finalmente chove, o calor dá lugar ao
frio, o vento beija a pele até
ao sentir de um arrepio, por tanto
tempo foi esperada esta bênção,
esperada como uma salvação que não vinha...
e agora que veio...
a minha mente não está aqui,
onde a água mata a sede das pedras
desta calçada.
E a acção do bater do coração é forçada.
atados estão os gestos, morta está a vontade,
e nem este frio tardio
consegue alterar o que resta
de uma alma e de um corpo.
a culpa está apenas na inocência do gesto.
não há fé em nada considerado menor,
desvalorizado ao pormenor, na frustração
de quem já não se sente vivo
o suficiente para viver e não querer
o fim de tudo.
Não estou mais aqui; e enquanto a chuva desce
enterro-me cada vez mais na loucura
marcada a ferros quentes ou frios
na minha pele
de que nunca aqui estive.
a culpa não é de ninguém
e a inocência não é só minha.
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
o jogo dos 7 diabos
Quem encontra e quem espera ser encontrado,
quem finge correr ao seu limite
quem se deixa de propósito apanhar;
entramos nesse recreio no dia em que
somos concebidos, salto por salto
e as pernas vão crescendo, a alma tão pouco,
mas a queda é enorme.
Alguns chamam-lhe vida,
outros ausência de morte,
mas a sorte de todos é a mesma,
são sete diabos que saltam e rebolam alegres
por receber a mais semelhante das companhias.
quem finge correr ao seu limite
quem se deixa de propósito apanhar;
entramos nesse recreio no dia em que
somos concebidos, salto por salto
e as pernas vão crescendo, a alma tão pouco,
mas a queda é enorme.
Alguns chamam-lhe vida,
outros ausência de morte,
mas a sorte de todos é a mesma,
são sete diabos que saltam e rebolam alegres
por receber a mais semelhante das companhias.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
a descrição de um monólogo
dizem ser ténue a linha que separa;
Nem uma só palavra sobre a linha que une.
talvez não faça mais diferença.
Onde a vida começa
o seu único destino é acabar.
é cansativo não se conseguir
esquecer, é respirado esse sentimento
dia após dia,
seria mais fácil ver o céu chorar fogo,
ou o oceano secar desidratado.
o veneno que corrompe tudo o que é amado,
mesmo num lugar onde se esteja
de alguma forma trancado,
é o nome repetido, o sonho
vivo do qual não se quer acordar,
é tudo aquilo que faz toda a diferença,
(aquilo que se quer agarrar
que se quer ajudar a mudar)
Vida tão pouca. Aquilo que se quer,
a correr nas veias, impossível de mover
por estar debaixo da pele,
é
aquilo
que não se consegue controlar.
Nem uma só palavra sobre a linha que une.
talvez não faça mais diferença.
Onde a vida começa
o seu único destino é acabar.
é cansativo não se conseguir
esquecer, é respirado esse sentimento
dia após dia,
seria mais fácil ver o céu chorar fogo,
ou o oceano secar desidratado.
o veneno que corrompe tudo o que é amado,
mesmo num lugar onde se esteja
de alguma forma trancado,
é o nome repetido, o sonho
vivo do qual não se quer acordar,
é tudo aquilo que faz toda a diferença,
(aquilo que se quer agarrar
que se quer ajudar a mudar)
Vida tão pouca. Aquilo que se quer,
a correr nas veias, impossível de mover
por estar debaixo da pele,
é
aquilo
que não se consegue controlar.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
antes de tudo
observo aquele pequeno casulo,
a maioria sonha com a sua evolução
nessa metamorfose para algo mais belo
para algo mais perfeito, capaz de voar...
a maioria já sonha e sorri perante
essa borboleta que ainda nem sequer existe.
