"Deixo-me cair em queda livre... Estou farto de acordar ofegante com pesadelos a suar frio, sem conseguir resolve-los..."
Simbolizo medos e fobias, Mortes que venceram com incultas sangrias. Avançam sobre mim Pedem-me que me sente para respirar fundo e olhar fixamente o pêndulo. Deixo-me ir ao fundo... Já aqui estive. Tudo o que fiz passa-me pelas mãos com um toque sublime das sensações que espalhei à minha volta. Tamanha alegria, tamanha desilusão. Tamanha ajuda e simpatia. Tamanho sofrimento... Por razões loucas. Eu já aqui estive...Eu vivi aqui toda a minha vida. Desde pequeno. Gatinhei, escorreguei, caí. Chorei e ri, sorri e caí. Para onde me levaram? Sempre aqui estive mas nunca aqui quis ficar. Já não me distingo. Está escuro...uma canção de embalar apura-me os sentidos... Quem está aí? Agarrem-me, tirem-me daqui. Alguém me ajuda? Sinto o corpo pesado... Devo ter viajado para outro mundo. Onde estou eu agora? Nunca aqui estive. Tudo o que me envolve está destruído. Eu mesmo sou ruínas, sou pó junto da poeira, somos todos um só, todos aniquilados. Somos todos pó... Eu não quero sentir isto, isto não sou eu. Eu não sou silêncio nem escuridão...não desta forma. (Estalam os dedos) Continuo com o mesmo pesadelo... Mas desta vez sinto que posso resolve-lo.
Nota: Isto não é o fim de nada. É talvez um recomeço. Ainda não sei ao certo. Ultimamente o que sei parece que é verdade, pelo menos grande parte dela, outras coisas fogem do seu lugar. Importa perceber se às vezes perdemos algo por apenas alguns momentos ou se perdemos para sempre, é isso que importa perceber. Quando a minha irmã teve esta imagem nas suas mãos ficou estupefacta. Foi amor à primeira vista. Possivelmente das melhores imagens de origem Tooliana. E é de facto fantástica. Tive de procurar um bom bocado por ela. Já a conhecia mas no Google não existia sinal dela...Tive de me render a um processo da velha escola: o print screen mais o programa Paint. Encontrei-a numa montagem de imagens para um videoclip de Reflection. E assim foi. Escrevi por detrás dessa montagem, dentro de um quadrado rectangular, que é a forma do CD Aenima, as seguintes palavras, daquilo que me recordo: Quando encontrares alguém que esteja ligado a ti, no coração, na alma, na razão, num beijo, então agarra essa pessoa para sempre. Esta é uma lição para todos nós. Todos. Porque conseguir unir isto tudo é quase um milagre da vida, à sua maneira, e de certa forma.
Eyes of a fallen angel, Eyes of a tragedy... ( 3 Libras )
Se pudesse voltar atrás fazia tudo da mesma forma. Alguns tentam fazer com que as peças encaixem à força, outros têm a sorte de as ver encaixar naturalmente. E eu tive essa sorte. Se puder recordar hoje, com aquilo que sei custa-me acreditar que tudo tenha começado ás oito e um quarto da manhã. E recordo-o com um sorriso de quem está a dar os seus primeiros passos, uma vontade de continuar a dar esses mesmos passos até cair sentado no chão satisfeito. Como em tão pouco tempo as coisas encaixam? Como em tão pouco tempo as coisas se expandem tanto? Como é possível que em tão pouco se alcance uma essência, um conhecimento que costuma demorar muito mais? É preciso adormecer e acordar com um sorriso nos lábios para compreender que algo mudou. Podemos aprisionar forças dentro de nós mas corremos o risco de elas voltarem a ser soltas. Para quê aprisiona-las então? Não sei. Houve uma altura em que a razão e o sentimento andavam de mãos dadas. Agora estão distantes, nada querem um com o outro. Surpresas, vivências, esforços, apertos, satisfação, conforto. Dez mil dias como música de fundo numa manhã supostamente fria, e música ao vivo para embelezar a noite. Podiam-me oferecer o mundo... Mas não quero. O mundo não chega. Entram e saem espirais. Consigo algo especial, diferente, estou de volta. Deito o cigarro ao chão... E é quase como se tivesse falhado. Mas o sentimento é o mesmo. Olhos nos olhos
nunca foi preciso muito mais. Há sinais que nascem sozinhos para quem os quiser ver. Terá chegado a tragédia? Um anjo cai no terreno que me rodeia, as suas asas parecem fracas, todo ele parece fraco. Que te aconteceu pequeno anjo? Porque pareces chorar? Porque tens os olhos mais tristes que eu já vi?
