo,
como se fosse possível alguém se esquecer
da arte de mover as cordas...
Do prazer que isso lhes dá.
Quando a nossa inocência é certa
o mais certo é sermos apanhados
sem nos apercebermos
como em armadilhas na floresta.
Os dados foram lançados sim...
Mas é como se estivessem viciados.
A nossa força é nula, ou para lá caminha.
Escravizados numa vontade não nossa
pouco esclarecidos nos passos que damos.
Louvada seja a mão que nos protege
ou que já protegeu.
É o apogeu das massas
numa falsa glória. Triste é o fado
dos humanos.
Mais valia ver tudo isto a desabar,
tudo cair por terra...
Morrer inocente, de consciência tranquila,
sem deixar restos mortais e imortais para trás,
esmagando o ego
não deixar pedra sobre pedra.
A outra face da moeda é igual...Não interessa
a sorte que tentam controlar desesperadamente.
Quem controla sorri
consciente deste fim deprimente.
Reconciliação com a morte
Adormeci nesta calma morta.
O cansaço das pernas subiu até ao resto do corpo.
É como se estivesse morto, mas não estou.
Não sei do que falo...A fome enfraquece
a pele envelhece anos a mais, e a força
da língua não é suficiente para sussurrar.
A raiva e o ódio calaram-se, não sei quando voltarão.
E esta monotonia apoderou-se de todas as minhas células.
O tédio existencial criou raízes até aos confins do meu ser.
Queria que toda esta apatia se dissipasse...
Mas ainda não chegou a hora.
O silêncio deu-me uma estalada silenciosa,
com uma rapidez graciosa, enquanto suspirava.
Quando a morte se aproxima
finjo-me de morto.
Morrer mais? Para quê?
(E quando estou quase a dar de mim,
apodrecem sentimentos dentro de mim
relembrando-me que ainda existem coisas por fazer;
e que a revolta serviu-me sempre perfeitamente.
E que tudo o que já fiz não está de todo morto.
E por momentos solto-me. Renasço solto. Pronto.)
Na linha da frente travo a morte com as duas mãos.
Ainda não terá chegado a hora...Não enquanto aqui estiver.
O cansaço das pernas subiu até ao resto do corpo.
É como se estivesse morto, mas não estou.
Não sei do que falo...A fome enfraquece
a pele envelhece anos a mais, e a força
da língua não é suficiente para sussurrar.
A raiva e o ódio calaram-se, não sei quando voltarão.
E esta monotonia apoderou-se de todas as minhas células.
O tédio existencial criou raízes até aos confins do meu ser.
Queria que toda esta apatia se dissipasse...
Mas ainda não chegou a hora.
O silêncio deu-me uma estalada silenciosa,
com uma rapidez graciosa, enquanto suspirava.
Quando a morte se aproxima
finjo-me de morto.
Morrer mais? Para quê?
(E quando estou quase a dar de mim,
apodrecem sentimentos dentro de mim
relembrando-me que ainda existem coisas por fazer;
e que a revolta serviu-me sempre perfeitamente.
E que tudo o que já fiz não está de todo morto.
E por momentos solto-me. Renasço solto. Pronto.)
Na linha da frente travo a morte com as duas mãos.
Ainda não terá chegado a hora...Não enquanto aqui estiver.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Vengeful
O corpo da rainha estava estendido no chão...Talvez por coincidência, ou por um último acto irónico contra o destino, a sua mão estava em cima do trono, aberta, como se segurasse algo invisível, como se não segurasse nada, tudo aquilo que viveu ali sozinha: o vazio. Tinha uma espada que trespassava o coração, de onde escorria sangue. A pouco mais de um metro da rainha, estava marcado no gelo as suas últimas palavras, com pedaços de pele e carne, e bastante sangue. Esta mistura permitiu, que mesmo com o gelo que vinha sempre mais, que as palavras lá ficassem marcadas.