é bom sonhar.
todos os dias esperei, e espero, e que o Universo
permita que morra contra este destino meu
não o conseguindo aceitar.
são várias as espirais, que balançam e rodam
fingindo descansar nesse caos,
também eu finjo descansar nele, no seu centro
envolto por todas as espirais;
e um sonho não passa disso mesmo
o nosso erro é desejá-lo mais
do que sentir realmente a sua concretização;
e tudo se encontra finalmente, e no silêncio do nada,
afinal sempre aqui estive, observando,
chocando com cada espiral
recuando e voltando a chocar, voltando a recuar.
Antes de tudo era tudo igual.
E todos os dias a metamorfose não se dá, não avança,
e existem coisas que nunca mudarão.
Outras já deviam ter mudado. Pobre criatura sonhadora.
a maioria sonha com a sua evolução
nessa metamorfose para algo mais belo
para algo mais perfeito, capaz de voar...
a maioria já sonha e sorri perante
essa borboleta que ainda nem sequer existe.
é bom sonhar.
todos os dias esperei, e espero, e que o Universo
permita que morra contra este destino meu
não o conseguindo aceitar.
são várias as espirais, que balançam e rodam
fingindo descansar nesse caos,
também eu finjo descansar nele, no seu centro
envolto por todas as espirais;
e um sonho não passa disso mesmo
o nosso erro é desejá-lo mais
do que sentir realmente a sua concretização;
e tudo se encontra finalmente, e no silêncio do nada,
antes de tudo,
é contemplado a catástrofe da colisão...afinal sempre aqui estive, observando,
chocando com cada espiral
recuando e voltando a chocar, voltando a recuar.
Antes de tudo era tudo igual.
E todos os dias a metamorfose não se dá, não avança,
e existem coisas que nunca mudarão.
Outras já deviam ter mudado. Pobre criatura sonhadora.
domingo, 16 de outubro de 2011
ingrata insatisfação
insaciável na vontade,
amante extremo para com a lealdade
de conseguir sempre alcançar; agora
quase na derrota, quase no repúdio
de aceitar com satisfação
linhas marcadas no universo
Obra de origem divina, ou construída
a medo pelos Homens.
As sombras escolhem sempre bem o seu tempo,
o seu lugar, e a hora chega,
é abraçada como um filho perdido outrora
agora recuperado, e chora-se, chora-se
até que se acabem as lágrimas,
lágrimas de gratidão.
Até quando iriam esperar?
Até quando? Até quando para depois
voltarem para trás?
se me aguentasse desta forma
não seria um monstro,
cansado de me tentar envolver à força,
esperando o que não se deve esperar,
numa secura de uma espera por uma chuva
que já deixou os céus à algum tempo.
a sorte da dádiva da vida é aceite
quase com desprezo, triste mediocridade
presente em cada coração humano, e não só,
mas não existe culpa maior que esta,
pecando negando a bênção;
continuo a procurar algum antídoto,
que me livre deste trono nosso, desta coroa
de maldição,
mas este não existe.
E as paredes fecham-se, e a respiração abranda
para preservar o pouco oxigénio que ainda resta.
e a razão, na sua dureza de pedra,
absorve cada lição chicoteada...com o tempo
já evita o golpe, como se bastasse
a compreensão solitária;
o sentimento, como que se fizesse parte
da História primária é quase esquecido
por estes novos Tempos.
na dor de quem realmente sofre, entre doenças
que ninguém merece ou pediu, na maldição de quem nasce
desde logo de cabeça na guilhotina da vida,
entre a fome e a solidão
não há como negar a monstruosidade de cada
sentimento meu, e de tantos outros.
Até quando afinal?
Mas é a nossa culpa, é o nosso peso, é a nossa
essência, e na falta desse alimento, neste vazio oco
da alma. Nas ajudas grãos de areia,
na mão que se estende e na sabedoria marcada
está a única forma de preenchimento.
Mas não chega, e dificilmente chegará.
A calma e a melodia que ilumina
fugiram para um lugar tão longe de qualquer retorno,
encontro somente refúgio
no barulho mais brutal e não é o medo
que acovarda o coração,
é todo este silêncio que se segue e se estende
depois de cada explosão.