O anjo olha-me. E de tudo o que tem para me dizer, de tudo o que tem para me mostrar, de tudo o que tem para me dar, apenas diz:
Este é o meu último poema, prosa, chamem-lhe o que preferirem, positivista. Depois cairá um anjo e estarei de volta à poesia mais negra, de volta ao inicio. Estarei de volta às minhas trevas. Mas não se perde nada. Eu gosto de chamar à minha escrita: poesia negra que ilumina. Seja como for, para os lutadores. Para o que não lutam, para os que lutam e são desvalorizados. Para os que lutam por um mundo melhor, por uma vida mais completa, para quem luta para que cada dia seja diferente de todos os outros dias. Para os que sabem que a dor é apenas uma ilusão...os limites estão à nossa volta, os limites existem para ser ultrapassados. A sensação de os ultrapassar é bem melhor do que a sensação de ficar escondidos, com medo, de os ultrapassar. Tenho dito.
Celebrem que estamos vivos. Não somos esqueletos que se movem na terra não somos um exército de mortos coordenados ao sabor de um ritmo pobre, sem chama, que caminha só por caminhar. Somos lutadores. Luta pelo sol que vai nascer todos dias brilhante ou escondido nas nuvens... Quem se importa? O sol está sempre lá, não interessa de que forma. Somos lutadores somos aqueles que dão o suor o sangue a força, aqueles que não se limitam a uma só meta. Somos o equilibrio entre a teoria e a prática. Podemos admirar o abstracto mas vivemos no concreto. Somos directos, acolhemos esperanças para viver bons tempos, bons momentos, cuspimos na desgraça com desprezo, porque a queremos extinguir. Somos lutadores que não cessam mesmo com o corpo cheio de dores, Somos criadores, conquistadores, somos tudo o que podemos ser no tempo que nos é concedido. Envelhecemos com um sorriso nos lábios, a vida não nos passa ao lado, é agarrada como se fosse única, como se fosse a última, Estamos unidos nesta vida para cumprir uma missão: ser felizes, viver totalmente, espalhar a lição. Estamos num lugar à parte. Não somos cordeiros num rebanho, somos pastores perdidos no centro disto tudo, e já somos poucos. Mas ainda lutamos. Lutamos por nós. Pela nossa vida. Todos os dias podem ser diferentes e nós sabemos isso. Nós vivemos isso. Celebramos a vida conscientes das coisas más e boas que se atravessam na nossa vida...Mas não paramos. Lutamos sempre mais. E nunca, mas nunca, desistimos. Desistir é morrer, e morrer é ficar de braços cruzados perante a vida. Somos lutadores. Lutamos até ao último suspiro, até à última inalação de ar, a vida é uma batalha? Então vivemos-la a batalhar. A vontade é faminta, é escrever até ficar sem tinta, gritar até ficar com a voz rouca. A fome nunca é pouca... Somos únicos. Somos diferentes. Vivemos de peito erguido rosto feliz, alma preenchida. Somos lutadores quebradores de limites, a rotina para nós não existe. Não temos medo de sofrer em vão nem de ser felizes, aproveitamos a vida no seu total... Somos lutadores. Juntem-se a nós, a vida terá mais sabor e vão-se sentir vivos.
