Narrativas de um monstro
Justificação
“Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco.” (O Livro Do Desassossego – Fernando Pessoa)
Monstro: s.m. contrário à ordem natural. Figura colossal. Pessoa perversa, muito feia ou cruel.
Chegando a noite chega também a minha luz
Uma luz escura que me aconchega num sossego
Tão prático, tão real.
Todas as características do mundo
Fazem parte de mim porque também
Eu faço parte delas.
Monstro em todo e qualquer sentido,
Pela força de se ser monstro
E pela fraqueza de não se conseguir mudar.
A melhor desculpa, ou a melhor justificação
É a mesma que a vossa… Ser diferente entre os normais
E ser normal quando são todos diferentes.
“A literatura, que é a arte casada com o pensamento e a realização sem mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o esforço humano… Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror… Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.” (O Livro Do Desassossego – Fernando Pessoa)
Ao escrever evito morrer por dentro,
Evito sujeitar-me a um monstro
Às necessidades mais básicas,
Desde invenções novas às mais clássicas.
Se escrevo é porque posso
E enquanto puder é porque estou vivo,
Escrever é a única forma de dar um uso melhor
Ao monstro.
Seria um monstro perfeito senão sentisse,
Mas o sentimento, colorido ou oco é-nos familiar.
Monstros há muitos… eu sou apenas…mais um.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Apontamento
Durante três noites, antes de estar realmente a dormir, mas não estando realmente acordado, naquela fase transitória, em que um som nos perturba como se estivesse encostado a nós, entretive a minha imaginação, ou vice-versa, em versos que não paravam de me abalar o espírito. Sem vontade de me levantar para escrever frases que nem eu mesmo compreendia, deixa-as nascer, viver e morrer nessa mesma fase transitória… A verdade é que cravaram em mim pequenas linhas que originam letras e que crescem em palavras, soltas apenas. Se com os olhos fechados não as entendi muito menos as entendo agora. É preciso perceber e aceitar, algo que só agora reconheço, que existem coisas que funcionam melhor separadas. Mas não fui criado para ser perfeito, e dada a ideia já vã dos meus pensamentos, até pode ser, que hoje, mas só hoje, o azeite e a água se misturem…e formem algo.
Apontamentos são folhas soltas,
Escritos sem ordem nem lugar,
Sinto-me uma mesa de bilhar já gasta
De pano coçado e defeituoso,
Sinto-o porque tudo o que me toca
Segue direcção errada, direcção que mais ninguém queria.
Eu nunca grito, eu falo alto, falo muito alto, mas nunca grito,
Invejo o silêncio dos deuses, tão surdo, tão profundamente miserável…
Porque não gritam deuses?
Porque não te calas? Eu viro costas, e caminho covardemente em direcção oposta.
Se é verdade que nunca matei é também verdade…que nunca morri.
Pensamentos invadem-me da mesma forma que não os consigo explicar.
São narrativas de um homem morto, de um mostro, de um ser sem lugar.
Na minha melhor noite
Tive o meu pior pesadelo, mudo, suor frio, cara assustada,
Vivo na angústia de ser só mais um nesta caminhada, só, não só,
Sem tudo com tudo…
Pensamentos são cores de forma estranha, a lógica deles
É apenas lógica minha, a vossa lógica é só vossa.
Quando nos lembramos que tudo foi esquecido,
Foi tudo disperso, uma imagem pouco nítida,
Uma água agitada depois de pedra caída…
Dispersos estes pensamentos, que vão e voltam
E deixam saudade, saudade porque às vezes não os volto a ver.
Eu pouco ou nada digo
Mas na verdade tenho tanto nada para dizer, deixem-me contar.
E escrevo um apontamento, sem história, sem razão de ser,
Não sei saber ser, deixem-me pois então, escrever.
07/01/09 - Escrito às 2h58, "pensado" à trés dias. Primeiro poema de 2009.
Apontamentos são folhas soltas,
Escritos sem ordem nem lugar,
Sinto-me uma mesa de bilhar já gasta
De pano coçado e defeituoso,
Sinto-o porque tudo o que me toca
Segue direcção errada, direcção que mais ninguém queria.
