sábado, 17 de julho de 2010

O Homem e o monstro (Lição Segunda)


Existe apenas uma diferença básica entre o Homem e o monstro: o monstro esforça-se desde que nasce até ao dia da sua morte, deixando para trás um rasto para que outros o possam seguir; o Homem já nasceu rendido, e nada sabe sobre o significado da palavra lutar, seja por preguiça, medo ou covardia.

Homem: Monstro preciso de falar contigo!
monstro: Diz meu amigo Homem...
Homem: Perdi um ser humano para sempre...E já perdi outros que mesmo não sendo ceifados pela morte nunca mais vou ver...Perdi-o. Porque sinto um vazio e uma tristeza frustrada? Que posso eu fazer agora?!
monstro: Esse é um dos males do Homem...Prefere pensar que tem todo o tempo do mundo para se agarrar à espera. É arrogante ao ponto de pensar que terá tempo para tudo e mais alguma coisa...Mas a vida raramente é como queremos que seja, (porque não a queremos moldar ao nosso gosto, devido à falta de chama), e quando damos por nós...já é muito tarde. Existem duas soluções que te deixarão feliz e com um sentimento completo. Em primeiro lugar dizeres sempre o que sentes a todas as pessoas. Pelo menos os sentimentos bons, para o caso de te acontecer alguma coisa, ou a elas, nada fica por dizer, entendes? Assim o amor espalha-se; ama-se e agarra-se a pessoa, até chegar a hora do mundo findar. As pessoas por vezes tendem a fugir-nos, ou a esquecer-nos, e tudo o que podes fazer é não deixar nada por dizer ou sentir. Isto aplica-se a toda as pessoas. E é bom seja para quem desaparece do local da tua vida ou seja para quem sobe para os Céus. E agora, para aquelas pessoas que te fazem sentir um sentimento de perda, saudade, amor, e tudo o que te deixa completo e feliz, todos esses sabores e sentimentos, tem uma escolha além da que já te expliquei...Lutar. A pessoa está morta? Não. Então só te resta lutar por ela...até chegar o momento em que nada mais podes fazer. E esperar que façam o mesmo por ti. Já senti outrora um sentimento capaz de abalar montes, distâncias, maneiras de ser que eram como pedras...Homem, é hora de lutares e de dizeres. Enquanto há tempo: luta; enquanto há tempo: diz e dá e agarra...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sim?

O tempo é agora...
O lugar é ali...
Faz, não por mim, não por nós, por ti.
O que sentes?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lua negra

Nem de origem pombalino, nem de estilo gótico...Tão pouco sou um protótipo. Resumo-me à minha insignificância e à minha importância: sou eu próprio.

"Be yourself, by yourself!" ( Walk )

Vim aqui hoje declarar...que tenho saudades de quem fui.
Tudo nos custa quando tem de custar,
não é algo que possa por nós ser escolhido
ser ou não sentido.
Escolhe-se um ser humano
deste mundo e observa-se o sentimento
evaporar, tornar-se desaparecido.
Todo este tempo declaraste que morrerias por mim.
Custa-me sentir que talvez seja verdade. Que talvez
seja uma vaga verdade à qual não me dediquei.

Deixei um perfume vivo na tua roupa, deixei uma recordação
viva dos meus actos e pensamentos falados mais alto...
Deixei saudade. Deixei saudade onde ainda existia presença.

Uma lua negra paira num céu branco.
É tudo luz, luz que consegue colorir todo o céu,
e sozinha está essa lua negra, que escurece um pequeno ponto.

A paga é cara para quem não se deixa ser.
O erro pode causar repercussões no círculo que nos
rodeia...mas a verdadeira praga, o verdadeiro sofrimento
o verdadeiro abatimento vai-se fazer sentir em nós
próprios...
E sobra uma secura, uma solidão que se arrasta em loucura...
E no vazio que se estende existe ainda uma procura,
não se sabe dizer muito bem do quê
apesar de sabermos a sua essência.
E este pesar, ou esta saudade,
perdura...
E a teimosia da água
a pedra fura...
Tudo e nada
na mesma figura.
Sinto saudades de tudo
o que enche. Do vazio que enchi.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Monstruosidade de um monstro monstruoso

"None of them can even hold a candle up to you.
Blinded by choice, these hypocrites won't see."


"High is the way,
but our eyes are upon the ground."


"It's time now!
My time now!
Give me my
Give me my wings...!"