Não gosto de ouvir pessoas dizer que querem viajar pelo mundo fora antes de conhecer Portugal bem. Portugal tem tanta beleza espalhada. Está mesmo à nossa frente. Alguns preferem fechar os olhos, outros preferem fugir lá para fora sem primeiro sentir o que está aqui dentro. Por isso, sejam livres para expandir horizontes, mas primeiro, façam-me esse favor, respirem o vosso país, sintam-no, e compreendam que o nosso país tem muito para vos oferecer (falando em termos de beleza física e de ambiente). No ano passado tive a oportunidade única de sentir Coimbra. Enquanto lisboeta sempre pensei que fosse mais uma cidade portuguesa...sem nada de interesse, uma cidade perdida no "meio dos montes", no centro de aldeias. Fui arrogante na minha limitada percepção. Como estava enganado. É certo que existem pormenores vários que terão moldado o meu olhar. Sem dúvida. No entanto houve sempre pequenos momentos em que pude observar Coimbra, com olhos de turista, com olhos de quem sente. E senti. Vivi Coimbra. Tenho pena de não voltar lá. É uma cidade bela. É uma cidade onde não falta o movimento de pessoas e carros, para quem gosta, e no entanto tem toda ela uma paz, uma calma. Está-se bem em Coimbra. Tem grandes centros comerciais para agradar a todos os gostos. Tem ruas bonitas, bem vestidas e coordenadas. As pessoas são simpáticas. Tem esplanadas com um clima fantástico. Tem vistas de nos deixar felizes. Mas o que mais gostei foi dos locais de lazer, para passear, sentar, ler, namorar, conversar, jogar à bola, fazer piqueniques, viver um fim de semana. Espaços verdes com fartura, para todos os gostos, um rio magnifico, que em termos de visual é bem mais aliciante que o rio Tejo. O melhor elogio que posso fazer a Coimbra é que era capaz de lá viver. Posso ainda falar muito ao de leve de Braga. É uma cidade mexida, e faz lembrar as zonas da Baixa de Lisboa, mas num ambiente mais "clássico". É outra terra bela. E existem ainda outros sítios. Bons momentos em sítios fantásticos. Experimentem! Vão amar. Vão querer repetir. O nosso país é mais belo do que parece. É certo que deixei muito por dizer. Mas adorei ter conhecido estes locais. Foi uma experiência única. Única. Podem nunca sentir o que eu senti, mas também, somos todos diferentes. Mas de certo não sairão indiferentes.
Nota: Estou com demasiada pressa para fazer estes três últimos textos. Não sei porquê ao certo. Mas têm de ser feitos para passar à próxima fase, seja ela a origem do mal, a sombra, o fim do mundo. A verdade porém é que neste momento, este em concreto, não é a melhor altura para o fazer, pelo menos sobre o Reflection. Mas paciência. Estou farto do factor timming na minha vida. Esta música para mim representa tudo. Ou pelo menos quase tudo. Quando a ouço sozinho, começo a sentir a música aos poucos, e quando dou por mim o meu corpo vai acompanhando a melodia, como se estivesse dentro de um ritual. A música é uma divindade na terra e a letra é outra divindade na terra. Sei que digo isto muitas vezes, mas esta é sem dúvida das músicas preferidas dos Tool, desse grande álbum: Lateralus. Esta música faz-me sentir humano, e não monstro, faz-me sentir que sim, eu sou capaz de ir mais longe, eu consigo fazer mais. Sim. Elevação em sentimento bruto. Esta música é uma das espirais da minha vida. É um ritmo que quando bate dentro de mim me faz sentir importante para este mundo, para todos os que me rodeiam. Esta música é poesia, é prosa, é arte, é sentimento, é aperfeiçoamento, esta música e esta canção são : Tool. Tool no seu melhor, na sua perfeição. Existe só uma musica, que esteja a ver de momento, de todas dos Tool ou APC que me diz aquilo que eu não quero ser, que me diz como eu não devo agir, que me diz aquilo que eu nunca quero sentir de ninguém, e essa música chama-se