Consciente no entanto, que cada palavra dita,
mesmo sentida, é carregada da maior ingrata
insatisfação. Perdoai, ou aceitai, mas
Hoje é um dia perfeito para morrer,
como outro dia qualquer.
amante extremo para com a lealdade
de conseguir sempre alcançar; agora
quase na derrota, quase no repúdio
de aceitar com satisfação
linhas marcadas no universo
Obra de origem divina, ou construída
a medo pelos Homens.
As sombras escolhem sempre bem o seu tempo,
o seu lugar, e a hora chega,
é abraçada como um filho perdido outrora
agora recuperado, e chora-se, chora-se
até que se acabem as lágrimas,
lágrimas de gratidão.
Até quando iriam esperar?
Até quando? Até quando para depois
voltarem para trás?
se me aguentasse desta forma
não seria um monstro,
cansado de me tentar envolver à força,
esperando o que não se deve esperar,
numa secura de uma espera por uma chuva
que já deixou os céus à algum tempo.
a sorte da dádiva da vida é aceite
quase com desprezo, triste mediocridade
presente em cada coração humano, e não só,
mas não existe culpa maior que esta,
pecando negando a bênção;
continuo a procurar algum antídoto,
que me livre deste trono nosso, desta coroa
de maldição,
mas este não existe.
E as paredes fecham-se, e a respiração abranda
para preservar o pouco oxigénio que ainda resta.
e a razão, na sua dureza de pedra,
absorve cada lição chicoteada...com o tempo
já evita o golpe, como se bastasse
a compreensão solitária;
o sentimento, como que se fizesse parte
da História primária é quase esquecido
por estes novos Tempos.
na dor de quem realmente sofre, entre doenças
que ninguém merece ou pediu, na maldição de quem nasce
desde logo de cabeça na guilhotina da vida,
entre a fome e a solidão
não há como negar a monstruosidade de cada
sentimento meu, e de tantos outros.
Até quando afinal?
Mas é a nossa culpa, é o nosso peso, é a nossa
essência, e na falta desse alimento, neste vazio oco
da alma. Nas ajudas grãos de areia,
na mão que se estende e na sabedoria marcada
está a única forma de preenchimento.
Mas não chega, e dificilmente chegará.
A calma e a melodia que ilumina
fugiram para um lugar tão longe de qualquer retorno,
encontro somente refúgio
no barulho mais brutal e não é o medo
que acovarda o coração,
é todo este silêncio que se segue e se estende
depois de cada explosão.
Consciente no entanto, que cada palavra dita,
mesmo sentida, é carregada da maior ingrata
insatisfação. Perdoai, ou aceitai, mas
Hoje é um dia perfeito para morrer,
como outro dia qualquer.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sintoma
desgastado na espera, enquanto cada
sintoma se agrava, se propaga,
e de repente é como se uma doença
única fosse uma praga,
atacando de maneiras tão diferentes,
é tudo aquilo que não dá certo
é tudo aquilo que acaba em coisa errada,
não há dia que passe, que passe ausente,
uma porta tão próxima, aberta de repente
e está-se novamente onde se quer
como se o que é história fosse outra vez presente.
Não há dia que passe...
a doença para alguns é a possibilidade
de poderem chorar, e contar ao mundo o seu sofrimento,
receber a pena de quem podem, o abraço e o consolo
dos que restam,
outros ardem nela, como se de febre se tratasse...
conscientes em alguns minutos apenas
de tudo aquilo que estão perder por terem
perdido.
Os sintomas não acabam, todos os dias
é como se novos fossem inventados.
Subjectivos, com diferentes graus de força,
mas estão sempre lá de alguma forma.
Um dia
chamei-lhe
aquilo que vale a pena. O nome deve ser outro.
Podiam dar-vos o mundo, e tudo o resto que pensam desejar
em segundos lugares. Mas não vos chegaria, nunca,
tanta posse, tanto tamanho, tanta alma,
vos conseguiria preencher o vazio...Porque continuaria
a faltar o ideal conhecido.