No silêncio que assombrava agora aquele local, onde vestes geladas ainda cobriam um corpo que ainda se percebia humano, aconteceu algo...Algum impacto, de natureza divina, ou de natureza natural, quebrou um grande pedaço de gelo. A rainha ficou onde sempre viveu, naquela terra fria. As palavras que escreveu, caprichosamente ou não, foram levadas para o oceano...
Viemos por outras palavras: construir a vingança.
Vingar os que já não têm forças, os que foram prejudicados,
Vingar os indesejados, os que foram mal tratados.
Viemos derrubar os limites da fome.
Tudo isto não passa de um desejo, que se transformou
em chama acesa, que baila no nosso peito,
que embala o nosso pensamento antes de adormecermos.
Porque a nossa guerra é outra...
E talvez seja sempre, até vos conseguirmos abrir os olhos.
Mas para já não queremos nem sangue, nem revolta,
nem ingratidão...De ingratidão está este mundo repleto.
Não. Por agora não...
Olhávamos o mar no silêncio da noite escura
quando um enorme pedaço de gelo enterrou na areia.
Depois de passar o efeito de estranheza
alguém reparou nas palavras escritas...Leram em voz alta.
Alguns choraram.
Outros também choraram.
Alguns olharam para o céu...pensativos.
Por isso hoje, mas talvez só hoje, só por agora,
vamos falar de outra vingança.
Aquela que nos liberta as amarras da alma
e do corpo. Aquela que nos faz ferir para defender.
Aquele puro sentimento de ajuda...de respeito.
Depois de meses e anos à procura de respostas,
depois de meses e anos a preparar tudo,
chegámos a uma terra fria.
Não é preciso contar a visão que nos assombrou a alma.
Nem sequer é importante.
No trono estava um rei. Um novo rei. Sozinho.
Segurava uma espada diferente de todas as que já
tínhamos visto. Comprida, afiada, parecia capaz
de queimar o gelo...
O rei, depois de muito tempo a conversar
com todos nós, compreendeu.
E deu-nos a mão, feliz, pelo nosso gesto.
Naquele local frio, onde o silêncio dá lugar ao silêncio,
construímos uma aldeia.
Vingámos muitos réis e rainhas,
pela sua honra, pelo seu sofrimento...
E tudo graças a uma rainha
que teve a vontade de escrever palavras...
É esta a vingança talvez mais saudável. Aquela
que serve para defender uma alma,
para agradecer gestos de alguém.
A honra nem sempre pode sair brilhante, por vários motivos adversos...
Pois a nossa missão
manterá um sofrimento passado em descanso,
honrando esta causa.
Para sempre talvez.
No silêncio que assombrava agora aquele local, onde vestes geladas ainda cobriam um corpo que ainda se percebia humano, aconteceu algo...Algum impacto, de natureza divina, ou de natureza natural, quebrou um grande pedaço de gelo. A rainha ficou onde sempre viveu, naquela terra fria. As palavras que escreveu, caprichosamente ou não, foram levadas para o oceano...
Viemos por outras palavras: construir a vingança.
Vingar os que já não têm forças, os que foram prejudicados,
Vingar os indesejados, os que foram mal tratados.
Viemos derrubar os limites da fome.
Tudo isto não passa de um desejo, que se transformou
em chama acesa, que baila no nosso peito,
que embala o nosso pensamento antes de adormecermos.
Porque a nossa guerra é outra...
E talvez seja sempre, até vos conseguirmos abrir os olhos.
Mas para já não queremos nem sangue, nem revolta,
nem ingratidão...De ingratidão está este mundo repleto.
Não. Por agora não...
Olhávamos o mar no silêncio da noite escura
quando um enorme pedaço de gelo enterrou na areia.
Depois de passar o efeito de estranheza
alguém reparou nas palavras escritas...Leram em voz alta.
Alguns choraram.
Outros também choraram.
Alguns olharam para o céu...pensativos.