Sober. No entanto existem várias músicas elucidativas de um bom sentimento, de uma boa acção, de uma vida saudável e feliz, e este é uma delas. Entrem neste ritual, nesta espiral...sintam-na, sintam-se, refresquem a mente, a alma, soltem o corpo: braços, mãos, pernas, asas. Aquilo que esta banda significa para mim nunca conseguirei explicar. Mas é do género: uma vez conheci um casal, que dizia que a palavra amo-te não bastava para demonstrar o que sentiam um pelo outro, então escreviam sempre _____-te. Talvez seja isto que sinta. Mas não só. Todos os meus textos são uma reflexão e um reflexo do meu ser. O meu melhor eu e o meu pior eu estão sempre juntos, porque eu sou os dois. Nunca iludi ninguém, nem nunca me iludi a mim, pelo menos sobre mim próprio. A quem posso eu dedicar esta música? Em primeiro lugar a mim próprio. Descobri-a quase sem querer...quando comecei a ouvi-la parecia só instrumental (o que por si só já era um instrumental belo), mas nem sempre as coisas são o que parecem, por isso descobri-a, assim quase do nada. Deixar uma pequena dedicatória à minha irmã por viver a música e a canção com um entusiasmo tão forte ou parecido com o meu. Dedicar ainda a quem ainda vai sempre a tempo. A todos os que entendem que o "fim", seja em que matéria for, ainda não chegou. Que ainda existe tempo. Que ainda existe chama, força, vontade, e sentimento. A todos aqueles que não se deixam vencer por aquilo que pode ou não vir, mas que fazem aquilo que querem. Dedicado aqueles que não sufocam uma parte de si só para viver de forma normal, usual, em que todos os dias são igualmente vazios. Dedicado a quem dá mais de si, a quem quebra regras e barreiras, a quem respira mais todos os dias. Dedicado a quem chama por quem ama, dedico a quem responde ao chamamento da pessoa amada. Dedicado a quem erra, a quem corrige, dedico a quem quer conquistar mais, seja algo por conquistar ou algo que por algum motivo foi perdido. Dedicado a quem sente. Dedicado a quem não quer estar sozinho, a quem ambiciona amar, a quem ambiciona beijos, contacto físico, e tudo o que pode ser sentido. Dedicado a quem vive, e dedicado a quem faz por viver no seu melhor, dando o melhor de si para si e para os outros, a quem não nega o coração. Dou-vos: Reflection.
Derrotado eu concedo... É doloroso como aqui vim parar. Aos poucos, sem saber, fui-me aproximando de um fim. Quando olhei de perto, com atenção, estendia-se à minha frente um abismo. Estou quase dorido. Toda esta situação é dolorosa. Mas talvez passe depressa, talvez toda esta dor seja apenas uma ilusão... Como queria. Dizem que talvez possa encontrar paz neste vazio. E fazer deste sentimento um local de conforto... Tudo isto é doloroso.
E no meu momento mais escuro acabei por chorar. Mas tudo o que eu sempre procurei foi uma razão um sentimento para me agarrar para sempre... Um segredo. Que deveria chegar até mim como se eu fosse seu confidente. Esperei em vão. É doloroso. Queria um resto do que sobra de toda a luz que o sol dá. E eu brilho, com um brilho intenso, de uma luz que não é minha. E a fonte de toda essa luz e brilho são puras mas não são minhas... Mas eu brilho. E brilho para sempre. Porque sou alma porque sou luz, porque fui trevas, porque respiro e vivo. Eu sou infinito, e consciente desse mesmo facto, brilho ainda mais, enquanto milhares de luzes passam por mim, atravessando-me a pele e colorindo o meu ser. Quando abro os olhos ou quando abro esta janela quero olhar para o mundo sem qualquer dúvida de que não vou alimentar o meu narcisismo nem a minha solidão. Devo crucificar o meu ego, os meus erros, corrigir-me dar-me às pessoas, dar-me à pessoa, E pedir à Luz que me abra os olhos que me faça seguir o meu coração e o que tenho como bom para mim antes que seja tarde de mais.