Um homem só aprende com os seus erros
depois de morto.
(Não os voltando a repetir..)
sintoma se agrava, se propaga,
e de repente é como se uma doença
única fosse uma praga,
atacando de maneiras tão diferentes,
é tudo aquilo que não dá certo
é tudo aquilo que acaba em coisa errada,
não há dia que passe, que passe ausente,
uma porta tão próxima, aberta de repente
e está-se novamente onde se quer
como se o que é história fosse outra vez presente.
Não há dia que passe...
a doença para alguns é a possibilidade
de poderem chorar, e contar ao mundo o seu sofrimento,
receber a pena de quem podem, o abraço e o consolo
dos que restam,
outros ardem nela, como se de febre se tratasse...
conscientes em alguns minutos apenas
de tudo aquilo que estão perder por terem
perdido.
Os sintomas não acabam, todos os dias
é como se novos fossem inventados.
Subjectivos, com diferentes graus de força,
mas estão sempre lá de alguma forma.
Um dia
chamei-lhe
aquilo que vale a pena. O nome deve ser outro.
Podiam dar-vos o mundo, e tudo o resto que pensam desejar
em segundos lugares. Mas não vos chegaria, nunca,
tanta posse, tanto tamanho, tanta alma,
vos conseguiria preencher o vazio...Porque continuaria
a faltar o ideal conhecido.
Um homem só aprende com os seus erros
depois de morto.
(Não os voltando a repetir..)
terça-feira, 4 de outubro de 2011
ao ritmo do silêncio
o sustento de um grito
é igualmente poderoso
no silêncio.
de um lado da rua bate o sol quente,
quente demais para esta altura do ano,
do outro, descansa a sombra,
passos dados, pesados, mesmo sem peso,
ou pelo menos um peso útil.
os passos são quase dados em silêncio,
todo o barulho exterior é como se fosse
inexistente,
passo a passo, numa tristeza de onda,
que vai e volta, sempre de maneira diferente,
sabe-se apenas que vai...e que volta..
é sufocante o sofrimento de quem não precisa
dele, oscilando entre as dúvidas de um Homem
entre as dúvidas de um Deus, todas elas
quase inúteis, quase tristes. O medo, e uma
vergonha, uma máscara de um sorriso tão fraco,
contrastando com a elevação de uma luta,
- Mas tudo é engolido, e despejado,
saboreado ou cuspido, adormecido.
Olha o céu, olha a esperança,
olha a persistência da criança.
Olha depois novamente. Volta a olhar.
Está preso o destino na vontade morta,
quebrada, dispersada, para sempre talvez,
talvez para nunca,
está presa ao destino de uma vontade morta,
aguardando de forma suspensa, sufocando
como sufoca essa folha de Outono
que no Outono
ainda morre mesmo sem cair.
é igualmente poderoso
no silêncio.
de um lado da rua bate o sol quente,
quente demais para esta altura do ano,
do outro, descansa a sombra,
passos dados, pesados, mesmo sem peso,
ou pelo menos um peso útil.
os passos são quase dados em silêncio,
todo o barulho exterior é como se fosse
inexistente,
passo a passo, numa tristeza de onda,
que vai e volta, sempre de maneira diferente,
sabe-se apenas que vai...e que volta..
é sufocante o sofrimento de quem não precisa
dele, oscilando entre as dúvidas de um Homem
entre as dúvidas de um Deus, todas elas
quase inúteis, quase tristes. O medo, e uma
vergonha, uma máscara de um sorriso tão fraco,
contrastando com a elevação de uma luta,
- Mas tudo é engolido, e despejado,
saboreado ou cuspido, adormecido.
Olha o céu, olha a esperança,
olha a persistência da criança.
Olha depois novamente. Volta a olhar.
