Desde sábado à noite que não consigo parar de ouvir esta música (assim como o Eulogy e o Judith, casos que compreendo), mas esta não sei. É uma grande música, sem dúvida. Talvez tenha uma letra mais focalizada para algo em especial. Mas mesmo assim...cabe muito bem em todas as sociedades. E o porquê de a ouvir sem parar? Ainda não sei. Mais uma música tipicamente dos Tool, com uma letra tipicamente desse "deus do vinho". Alguns demoram a compreender esta espiral, mas depois de a compreenderem olham para esta vida com um olhar mais sabedor, mais crítico, mais apaixonado pela realidade, o mau e o bom, o amor e o ódio. O que vos posso dizer? "Aprendam a nadar", pois o mundo está para acabar, e de uma forma ou outra, será com certeza acompanhado de muita, mas muita água...
Este foi talvez o videoclip que menos gostei. Talvez não o tenha compreendido. Talvez seja todo ele um pouco parecido...mas quero realçar, uma parte, em que um ser humano (aparentemente) coloca uma criatura (algo similar com um ser humano muito mais pequeno, entre outras diferenças) dentro de uma caixa. Depois, esse mesmo aparente ser humano vai mandando a caixa contra as paredes e chão, e a criatura, toda ela vai sofrendo dentro da caixa, sem poder fazer nada. Controlo. Poder. Capacidade para fazer sofrer, e para suportar o sofrimento. Lindo.
Julgo que quero dedicar este texto a duas pessoas. Mas ainda não tenho certeza. Mas uma delas será a minha mãe. Apesar de esta música mencionar de uma maneira as mães num sentido talvez exagerado, ou pelo menos, mais nessa altura em que somos crianças, o papel de uma boa mãe, acaba por ser mesmo esse: iluminar um caminho que nos parece escuro. E mesmo não deixando a minha iluminar-me de momento, já o iluminou em alturas passadas.
"Try to read between the lines!" By Tool e Sara B.
Que o mundo acabe, quando tiver de acabar...
Alguns dizem que o mundo vai acabar em breve.
Que seja. Mas terá chegado realmente a hora?
Não me interessa. Às vezes são necessárias
medidas extremas...
São sim.
Cortar todo o mal, (acabando por cortar alguns bens)
para o bem de todos.
Mas será a morte, o sofrimento, a verdadeira saída?
Já estive mais longe de acreditar dessa forma.
Não acredito que o sofrimento sirva para nos aproximar
dum Céu.
Não. Aliás, quase abomino a ideia.
Mas tem-me ensinado a vida
que o sofrimento ajuda-nos a crescer
a renascer, a elevar,
é como se diz: o que não nos mata
só nos torna mais fortes.
E nesse sentido, sim , acredito no sofrimento,
como algo que nos faz aprender,
a suportar,
a fortalecer.
Dizem que o fim está próximo. Óptimo.
Sinto-me tentado a parar, a desligar-me da minha
rotina só para o poder apreciar.
Somos seres ditos racionais...talvez sentimentais.
Mas às vezes parecemos pedras.
Às vezes somos puro gelo.
Tentem ler nas entrelinhas.
Mãe, faz desaparecer todas estas coisas que estão erradas,
que me fazem mal,
que me saturam,
que me deixam lá em baixo.
Todo um materialismo, toda uma importância dada
ao inútil.
Toda uma falsidade, uma hipocrisia.
Toda uma falta de ganância pelo que realmente interessa.
Futilidade autêntica.
E neste lugar onde estou eu:
choro pela chuva que vai inundar toda esta
tralha existencial, todo este planeta,
pelo cometa que cai dos céus e que cria ondas
que engolem tudo e todos...
Até que depois dos gritos, das orações,
de tudo o que poderíamos imaginar (mas que nunca chegaria)
reinasse o silêncio...
Um silêncio longo, talvez infinito...
Sem frieza. Sem maldade. Sem sentimento.
Tudo embalado num silêncio...
(Aprendam a nadar...aprendam depressa...)
Para o diabo toda esta gente!
Os que são iguais a mim e os que nada são parecidos!
Todos!
Venha essa água toda,
para terminar com o sofrimento de uns
e para tirar a felicidade a outros!
É difícil agradar a todos...
Só quero ver tudo a ruir, a ir a baixo,
tudo a sucumbir ao silêncio, ao fim.