Eu nunca grito, eu falo alto, falo muito alto, mas nunca grito,
Invejo o silêncio dos deuses, tão surdo, tão profundamente miserável…
Porque não gritam deuses?
Porque não te calas? Eu viro costas, e caminho covardemente em direcção oposta.
Se é verdade que nunca matei é também verdade…que nunca morri.
Pensamentos invadem-me da mesma forma que não os consigo explicar.
São narrativas de um homem morto, de um mostro, de um ser sem lugar.
Na minha melhor noite
Tive o meu pior pesadelo, mudo, suor frio, cara assustada,
Vivo na angústia de ser só mais um nesta caminhada, só, não só,
Sem tudo com tudo…
Pensamentos são cores de forma estranha, a lógica deles
É apenas lógica minha, a vossa lógica é só vossa.
Quando nos lembramos que tudo foi esquecido,
Foi tudo disperso, uma imagem pouco nítida,
Uma água agitada depois de pedra caída…
Dispersos estes pensamentos, que vão e voltam
E deixam saudade, saudade porque às vezes não os volto a ver.
Eu pouco ou nada digo
Mas na verdade tenho tanto nada para dizer, deixem-me contar.
E escrevo um apontamento, sem história, sem razão de ser,
Não sei saber ser, deixem-me pois então, escrever.
07/01/09 - Escrito às 2h58, "pensado" à trés dias. Primeiro poema de 2009.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Interior do vértice

Vou fugir daqui, para mim esperar
É fraqueza, esperar é sofrer.
Vou ficar aqui, descobrir sozinho
É desconhecer, é ausência de beleza.
Vivo neste recanto escuro onde se encontram as esquinas,
As melhores sensações da vida são arestas
Que se unem num harmonioso vértice.
Eu moro do outro lado.
Num recanto escuro onde se acumula o pó,
O silêncio, a sujidade, o pensamento.
Conversar sozinho é para mim ciência
É uma arte que faço por aperfeiçoar.
Sei de cor cada prazer vosso,
Cada sorriso, cada razão de alegria.
E enquanto aguardo, sem vontade
De género algum, vou sonhando estar entre vós.
E eu não sonho com uma paz impossível,
Nem sonho com o cessar de guerras impensável,
Tão pouco sonho com a igualdade entre todos.
Eu sonho todos os dias que este sólido geométrico
Expluda em várias direcções diferentes,
E que quando chegar a hora de o voltar a montar
Alguém se engane e coloque os vértices ao contrário…
Só isso…
Só … isso…
29/12/08
Possivelmente o último poema de 2008... É um resumo? Sim e não. Não é o melhor poema para acabar um ano, mas também não é o pior. Que venha então um ano bom para todos, muito melhor. Que seja um ano de inspiração, mas mais importante ainda, de acção.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Hmm…rush
São onze horas, caminho pelas ruas
De Lisboa. O sol bate-me na face esquerda,
Mas não estou com disposição para dar
A outra face, não tenho pressa.
Vou pisando as folhas de um Outono
Que se está a aproximar do fim.
A vida é bela? Perguntem-me noutra altura.
Algumas pessoas conseguem passar por mim
Mais depressa do que ambulâncias,
Essas também por mim passam
Nunca lhes há-de faltar trabalho…
Porque temos nós de morrer?
Porque não podemos escolher a hora de morrer?
De todas as teorias e histórias sem nexo
Só respeito uma ideia: dar valor à vida.
A música que ouço sacode-me o espírito.
Alegria, poesia e um pouco de ousadia
Para me alegrar o dia.
Mas a euforia morre cedo, como morre
O sol nestes dias de Outono.
E de que vale passear nestes dias belos,
Sem razão para se caminhar,
Quando o sol que me aquece a cara
Não me aquece o interior?
Vale de nada.
22/12/08
De Lisboa. O sol bate-me na face esquerda,
Mas não estou com disposição para dar
A outra face, não tenho pressa.
Vou pisando as folhas de um Outono
Que se está a aproximar do fim.
A vida é bela? Perguntem-me noutra altura.