Por isso hoje, mas talvez só hoje, só por agora,
vamos falar de outra vingança.
Aquela que nos liberta as amarras da alma
e do corpo. Aquela que nos faz ferir para defender.
Aquele puro sentimento de ajuda...de respeito.
Depois de meses e anos à procura de respostas,
depois de meses e anos a preparar tudo,
chegámos a uma terra fria.
Não é preciso contar a visão que nos assombrou a alma.
Nem sequer é importante.
No trono estava um rei. Um novo rei. Sozinho.
Segurava uma espada diferente de todas as que já
tínhamos visto. Comprida, afiada, parecia capaz
de queimar o gelo...
O rei, depois de muito tempo a conversar
com todos nós, compreendeu.
E deu-nos a mão, feliz, pelo nosso gesto.
Naquele local frio, onde o silêncio dá lugar ao silêncio,
construímos uma aldeia.
Vingámos muitos réis e rainhas,
pela sua honra, pelo seu sofrimento...
E tudo graças a uma rainha
que teve a vontade de escrever palavras...
É esta a vingança talvez mais saudável. Aquela
que serve para defender uma alma,
para agradecer gestos de alguém.
A honra nem sempre pode sair brilhante, por vários motivos adversos...
Pois a nossa missão
manterá um sofrimento passado em descanso,
honrando esta causa.
Para sempre talvez.
Hateful
"Um dia matarei todos aqueles que odeio!", gritou a rainha ao vento. O silêncio já dormia naquela terra fria há muitos anos. A solidão fazia-lhe companhia. A rainha nunca exigiu a ninguém, nem mesmo a Deus, chegar a este degrau. Foi a sentença que a vida lhe ditou: longa, dolorosa, fria...A vida está longe de ser justa. Os desígnios de Deus estão longe de ser compreendidos pelo Homem. E ali estava a rainha, só, amaldiçoando através do vento, todos aqueles que ela odiava...Mas a verdade que ficou gravada nos livros é que a rainha acabou por morrer sozinha no trono. Trespassou aquela antiga espada certeiro no próprio coração. Acabando assim por matar a única pessoa que realmente odiava...
A vida parece-me tão preciosa agora
que já não a vivo. Tento-me recordar
dela, e quando não tento sonho com ela.
Desde pequena que aprendi a amar,
a dar valor a tudo aquilo que tinha
a todos aqueles que me amavam.
Nunca me apaixonei, daquelas paixões que se
transformam em amor, no verdadeiro amor,
aquele amor que com o tempo ultrapassa o do
sangue, aquele amor que nos completa.
Dei sempre o meu melhor, em tudo.
Mas o destino, ou esse Deus estranho, levou-me
a este trono gelado. Sempre gostei de neve...Mas viver
todos estes anos nela fez-me perceber a beleza das folhas
que caiem das árvores, na sua metamorfose,
a beleza dos rios, lagos, e do mar...da areia, da terra,
das rochas, e pequenas pedras. Do sol...do calor.
Todos estes anos, onde sozinha governei o meu mundo
e o dos outros, ou pelo menos assim o pensei,
fizeram-me pensar muito...
E tentei guardar ódio a todos aqueles que me amaram
mas que nunca me procuraram...Já disse que tentei?
Mas não consegui.
Deixo aqui, gravadas estas palavras, no gelo...
As pontas dos meus dedos já se encontram em carne viva,
o meu próprio corpo já me causa repulsa e quase pena.
A minha alma já me causa repulsa. Nada mais me resta...
Que estas palavras bastem ao que se seguir a mim.
Pois tudo o que podia ter feito de errado neste mundo,
nesta vida,
já está feito...Agora resta-me esperar ser recebida no céu
com uns braços pelos menos semi abertos.
Odeio-me.
A vida parece-me tão preciosa agora
que já não a vivo. Tento-me recordar
dela, e quando não tento sonho com ela.