E é então que sacrifico tudo aquilo que não me interessa tudo aquilo que me faz mal, Sacrifico todo o cinismo e a maldade que existe neste mundo, crucifico tudo aquilo que não me faz melhor que não me faz bem, cuspo da minha alma, vomito da minha alma tudo aquilo que não importa, porque eu só quero ser feliz. E sei agora como sê-lo. E vamos então descobrir juntos que somos todos feitos da mesma matéria, somos como um só, e tudo é possível, porque a força ganha ao imprevisto, a força ganha ao improvável, a força move universos... E sinto isto não apenas como palavras belas, sinto-o dentro de mim, porque é a minha vontade, e a vontade...é fome, e a fome dá-nos tudo. E a esperança e a razão unem-se, porque foram sempre uma só...é deixa-la atravessar o nosso corpo com toda a luz e velocidade deste mundo... Antes que seja tarde de mais.
Bem sei que ando meio longe daquilo que quero. Sei-o como mais ninguém sabe. Só a minha alma palpita ou se deixa fraquejar. E sei tudo aquilo que quero escrever, antes que venha essa sobra, que já lá vem...mas até lá não vem a sombra da noite... Ando estranho, e voltou aquele "medo" de me deitar, de tentar dormir, porque por muito que esteja cansado ou com sono simplesmente não consigo adormecer. Se me deito à meia noite adormeço às duas da manhã...se me deito às duas, adormeço às quatro. E fumo até a minha língua ganhar um sabor estranho, fumo até sentir a língua estranha, sabor e sensação que detesto...mas não sei que fazer mais. Viro-me várias vezes na cama, procuro uma posição, procuro respirar calmamente, imagino-me em sítios calmos, cheios de beleza e paz...mas só me sobra uma insónia inexplicável. Odeio isto. Queria apenas adormecer, normalmente, e acordar ao outro dia consciente que não tive de "sofrer", de batalhar para adormecer...Odeio isto. Neste momento escrevo...pode ser que o sonho acabe por vir. Depois é o estômago que não me dá sossego. É a adormecer, é a acordar. Vou procurando o sono. O melhor que posso, mas não dá em nada. De certo já sentiram isto. Estamos na cama, sentimo-nos corpos deitados que pensam, que pensam em nada de especial, que apenas querem dormir, mas que não conseguem...Maldita noite. Maldita sombra que não vem. Não me interessa que venham sonhos ou pesadelos ou o vazio da manhã seguinte...quero apenas: dormir. Dormir só. Adormecer, descansar e acordar no dia seguinte. No relógio batem as três e vinte e oito...Sinto-me cansado, mas quase temo deitar-me...como se a cama que tanto gosto fosse uma cama estranha, desconfortável...O que sei eu sobre mim próprio? Possivelmente, pouco. Eu só quero dormir. Vou tentar outra vez...e seja o que Deus quiser. Quero repousar. Todos os dias, à sua maneira, são importantes...e é preciso agarrar o amanhã com força, energia, e sei lá mais o quê. Está calor...será disso? Deve ser de tudo. Lá vou, de novo para uma cama quase estranha, tentar dormir um sono normal, bom ou mau, qualquer coisa... Por hoje desisto. Desisto de tentar seja o que for. Vou tentar dormir...Outra vez.
Eu pus, e Deus, para mostrar que está lá, dispôs. Quase poderia dizer: cheira-me a ironia. Logo a mim, logo eu. Eu e a ironia estamos destinados. Mas pronto passemos ao texto corrido.