Está preso o destino na vontade morta,
quebrada, dispersada, para sempre talvez,
talvez para nunca,
está presa ao destino de uma vontade morta,
aguardando de forma suspensa, sufocando
como sufoca essa folha de Outono
que no Outono
ainda morre mesmo sem cair.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
cor queimada
contam-se letras
com uma precisão igualada
aos números que formam palavras
evoluídos mais tarde em frases...Um texto,
sem sentido - com todo o sentido,
um rosto de drama escondido
de sorriso meio morto, fingindo estar mais vivo
já mergulhado nas rochas desse usual abismo.
desespero, desprezo, cada sopro do universo
é sincero, é a emoção, é a chegada
é a conclusão...
a vida nasce, a vida morre
a vida renasce, a vida é queimada.
o tempo que mais não volta,
o tempo que não chega,
é o tempo mais preciso - é o tempo mais desejado.
as cores escuras do sol
nas sombras claras das cores da lua.
a harmonia não existe - nesse grotesco todo
confuso, abstrato, sem arte do sentimento ou razão,
as cores que tudo pintam
foram pintadas baseadas na cor pessoal
e a beleza e a harmonia não vivem aqui dentro
nunca poderão pintar o lá fora.
com uma precisão igualada
aos números que formam palavras
evoluídos mais tarde em frases...Um texto,
sem sentido - com todo o sentido,
um rosto de drama escondido
de sorriso meio morto, fingindo estar mais vivo
já mergulhado nas rochas desse usual abismo.
desespero, desprezo, cada sopro do universo
é sincero, é a emoção, é a chegada
é a conclusão...
a vida nasce, a vida morre
a vida renasce, a vida é queimada.
o tempo que mais não volta,
o tempo que não chega,
é o tempo mais preciso - é o tempo mais desejado.
as cores escuras do sol
nas sombras claras das cores da lua.
a harmonia não existe - nesse grotesco todo
confuso, abstrato, sem arte do sentimento ou razão,
as cores que tudo pintam
foram pintadas baseadas na cor pessoal
e a beleza e a harmonia não vivem aqui dentro
nunca poderão pintar o lá fora.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Pecado íntimo
se me tivessem pedido para esperar...
Esperar custa ou não custa, alguns
esperam outros não; atacam depressa o tempo
com uma fome desgraçada. As razões que me
fazem sentir, sentir-me neste sentimento,
são as mesmas que vos fazem cansar,
paragem, movimento, oração ao ser humano
sem resposta.
Se me tivessem pedido...para esperar...
(o tempo que fosse preciso)(feliz na espera porque...)
Mas. Mas. O mundo gira desta maneira. Girará?
Uns esperam, esperam sem razão até
morrer de sede, na altura da morte
já se esqueceram da razão que não sabiam de tanto esperar.
Esperar custa...(Custará?)
mas o peso do custo vai sendo absorvido
quando sabemos que vale a pena esperar.
Deus silencia-se em sinais tão facilmente
distorcidos pelas gentes. E a sua voz
pinta o mundo através de desenhos
e ações exteriores ao que precisávamos.
As vozes dos outros são igualmente vãs...
não é por serem gritadas que deixam de conter
o silêncio.
E a nossa voz interior é uma vaga miragem
que apresenta, constantemente,
um céu que acabou por secar...ou não? Ou sim?
É preciso saber, se é preciso esperar,
e só uma pessoa o pode dizer...
a pessoa por quem se vai esperar
até chegar o momento certo?
Se me tivessem pedido para esperar
(porque a espera era tudo)
eu teria esperado.
Esperar custa ou não custa, alguns
esperam outros não; atacam depressa o tempo
com uma fome desgraçada. As razões que me
fazem sentir, sentir-me neste sentimento,
são as mesmas que vos fazem cansar,
paragem, movimento, oração ao ser humano
sem resposta.
Se me tivessem pedido...para esperar...
(o tempo que fosse preciso)(feliz na espera porque...)
Mas. Mas. O mundo gira desta maneira. Girará?
