segunda-feira, 5 de julho de 2010

Nos segundos que passaram nas possibilidades de um Inferno


"Some say the end is near. Some say we'll see armageddon soon. I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this...Here in this hopeless fucking hole we call LA
The only way to fix it is to flush it all away.Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.

Time to bring it down again.
Don't just call me pessimist.
Try and read between the lines.

I can't imagine why you wouldn't
Welcome any change, my friend."
(Aenima-Tool)

Poderei concordar com alguns infernos de Dante. Mas para mim esta será uma das melhores imagens do Inferno. Sim. Eu não estou disposto a acreditar que à simples frase "Estou arrependido" as portas da Luz se abrem logo no momento...Lamento, mas não. E esta imagem do filme Constantine parece-me uma imagem soberba...e para mim realista desse dito local. Tudo em chamas...um cidade consumida pelos erros, arrependimentos (ou os seus supostos...), mas muita culpa...Eu adorei este filme, por três motivos: adoro essa batalha entre o bem e o mal, gosto bastante do actor Keanu Reeves, e gostei muito da banda sonora do filme (que conta com a música Passive dos APC).
Tudo se consome em chamas vivas...mas chamas mortas, sem lugar na nossa alma, pelo menos de forma positiva e libertadora. Meu Deus será assim o Inferno? O mais irónico nesta vida é que possivelmente imaginamos mais depressa o Inferno do que o Paraíso...porquê? Porque no nosso dia-a-dia olhamos o mal, sentimos o mal, e veneramos o mal...Infelizmente minha gente, nós veneramos o mal, o ódio, o mal estar...E a pergunta que vos faço não é que tipo de monstro sou eu, mas sim: que tipo de monstro não são vocês afinal? Pensem nisso...Talvez seja de facto verdade que o Inferno e o Céu caminhem ambos nesta terra...mas nós desvalorizamos o Céu, e como se isso não bastasse ainda valorizamos o Inferno. Que vida a nossa!
E hoje, enquanto estava do outro lado do rio, depois de um dia que me corria tudo menos bem, tentei fazer algo que não tenho feito, procurar uma sombra fresca...Ultimamente tenho agido como um girassol ou como um gato, que se vira ou move para onde está o sol. Mas hoje o calor era muito e o sol queimava muito também...então ignorei o girassol e o gato que há em mim e parti para a sombra...Mas não bastou...O calor era muito...E foi então, que mesmo num lugar supostamente fresco, veio do nada uma rajada de vento...Pensei sorrir, aí vinha um pouco de frescura...mas não. O vento trouxe um ar tão abafado que por momentos julguei-me nessas ruas em cinzas, onde os mortos deambulam à procura de velhos e novos culpados...Por momentos pensei sentir aquilo a que chamam Inferno. Não tanto pelo sentimento mas sim pelo calor, belo abafar de um ar pesado...Quis estar longe daquele sítio. É nestes momentos em que sei que não sou sombras...que não sou um monstro...sou apenas mais um humano. Mas estes momentos na vida são curtos, como essa aragem infernal...E não estive no Inferno...Apenas o terei sentido. Só terei a certeza quando chegar a minha hora...E se lá for parar.
E este calor em excesso também me fez pensar no porquê da sua existência...E infelizmente voltei a pensar em vocês: no Homem. Até que ponto serei monstro por reciclar, por tentar manter o meu mundo limpo? Até que ponto será loucura querer ver medidas serem tomadas por vocês? Medidas julgadas menos de bom senso mas com senso suficiente para este mundo não arder às vossas mãos?

Eu já não sei nada. Ou pelo menos sei muito pouco.
Mas senti um Inferno que não me agradou
nem que nunca me vai agradar.

domingo, 4 de julho de 2010

Olho por olho


Como chegámos a isto? Obrigado por de certa forma teres-me dado a ideia deste texto.