Cheguei à faculdade. A minha amiga foi ter com outros colegas, eu fiquei cá fora a fumar. Estava sol, (ainda não estava frio), e eu deixei-me ali, sozinho, a receber sol nos braços, na cara, na cabeça. Deixei o calor invadir-me. Eles estavam na biblioteca. Cheguei à biblioteca e lá estavam, dois homens e a minha amiga. E ao lado, uma rapariga, que já conheço há algum tempo. Comprimentamo-nos sempre, nada mais. Mas hoje olhou-me com um brilho no olhar, com um sorriso, daqueles, especialmente grandes, honestos. Fiquei meio parvo (mais do que aquilo que já sou). Mas também dei um ar de minha graça. Ao inicio não compreendi. Eu estava igual a sempre. Estava tudo igual. Mas depressa, para meu alívio, e também felicidade, viria a descobrir tudo. A rapariga está muito longe de casa. E tem andado numa fase complicada. Por isso o dia de hoje, nesses minutos, foi-me satisfatoriamente gratificante. Toda ela sorria, estava liberta, feliz, animada, como se a sua vida de um momento estivesse mais iluminada, muito menos escura. Foi fantástico. Quem me dera estar no lugar dela. Mas agora é a vez dela. E ela aproveitou bem. Alguém convidou a rapariga para ir fumar lá fora, (ela é fumadora), mas ela recusou com um grande sorriso. Disse que depois ia, agora estava "entretida". Sei bem o que isso é. Estarmos de tal forma "preenchidos" para deixar esse vício patético para outra altura. Para quem não fuma pode parecer insignificante, mas não é. Percebi pela conversa que estava a falar com alguém na Internet. Ah, aí tudo fez sentido. As pausas, os sorrisos rasgados, as gargalhas miúdas, aqueles momentos de espera a sorrir para o ecran, à espera da resposta, do elogio, da pergunta, da certeza, da conclusão, aquele olhar sonhador, tudo fez sentido, tudo se encaixou. As vezes íamos trocando olhares e íamos sorrindo, ela mais do que eu, e cedo ela apercebeu-se que eu já tinha percebido a situação, por isso já não disfarçava a felicidade. E ia-se sorrindo de forma farta, sempre com os olhos brilhantes. Quando a minha amiga colocou conversa com ela é como se alguém lhe tivesse pregado um susto para esta realidade, e ela, consciente que não parava de sorrir sem parar, sentiu necessidade de tapar a boca com um cachecol fininho, para disfarçar o grande sorriso. Achei graça. A beleza da felicidade. É um facto, a felicidade tem em nós um toque mágico, tão genuíno, sem possibilidade de enganar. Pode existir ou não explicação, mas é algo que se sente, que se reflecte. É todo um ar à nossa volta, como se fosse uma aura, um brilho nos olhos, uma leveza...Eu sei lá, tantas coisas. Apesar de ter venerado estar na sua situação fiquei feliz por vê-la assim, basicamente, feliz. Muito feliz... A felicidade tem uma cara, uma cor, muito concreta. Tenho saudades.
Nós pomos, Deus dispõe. Não podemos ter nada como certo. Talvez só a morte. E o amor de sangue, que não muda nem com o pior nem com o pior, é constante, é certo. Não posso dizer desta água nunca beberei. A vida ensinou-me isso. Por isso não posso garantir quando me vou embora disto tudo, como se fossem umas férias. Ando meio desaparecido dessa terra da inspiração, das ideias novas, das ideias renovadas, dessa espiral. E podia dizer aquilo que ainda quero fazer. Como se fosse um plano escrito, para ser seguido à risca. Mas não sei. Quero falar no Reflection, sinto que ainda posso falar muito sobre isso. Quero escrever sobre uma terra bela. E quero por fim, falar sobre o anjo caído. Três textos e vou-me embora. É só isso que quero para já. Mas é como disse...Eu ponho, e Deus dispõe-me. É a vida. Vamos ver o que consigo fazer. Um passo de cada vez? Talvez, já não sei.