E eu que até tinha uma sugestão
para vos manter ocupados...
Mas não me quiseram ouvir.
Deviam agradecer qualquer mudança...
Talvez porque sim.
E agora?
Tentem ler as entrelinhas,
(senão for já tarde de mais)
pois o fim aproxima-se.
Está tudo a acabar.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
As asas do demónio
Folheio o livro da minha vida...
Leio com dificuldade, pois a luz já é pouca.
Ainda tive tempo para relembrar muita da história antiga,
desde de paixões e ódios, quando gritei
e quando a voz ficou rouca.
Se vivi, então também morrerei.
O que mudou no mundo
e o que mudou em mim.
Respiro fundo. Sinto o ar entrar nas profundezas
da minha alma. Existirá retorno?
Sei que existe fim...
Recordo inícios, entretantos e fins,
Recordo o que se foi mantendo, o que sempre quis.
Mas a luz já está a ficar pequena...quase já não vejo.
Tudo aquilo que desejei e ainda desejo
tudo numa história que se foi alterando
mas nem sempre. Nem para sempre. Vai escurecendo.
Tiro os olhos do meu livro e procuro
a luz que se vai apagando...
E é então que fico com o rosto duro
vejo duas asas que se vão abanando
são negras, de um negro nunca antes por mim visto.
Terá chegado a minha hora? Mas eu ainda existo,
ainda quero existir. Acredito que ainda fazer mais
muito mais,
fazer sonhos transformarem-se em acontecimentos reais.
Não tremo. Medo?
Todos temos fantasmas, demónios, problemas.
E todos temos a mesma força necessária para os derrubar.
É fácil? Não. Raramente. E no entanto a força
está cá dentro. E quando não está
alguém a dá, alguém a reavive.
As asas do demónio batem com força.
O meu livro voa contra parede.
Numa voz estranha pergunta-me:
porque esperas?
O meu desespero ainda não chegou a esse grau.
quando desistes?
Não será hoje. Fecho os olhos,
e penso na acção. E penso em tudo o que ainda vai
ser dito e feito, racionalizado e sentido.
Abro os olhos. E volto a pegar no livro. Continuo a ler.
O demónio desapareceu.
Leio com dificuldade, pois a luz já é pouca.
Ainda tive tempo para relembrar muita da história antiga,
desde de paixões e ódios, quando gritei
e quando a voz ficou rouca.
Se vivi, então também morrerei.
O que mudou no mundo
e o que mudou em mim.
Respiro fundo. Sinto o ar entrar nas profundezas
da minha alma. Existirá retorno?
Sei que existe fim...
Recordo inícios, entretantos e fins,
Recordo o que se foi mantendo, o que sempre quis.
Mas a luz já está a ficar pequena...quase já não vejo.
Tudo aquilo que desejei e ainda desejo
tudo numa história que se foi alterando
mas nem sempre. Nem para sempre. Vai escurecendo.
Tiro os olhos do meu livro e procuro
a luz que se vai apagando...
E é então que fico com o rosto duro
vejo duas asas que se vão abanando
são negras, de um negro nunca antes por mim visto.
Terá chegado a minha hora? Mas eu ainda existo,
ainda quero existir. Acredito que ainda fazer mais
muito mais,
fazer sonhos transformarem-se em acontecimentos reais.
Não tremo. Medo?
Todos temos fantasmas, demónios, problemas.
E todos temos a mesma força necessária para os derrubar.
É fácil? Não. Raramente. E no entanto a força
está cá dentro. E quando não está
alguém a dá, alguém a reavive.
As asas do demónio batem com força.
O meu livro voa contra parede.
Numa voz estranha pergunta-me:
porque esperas?
O meu desespero ainda não chegou a esse grau.
quando desistes?
Não será hoje. Fecho os olhos,
e penso na acção. E penso em tudo o que ainda vai
ser dito e feito, racionalizado e sentido.
Abro os olhos. E volto a pegar no livro. Continuo a ler.
O demónio desapareceu.
Estás assim?
Uma mistura de :
"I would wish it all away
If I, thought I'd, lose you
Just one day...
So if I could I'd wish it all away,
If I thought tomorrow
Would take you away.
You're my peace of mind, my home, my center.
I'm just trying to hold on
One more day."
E:
"Oh well, whatever, nevermind..."
E outras coisas que faltam. E outras que não fazem falta. E outras ainda que não as sei.