Algumas pessoas conseguem passar por mim
Mais depressa do que ambulâncias,
Essas também por mim passam
Nunca lhes há-de faltar trabalho…
Porque temos nós de morrer?
Porque não podemos escolher a hora de morrer?
De todas as teorias e histórias sem nexo
Só respeito uma ideia: dar valor à vida.
A música que ouço sacode-me o espírito.
Alegria, poesia e um pouco de ousadia
Para me alegrar o dia.
Mas a euforia morre cedo, como morre
O sol nestes dias de Outono.
E de que vale passear nestes dias belos,
Sem razão para se caminhar,
Quando o sol que me aquece a cara
Não me aquece o interior?
Vale de nada.
22/12/08
Rush
Desenho-te uma ampulheta perto do umbigo,
Nessa parte que tanto gosto,
Com a areia que me vai caindo das mãos,
Nesta praia, o tempo que passo contigo
Não é tempo, não é hora, não é réstia.
Sem medo de perder esta vasta
Repetição de perfeição coloca-mos o tempo
Para trás das costas…
Quanto vale um pensamento teu? Diz-me.
Quanto vale um beijo meu dado com vontade?
Amor é perdição, estar-se só é morrer em vão,
Amar é mudar o sentido.
O ódio deixou de ser óbvio, o tempo é raiz do medo
Para perdermos a vida que temos e que queremos viver.
Falta de existência, ausência de essência,
Abraçados na aresta do tempo,
Ao som da melhor música acústica,
Lutamos contra a impotência.
Porque…
Porque…
Tu sabes.
21/12/08 – 16h00
Queria escrever mais, mas não encontrei as palavras.
Nessa parte que tanto gosto,
Com a areia que me vai caindo das mãos,
Nesta praia, o tempo que passo contigo
Não é tempo, não é hora, não é réstia.
Sem medo de perder esta vasta
Repetição de perfeição coloca-mos o tempo
Para trás das costas…
Quanto vale um pensamento teu? Diz-me.
Quanto vale um beijo meu dado com vontade?
Amor é perdição, estar-se só é morrer em vão,
Amar é mudar o sentido.
O ódio deixou de ser óbvio, o tempo é raiz do medo
Para perdermos a vida que temos e que queremos viver.
Falta de existência, ausência de essência,
Abraçados na aresta do tempo,
Ao som da melhor música acústica,
Lutamos contra a impotência.
Porque…
Porque…
Tu sabes.
21/12/08 – 16h00
Queria escrever mais, mas não encontrei as palavras.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Desperdício das massas
Graças a… ao condutor
Passamos vermelhos sinais.
Senti-me aliviado pois estávamos
Com alguma pressa.
A Lisboa bela estava molhada
Mas não me lembro de ver cair chuva.
Enquanto aguardávamos pela chegada
A casa respirei calma.
Ainda nos deram tempo
Para recitar Álvaro de Campos,
Algo parecido com: Margarida
Se te desse a minha vida que fazias tu com ela?
Éramos enormes e felizes
Nessa ilusão de quem bebe um
Pouco mais.
Nas pernas cansadas que me davam
Algum cansaço, depois de um longo dia,
Vislumbrei o sorriso aberto que me deste.
Não procurei nele sensação alguma
Mas o sorriso de uma mulher
É sempre um sorriso que não se esquece.
Nesse sorriso solto nada me disseste, mas o monstro
Foi libertado e nada mais em mim carece
Que a fome, a vontade, o saciar
Que em negação me entristece.
20/12/08 – 02h49, depois de saída à noite lisboeta. “Negar os nossos instintos é negar o que nos torna humanos.”(The Matrix)
Passamos vermelhos sinais.
Senti-me aliviado pois estávamos
Com alguma pressa.
A Lisboa bela estava molhada
Mas não me lembro de ver cair chuva.
Enquanto aguardávamos pela chegada
A casa respirei calma.
Ainda nos deram tempo
Para recitar Álvaro de Campos,
Algo parecido com: Margarida
Se te desse a minha vida que fazias tu com ela?
Éramos enormes e felizes
Nessa ilusão de quem bebe um
Pouco mais.