"Clever got me this far, then tricky got me in. Eye on what i'm after, I don't need another friend...Comfort is a mystery, crawling out of my own skin...Just give me what I came for, then I'm out the door again...(Give this to me!)..."


Nunca pensei ter tamanho rasgo de elucidação
nestes tempos que se vão consumindo em mim.
Terei talvez descoberto tarde
mas não ainda tarde de mais...
que as trevas com trevas se combatem.
Olho por olho, dente por dente,
é nesta filosofias que se vai acalmando as gentes
e que se consolam as almas mais dormentes...
Pois que assim seja.
Serei apologista de lutar em terrenos mais escuros
fingindo favorecer o adversário...
E serei trevas em dias negros
até que chegue hora de ser contrário.
Até que toda esta batalha seja de luz contra luz...
Até lá consumo-me nesta espiral...que começou por ser branca
e que agora se vai transformando em preta.
A minha situação é muito concreta:
é um sentimento de perda,
e deixar nas mãos ausentes
a coragem e a dedicação
de olhar a outra face da moeda...

Se por um lado procuro uma regra
que me faça entregar à entrega de nunca
mais me entregar...a verdade é que será trevas
com trevas...Olho por olho, dente por dente.
Serei trevas, serei antigo Testamento...
E deixarei solto todo o mal que tem estado
guardado aqui dentro...

As trevas com trevas se combatem.
E eu vim, sorrindo honestamente,
sendo-me totalmente, abrindo todos os braços
do meu ser, pronto a agarrar e a proteger
a dar tudo por ser o melhor
e por fazer o melhor
como qualquer ser humano deveria fazer...Talvez não baste.
Talvez não chegue.

Mas sei eu o que é meu.
E quero o que é meu de volta.
Serei um hipócrita camuflado nessas realidades
que me fogem aos sentidos...serei aquilo que não sou
só para ter o que é meu de volta...

Depois de o ter, vou-me embora...

"Take what's mine, take what's mine, take what's mine,
This is mine, mine, mine [whispered]..."

sábado, 3 de julho de 2010

Metamorfose sentimental e física

"Mutation is the key for our evolution..."

"Acredito em pesadelos quando a vida me dá estalos com luvas de ferro..."

"Mas de coração cheio vou compreendendo que a máquina que move a vida é o sentimento..."


Este mundo exige mudanças constantes
pelo menos até chegarmos ao mundo que queremos.
E a vida é feita de mudanças.
Umas boas outras más...
Outras, enfim, nunca saberemos ao certo.
Mas deduzo que seja a vida...apesar de ser
contra estas pseudo interrogações que surgem
nas nossas vidas.
Mas é preciso mudar, evoluir.
Acompanhar os sonhos que temos
e fazer deles a vontade e a acção
que nos realiza e que nos preenche.
Não queremos ser apenas outros que caminham
sem razão de alegria, sem razão de vontade,
...a vida não pode ser toda como queremos,
mas pode ser modificada por nós
e por outros para de lá se aproximar
o máximo. A maioria das pessoas não acredita nisto.
E são elas que acabam por perder os melhores sabores.
Será a vida?
Para mim não é.
A vida envolve muito mais garra,
muita mais luta.
Envolve força de alma, espírito de sacrifício
onde se trata de ser melhor e mais feliz.
Eu estou cansado de remar contra marés.
Estou cansado de sentir que só eu puxo a corda...
Cansado de lutar
sem ser lutado.
A minha vida tem sido isto...
Por várias vezes em várias ocasiões.
E por muito que tente, que faça mais
até mais do que pensavam ser possível,
roçando já o esforço máximo de um ser humano
e de um monstro...Não consigo encontrar.
Ou melhor, talvez encontre, mas não consigo agarrar...
E neste momento tudo o que menos me interessa
é saber de quem é a culpa.
O ser humano é assim...capaz do melhor e do pior...
Talvez seja por isso que falam do inferno e do céu
na mesma terra...
Estou exausto. De tentar, e tentar muito...
E não consigo avançar...porque ainda tenho um defeito(?)
enorme que é sonhar...e tentar e tentar...
Mas tentar até onde? Até quando?