"Estás assim?"
Um pouco de tudo ou um pouco de nada. Talvez não importe nada. Ou talvez importe tudo.
(Frases da cortesia de Tool (Jambi) e Nirvana (Smell like teen spirit)
"I would wish it all away
If I, thought I'd, lose you
Just one day...
So if I could I'd wish it all away,
If I thought tomorrow
Would take you away.
You're my peace of mind, my home, my center.
I'm just trying to hold on
One more day."
E:
"Oh well, whatever, nevermind..."
E outras coisas que faltam. E outras que não fazem falta. E outras ainda que não as sei.
"Estás assim?"
Um pouco de tudo ou um pouco de nada. Talvez não importe nada. Ou talvez importe tudo.
(Frases da cortesia de Tool (Jambi) e Nirvana (Smell like teen spirit)
terça-feira, 8 de junho de 2010
Prisão de silêncio
Falta-me algo. Sinto-o.
Tenho a certeza. Logo eu, que raramente
a encontro.
Falta-me algo.
Quando acordo para esta realidade
vejo-me a rir bem alto
e os que reparam em mim
chamam-me doudo.
E eu fico nesta vergonha
de ser considerado doudo.
É como se estivesse fechado numa sala
encostado a uma parede branca, sentado,
onde todas as outras paredes também são brancas,
um tecto branco, e eu vou-me sufocando,
e olho com atenção, a todo o segundo,
as paredes brancas, à espera que uma mancha
ou ponto que seja apareça nela...
Eu espero um sinal.
Porque eu espero sempre.
Um sinal.
Disseram-me que a dor é uma ilusão?!
PROVEM-NO!
Tenho a certeza. Logo eu, que raramente
a encontro.
Falta-me algo.
Quando acordo para esta realidade
vejo-me a rir bem alto
e os que reparam em mim
chamam-me doudo.
E eu fico nesta vergonha
de ser considerado doudo.
É como se estivesse fechado numa sala
encostado a uma parede branca, sentado,
onde todas as outras paredes também são brancas,
um tecto branco, e eu vou-me sufocando,
e olho com atenção, a todo o segundo,
as paredes brancas, à espera que uma mancha
ou ponto que seja apareça nela...
Eu espero um sinal.
Porque eu espero sempre.
Um sinal.
Disseram-me que a dor é uma ilusão?!
PROVEM-NO!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Contraditório espelho
O desespero de um homem nunca vem só,
Assim como o seu alívio.
Assim como o tudo.
Encontro-me assim, como outrora
se encontraram os homens e o Homem,
vítima da sua própria ganancia
nesse possível que se quis,
patético,
nessa pequena fúria
nesse mal e bem estar,
nessa paragem...
E no entanto ainda respiro.
A escolha?
A acção?
Argumentos usados.
Deus diz que para já não me quer
nem no Céu nem no Inferno,
está na hora de guiar-me para casa
...seja lá onde isso for.
Assim como o seu alívio.
Assim como o tudo.
Encontro-me assim, como outrora
se encontraram os homens e o Homem,
vítima da sua própria ganancia
nesse possível que se quis,
patético,
nessa pequena fúria
nesse mal e bem estar,
nessa paragem...
E no entanto ainda respiro.
A escolha?
A acção?
Argumentos usados.
Deus diz que para já não me quer
nem no Céu nem no Inferno,
está na hora de guiar-me para casa
...seja lá onde isso for.
sábado, 5 de junho de 2010
omen
Lembro-me como se fosse hoje.
Chegaste ao pé mim e disseste:
A elevação e sabedoria atingem-se através
do sofrimento e do choro.
Na altura ignorei-te. Estava demasiadamente
abismado com a minha cegueira, com a minha
arrogância. Julguei-me um deus qualquer.
E pedi que te calasses...Nada do que poderias
dizer me fazia qualquer sentido.
E foi então que tu te calaste.
Fez-se um silêncio na minha vida que me deixou
tão sossegado. Ai o silêncio. Veio. E veio
por muito tempo.
E mais tarde voltaste, com outra cara, outras filosofias.
Mas desta vez soube aproveitar-te. A minha arrogância
morreu...foi trocado por humildade.
E eu, finalmente estava pronto.
Estaria?
Não sei mas desta vez ouvi-te.