Nas pernas cansadas que me davam
Algum cansaço, depois de um longo dia,
Vislumbrei o sorriso aberto que me deste.
Não procurei nele sensação alguma
Mas o sorriso de uma mulher
É sempre um sorriso que não se esquece.
Nesse sorriso solto nada me disseste, mas o monstro
Foi libertado e nada mais em mim carece
Que a fome, a vontade, o saciar
Que em negação me entristece.
20/12/08 – 02h49, depois de saída à noite lisboeta. “Negar os nossos instintos é negar o que nos torna humanos.”(The Matrix)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Ao sabor da insónia


Escrevo-te esta carta
Como justificação dos meus actos
Que nunca passaram de meros pensamentos.
Queres ficar a ler ou vais-te deitar?
Ao sabor do que me move a vontade
Vou escrevendo palavras para ti.
O sabor é de quem escreve palavras
Várias para serem lidas,
Apesar desse dom ou maldição
De cada palavra ser aceite de maneiras diferentes.
Até que ponto abdicas de tudo o que tomas por certo?
Gostava que te libertasses de tudo o que te prende.
Tudo. Tudo o que prende. Deixa-te ir…ao sabor.
Não te precipites mas também não hesites,
Deixa que esse sexto sentido te guie.
Deixa-te cair se te vais levantar mais forte.
Não aguardes, dá-me uma oportunidade,
O céu que te quero mostrar é o mesmo que todos vêem
Mas visto da minha perspectiva.
Tudo o que é meu é tudo o que eu te posso dar,
Não tenho o poder de tirar os defeitos a nada
Mas posso colorir o que o que não tem cor.
Vem comigo rasgar o que tomas por certo,
Dançar à beira rio ou respirar o fim de tarde
À luz do fecho das ruas.
Acabarás por saber viver
Quando aceitares que um dia vais morrer.
Não te comovas, o mundo não merece
Uma lágrima que desça desse suave rosto.
O frio evapora-se do meu corpo
Enquanto caminhas para mim,
Afinal sempre vieste.
O sol brilha como sempre brilhou
Mas hoje olho-o com mais beleza,
Com menos rancor de mim próprio.
As pedras que hoje sinto por baixo dos meus pés
Parecem mais alinhadas, mais perfeitas.
São as linhas que a minha alma esboça
E o que tem de ser…tem muita força.
17/12/08 - 02:53
Volta a escrever algo bonito às 03:00. Não sei, o que achas?
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Lembrem-se
Gostava de descobrir quem colocou o tempo a funcionar,
Cosmos em movimento que foge à nossa compreensão,
Fósseis de seres grandiosos, provas de seres unicelulares,
Em nós nasce a vontade de levantar todos os restos
De provas que questionamos, pequenas pontas de icebergs.
Filósofos nasciam, pessoas que ainda hoje nos fazem pensar,
Nasciam culturas, maneiras de viver.
Apareceu o papiro, apareceram as religiões…
Apareceram os deuses…Apareceu o Deus.
Apareceram as ciências e com elas apareceu a dúvida.
Caminhámos, endireitamos as costas, aprendemos com os erros…
A única constante que perdurou foi a reprodução.
Muitas doenças, poucas curas, vontade de descobrir a
Existência de vida depois da morte.
Guerras, muralhas, sangue e vitórias.
Levada à fogueira de inocentes, fé espalhada pelo medo.
Aço e carvão, tecnologia sempre crescente num mundo que nunca parou de girar.
Histórias muitas que fazem parte da História,
A maioria foge à nossa memória, outras ao nosso conhecimento.
Nasceu a língua, nasceu a arte, nasceu o estereótipo.
Nascido depois de Cristo, só pelo que sou e faço
E só por isso grito.
Cosmos em movimento que foge à nossa compreensão,
Fósseis de seres grandiosos, provas de seres unicelulares,
Em nós nasce a vontade de levantar todos os restos
De provas que questionamos, pequenas pontas de icebergs.
Filósofos nasciam, pessoas que ainda hoje nos fazem pensar,
Nasciam culturas, maneiras de viver.