Desde pequena que aprendi a amar,
a dar valor a tudo aquilo que tinha
a todos aqueles que me amavam.
Nunca me apaixonei, daquelas paixões que se
transformam em amor, no verdadeiro amor,
aquele amor que com o tempo ultrapassa o do
sangue, aquele amor que nos completa.
Dei sempre o meu melhor, em tudo.
Mas o destino, ou esse Deus estranho, levou-me
a este trono gelado. Sempre gostei de neve...Mas viver
todos estes anos nela fez-me perceber a beleza das folhas
que caiem das árvores, na sua metamorfose,
a beleza dos rios, lagos, e do mar...da areia, da terra,
das rochas, e pequenas pedras. Do sol...do calor.
Todos estes anos, onde sozinha governei o meu mundo
e o dos outros, ou pelo menos assim o pensei,
fizeram-me pensar muito...
E tentei guardar ódio a todos aqueles que me amaram
mas que nunca me procuraram...Já disse que tentei?
Mas não consegui.
Deixo aqui, gravadas estas palavras, no gelo...
As pontas dos meus dedos já se encontram em carne viva,
o meu próprio corpo já me causa repulsa e quase pena.
A minha alma já me causa repulsa. Nada mais me resta...
Que estas palavras bastem ao que se seguir a mim.
Pois tudo o que podia ter feito de errado neste mundo,
nesta vida,
já está feito...Agora resta-me esperar ser recebida no céu
com uns braços pelos menos semi abertos.
Odeio-me.
Merciless
A rainha estava sentada no trono. Outrora, nesse mesmo trono de gelo, onde a tempestade divina não conseguia alcançar, estava um rei. O seu olhar era frio, mais frio que o ambiente que o rodeava. Segurava uma espada mais longa que as normais, mais afiada; nunca foi usada em vão. A sua armadura não estava gasta, mas foi usada por vários tempos, várias temporadas. A rainha estava sentada no trono...E recordou o rei antigo. Não derramou uma única gota de sentimento; sabia que tinha chegado a sua hora, e a hora de ser ela a comandar. No entanto, mesmo sentada no apogeu do frio, onde o divino jamais conseguirá penetrar, assim como a luz humana, sentiu-se...em palavras que não consegue explicar: sozinha.
Os tempos podem ser outros
mas a vastidão da insegurança é igual.
Podemos tentar enganar os nossos olhos
a nossa emoção...
E a razão soberana.
Poderá um dia existir um lugar magnífico
onde um só homem, ou vários homens escolhidos
consigam elevar toda uma população.
Mas ainda não. E o passado é sangrento...
O passado é arrogante.
A alma ambiciona pouco ou em demasia;
falta força na vontade
falta consciência nos actos,
Sobra a solidão no trono de gelo
Enquanto outros conseguem viver com a arte
da dança dos pássaros no interior do deserto.
O vazio não é total.
O vazio não é eterno.
É o mesmo que ambicionarmos o céu
mas fazermos o inferno.
Sinto saudades de uma batalha épica que nunca vivi.
Onde almas de homens corajosos
feriram para sempre a História da Humanidade;
onde a espada não hesitava no golpe final
onde a mão não tremeu na hora de abrir o portão,
os pés caminhavam distâncias inimagináveis...
Onde estão os guerreiros?
Onde está a conquista?
A minha espada está enterrada numa areia de uma praia qualquer.
Sinto-a. Espera por mim, com a mesma fome de sangue de outros tempos...
E nós precisamos disso. De fome. De sabedoria. De acção.
De evolução, de iluminação, de sangue.
Mas por enquanto ainda somos ninguém...
E queremos muito pouco.
E até ser possível fazer algo importante
vão-se lembrando que:
A rainha está sozinha...
Não queiram cometer o mesmo erro..
Os tempos podem ser outros
mas a vastidão da insegurança é igual.
Podemos tentar enganar os nossos olhos
a nossa emoção...
E a razão soberana.