Dizem-me para escavar até sentir algo.
Queria tanto. Queria mais que tudo.
Mas não estou a conseguir.
E a teimosia de alguns cega correntes
que estão ligadas por uma força poderosa.
Mas o poder já não é o que era...
Eu já não sou o que era...
É preciso uma metamorfose
é preciso amar os defeitos do outro
mas também é preciso saber quando mudar
e entender a delicadeza dessa mudança
e a sua importância...

E eu de momento não estou para mais ninguém,
estou apenas para uma pessoa.
E para já ainda vivo nesse sentimento, nesse mundo,
Para já não quero mais ninguém...Porque só quero uma pessoa.
Mas isto é destino farto, é dizer para mim mesmo:
tudo não é assim tão exacto...
O que interessa?
Quem se interessa da forma mais sentida?

Eu mudarei...
E acabarei desta forma...
Ceifado.
E não posso dizer mais nada.
Agora é quase esperar...
E não é muito mais.
Acabei.
Findei.
Tudo acabou hoje...para onde?

Queria pensar em redescoberta mas ...

Metamorfose sentimental e física


"Mutation is the key for our evolution..."

"Acredito em pesadelos quando a vida me dá estalos com luvas de ferro..."

"Mas de coração cheio vou compreendendo que a máquina que move a vida é o sentimento..."


Hoje acaba tudo...Até logo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A minha culpa dos outros


(Nota: Como já tive oportunidade de escrever e dizer várias vezes sou cristão. Apesar de ser contra toda a comunidade Católica. Esta música não faz de mim um herege. É uma música que penso estar muito bem conseguida, e mesmo que seja exagerada é o que nós pensamos muitas vezes, independentes de crentes ou não...Na prática esta música é reflexo de dias maus que temos por vezes, ou de sentimentos maus que muitas vezes nem sequer são contra o divino. Seja como for, nesta canção abraço as partes que me fazem pensar e ficar "triste"...espero que gostem.)

(A letter to God - London after Midnight)

"Is this life, this degredation
this pointless games, humiliation
Born to die, we're born to lose
Not one choice we make we chose
And when this life is at an end
We find that death's our only friend
Must we suffer through your games, Oh Lord?
Can God really be so bored?"

"We spend our lives destroying, hating
Beneath our flesh a skull lies waiting
Blind to beauty blind to love
We fear our loving Lord above
Some live their lives to play their games
Some live as victims, gone insane
Your experiment has failed oh Lord
and i trust that when we meet you will forgive us."


"It's futile so i'll end this note and
find a knife and slit my throat
And come to track you down, Oh Lord
You better watch your back, be sure
That when we meet you'll be surprised,
No loving praise, no glee filled cries
Just hate and pain and tear filled sighs
and the question in the end is why!"


A culpa é toda minha
e é dos outros
e não é de mais ninguém!
Quando descobrimos que a morte
é a nossa única amiga
neste mundo desorganizado
então atingimos a verdade.
A culpa não é minha
nem vossa
nem de ninguém...Talvez seja destino.
Percorrer todo um caminho
farejando sinais e pedaços que valem
a pena ser agarrados,
para nada.
Para nada porquê?
A minha culpa é dos outros.
Estou mal sozinho e estou mal acompanhado.
E sobra no estômago um pensamento rejeitado
no peito um coração agoniado.
Chega. Preferia tudo o que fosse diferente
disto.
Chega!
Chega.........
Só quero respirar tudo de novo,
pela beleza de quem nasce,
e nada mais me interessa.

Lullaby


"Vem além de toda a solidão...
perdi a luz do teu viver,
perdi o horizonte...
Mas vem depois iluminar um coração que sofre...


...Pertenço-te até ao fim do mar,
sou como tu
da mesma luz do mesmo amar,
por isso vem, porque te quero consolar
Se não está bem deixa-te andar a navegar..."