Apareceu o papiro, apareceram as religiões…
Apareceram os deuses…Apareceu o Deus.
Apareceram as ciências e com elas apareceu a dúvida.
Caminhámos, endireitamos as costas, aprendemos com os erros…
A única constante que perdurou foi a reprodução.
Muitas doenças, poucas curas, vontade de descobrir a
Existência de vida depois da morte.
Guerras, muralhas, sangue e vitórias.
Levada à fogueira de inocentes, fé espalhada pelo medo.
Aço e carvão, tecnologia sempre crescente num mundo que nunca parou de girar.
Histórias muitas que fazem parte da História,
A maioria foge à nossa memória, outras ao nosso conhecimento.
Nasceu a língua, nasceu a arte, nasceu o estereótipo.
Nascido depois de Cristo, só pelo que sou e faço
E só por isso grito.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Entrelaçado
Despede-te de uma só vez,
Não cries emoções desnecessárias
Que apenas servem para me pesar n’alma.
Todos eles estavam certos,
E hoje lançam-me em direcção
Ao céu na esperança de me ver
Chegar a uma nova utopia.
Chegaste, envolta em maravilha,
Fizeste-me acreditar numa utopia
Aqui em plena terra firme.
Seduziste-me com os teus sonhos
E com a tua forma de viver.
Todos somos únicos e todos somos diferentes,
Uns vêem em nós apenas mais alguém
Outros conseguem ver mais do que aquilo que
Às vezes vemos ao olhar para o espelho.
Resta-me ficar feliz imaginando-te caminhar
Por entre esses montes de cristal,
Sobre esse relva que canta por passares nela.
Que sejas feliz, que sejas sempre aquilo que és,
Hoje não me despeço porque senão seria para sempre,
Lembra-te que a utopia não nasceu aqui
Somos nós que a temos de moldar.
Sonha pois pequeno arco-íris,
Viaja ao céu e volta,
Mas transforma o teu sonho em acção,
Abre o coração e ama.
5/12/08
Aceitam-se sugestões para o título(já tentem três mas não me fizeram feliz)
Não cries emoções desnecessárias
Que apenas servem para me pesar n’alma.
Todos eles estavam certos,
E hoje lançam-me em direcção
Ao céu na esperança de me ver
Chegar a uma nova utopia.
Chegaste, envolta em maravilha,
Fizeste-me acreditar numa utopia
Aqui em plena terra firme.
Seduziste-me com os teus sonhos
E com a tua forma de viver.
Todos somos únicos e todos somos diferentes,
Uns vêem em nós apenas mais alguém
Outros conseguem ver mais do que aquilo que
Às vezes vemos ao olhar para o espelho.
Resta-me ficar feliz imaginando-te caminhar
Por entre esses montes de cristal,
Sobre esse relva que canta por passares nela.
Que sejas feliz, que sejas sempre aquilo que és,
Hoje não me despeço porque senão seria para sempre,
Lembra-te que a utopia não nasceu aqui
Somos nós que a temos de moldar.
Sonha pois pequeno arco-íris,
Viaja ao céu e volta,
Mas transforma o teu sonho em acção,
Abre o coração e ama.
5/12/08
Aceitam-se sugestões para o título(já tentem três mas não me fizeram feliz)
Balada ao segundo sentido
Fica, fica mais um pouco,
O tempo corre demasiado louco,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
Não pares de te mexer, respira e desafia o mundo,
O tempo que reservei para outros agora pertence-te.
Encontrarás sempre força em pequenas coisas
Que te façam sorrir e amar mais,
Cordas prendem a minha vontade de me aproximar,
Sou refém do tempo, resta-me como muitos outros, esperar…
Porque não tentamos os dois agora?
A chama da esperança dura até se apagar na sombra
E depois já mais nada resta.
E o sol? Um dia o sol morre e nesse dia
De mãos dadas olharemos o céu ou o tecto ou a lua.
Fica, fica mais um pouco,
O tempo corre demasiado louco,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
O tempo corre demasiado louco,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
Não pares de te mexer, respira e desafia o mundo,
O tempo que reservei para outros agora pertence-te.