Poderá um dia existir um lugar magnífico
onde um só homem, ou vários homens escolhidos
consigam elevar toda uma população.
Mas ainda não. E o passado é sangrento...
O passado é arrogante.
A alma ambiciona pouco ou em demasia;
falta força na vontade
falta consciência nos actos,
Sobra a solidão no trono de gelo
Enquanto outros conseguem viver com a arte
da dança dos pássaros no interior do deserto.
O vazio não é total.
O vazio não é eterno.
É o mesmo que ambicionarmos o céu
mas fazermos o inferno.
Sinto saudades de uma batalha épica que nunca vivi.
Onde almas de homens corajosos
feriram para sempre a História da Humanidade;
onde a espada não hesitava no golpe final
onde a mão não tremeu na hora de abrir o portão,
os pés caminhavam distâncias inimagináveis...
Onde estão os guerreiros?
Onde está a conquista?
A minha espada está enterrada numa areia de uma praia qualquer.
Sinto-a. Espera por mim, com a mesma fome de sangue de outros tempos...
E nós precisamos disso. De fome. De sabedoria. De acção.
De evolução, de iluminação, de sangue.
Mas por enquanto ainda somos ninguém...
E queremos muito pouco.
E até ser possível fazer algo importante
vão-se lembrando que:
A rainha está sozinha...
Não queiram cometer o mesmo erro..
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Master of puppets , parte Um
A ilusão do controlo. Ou a força da sua realidade.
Alguns são esmagados por ele em tenra idade;
para alguns nunca existirá um novo mundo.
Um ouvido surdo, um falar mudo,
é talvez invisível aos desatentos os fios que
prendem os músculos do corpo humano.
Expulsem a responsabilidade dos vossos actos
como se esta não importasse. Haverá tempo...
Haverá desculpa. Interessa que se saibam mover
ao som da vida; enquanto os fios são balançados,
puxados, deixados cair...
Duvido da capacidade humana para distinguir
a realidade da ficção; a verdade da ilusão,
Sem reflectir na consciência falsa de quem controla
os passos de quem anda, ou faz andar.
De quem cria o caminho, de quem o tentou criar, de quem
o pisa apenas, sem fazer por se mover.
Esperem...por momento consegui ver os fios!
Ou terá sido apenas a minha imaginação?
É o destino gravado nas estrelas, no plano de Deus,
na ironia dos sinais, ou das coincidências;
é querer ambicionar, ou pensar querer-se ambicionar,
sem dar tréguas à mais pura concretização.
Este momento não é único.
E não acaba por não se pensar nele.
Talvez por isso mesmo ainda lá esteja:
sonhando ver movimentos estranhos
ou a nossa própria essência em cada acto.
E não acaba...
Alguns são esmagados por ele em tenra idade;
para alguns nunca existirá um novo mundo.
Um ouvido surdo, um falar mudo,
é talvez invisível aos desatentos os fios que
prendem os músculos do corpo humano.
Expulsem a responsabilidade dos vossos actos
como se esta não importasse. Haverá tempo...
Haverá desculpa. Interessa que se saibam mover
ao som da vida; enquanto os fios são balançados,
puxados, deixados cair...
Duvido da capacidade humana para distinguir
a realidade da ficção; a verdade da ilusão,
Sem reflectir na consciência falsa de quem controla
os passos de quem anda, ou faz andar.
De quem cria o caminho, de quem o tentou criar, de quem
o pisa apenas, sem fazer por se mover.
Esperem...por momento consegui ver os fios!
Ou terá sido apenas a minha imaginação?
É o destino gravado nas estrelas, no plano de Deus,
na ironia dos sinais, ou das coincidências;
é querer ambicionar, ou pensar querer-se ambicionar,
sem dar tréguas à mais pura concretização.
Este momento não é único.
E não acaba por não se pensar nele.
Talvez por isso mesmo ainda lá esteja:
sonhando ver movimentos estranhos
ou a nossa própria essência em cada acto.