Disseste que é preciso perdermos, roçar a porcaria
tocar no lodo
respirar e cair no lodo,
para depois nos sentimos prontos para elevar,
sair dele,
voltar a viver e a sonhar.
Não és mestre, nem eu discípulo, mas juntos
aprendemos, e junto ensinamos.
Hoje ouvi-te. E tu pouco ou nada disseste
mas esse pouco ou nada foi muito para mim.
Entrou-me, mudou-me.
Olhas-me e dizes que estou pronto para voar
voar longe de Ícaro.
Eu tenho medo.
Mas o medo nunca me impediu de viver.
É então que ponho em dúvida várias certezas tuas.
É então que percebo que ainda não posso voar.
É altura apenas de soltar as asas,
mas soltar as asas de forma muito lenta
como se não tivesse vontade...
Tu não gostas dos meus gestos.
Tu não me apoias,
não me compreendes.
Quando dou por mim partiste,
e desta vez não foi pela minha ganância
nem arrogância.
Mais tarde voltas. Como se eu não soubesse.
Como se eu me importasse.
Perguntas-me se já comecei a voar. Dizes
que já é tempo, aliás atacas dizendo que já
se faz tarde...
Começo a temer-te. O que queres desta vez?
Mas tu sorris...dizes que é preciso perder tudo
para podermos ter tudo outra vez.
E aí percebo-te. E sinto-me livre, e até mesmo feliz.
Não me sinto completo, mas sinto-me feliz.
Agora, dizes-me, só te falta o H.
Chegaste ao pé mim e disseste:
A elevação e sabedoria atingem-se através
do sofrimento e do choro.
Na altura ignorei-te. Estava demasiadamente
abismado com a minha cegueira, com a minha
arrogância. Julguei-me um deus qualquer.
E pedi que te calasses...Nada do que poderias
dizer me fazia qualquer sentido.
E foi então que tu te calaste.
Fez-se um silêncio na minha vida que me deixou
tão sossegado. Ai o silêncio. Veio. E veio
por muito tempo.
E mais tarde voltaste, com outra cara, outras filosofias.
Mas desta vez soube aproveitar-te. A minha arrogância
morreu...foi trocado por humildade.
E eu, finalmente estava pronto.
Estaria?
Não sei mas desta vez ouvi-te.
Disseste que é preciso perdermos, roçar a porcaria
tocar no lodo
respirar e cair no lodo,
para depois nos sentimos prontos para elevar,
sair dele,
voltar a viver e a sonhar.
Não és mestre, nem eu discípulo, mas juntos
aprendemos, e junto ensinamos.
Hoje ouvi-te. E tu pouco ou nada disseste
mas esse pouco ou nada foi muito para mim.
Entrou-me, mudou-me.
Olhas-me e dizes que estou pronto para voar
voar longe de Ícaro.
Eu tenho medo.
Mas o medo nunca me impediu de viver.
É então que ponho em dúvida várias certezas tuas.
É então que percebo que ainda não posso voar.
É altura apenas de soltar as asas,
mas soltar as asas de forma muito lenta
como se não tivesse vontade...
Tu não gostas dos meus gestos.
Tu não me apoias,
não me compreendes.
Quando dou por mim partiste,
e desta vez não foi pela minha ganância
nem arrogância.
Mais tarde voltas. Como se eu não soubesse.
Como se eu me importasse.
Perguntas-me se já comecei a voar. Dizes
que já é tempo, aliás atacas dizendo que já
se faz tarde...
Começo a temer-te. O que queres desta vez?
Mas tu sorris...dizes que é preciso perder tudo
para podermos ter tudo outra vez.
E aí percebo-te. E sinto-me livre, e até mesmo feliz.
Não me sinto completo, mas sinto-me feliz.
Agora, dizes-me, só te falta o H.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Uma despedida?
Hoje fui à Loja do Cidadão. Para quem não conhece é um local onde se pagam todo o tipo de contas. E como se não bastasse é onde se tratam de assuntos ligados à segurança social e onde se pode fazer o bilhete de identidade, agora chamado de cartão único. Mas este não vai ser um texto a bater forte na burocracia portuguesa...por muito aliciante que o tema fosse. Aliás já foi começado um texto sobre isso que ainda não foi acabado, será escrito quando encontrar mais necessidade. Enquanto a minha irmã estava a tratar do seu cartão único, e dado que todo o local estava cheio de gente à espera que chegasse a sua vez, vim cá para fora...fumar um cigarro e apanhar sol. Tinha dormido três horas e tinha o estômago feito num oito. Dores e mal estar. Cheguei cá fora e foi aí que assisti a uma cena peculiar.