Encontrarás sempre força em pequenas coisas
Que te façam sorrir e amar mais,
Cordas prendem a minha vontade de me aproximar,
Sou refém do tempo, resta-me como muitos outros, esperar…
Porque não tentamos os dois agora?
A chama da esperança dura até se apagar na sombra
E depois já mais nada resta.
E o sol? Um dia o sol morre e nesse dia
De mãos dadas olharemos o céu ou o tecto ou a lua.
Fica, fica mais um pouco,
O tempo corre demasiado louco,
Não fujas à vontade de estar e de ser,
O meu tempo é nosso…Lembra-te.
Versologia
O sentimento que me une às linhas
É tão forte como o amor e como a morte.
Valem as acções para quem me conhece
E as palavras minhas.
Ignorado pelo azar sempre detestei a sorte.
Sempre fui receptor de sábios conselhos
Vindos desde os mais novos aos mais velhos.
Nem sempre encontro paz nas palavras,
Mas é certo que sinto que o mal foi expulso.
E enquanto se vai movendo o pulso
Criando histórias felizes ou macabras
Sinto-me renascer das cinzas.
Um minuto de atenção pode mudar um destino,
E neste traço azul fino
Tento fazer a diferença.
Sempre escrevi para mim
Mesmo quando quero escrever para outros.
Porque sei sempre o que preciso de ouvir
E nem sempre sei o que vocês precisam.
Escrever nunca foi razão de viver
Mas gosto de viver escrevendo.
Mas sei que as palavras, ditas ou escritas
Pouco ou nada têm de valor prático e sincero.
Por isso espero que as minha linhas
Sejam sempre uma transacção
Para a realidade,
O caminho mais curto entre a teoria e a prática.
É tão forte como o amor e como a morte.
Valem as acções para quem me conhece
E as palavras minhas.
Ignorado pelo azar sempre detestei a sorte.
Sempre fui receptor de sábios conselhos
Vindos desde os mais novos aos mais velhos.
Nem sempre encontro paz nas palavras,
Mas é certo que sinto que o mal foi expulso.
E enquanto se vai movendo o pulso
Criando histórias felizes ou macabras
Sinto-me renascer das cinzas.
Um minuto de atenção pode mudar um destino,
E neste traço azul fino
Tento fazer a diferença.
Sempre escrevi para mim
Mesmo quando quero escrever para outros.
Porque sei sempre o que preciso de ouvir
E nem sempre sei o que vocês precisam.
Escrever nunca foi razão de viver
Mas gosto de viver escrevendo.
Mas sei que as palavras, ditas ou escritas
Pouco ou nada têm de valor prático e sincero.
Por isso espero que as minha linhas
Sejam sempre uma transacção
Para a realidade,
O caminho mais curto entre a teoria e a prática.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Espessura da "alma"
Antes de começar a escrever sobre esta frase que apela ao nosso interior poético e que desperta em mim uma profunda curiosidade em descobrir até onde chegam os limites (se existirem) dessa mesma alma e o que poderá estar para além deles, gostava de esclarecer que esta frase apareceu na minha vida através de uma aula em que nos falavam sobre aços. Pois não deixa de ser uma irónica contrariedade falar de alma num pedaço de objecto. Só a título de curiosidade uma peça de aço que possa servir para suportar algo é constituída por duas partes: os banzos e a alma. Agora que já dei o meu toque de futuro homem ligado ao mundo das construções posso-me debruçar sobre o eu que eu mais gosto.
Começo pela questão mais básica da História: o que é a alma? Mas a esta pergunta nem filósofos, cientistas ou homens das religiões conseguiram dar resposta. Alguns defendem que a palavra alma é apenas uma designação mais bela para cérebro, outros dizes que o cérebro e a alma são coisas diferentes. Começo pois a duvidar da coerência e da razão de existir deste texto que escrevo. Senão sabemos definir “alma” como podemos então definir a sua espessura? Procurei então a sua definição no dicionário e passo a citar: “Alma, s.f. parte imaterial da natureza humana, constituída pela inteligência, o temperamento e o carácter. Principio vital. (…)”. Assim sendo já posso procurar encontrar a espessura da alma.