Uns esperam, esperam sem razão até
morrer de sede, na altura da morte
já se esqueceram da razão que não sabiam de tanto esperar.
Esperar custa...(Custará?)
mas o peso do custo vai sendo absorvido
quando sabemos que vale a pena esperar.
Deus silencia-se em sinais tão facilmente
distorcidos pelas gentes. E a sua voz
pinta o mundo através de desenhos
e ações exteriores ao que precisávamos.
As vozes dos outros são igualmente vãs...
não é por serem gritadas que deixam de conter
o silêncio.
E a nossa voz interior é uma vaga miragem
que apresenta, constantemente,
um céu que acabou por secar...ou não? Ou sim?
É preciso saber, se é preciso esperar,
e só uma pessoa o pode dizer...
a pessoa por quem se vai esperar
até chegar o momento certo?
Se me tivessem pedido para esperar
(porque a espera era tudo)
eu teria esperado.
sábado, 17 de setembro de 2011
(Pleonasmo)
(não só a queda de um anjo caído
causa estrondo ao embater na terra,
por ser de mais alta altura...
tal homem, tal desejo de se elevar,
esquecido, obrigado a esquecer
tudo o que ficou para trás perdido,
fugido de palavras outrora conscientes
outrora falsas? Quando as palavras viram
poeira em memórias no que se deve acreditar?
a dor só com dor se mata,
o barulho preenche o silêncio
somente até o deixar novamente.
é como se o mundo tivesse parado.
alguns exigem imperfeição, sabem que somente
ela faz gerar a luta interior,
e o amor extremo ao próximo...
só existe uma forma de lutar por um círculo
perfeito: ser a sua imperfeição, louvar essa
imperfeição, abraça-la. alguns sentem-no
outros não, e o ciclo repete-se, e volta-se
a repetir, para sempre, como sempre, desde
sempre, porque é o Homem que comanda a sua mão,
os seus pés e o cérebro que tudo domina.
são certezas certas que aguardam mais alimento,
- como se fosse só isso que interessa nesta vida,
um vazio prolongado rastejando por um suspiro
dessa mesma vida...
ações de um louco, possuído por uma loucura,
crente em tudo aquilo que é facilmente negado
em tudo aquilo que é tão facilmente desmentido...
Não se iludam, a verdade raramente é o caminho certo
raramente mostra o que deveria ser visto,
sentido, porque na verdade o abraço não existe,
porque não é sentido como imperfeição...
não interessa a dor cuspida, a ferida que não sara
mesmo tentando ser esquecida...não.
Podem lhe chamar impotência, covardia, desmotivação
no peito...repetição de tudo, vezes sem conta
até ao cansar de Deus,
eu, olhando tudo isto nos olhos,
só lhe dou o nome de ilusão.)
causa estrondo ao embater na terra,
por ser de mais alta altura...
tal homem, tal desejo de se elevar,
esquecido, obrigado a esquecer
tudo o que ficou para trás perdido,
fugido de palavras outrora conscientes
outrora falsas? Quando as palavras viram
poeira em memórias no que se deve acreditar?
a dor só com dor se mata,
o barulho preenche o silêncio
somente até o deixar novamente.
é como se o mundo tivesse parado.
alguns exigem imperfeição, sabem que somente
ela faz gerar a luta interior,
e o amor extremo ao próximo...
só existe uma forma de lutar por um círculo
perfeito: ser a sua imperfeição, louvar essa
imperfeição, abraça-la. alguns sentem-no
outros não, e o ciclo repete-se, e volta-se
a repetir, para sempre, como sempre, desde
sempre, porque é o Homem que comanda a sua mão,
os seus pés e o cérebro que tudo domina.
são certezas certas que aguardam mais alimento,
- como se fosse só isso que interessa nesta vida,
um vazio prolongado rastejando por um suspiro
dessa mesma vida...
ações de um louco, possuído por uma loucura,
crente em tudo aquilo que é facilmente negado
em tudo aquilo que é tão facilmente desmentido...