E não acaba...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sala de pânico
Se tirasses a camuflagem que protege
a paisagem da realidade sobrava a nudez.
Chamam-lhe verdade, arte, obra,
mas é apenas isso que sobra;
a lucidez da cobra que crava os venenosos dentes
na pele humana é total.
As paredes parecem fechar, sobre toda a alma,
não deixando espaço para respirar,
porque chega uma altura na vida
em que parece que nada faz sentido.
É como estarmos no chão deitados
sem nos lembrar-mos de ter caído.
O mundo não é como eu estou à espera;
e isso não é problema vosso.
O tempo escasseia, como grãos de areia
a fugir por entre os dedos das mãos;
A lavagem da alma em momentos de silêncio...
É um eco largado sem consentimento contra as paredes
que o reflectem de volta.
São batalhas de mágoa,
problemas que não sabemos de onde nasceram
nem porque se mantêm vivos,
Procuramos uma pista, um sinal...
É tão inútil como gritar debaixo de água.
Podem olhar à vossa volta...
As paredes parecem iguais?
A cor mantém-se?
Está tudo no mesmo lugar?
Desenganem-se. O sal só salga
se o deixarem salgar. Os milagres? Pertencem a Deus.
a paisagem da realidade sobrava a nudez.
Chamam-lhe verdade, arte, obra,
mas é apenas isso que sobra;
a lucidez da cobra que crava os venenosos dentes
na pele humana é total.
As paredes parecem fechar, sobre toda a alma,
não deixando espaço para respirar,
porque chega uma altura na vida
em que parece que nada faz sentido.
É como estarmos no chão deitados
sem nos lembrar-mos de ter caído.
O mundo não é como eu estou à espera;
e isso não é problema vosso.
O tempo escasseia, como grãos de areia
a fugir por entre os dedos das mãos;
A lavagem da alma em momentos de silêncio...
É um eco largado sem consentimento contra as paredes
que o reflectem de volta.
São batalhas de mágoa,
problemas que não sabemos de onde nasceram
nem porque se mantêm vivos,
Procuramos uma pista, um sinal...
É tão inútil como gritar debaixo de água.
Podem olhar à vossa volta...
As paredes parecem iguais?
A cor mantém-se?
Está tudo no mesmo lugar?
Desenganem-se. O sal só salga
se o deixarem salgar. Os milagres? Pertencem a Deus.
sábado, 4 de dezembro de 2010
O que a realidade nos reserva : o exemplo do pinguim

O meu animal favorito é o pinguim. Gosto bastante de gatos (e felinos maiores), gostava bastante de ter um lince ibérico também; gosto de cães, gosto de coelhos. Também gosto de ver documentários sobre cobras e tubarões. E apesar de não gostar muito de ver coisas, animais ou pessoas maiores que eu (o que é muito mais que fácil), adoro o tubarão baleia (apesar deste nome, e de ser o maior mamífero marinho, é inofensivo para os humanos). Mas tenho de me focar no que interessa. Pinguins...O pinguim é conhecido pelos humanos como o animal "mais bem vestido", aquele pobre de smoking; o pobre coitado que até já tem a camisa branca por baixo, falta-lhe apenas (a menos que o queiram imaginar num jeito mais descontraído) o laço ou a gravata. Servirá às mesas? Peixe talvez. Ou fará horas extraordinárias no escritório? (Alguma empresa de peixe?) É assim visto. E com razão confesso. Vamos supor que de facto o é. Vamos então imagina-lo como o mais parecido com vocês. O trabalhador, o servente da rotina...Onde quero chegar? É fácil de ver este nosso amigo pequeno, que marcha de fato e gravata, a brincar com as suas crias...É fácil de ver este empresário a caçar em grupo. Este pequenino brinca e salta...e como a maioria de vós, ele ambiciona ser diferente...e é então que faz algo que vocês não conseguem fazer; ele solta-se, e desliza o tempo que conseguir, triunfante na leveza da felicidade, pelo gelo fora...Ainda consegue arranjar tempo para "trabalhar", olhar o horizonte, e tudo o resto (independentemente do tamanho e longevidade). E tudo, se quiserem, de smoking.