Cegos pelas escolhas que não sabem fazer...
Vivo num mundo estranho
apesar de ser um mundo normal,
Belo e grandioso e infinito
para a nossa vida curta,
Pesado e triste e pequeno
para finita fome que nos corre nas veias...na alma,
no corpo e na razão.
Um dia ouvirão falar de mim...aquele que bateu
duas vezes num gigante portão
e que bateu uma terceira para não virar
costas sem a certeza que tudo fez
para ser ouvido e sentido
visto e sentido
antes de virar as costas.
Quando penso que chegou finalmente a hora
de acreditar na raça humana
algo me empurra para o chão
deixando-me com o corpo sujo
a cara suja
e um pó nos pulmões e na garganta
que me sufoca por alguns dias...Durante meses
vive um sabor na língua, um sabor a pó, a terra,
que me relembra que não sou apenas um homem
que sou também um monstro que sofre através
dos Homens.
E Deus?
Acaba por ir sorrindo...por vezes um sorriso aberto
outras um sorriso triste. Como chegamos a isto?
Porque foi este o caminho que escolhemos
porque foi este o caminho que andámos.
Cegos por uma escolha errada, pela possibilidade de uma escolha
que nunca existiu. O ser humano talvez tenha o poder
de criar a escolhas, as suas escolhas...
Ou se calhar não.
Interessar-me-á saber a razão das escolhas
que regem este mundo a correr de certa forma?
Já me interessou menos...
Sei que tenho apenas aquilo que tenho
e neste vago monstro que vai crescendo
dentro de mim também decrescem as sombras
que nem sempre podem vir para ficar.

Estou deste lado.
Encurralado?
Não. Esperando ser esperado.
Completamente destronado, sem ramo
de árvore para trepar, sem sol
que me venha por fim secar, para um dia infinito.
Como poderei ouvir algo que não têm para dizer?
Como poderei voltar a confiar num espaço
que não preenche, que apenas finge preencher
um lugar que se vai tornando mais vazio?
Não consigo mais com tamanhas reticências,
com dependências que só dependem de quem
as molda, como uma muralha que serve para proteger
uma cidade...mas as vossas muralhas não protegem,...
As vossas muralhas servem de ponto fraco
para quem quer mais de forma errada.

É apenas demasiado doloroso para mim acreditar.
Sonhar não me dói muito...é apenas difícil dar uma
oportunidade à minha crença no ser humano...

Não nasci monstro.
Mas não fujam já...a culpa não é só vossa.
Muito desta culpa está aprisionada
em acções erradas que tomei
que vivi.
A fé foi derrubada por actos
cometidos por todo aquele que caminhou na minha vida
pela paixão de quem agarrou
uma fruto
sem se preocupar com a casca
mas apenas com o interior.

Tudo o que tenho é um por de sol,
é uma raiva parada
um ódio adormecido.

O monstro acordou tarde...
E talvez tudo o que ele sempre quis
foi não acordar.
Ficando-me assim, à procura de ser procurado,
de encontrar esse pedaço que falta à
razão do mundo girar.
Respiro com a única lógica
de continuar a respirar, e se
escrevo é porque ainda existe
um monstro
para alimentar.
Invado-me.
Precisava de escrever algo sobre isto, antes de escrever o próximo Vicarious a dois com a Joana GTH, ou mesmo de mais um texto reservado a espirais.
Um dos grandes problemas do ser humano não é saber receber...Isso sabe ele muito bem. A maioria dos seres humanos tem é uma dificuldade tremenda em dar...em saber dar, em escolher o que dar, como dar. No entanto, em certas ocasiões encontramos alguém, que talvez por ter sido vítima durante muito tempo de saber dar sem em troca receber o mesmo, seja no que for, acabou por esquecer o que é receber...e como receber.
As melhores pessoas são aquelas que sabem dar muito e receber muito também. O ser humano é como o universo: precisa de equilíbrio, e com ou sem razão para estar vivo é preciso é saber viver.
E esta música...enfim, hoje lembrei-me dela, e não pude deixar de pseudo-reflectir nesta questão. Não sei até que ponto escrevo isto devido a um passado ou para um passado...mas de uma coisa tenho a certeza: nunca escrevi com tanta força pelo presente.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dividir por dois, dividir a dois, exactamente em dois...Outra espiral



Uma grande música, uma grande letra, um clip mais uma vez muito bem conseguido...Desfrutem.

Equador

Pergunto-me nos dias que correm até que ponto
posso-me deixar ir.
Até que ponto a minha capacidade de surpreender o outro
está ainda bem acesa no meu ser?
Não se trata de procurar com algum amor uma flor
mais bela num jardim,
com os próprios dedos separa-la do solo
tirar-lhe a vida
e oferece-la a alguém.
Não se trata disso.
Conseguirei eu, na extremidade de alguma coisa
no contrário de algo
ser o centro de alguém?
Ser eu o sol, o centro acolhedor do mundo,
onde existe calor e frio,
saudade e encontro?
É isso que neste momento me invade os passos,
os sonhos, os pensamentos...
É isso que neste momento me pára os passos,
me faz sonhar...que se apodera dos meus pensamentos.
Onde estarei eu agora? Sei onde já não estou,
mas tirei medo de onde possa estar?

E volta algo que não vem há muito tempo...
O medo de estar errado, o medo de errar.
Porque o meu melhor eu pouco ou nada falha
na hora de provar, de racionalizar,
de ter certeza...
Mas o meu melhor eu teme estar errado...
E se outrora tive vozes que me alimentaram
(ainda mais)
fomes que cresciam,
de momento
pouco ou ninguém tenho.