Um casal despedia-se de forma tão intensa. Eram beijos e abraços, beijos e abraços e segredos passados ao ouvido. Fiquei triste. Tudo parecia indicar uma despedida de dias, ou semanas...A verdade é que não tinham vontade alguma de se afastar um do outro, como se estarem juntos bastasse, como se a simples ideia de se separarem desligasse o mundo...E veio um último abraço...e veio um último beijo. Neste caso os lábios demoraram-se um pouco mais colados.
A verdade é que não pude deixar de sorrir quando vejo o homem a pegar nas suas coisas e a dizer em voz alta: Até já.
Um casal despedia-se de forma tão intensa. Eram beijos e abraços, beijos e abraços e segredos passados ao ouvido. Fiquei triste. Tudo parecia indicar uma despedida de dias, ou semanas...A verdade é que não tinham vontade alguma de se afastar um do outro, como se estarem juntos bastasse, como se a simples ideia de se separarem desligasse o mundo...E veio um último abraço...e veio um último beijo. Neste caso os lábios demoraram-se um pouco mais colados.
A verdade é que não pude deixar de sorrir quando vejo o homem a pegar nas suas coisas e a dizer em voz alta: Até já.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Outra
Todos os dias passo por este "quadro" implantado na parede. Acho-o fantástico. Para mim é a coisa mais bela dessa terra cinzenta chamada Barreiro. É arte. Todo um desespero, por "carregar", por viver neste mundo. A vida é uma porcaria ou é bela? Ou é um pouco das duas? Porque existem pessoas que têm a capacidade de alterar isto? Porque temos nós o poder de fazer o mesmo aos outros? E a nós próprios? Se ter razão bastasse...Se ter sonhos bastasse. Se apertar um coração nas mãos para o por a funcionar novamente bastasse...E talvez baste. Depende das pessoas.
Tudo nesta vida depende do valor que damos às pessoas e aos momentos e às coisas...Disse-o sempre, e direi sempre. E agora que entendo isso...sinto-me triste. Porque tem de ser assim? Tudo depende do sentimento aplicado. E depois? Depois não sobra mais nada, é ter força e imaginação para sonhar outra vez.
E se eu não basto então basta.
É outra manhã. O sol nasceu.
O sol brilhava. Eram dez da manhã.
Sentia em mim toda a alegria do fim de tarde
e da noite anterior. Está vivo. Estava feliz.
Em mim fluía a paz do mundo, o calor e o amor do mundo.
Como podem coisas tão pequenas valer tanto para mim?
Senti-me inteiro, preenchido, senti-me no sitio certo
como se tudo o que estava a viver fosse
aquilo que eu sentiria e faria durante o resto dos meus dias,
até ser ceifado pela morte.
Eu não podia estar mais feliz.
A sensação é tão forte, que mesmo uma má notícia,
não me iria abalar muito, como se naquele momento
toda a minha sensibilidade estivesse hipnotizada
para algo mais forte, mais importante.
Eram dez da manhã...o sol brilhava. E estava muito frio.
Muito frio. A temperatura quase roçava esse número que separa
o positivo do negativo.
Mas ali estava eu, quase despido, na varanda
a fumar um cigarro e meio.
Tinha frio?
Não me lembro.
Não me afectou.
Nada.
Tinha algo que emanava de mim, de forma tão segura,
tão quente, que nada, nem mesmo esse frio
que deixava os carros com geada me fazia nada.
Eu, estava completo.
É mais uma prova do sentimento.
Eu estava bem, e não queria estar em mais lado nenhum.
Mas foi apenas uma manhã. Outra.
Outra manhã, que está presa na minha memória.
E que me leva e me trás...me leva, eu deixo-me quase ir
feliz. Palmilhando esse sentimento outra vez...
Mas quando percebo que apenas é uma fotografia
eu volto...e volto sem nada.
E a tristeza abate-se. E toda a minha alma sacode-se fisicamente
como que para mandar para longe o pensamento que foi pensado.
E fico ali, na minha cama, a tentar ir esquecendo, a pouco
e pouco...até me perder da amargura da saudade.
E depois? Tento fugir.