Entrego-me a esta calma momentânea,
e deixo que este consolo me embale
todos os sentidos, enquanto penetro neste mundo
onde a luz e a escuridão dão as mãos...
Começo a cantar...a canção é cantada
como um suspiro, mas sentida o suficiente
para que tu consigas ouvir
até adormeceres.
Sou como tu.

Quero cantar para ti enquanto resisto
ao sono que se começa a abater sobre mim,
estar aqui, neste conforto, neste calor,
neste espaço físico onde partilhamos a cama,
um lugar comum.
E canto até entrar nessa terra onde tudo pode acontecer.
E mesmo contigo ao lado deitada
e mesmo podendo tocar-te
aproximar-me e agarrar-te
sentir-te, cheirar-te,
e tudo aquilo que vai no desejo da nossa alma
sei que vou sonhar contigo.
É como se não existisse separação.
Como se te quisesse levar comigo
para todo o lado,
possível e imaginário.

Vou pensando nisto enquanto te vou cantando
pequenas canções ou pedaços delas
enquanto te acaricio os cabelos,
as costas, e enquanto te vou ilustrando
o que sinto...
Os teus olhos começam a fechar e tu sorris.
Declaras todo o teu amor,
e agradeces por me teres ao teu lado.
A sorte é toda minha,
mas já não me ouves...adormeceste.
Dorme meu pequeno anjo...dorme bem,
amanhã é um novo dia
e um dia a dois
com nós os dois
é um dia para sempre.
Bons sonhos.
Até amanhã.
Estarei aqui...
A canção de embalar morre nos meus lábios
quando chega a minha hora de partir.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Silenci(a)dor


"I was so lost in my pain, fear was melting my brain,
I was counting the days to insanity, I was afraid to move myself
Afraid to hurt myself, more than I had until that day
Everything I believed in, everything I fought for
Was now underneath my feet and my heart beat
Was so gone, couldn't be felt by anyone
So alone it gave me the creeps
My drugs got me in bed went up to my head And I really don't wanna depend
So I'll stick to...

I'm amazed I'm amazed with myself
And my brain and my pain
And my pain and my veins
Are delivering it to my health
My self-confidence was broken while my trust was taken
And it left me with an empty life and this knife
Rests on the middle of my bed, I think in all the things she said
Close my eyes and sleep
All these drugs in my head, it seems I'm already dead
And I really don't want to depend...

Can't smoke anymore can't drink anymore, still I do it, I do it again
Lost everything I had, Far from mum, far from dad
I thank God for my good, good friends
But where's this God that I mention? Where is He right now?
As I die as slowly as I can? All my plans, went down the hole
My life has no goal, and I wonder if this is worth it..."


(By Silence 4, possivelmente a melhor banda (grupo) da música portuguesa (juntamente com os Madredeus). E esta música para mim é das melhores (do melhor álbum, na minha opinião: Silence Becomes It.)

Criatura , o levantar de quem se Deita



"Dentro de mim próprio existe algo adormecido que fica ferido se eu não falo...
acordaste de um sonho, entraste na realidade e foi medonho..."


Não consegui estar muito tempo
longe da criatura que mais está viva dentro
de mim. Pelo menos a única que não quer
destruir ou destruir-se. Acabo por ir compreendendo
que de nada vale ficar fechado.
E segurar, apenas por mim, a minha caixa
de Pandora vai-me fazendo gastar
a vida fora, toda ela, até tudo o que eu
amo me ter abandonado, ter-se ido embora.
Queria apaziguar várias criaturas que tenho em mim,
ou mesmo mata-las. Mas de momento não consigo
e pouca é a pessoa que me consegue ajudar.
De que me vale parar?Pensar? E apreciar o momento?
Vale de tudo, mas por agora parece nada.
Perdi algumas batalhas, em algumas
ganhei algumas lições,
e as criaturas vão evoluindo.