Eu sei que me podem mostrar a porta
e que só eu a posso abrir...
Mas o que temo é que me mostrem a porta errada...
Ou que eu, arrogante no erro, não aceite
a porta que me apontam.

Sim...Algo está a mudar. Ou algo já mudou.
E é como se um nome divide-se tudo ao meio
tudo feito em dois,
em duas partes quase iguais...
É a porta do tudo
ou é a porta da dor
que se aproxima?
Eu espero um sinal,
espero dois desejos...
Depois altero para sempre a posição do Equador.

domingo, 11 de julho de 2010

O que ajuda este a mundo a girar de forma mais bela



Separei-me desta mulher há um ano e tal. E foi das separações que mais me custou. Confesso que casaria com ela e viveria com o único objectivo de a fazer feliz para sempre. É encantadora, canta lindamente, com uma excelente voz, sabe tocar piano muito bem, tem um sentido de humor simpático, parece simpática, e escreve letras e faz músicas no mínimo geniais...
No entanto fica aqui um pequeno tributo, apesar de merecer muito mas muito mais do que isto. Por várias músicas, por várias letras, e pela falta que me faz, e pela importância que teve na minha vida em alturas bastante negras...E foi mesmo.
Obrigado à pessoa que num dia, me disse o que estava a ouvir...ao qual eu disse secamente: Não conheço, nunca ouvi falar... Passados uns dias ouvia de forma insaciável. Depressa a Joana também começou a adorar...Seria dos poucos concertos que não hesitava em pagar e ir ver se viesse a Portugal. Sara Bareilles, uma prenda deste mundo, um pop ou um não pop muito especial...com um piano e uma melodia suaves, e uma voz encantadora. Capaz de nos manter felizes e capaz de nos ajudar a sair do desespero. Ouçam e sintam.

sábado, 10 de julho de 2010

You know you're right



Quando alguém morre pensamos sempre várias coisas...Para onde terá ido? Terá ido para algum lado? O que podia ter feito se ainda estivesse vivo? Aproveitei bem a sua presença?
Kurt Cobain para mim, de todo o século, de talvez de sempre, é o vocalista, compositor e guitarrista (tudo ao mesmo tempo) que com mais simplicidade fez muito. O seu trabalho não foi em vão...muitos são ainda os que o veneram, o cantam, o passam de geração em geração. E esta música é fantástica. Faz-me lembrar, de um outro ângulo, o Stinkfist. Junta dois lados da mesma moeda. E é uma música forte, que nos abala.
Todos somos importantes neste mundo, mas às vezes damos connosco a pensar que há pessoas que parecem valer mais...Porquê então o suicídio? Não sei, mas lamento-o.

RIP my friend.

Sonambulismo Oco

(Boa noite...)

Aqui estou eu nesta rua estranha
onde a verdade e a mentira
se juntam fazendo arder
toda e cada minha entranha, é o sol e a lua
que se manifestam em mim, lamentando
deixando-me a alma nua, a face crua,
tudo levado em cinzas por um vento
que sobe e desce muito depressa
deitando-me no cimento.

A sanidade mudou-me e para ela não consigo
encontrar cura, são espirais de longo alcance
uma pirâmide de alta altura
uma águia eficaz que perdeu a sua chance...

Passo a passo: cinzas, pó e nada.
Mas ainda procuro essa carta que escondi na manga
da minha esperança, na alma da criança,
tentando dessa forma não me dar como acção terminada.

Guiado por uma voz interior
que me move, que me sacode, e que mais tarde
ou mais cedo vai fazer com que eu acorde.
Neste sono dormente, onde caminham seres
doentes, impacientes, ocos
e pouco contentes, passo a passo vou tentado
acordar desde sonambulismo
que nos altera os reais actos,
pensamentos e pactos, mentiras ocas
e os verdadeiros factos.

Tudo o que temos agora é um sono de criança...
Apesar de triste e medonho...
Está na hora de acordar.

Sacrifício artificial

"Vi sonhos ruírem como castelos de cartas...quase desacreditei, abandonei as palavras..."

Terá chegado enfim a minha hora de partir,
Com uma bagagem de peso satisfatório
no respeita a experiências aprendidas
e lições sofridas e incorporadas no meu ser.

Terá chegado a hora de me conter
fora daqui, onde sinta que me conter
nada de mal traz a esta terra,
Onde seja sem receio: eu mesmo.

Porque nunca será a carne sacrificada
o problema que trava esta terra,
E no que é necessário sacrificar...
É o habitual...apenas fazem um sacrifício artificial.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desejo temido

A recordação é como uma faca,
se a soubermos segurar ajuda-nos,
mas se cometermos o erro de a agarrar
pelo lado errado é uma estaca
na nossa vida.
O sentimento não é tímido
tão pouco deveria ser temido.

O importante é saber que não é preciso
queimar o passado,
é saber que este já foi queimado.
A minha fome agora é outra.
E a procura talvez já seja pouca.
Chegou a hora
a hora de receber o que a vida sempre me quis dar.