Na minha opinião todos nascemos com uma pequena alma, não que se possa medir ou pesar a alma, digo pequena no sentido que ainda tem muito para crescer. Assim como acredito que todos nós nascemos maioritariamente bons, no contexto das leis e normas da sociedade. Penso no entanto que a alma, em toda a sua complexa grandeza, é no fundo moldável. Acontecimentos e/ou pessoas tornam-nos constantemente melhores ou piores com seres humanos.
Qual é então a espessura da alma? Não me queria tornar previsível, por isso não direi sem pensar, impossível. Mas seria também arriscado dizer que a sua espessura é finita. Existem duas questões fundamentais: o que pode a alma alcançar e poderá a alma resistir à morte? A esta segunda pergunta não consigo responder, faltam-me argumentos plausíveis, é algo que por enquanto, depende de cada pessoa. Em relação à primeira pergunta poderia responder com uma frase cliché, que possivelmente encerraria a questão: o Homem é capaz do melhor e do pior. Certo? Se por um lado ousamos por vezes pensar que já vimos as piores acções feitas pelo Homem, a verdade é que nos conseguem sempre surpreender mais. São histórias e feitos incontáveis desde os primórdios até hoje, que todos nós conhecemos. Por isso, e acrescento aqui um infelizmente, para o lado negativo a alma não até hoje finita. Para o lado bom também existem muitos acontecimentos que fazem com que este mundo seja melhor, dando-nos assim uma alma infinita, ou se preferirem não finita por explorar.
Esta frase merecia diálogo, merecia discussão. Dada a minha situação reflicto para vocês. Qual é a espessura da alma?
13/12/08 , Foi apenas uma pequena reflexão. Há muito por onde explorar este tema.
Começo pela questão mais básica da História: o que é a alma? Mas a esta pergunta nem filósofos, cientistas ou homens das religiões conseguiram dar resposta. Alguns defendem que a palavra alma é apenas uma designação mais bela para cérebro, outros dizes que o cérebro e a alma são coisas diferentes. Começo pois a duvidar da coerência e da razão de existir deste texto que escrevo. Senão sabemos definir “alma” como podemos então definir a sua espessura? Procurei então a sua definição no dicionário e passo a citar: “Alma, s.f. parte imaterial da natureza humana, constituída pela inteligência, o temperamento e o carácter. Principio vital. (…)”. Assim sendo já posso procurar encontrar a espessura da alma.
Na minha opinião todos nascemos com uma pequena alma, não que se possa medir ou pesar a alma, digo pequena no sentido que ainda tem muito para crescer. Assim como acredito que todos nós nascemos maioritariamente bons, no contexto das leis e normas da sociedade. Penso no entanto que a alma, em toda a sua complexa grandeza, é no fundo moldável. Acontecimentos e/ou pessoas tornam-nos constantemente melhores ou piores com seres humanos.
Qual é então a espessura da alma? Não me queria tornar previsível, por isso não direi sem pensar, impossível. Mas seria também arriscado dizer que a sua espessura é finita. Existem duas questões fundamentais: o que pode a alma alcançar e poderá a alma resistir à morte? A esta segunda pergunta não consigo responder, faltam-me argumentos plausíveis, é algo que por enquanto, depende de cada pessoa. Em relação à primeira pergunta poderia responder com uma frase cliché, que possivelmente encerraria a questão: o Homem é capaz do melhor e do pior. Certo? Se por um lado ousamos por vezes pensar que já vimos as piores acções feitas pelo Homem, a verdade é que nos conseguem sempre surpreender mais. São histórias e feitos incontáveis desde os primórdios até hoje, que todos nós conhecemos. Por isso, e acrescento aqui um infelizmente, para o lado negativo a alma não até hoje finita. Para o lado bom também existem muitos acontecimentos que fazem com que este mundo seja melhor, dando-nos assim uma alma infinita, ou se preferirem não finita por explorar.
Esta frase merecia diálogo, merecia discussão. Dada a minha situação reflicto para vocês. Qual é a espessura da alma?
13/12/08 , Foi apenas uma pequena reflexão. Há muito por onde explorar este tema.
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