E algumas pedem apenas
ao ódio e à repulsa
um grão que seja de sorte!
Mas outras vão fraquejando
sentindo que o sentimento já parte...
Rezam à morte.
E tentar sobreviver
é uma espécie de arte
que fazem por aperfeiçoar.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não peço muito, só peço o Apocalipse


Ai ai, notas...:
Primeiro lugar:
Algumas pessoas que me são próximas chamam-me parvo e incoerente por me intitular de monstro. Confesso que na altura que criei este nome eram 03h da manhã e queria algo capaz, só pelo título, que chamasse a atenção...Apesar de ter escolhido monstro por alguma razão (já mesmo na altura). Com o passar dos tempos, sendo eles curtos espaços de tempo ou mais longos, de facto acabei por ter consciência desse mesmo facto. É preciso realçar duas coisas importantes, em primeiro lugar: existem monstros bem piores que eu; e em segundo lugar, ser um monstro não me torna assim tão diferente de todos os outros. Serei assim tão monstro? Sim. O que me faz ter essa certeza? Ter consciência disso. Alguns dizem: Diogo és uma óptima pessoa, com um fundo enorme...etc's. Talvez sim, talvez não. Mesmo achando que exageram, uma coisa não inválida a outra. Sou monstro na medida em que admito ser, sem fugir ao mau e bom que tenho dentro de mim, sem ignorar os meus erros, sem me julgar dono de alguma razão ou sentimento...Sou um monstro. E os que dizem que isso é estupidez não me conhecem assim tão bem.
Segundo lugar:
Aproveitar para felicitar o amor. Há uma questão importante que observo desde o momento em comecei a reparar em certos pormenores, que é a seguinte: existe uma grande diferença comportamental entre homem e mulher quando estes estão a amar. E digo isto observando vários casos (que como é lógico são apenas alguns. E por esse mesmo facto isto conta apenas como desabafo, mas pode-vos por a pensar.) que me rodeiam, tirando apenas uma excepção. O homem quando começa a amar, e não digo paixão ou pequeno amor (apesar destes dois casos terem intensidades diferentes de pessoas para pessoas, de casais para casais), e algo que pelo menos a médio prazo ultrapasse meramente o físico, encontra na mulher amada alguém digno de ser agarrado talvez para sempre. Ou seja, o homem encontra na mulher amada não a mulher perfeita (que não existe) mas a mulher perfeita para ele. E neste ponto as mulheres diferem.
Mas quero louvar o amor, que nos faz dizer poesia sentida ao vivo e em directo. E louvar a capacidade do homem, para quando ama, mesmo não sendo através de bens materiais comprados, fazer com as suas próprias mãos algo pessoal para dar à sua amada. Tu és cinco estrelas, e vejo em pequenos gestos uma alma grandiosa, continua assim. Desejo-te toda a sorte, compreensão, e amor.
Terceiro lugar:
Eu amo escrever. Só troco o amor de escrever pelo acto de amar alguém (extra família). E apesar de amar escrever tenho sentido perder alguma da razão\espiral\inspiração para escrever, o que me faz também sentir frustrado. Ou mesmo quando a tenho é como se escrevesse apenas para dizer aquilo que pensei, sem pensar no prazer da própria escrita. E escrever é como amar\estar-apaixonado...ou se está ou não, não existe meio termo. Podemos pensar que sim, mas não. Por dentro, na verdade nua e crua do nosso coração\razão está lá uma delas...podemos é ignorar\fugir dela. E por isso, queria hoje, tentar por um pequeno "fim", mais um intervalo na minha escrita...
Tentar estar uns dias sem escrever...manter-me ocupado...tentar viver para voltar outra vez faminto. É como quando saímos de casa para férias, e depois sentimos uma imensa saudade do nosso "cantinho". Lar doce lar. Tenho escrito o melhor que posso, mas a uma velocidade excessiva talvez...sinto que tenho de abrandar. É claro que posso estar a dizer isto e amanhã voltar a escrever dois ou três ou quatro textos...mas não o queria fazer. Queria apenas...estar noutro sítio qualquer.
E apesar de ser um defensor agressivo de mandar tudo para fora, de não deixar nada dentro por dizer, fazer, escrever, cantar, proclamar, etc, sinto que é hora de me calar. Calar mesmo. E dar ao silêncio tempo de espalhar sementes...E se não for um silêncio frio, então podemos encontrar nele um conforto enorme. E um calor que nem todos podemos ter o prazer de sentir. E é isto. Eu sei que a vida é bela. É uma certeza que tomo como verdadeira...só que às vezes não parece. E aqueles que sabem disso, mesmo em dias maus ou menos bons, são as pessoas mais felizes e competentes a viver do mundo. (Um bem haja para elas.)