Há quase um ano atrás, vinha no autocarro. Vinha nessa linha quase recta chamada Estrada de Benfica; entre o Jardim Zoológico de Lisboa e a minha casa passei por um pequeno campo de basketball (que tem por detrás um pequeno jardim para os mais pequenos, assim como os respectivos bancos de jardim; tem ainda um chafariz mas se a memória não me falha já não funciona lá muito bem). O que vi? Algo que na altura mexeu comigo. Eram por volta das dezanove horas, ou pouco mais do que isso. O que vi? Um casal, já de roupa mais confortável a jogar com dois filhos...Uau. Pinguins. Fiquei feliz. Sorri bastante, quase até chegar a casa. Foi uma imagem, para mim, triunfante; ali estava a raça humana a mostrar-me: Sim, também nós conseguimos fazer algo de diferente, e sermos felizes; manter a chama da vida viva.
Conseguirão algum dia arranjar tempo? Claro que sim, a menos que seja demasiado tarde. Haverá tarde de mais? Acho que há sempre; mas também acho que é possível fazer algo antes disso.
Os pinguins têm muito que se lhe diga (e deles sei muito menos do que o queria); e no entanto o pouco que já sei deles é reconfortante, cá dentro, naquele espacinho apertado, onde existe espaço para surpresas, para elevações, etc. Os seres humanos ainda podem fazer tanto por eles...
(Muito mas muito mais do que aquilo que pensam, e infelizmente, do que aquilo que fazem.)
Conseguirão agora arranjar tempo?
Espero que sim.
Há quase um ano atrás, vinha no autocarro. Vinha nessa linha quase recta chamada Estrada de Benfica; entre o Jardim Zoológico de Lisboa e a minha casa passei por um pequeno campo de basketball (que tem por detrás um pequeno jardim para os mais pequenos, assim como os respectivos bancos de jardim; tem ainda um chafariz mas se a memória não me falha já não funciona lá muito bem). O que vi? Algo que na altura mexeu comigo. Eram por volta das dezanove horas, ou pouco mais do que isso. O que vi? Um casal, já de roupa mais confortável a jogar com dois filhos...Uau. Pinguins. Fiquei feliz. Sorri bastante, quase até chegar a casa. Foi uma imagem, para mim, triunfante; ali estava a raça humana a mostrar-me: Sim, também nós conseguimos fazer algo de diferente, e sermos felizes; manter a chama da vida viva.
Conseguirão algum dia arranjar tempo? Claro que sim, a menos que seja demasiado tarde. Haverá tarde de mais? Acho que há sempre; mas também acho que é possível fazer algo antes disso.
Os pinguins têm muito que se lhe diga (e deles sei muito menos do que o queria); e no entanto o pouco que já sei deles é reconfortante, cá dentro, naquele espacinho apertado, onde existe espaço para surpresas, para elevações, etc. Os seres humanos ainda podem fazer tanto por eles...
(Muito mas muito mais do que aquilo que pensam, e infelizmente, do que aquilo que fazem.)
Conseguirão agora arranjar tempo?
Espero que sim.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Conversa em dia
E às vezes tudo o que devemos fazer é ficar calados. Não digo isto num tom irónico. É a verdade. Porque às vezes é isso o que de melhor podemos fazer por outrem. Manter a boca fechada, mesmo que os pensamentos batam em todos os lados do nosso pequeno crânio como se quisessem fugir todos ao mesmo tempo. Às vezes o que as pessoas apenas precisam é de ser "escutadas" . E dessa forma entram numa espécie de monologo construtivo. Foi o que fiz hoje...calei-me. Calei-me apenas. Deixei que fluíssem para o universo, através de mim, para que eles próprios se ajudassem.