Não se iludam, a verdade raramente é o caminho certo
raramente mostra o que deveria ser visto,
sentido, porque na verdade o abraço não existe,
porque não é sentido como imperfeição...
não interessa a dor cuspida, a ferida que não sara
mesmo tentando ser esquecida...não.
Podem lhe chamar impotência, covardia, desmotivação
no peito...repetição de tudo, vezes sem conta
até ao cansar de Deus,
eu, olhando tudo isto nos olhos,
só lhe dou o nome de ilusão.)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Indestructible

[este texto não ia ser um tributo...mas as condicionantes da vida ditaram que assim fosse. (Assim junto duas coisas). Algumas frases não são minhas e por essa razão estarão a itálico. Há já algum tempo que não conseguia escrever um "hino", agora tentei. Um texto para todos, que vos acenda alguma parte da alma.
RIP Andy Whitfield, serás para sempre o 'true Spartacus' - e o verdadeiro lutador também na vida real (http://www.imdb.com/news/ni15252464/) ]
...a minha mulher sempre acreditou em deuses. Colocava a sua vida (e a minha) nas suas mãos. - Mulher sensata.
Eu nunca acreditei em deuses. E se acreditasse sei que estaria acima deles, na razão, nos actos...na justiça. Sei que os poderia fazer sangrar... - Teimosia...arrogância. Só tu para ousares desafiar os deuses...
Mas chega...não levarei mais a vida da minha forma. Tenho virado costas, este tempo todo, a algo que alguém sempre acreditou. Errei, e errei por muito tempo...
(O que posso fazer? - Mata-os a todos. E que fazer agora? Mata-os a todos...)
A força física acaba por se tornar radícula, fútil quase, na vida do mundo...a força física é apenas o prolongar do pensamento, da alma, se tivermos a alma pouco espessa, agachada, o resto não vale de nada...
Mas só o mais atento...só o que não se perde naquilo que todos os outros se perdem, consegue realmente sentir e ver isto. Todos vós só conseguem ver as pequenas ondas no lago, que caminham em direcção a terra...Eu, e outros poucos, conseguimos ver a pedra a cair, a pedra que criou as ondas.
- Consigo ver nos homens coisas que neles mesmos conseguem ver...o meu trabalho é alimentar esse pequeno deus dentro deles, essa chama, até que toda ela expluda, se torne a energia que o alimenta todos os dias...
(Mata-os as todos...) Engana-se quem pensa que tudo começa na paz... (e paz é um termo tão relativo...) Primeiro é preciso lutar, de uma ou de outra forma, não deixar nada aprisionado. Guerras interiores não dão resultados, e a paz parece sempre utópica...distante.
Perdi o amor da minha vida mortal para sempre...e a culpa foi minha. Foram as minhas acções, as que julguei mais certas que me trouxeram até aqui...Errei. (Não, não erraste, este era o teu verdadeiro caminho...vejo grandes feitos no teu futuro. Estarei sempre contigo...até que te juntes a mim na outra vida.)
Afastei-me, certo desta necessidade, para me guiar, de toda e qualquer humanidade...é preciso lutar contra todos, todos os seres humanos, e as suas ideias, fazer deslizar máscaras...afastar-me da carne...que não passa de carne...
- Luta por mim, pela honra, pela glória...
- Só luto por mim, e por quem amo.
- Então luta por isso (e Mata-os a todos)...
| A mudança que inspirou quem viveu a história, que sentiu o que ele sentiu. Quem ainda sente |
A minha esposa acreditou sempre em deuses...nessa força que guia tudo, e que nos coloca sempre no caminho certo...se os abraçarmos, de coração livre e aberto...Está na hora de me entregar a eles. Não farei mais actos desejados somente por mim..
Seis prisioneiros, ex-guerreiros, entraram na arena...Estava previsto mais um festival de sangue, e todos eles, segundo os homens mais poderosos, deveriam morrer ali...e dar o maior espectáculo de sangue que fosse possível. Todos juntos lutariam contra um...