E ao inicio custou. Ainda custa. Mas um dia, querendo ou não,
talvez deixe de custar.
Não choro por um dia que passou, mesmo sabendo
que não voltará a acontecer...
Choro por uma sensação que senti, como única
como duradoura, como delineadora de uma existência.
Se assim o foi, ou é, é assunto que para mim chega
ser sentido.
E tudo o que sou, fui-o numa outra manhã.
Um círculo perfeito? Eu senti-o e vivi-o.
Eles existem, cabe-nos deixa-los ser
ou termina-los.
terça-feira, 1 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A minha razão
Em certos momentos, como se isso não fizesse parte da minha pessoa, sinto a razão a sumir-se, sinto a razão a vir a negro...e de repente aparecem a branco as seguintes palavras: eu não sei nada, eu sinto.
Comecei a pensar de que vale tirar conclusões certas.
Para algumas pessoas basta-lhes saber que estão certas.
O que talvez perceba...Mas poderá isso bastar
quando as situações envolvem mais do que uma pessoa?
Julgo que não. De que me vale ter razão?
De que me vale darem-me razão?
De que me vale dar o meu melhor para nada?
Vale que sou um idiota. E mesmo com todo o direito a sê-lo
não me sinto mais leve e feliz por isso.
Apontar erros...todos somos bons nessa matéria,
e eu, ao que parece, não fujo à manada...
E apontar soluções? Dar sugestões? Nestes casos
já não existem tantas pessoas...Mas mesmo assim, lá estou eu.
E para quê? Para pouco mais que nada.
Eu odeio nadas. Eu odeio vazios.
Eu odeio...tanta coisa que não cabe na razão da maioria.
Por isso, quando encontro alguém que me compreenda, que não
me julgue doudo de todo, tento agarrar.
Este mundo está estragado? Ainda não...
Mas para lá caminha...Mas ainda tem arranjo, ainda tem cura.
A diferença entre sentir e saber?
A perfeição, mais uma vez,
(sinto que me repito...
e deixo-me ir repetindo...repito-me tantas vezes...
que penso já estar louco por continuar a repetir.)
dá-se no equilíbrio, na união,
por isso se sentirmos o que sabemos e soubermos sentir
estamos tão bem...
Parece um paraíso na terra.
E senão for possível ambas as condições?
Eu prefiro sentir. Porque sentir é quase justificação para saber.
E se souber apenas...dado que vocês são humanos,
podem facilmente negar o sentimento.
Se não se esforçarem por me dar o vosso melhor,
eu não me preocupo.
Se não se esforçarem por me fazer feliz,
eu não me importo.
Querem-me mentir? Força. Mintam. Até a mentira se tornar verdade.
Mas esforcem-se por vocês. Não neguem a vocês próprios
a felicidade, façam-se felizes.
E mentir? ..................
Se há algo que odeio mais do que a hipocrisia alheia,
é ver-vos a mentir a vocês próprios.
Por isso a minha razão...infelizmente, vive só para mim,
e eu,
não vos consigo mentir,
mas custa-me ver-vos...afastar. Para sempre. E por nada.
Lamento imenso.
Adeus.
"Para os inteligentes uma mentira será sempre uma mentira. Para os menos inteligentes a mentira acabará por se tornar verdade." (JM).
Comecei a pensar de que vale tirar conclusões certas.
Para algumas pessoas basta-lhes saber que estão certas.
O que talvez perceba...Mas poderá isso bastar
quando as situações envolvem mais do que uma pessoa?
Julgo que não. De que me vale ter razão?
De que me vale darem-me razão?
De que me vale dar o meu melhor para nada?
Vale que sou um idiota. E mesmo com todo o direito a sê-lo
não me sinto mais leve e feliz por isso.
Apontar erros...todos somos bons nessa matéria,
e eu, ao que parece, não fujo à manada...
E apontar soluções? Dar sugestões? Nestes casos
já não existem tantas pessoas...Mas mesmo assim, lá estou eu.
E para quê? Para pouco mais que nada.
Eu odeio nadas. Eu odeio vazios.
Eu odeio...tanta coisa que não cabe na razão da maioria.
Por isso, quando encontro alguém que me compreenda, que não
me julgue doudo de todo, tento agarrar.
Este mundo está estragado? Ainda não...
Mas para lá caminha...Mas ainda tem arranjo, ainda tem cura.