"Dim my eyes, dim my eyes!
Shine on forever
Shine on benevolent son

Shine down upon the broken
Shine until the two become one..."
(Jambi - Tool)

Porque eu nunca neguei a luz...apenas me aceito nas trevas até ela voltar. Se ela voltar. Até lá, serei apenas, e não só, o monstro que aguarda nessa negridão.

Nesta vida temos duas maneiras de agir, assim basicamente falando em linguagem tooliana:


"Wear the grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything..."

ou

"Drags you down like a stone
To consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go...
(AAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH)
Let the waters kiss and
Transmutate these leaden grudges into gold.
Let go!"
(The grudge - Tool)

Eu prefiro a segunda. Mas vivo na primeira.

É preciso ainda realçar, e escrevo isto como "nota final" (se algum dia for conhecido no futuro espero que não me associem a textos em que as notas iniciais são maiores do que o texto...), que é necessário saber aquilo que se quer, mas mais importante: fazer por concretizar. Assim como: continuar a escavar, até se sentir algo...Mas isto é tudo relativo e subjectivo...e sou apenas mais um a tentar falar um pouco mais alto...


Não peço muito, só peço o Apocalipse

Estará ainda na minha mente o mesmo objectivo?
Deixar tudo em ruínas
até ficar caído
tudo o que pode ser destruído?
Monstro, e ser humano
com uma fome tamanha
difícil de saciar,
e são também necessidades negras
impulsos, desejos,
que me mantêm acordado nesta realidade...
É uma fome de tudo o que não tenho,
um alimento que não é escasso
(ou talvez seja)
que não consigo reencontrar.
Eu já rastejei,
comecei a andar com quatro ferramentas de apoio...
Evoluí. Caminhei por entre todas essas cinzas
que deixaram o mundo sem reacção.
Desejei tanto este fim,
e agora hei-lo, enchendo-me de algo que pensava não ter:
pena e compaixão e saudade.
Chegou a altura de todas as verdades, e da Verdade.
O ser humano não me consegue surpreender muito mais...
E serei eu capaz ainda de surpreender?
É como se o encanto tivesse sido quebrado...
Está tudo morto, tudo passivo como sempre esteve...
Mas houve alturas em que tudo caminhava
de preguiça ao colo, com um peso enorme nas costas...
Eram egos demasiadamente pesados, sem coragem
e humildade de serem crucificados e corrigidos,
cruzes pesadas que eram carregadas sem necessidade...
Quase me custa dizer:
Agora é tarde de mais...
Quase me dói dizer:
Eu bem vos avisei...
Quase me custa respirar este...ar?
Esta poeira, estas cinzas, este resto de vida
este resto de algo belo e construído
que agora não passa de algo belo em ruínas.
Como sonhei ir mais longe,
Como quis ser mais alto, e saber ajudar,
fazer por mim e por todos,
E agora?
Agora a escuridão abatesse sobre o que resta
de corações com alguma luz...
e tudo se torna no mesmo.
Da mesma cor que esse universo.
Gostaria de dizer em forma poética
que é agradável ouvir este silêncio.
Mas estaria a mentir.
Sinto falta de tudo o que era dito,
cantado, tocado...
Sinto a falta da evolução,
das coisas boas que foram feitas...
Deus suspira...Não era suposto ser assim.