...a outra porta abre-se. O povo, mais do aclamar, aclama o gladiador. Chamam-lhe Spartacus, gritam Spartacus. ( Mesmo sem saber os feitos que se seguiriam num futuro próximo, gritavam o seu nome, como se fosse um deus..)
Mas hoje seria diferente...(é assim com o ódio, é assim com o amor...é assim em qualquer um deles...é preciso a pessoa aceitar e deixar-se levar. Há coisas que não se conseguem controlar, outras, nem devem ser controladas...é preciso colocar o coração nas mãos de outra pessoa e de outra vontade. É preciso fechar os olhos...e o caminho abre-se, pronto para ser caminhado...) Foi dado o sinal para se iniciar o banho de sangue. Todos gritavam por sangue, por morte. Mas Spartacus ficou parado...os outros seis, como todas as pessoas em redor, ficaram a olhar espantadas. Abriu os braços, de espada em cada mão, fechou os olhos e ergueu a face para os céus (Só tens de fechar os olhos e deixar que eles te guiem...). Segundos passaram, pessoas enervavam-se, os seis fartaram-se. Um deles ganhou balanço e mandou uma lança...este subiu, brilhou com a ajuda do sol, e começou a descer em grande velocidade em direcção ao Spartacus...este nunca se mexeu, e a lança afiada faz-lhe uma ferida na cara que começa logo a sangrar...mas apenas isto. Começou a festa do povo...
...nesse dia Spartacus lutou sobre uma só influência: a dos deuses, lutou como uma lenda, um quase deus, um deus talvez, quase possuído. As suas espadas conseguiam cortar o vento, e a sua força conseguia furar pedra. Nesse o seu antigo eu morreu...e a chama, uma chama por ele desconhecida, acendeu-se, fazendo dele alguém melhor, indestrutível. Nesse dia morreram seis ex-guerreiros.
O que farias para poder voltar a acariciar a face da tua amada? Sentir os seus lábios? Dizer-lhe que a amas? Ouvir as suas palavras como se fossem a música mais bela? E agarra-la para sempre?... Eu mataria todos.
o autor:
A paz só se alcança depois de a luta ser travada. E não falo de pequenas lutas diárias, porque essas fazem parte do desafio de cada dia. Falo de um pequena grande luta...que nos muda, e que muda o mundo à nossa volta.
Se quisermos muito uma coisa...só existe algo que se pode colocar no nosso caminho para não a conseguirmos: nós...porque o universo há muito que nos deu a sua bênção. Isto porém é também a maior das ilusões.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Consciência

Soltarei a minha vida, depois de morto.
Quando tiver perdido alguma da minha
razão, alguma da chama do sentimento,
que me enraízou às almas da terra
e à própria terra.
O que vos faz tamanha falta como se
fosse oxigénio? Nesse labirinto
de emoções que construíram por debaixo
da vossa pele tenta viver uma calma
distraida...que não encontra aceitação,
que quase morta, espera recuar no tempo.
Perdi a fome, perdi o lamento,
fingi perder tanta coisa.
E o que perdi realmente relembra-me
constantemente que o sangue deve ser gelado.
Deixaram-se ir por vezes, a entrega
verdadeira preenche o coração,
Por verdadeiros momentos
de humana essência genuína
conseguiram...Agora? O que aconteceu?
Quem viveu tudo agora agarra uma recordação.
Entrei, falei para mim. Aterrado num medo falado,
partilhado. Como posso mudar isto? Não posso.
Rezo, desejo, aguardo que me mudes.
O que ainda pode ser mudado? (Tudo)
Já não caminham...preferem fugir, (novamente)
e qualquer lugar é perfeito para a alma se consumir.
Uma mão no cerébro, outra na ilusão do impossível,
esqueceram-se do mais importante.
Antes do tarde de mais reconquistem o que realmente querem.
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