A diferença entre sentir e saber?
A perfeição, mais uma vez,
(sinto que me repito...
e deixo-me ir repetindo...repito-me tantas vezes...
que penso já estar louco por continuar a repetir.)
dá-se no equilíbrio, na união,
por isso se sentirmos o que sabemos e soubermos sentir
estamos tão bem...
Parece um paraíso na terra.
E senão for possível ambas as condições?
Eu prefiro sentir. Porque sentir é quase justificação para saber.
E se souber apenas...dado que vocês são humanos,
podem facilmente negar o sentimento.
Se não se esforçarem por me dar o vosso melhor,
eu não me preocupo.
Se não se esforçarem por me fazer feliz,
eu não me importo.
Querem-me mentir? Força. Mintam. Até a mentira se tornar verdade.
Mas esforcem-se por vocês. Não neguem a vocês próprios
a felicidade, façam-se felizes.
E mentir? ..................
Se há algo que odeio mais do que a hipocrisia alheia,
é ver-vos a mentir a vocês próprios.
Por isso a minha razão...infelizmente, vive só para mim,
e eu,
não vos consigo mentir,
mas custa-me ver-vos...afastar. Para sempre. E por nada.
Lamento imenso.
Adeus.
"Para os inteligentes uma mentira será sempre uma mentira. Para os menos inteligentes a mentira acabará por se tornar verdade." (JM).
domingo, 30 de maio de 2010
Poderia chamar-lhe Maio...mas seria a mesma coisa?
É tudo conforme.
Não te esqueceste, mas em ti o vento
já não sacode,
não sobra réstia de fome...
Nem a mais forte ventania...
Talvez somente um ciclone.
Resta descobrir o que sobra na boca,
se um sabor já muito usado, gasto, amargo
se um sabor quase novo, doce, e sem
grandes descrições...pois apenas sabe
quem o prova, quem o dá...
Qual é o sabor?
É o do fim de Maio
ou do início de Junho?
É uma continuação?
É a morte de algo belo, como Maio,
Ou o renascer nesse Junho que lá vem chegando?
É saber nada, saber a ausência de tudo,
é o saber tudo...porque sempre se soube.
É desejar que não arranquem os olhos como Édipo
por se terem apercebido que viveram cegos o tempo todo.
E quanto ao tempo?
Ai...o tempo. Sinto saudades de o ver à minha frente
passar de forma silenciosa, mas muito depressa...
E quanto à pressa? Nunca a tive...Tudo tem uma razão
e aceitar essa razão é não fechar os olhos à verdade,
verdade que tem por essência preencher.
Com este texto quero terminar Maio de 2010, que foi, de certa forma, muito melhor que qualquer outro Maio que tenho em memória. Mas principalmente, foi um Maio de sabores, e de cansaço, um Maio de pequenas batalhas para o grande final da guerra, um Maio de movimentos...muita água, tabaco...e um pouco de tudo a acrescentar.
Não te esqueceste, mas em ti o vento
já não sacode,
não sobra réstia de fome...
Nem a mais forte ventania...
Talvez somente um ciclone.
Resta descobrir o que sobra na boca,
se um sabor já muito usado, gasto, amargo
se um sabor quase novo, doce, e sem
grandes descrições...pois apenas sabe
quem o prova, quem o dá...
Qual é o sabor?
É o do fim de Maio
ou do início de Junho?
É uma continuação?
É a morte de algo belo, como Maio,
Ou o renascer nesse Junho que lá vem chegando?
É saber nada, saber a ausência de tudo,
é o saber tudo...porque sempre se soube.
É desejar que não arranquem os olhos como Édipo
por se terem apercebido que viveram cegos o tempo todo.
E quanto ao tempo?
Ai...o tempo. Sinto saudades de o ver à minha frente
passar de forma silenciosa, mas muito depressa...
E quanto à pressa? Nunca a tive...Tudo tem uma razão
e aceitar essa razão é não fechar os olhos à verdade,
verdade que tem por essência preencher.
Com este texto quero terminar Maio de 2010, que foi, de certa forma, muito melhor que qualquer outro Maio que tenho em memória. Mas principalmente, foi um Maio de sabores, e de cansaço, um Maio de pequenas batalhas para o grande final da guerra, um Maio de movimentos...muita água, tabaco...e um pouco de tudo a acrescentar.
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