As minhas sombras sorriem-me.
Mas eu prefiro ficar sozinho.

Podia ter escolhido ter o fim do mundo
nas minhas mãos.
Fugir à luta de conseguir ter o que quero.
Podia ver a destruição de tudo isto
de forma paciente. Da forma que vivemos a vida...

Mas não.
Eu só peço o Apocalipse.
E o Apocalipse apenas significa:

Revelação.

O meu sangue noutro local, uma outra noite


Sou quase perfeito.
Além de ser dotado de razão
valorizo-a. Mas aos poucos
muito devagar
começo a valorizar o sentimento...mas muito devagar.
É de noite e volto a fumar na minha varanda...
Poderia dizer nossa varanda
mas o meu irmão passa mais tempo fora deste
"nosso" quarto que dentro dele.
Quando dou por mim ouço a voz
do meu amor do outro lado,
e respondo com um carinho só meu:
Olá pequenina...
Também estou cheio de saudades tuas!
De facto começo a ama-la. Quem diria!
A razão pode ser forte...mas o sentimento
não lhe fica nada atrás.
E vou fazendo algumas perguntas
e também vou dizendo:
se passar contigo as férias todas
já fico feliz...
Desligamos-nos. Mas antes disso ainda
disse baixo palavras de ternura
e lancei beijos como se fosse para o vento.
Eu visto-mo todo de preto
mas caminho sobre uma luz,
sei viver, com responsabilidade e saber,
e agora também amo...
Mas ali dentro, dentro de casa e fora da varanda
tenta dormir o meu irmão...
Não lhe tenho pena...Escolheu os seus caminhos...
E por muito colorido que pareça ser
vive mais nas trevas do que qualquer um de nós...
Desejo-lhe sorte
apesar de nela não acreditar...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dois anos de Narrativas de um monstro