E não servem mesmo. Mas isto nada tem haver comigo. Não neste momento. Ando a viver na sombra da responsabilidade. Tardo-me, mas talvez já não falte muito. Depois vem o arrependimento, que mesmo não matando vai doendo. Já estava vazio ou estou-me a esvaziar? Quem sabe, talvez esteja cheio, ou talvez apenas esteja a sonhar. Devia fazer. Mas não faço. É muita informação para ser armazenada em tão pouco tempo, sempre a mesma coisa. Ainda vou a tempo? Talvez. Isto não é destino, não é má sorte, é apenas mais um defeito meu. Julgo outros, mas acabo por sofrer do mesmo. E fazes? Vou fazendo, foi a resposta. Que tristeza. Persistência? Força de vontade? Sempre. Mas muitas vezes deixo coisas importantes passarem ao lado. Por isso vou abraçando quem gosta de mim como sou. E abraço mais ainda quem me aponta a verdadeira porta, quem pega em mim quando é necessário, para perceber o meu objectivo. Não estou confuso. Não estou perdido. Estou apenas parado. É uma opção. Talvez a mais errada. Talvez a quase certa.
Invento palavras e absorvo sensações. Vivo-as demais talvez. Talvez sinta de mais, e coloque demasiada força em verdades relativas. Já tenho lido tanto, e tanto que me faz pensar. Talvez só precise de acordar... Ora bem, aparece de uma vez Descartes, dá-me um estalo, tudo isto é um sonho não é? Passemos então à acção. Ou seja lá o que for que nos rodeia depois de acordar... Duvido. E agora também duvido-me. É como se agora a certeza quase não importasse. É como se agora a verdade fosse apenas mais algo... Como se não passasse disso. Então para que servem os barcos? (Excelente pergunta)
Desde sábado à noite que não consigo parar de ouvir esta música (assim como o Eulogy e o Judith, casos que compreendo), mas esta não sei. É uma grande música, sem dúvida. Talvez tenha uma letra mais focalizada para algo em especial. Mas mesmo assim...cabe muito bem em todas as sociedades. E o porquê de a ouvir sem parar? Ainda não sei. Mais uma música tipicamente dos Tool, com uma letra tipicamente desse "deus do vinho". Alguns demoram a compreender esta espiral, mas depois de a compreenderem olham para esta vida com um olhar mais sabedor, mais crítico, mais apaixonado pela realidade, o mau e o bom, o amor e o ódio. O que vos posso dizer? "Aprendam a nadar", pois o mundo está para acabar, e de uma forma ou outra, será com certeza acompanhado de muita, mas muita água... Este foi talvez o videoclip que menos gostei. Talvez não o tenha compreendido. Talvez seja todo ele um pouco parecido...mas quero realçar, uma parte, em que um ser humano (aparentemente) coloca uma criatura (algo similar com um ser humano muito mais pequeno, entre outras diferenças) dentro de uma caixa. Depois, esse mesmo aparente ser humano vai mandando a caixa contra as paredes e chão, e a criatura, toda ela vai sofrendo dentro da caixa, sem poder fazer nada. Controlo. Poder. Capacidade para fazer sofrer, e para suportar o sofrimento. Lindo. Julgo que quero dedicar este texto a duas pessoas. Mas ainda não tenho certeza. Mas uma delas será a minha mãe. Apesar de esta música mencionar de uma maneira as mães num sentido talvez exagerado, ou pelo menos, mais nessa altura em que somos crianças, o papel de uma boa mãe, acaba por ser mesmo esse: iluminar um caminho que nos parece escuro. E mesmo não deixando a minha iluminar-me de momento, já o iluminou em alturas passadas. "Try to read between the lines!" By Tool e Sara B. Que o mundo acabe, quando tiver de acabar...
Alguns dizem que o mundo vai acabar em breve. Que seja. Mas terá chegado realmente a hora? Não me interessa. Às vezes são necessárias medidas extremas... São sim. Cortar todo o mal, (acabando por cortar alguns bens) para o bem de todos. Mas será a morte, o sofrimento, a verdadeira saída? Já estive mais longe de acreditar dessa forma. Não acredito que o sofrimento sirva para nos aproximar dum Céu. Não. Aliás, quase abomino a ideia. Mas tem-me ensinado a vida que o sofrimento ajuda-nos a crescer a renascer, a elevar, é como se diz: o que não nos mata só nos torna mais fortes. E nesse sentido, sim , acredito no sofrimento, como algo que nos faz aprender, a suportar, a fortalecer. Dizem que o fim está próximo. Óptimo. Sinto-me tentado a parar, a desligar-me da minha rotina só para o poder apreciar. Somos seres ditos racionais...talvez sentimentais. Mas às vezes parecemos pedras. Às vezes somos puro gelo.