Com a devida autorização passo a transcrever o que me foi dito, ou que o foi dito para mim apesar de não o ser, pois às vezes, por a conversa em dia com o mundo é bem menos importante do que pormos a conversa em dia com nós mesmos...
"Então quando quiseres leva-me contigo...Preciso de arejar. Preciso de conhecer pessoas, preciso de conversar e desconversar, sobre tudo um pouco e um pouco mais do que isso. Não por estar sozinho, mas quero entre aspas começar de novo comigo mesmo percebes? Porque me sinto bem, ou quase tão bem como já não me sentia à muito tempo..."
Perfeitamente. Vamos?
Com a devida autorização passo a transcrever o que me foi dito, ou que o foi dito para mim apesar de não o ser, pois às vezes, por a conversa em dia com o mundo é bem menos importante do que pormos a conversa em dia com nós mesmos...
"Então quando quiseres leva-me contigo...Preciso de arejar. Preciso de conhecer pessoas, preciso de conversar e desconversar, sobre tudo um pouco e um pouco mais do que isso. Não por estar sozinho, mas quero entre aspas começar de novo comigo mesmo percebes? Porque me sinto bem, ou quase tão bem como já não me sentia à muito tempo..."
Perfeitamente. Vamos?
Black pages
O sol bate nas pernas frias de quem procura
um intervalo de luz entre as nuvens,
aos poucos o corpo começa a receber o calor,
demora até se espalhar por todo o corpo,
mas desde logo é maravilhosa a sensação
do primeiro contacto solar com a pele nua.
A falta de resistência a receber nas mãos o peso
do azar, da loucura, das rotinas humanas,
É imensa. Por outro acordam cedo, ainda com a lua
a passear no céu, enquanto se prepara
para dar o lugar ao sol; e os pássaros cantam
nas árvores a festejar mais um dia na terra,
ou a amaldiçoar a rotina das suas vidas.
De um lado para o outro vivem o vosso dia,
Fazem pequenas paragens para descansar e alimentar
o corpo e o espírito; fazem pequenas paragens
para procurar pequenas motivações.
Um sorriso sentido, uma palavra, uma frase;
Uma imagem, um objecto, uma promessa;
Um milagre, uma desgraça, uma vida nascida,
uma vida morta, um acontecimento.
Voa o tempo difícil de agarrar
aproxima-se o Inverno,
o frio verdadeiro,
o sol mais apetecido.
Voam as folhas difíceis de agarrar,
aproxima-se o Inverno,
o verdadeiro frio,
e o sol mais apetecido.
Não tarda chega a primavera.
um intervalo de luz entre as nuvens,
aos poucos o corpo começa a receber o calor,
demora até se espalhar por todo o corpo,
mas desde logo é maravilhosa a sensação
do primeiro contacto solar com a pele nua.
A falta de resistência a receber nas mãos o peso
do azar, da loucura, das rotinas humanas,
É imensa. Por outro acordam cedo, ainda com a lua
a passear no céu, enquanto se prepara
para dar o lugar ao sol; e os pássaros cantam
nas árvores a festejar mais um dia na terra,
ou a amaldiçoar a rotina das suas vidas.
De um lado para o outro vivem o vosso dia,
Fazem pequenas paragens para descansar e alimentar
o corpo e o espírito; fazem pequenas paragens
para procurar pequenas motivações.
Um sorriso sentido, uma palavra, uma frase;
Uma imagem, um objecto, uma promessa;
Um milagre, uma desgraça, uma vida nascida,
uma vida morta, um acontecimento.
Voa o tempo difícil de agarrar
aproxima-se o Inverno,
o frio verdadeiro,
o sol mais apetecido.
Voam as folhas difíceis de agarrar,
aproxima-se o Inverno,
o verdadeiro frio,
e o sol mais apetecido.
Não tarda chega a primavera.
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