E eis que chego ao segundo ano deste blogue. É com satisfação pessoal que atinjo esta meta. Dois anos de prosa e poesia, desde reflexões, pensamentos soltos, dores e alegrias, de pura negridão e de alguma luz (que acaba por estar quase sempre presente), de concelhos, de mostragem de portas e janelas, de "lições", de paixões, de elevações...e de tudo um pouco a acrescentar. Fiz sempre o melhor que pude. Com ou sem beleza lírica fiz sempre algo que veio de dentro, sem exageros, sem hipocrisias. Sempre fui muito fiel a mim mesmo, fosse no melhor ou no pior, algo que é subjectivo, daquilo que sou.
Conclusões?
Foi um ano, na minha opinião bem melhor, em termos escritos. Consegui bons textos, mais profundos, mais criativos. Mais "fortes". Orgulho-me principalmente dos textos que fazem parte do "Tributo",bastante útil e satisfatória, para além do facto de ter sido um enorme prazer escrever sobre todos esses tributos, talvez nestes casos tenha conseguido uma iluminação inspirada, uma elevação. Debruçar-me também sobre estes últimos textos, mais escuros que de certa forma revelaram em mim uma vertente diferente, pois enquanto os escrevia sentia-me quase outro. E claro, existem muitos outros textos que gostei de escrever. Esboçar um sorriso por ter voltado à Apologia do meu Eu, um outro lado do monstro...mas foi-me bastante útil, e continua a ser. Esboçar uma pequena tristeza pela Mitologia do nosso Eu. Quando pensei na ideia fiquei feliz, como se tivesse visto uma luz. E no sentido de prazer pessoal foi bom, adorei escrever. Pegar em deuses "mortos" e colocar as suas vidas e as suas experiências a correr ao lado na nossa existência. Mas em termos de leitura penso que foi uma enorme falha, um enorme falhanço...Mas é a vida. Não sei o que vou fazer em relação a isso...de qualquer das formas é um blogue finito, os deuses não são infinitos.
Agradecimentos?
Este ano perdeu leitores. Não sei se pela pioria do meu blogue, se por falta de tempo, se pela repetição de temas...Não sei mesmo. Aproveito no entanto para agradecer aos mesmos do costume: Joana Garcia (minha irmã), à Liliana (enormíssima amiga) e a Ana Sofia (grande escritora, quando tem tempo para respirar). Agradecer ainda aos meus comentadores masculinos: Frederico e João Tomás. Agradecer ainda aos que me lêem e aos quais dou algum prazer visual. E pedir aos que leiem, cuja a existência eu desconheço, para deixarem comentários. Não que isso seja o mais importante, mas gosto de saber se me "adoram" ou "odeiam". Se adoraram ou odiaram. Agradecer, entre algumas aspas e reticências, a quem me serviu de inspiração, quer para o mal quer para o bem. Aproveito para desejar saúde e inspiração a quem escreve sempre que pode, tentando dessa forma não rebentar ou simplesmente dar uma cor a este mundo.
Ficar grato pela música, ou melhor, a minha banda sonora inspiradora:
Tool (sempre. Por tudo. Espiral.), A perfect circle, Nirvana (Por vezes, e em várias alturas, muito importantes), London After Midnight (por alguma raiva e revolta), entre alguns outros, como: S.B., C.A., DLM (e outros do ramo).
O que quero agora?
Continuar vivo na escrita. Manter os meus sonhos vivos. E acreditar, mesmo duvidando imenso, que não existem limites...seja qual for o tipo.
Acreditar que posso fazer mais e fazer por isso.
Acreditar que todos os dias me posso aperfeiçoar e corrigir.
Acreditar que a inspiração encontra obstáculos mas que também lhes dá a volta...
Continuar a fazer da escrita a coisa mais positiva e produtiva da minha vida, porque nada mais faço digno de ser partilhado...nada. Vida longa às letras.
É um prazer todos os dias escrever para mim e para quem me lê. É um prazer criticar-me e criticar o que acho estar errado neste mundo. É uma honra amar com letras, é uma honra...esforçar-me.
O que não quero?
Ficar parado. Desistir. Ser um monstro que vive na escuridão da vida, ou que simplesmente não vive. Fartar-me do mundo para sempre. Saturar-me de tudo o que não compreendo e de batalhar para nada.
Do que preciso?
De amar e ser amado, e de me deixar fluir, fazendo que outro alguém também flua. Porque esse será sempre o meu melhor eu ( e ou muito me engano: será o melhor eu de cada pessoa).

domingo, 27 de junho de 2010

01:23


...objecto (...) que através de um processo estranho faz rodar dois pequenos ponteiros que regem o nosso tempo...

Batem as horas de um relógio de parede
antigo...
Deixou de dar as horas há muito tempo.
Sobra-lhe um pó que o veste
em todo o corpo.
Mas tocou.
E já é tarde.
Porque sinto que as horas começam a acabar?
Falta-me conseguir por esse relógio
antigo, de pó vestido, a funcionar.
Mas já é tarde
e sinto que as horas estão acabar.

Alguns queriam viver num espaço
sem tempo.
Sem uma morte para nos ceifar.
Queriam viver para sempre...
Não vos censuro. Mas eu prefiro
este tempo contado por alguém
que se vai consumindo.
E depois, consome-se o que sobra
do resto das nossas vidas,
desde o primeiro dia
até ao último.

São horas de agarrar a vida
porque a vida não espera por ninguém.
São horas de despertar.
São horas de colocar esse relógio parado
sujo de pó
a mexer os ponteiros.
E não interessa se as horas estão trocadas.
Porque existe sempre tempo para fazer
mais coisas
outras coisas,
o importante é não se estar parado,
nem desistir.
Não é por vocês,
é por mim.