Tentem ler nas entrelinhas. Mãe, faz desaparecer todas estas coisas que estão erradas, que me fazem mal, que me saturam, que me deixam lá em baixo.
Todo um materialismo, toda uma importância dada ao inútil. Toda uma falsidade, uma hipocrisia. Toda uma falta de ganância pelo que realmente interessa. Futilidade autêntica.
E neste lugar onde estou eu: choro pela chuva que vai inundar toda esta tralha existencial, todo este planeta, pelo cometa que cai dos céus e que cria ondas que engolem tudo e todos... Até que depois dos gritos, das orações, de tudo o que poderíamos imaginar (mas que nunca chegaria) reinasse o silêncio... Um silêncio longo, talvez infinito... Sem frieza. Sem maldade. Sem sentimento. Tudo embalado num silêncio...
(Aprendam a nadar...aprendam depressa...)
Para o diabo toda esta gente! Os que são iguais a mim e os que nada são parecidos! Todos! Venha essa água toda, para terminar com o sofrimento de uns e para tirar a felicidade a outros! É difícil agradar a todos... Só quero ver tudo a ruir, a ir a baixo, tudo a sucumbir ao silêncio, ao fim.
E eu que até tinha uma sugestão para vos manter ocupados... Mas não me quiseram ouvir.
Deviam agradecer qualquer mudança... Talvez porque sim. E agora? Tentem ler as entrelinhas, (senão for já tarde de mais) pois o fim aproxima-se.
Folheio o livro da minha vida... Leio com dificuldade, pois a luz já é pouca. Ainda tive tempo para relembrar muita da história antiga, desde de paixões e ódios, quando gritei e quando a voz ficou rouca. Se vivi, então também morrerei. O que mudou no mundo e o que mudou em mim. Respiro fundo. Sinto o ar entrar nas profundezas da minha alma. Existirá retorno? Sei que existe fim... Recordo inícios, entretantos e fins, Recordo o que se foi mantendo, o que sempre quis. Mas a luz já está a ficar pequena...quase já não vejo. Tudo aquilo que desejei e ainda desejo tudo numa história que se foi alterando mas nem sempre. Nem para sempre. Vai escurecendo.
Tiro os olhos do meu livro e procuro a luz que se vai apagando... E é então que fico com o rosto duro vejo duas asas que se vão abanando são negras, de um negro nunca antes por mim visto. Terá chegado a minha hora? Mas eu ainda existo, ainda quero existir. Acredito que ainda fazer mais muito mais, fazer sonhos transformarem-se em acontecimentos reais.
Não tremo. Medo?
Todos temos fantasmas, demónios, problemas. E todos temos a mesma força necessária para os derrubar. É fácil? Não. Raramente. E no entanto a força está cá dentro. E quando não está alguém a dá, alguém a reavive.
As asas do demónio batem com força. O meu livro voa contra parede.
Numa voz estranha pergunta-me: porque esperas? O meu desespero ainda não chegou a esse grau. quando desistes?
Não será hoje. Fecho os olhos, e penso na acção. E penso em tudo o que ainda vai ser dito e feito, racionalizado e sentido. Abro os olhos. E volto a pegar no livro. Continuo a ler. O demónio desapareceu.
"I would wish it all away If I, thought I'd, lose you Just one day... So if I could I'd wish it all away, If I thought tomorrow Would take you away. You're my peace of mind, my home, my center. I'm just trying to hold on One more day."
E: "Oh well, whatever, nevermind..."
E outras coisas que faltam. E outras que não fazem falta. E outras ainda que não as sei.
"Estás assim?" Um pouco de tudo ou um pouco de nada. Talvez não importe nada. Ou talvez importe tudo.
(Frases da cortesia de Tool (Jambi) e Nirvana (Smell like teen spirit)