terça-feira, 4 de outubro de 2011

ao ritmo do silêncio

o sustento de um grito
é igualmente poderoso
no silêncio.
de um lado da rua bate o sol quente,
quente demais para esta altura do ano,
do outro, descansa a sombra,
passos dados, pesados, mesmo sem peso,
ou pelo menos um peso útil.
os passos são quase dados em silêncio,
todo o barulho exterior é como se fosse
inexistente,
passo a passo, numa tristeza de onda,
que vai e volta, sempre de maneira diferente,
sabe-se apenas que vai...e que volta..
é sufocante o sofrimento de quem não precisa
dele, oscilando entre as dúvidas de um Homem
entre as dúvidas de um Deus, todas elas
quase inúteis, quase tristes. O medo, e uma
vergonha, uma máscara de um sorriso tão fraco,
contrastando com a elevação de uma luta,
- Mas tudo é engolido, e despejado,
saboreado ou cuspido, adormecido.
Olha o céu, olha a esperança,
olha a persistência da criança.
Olha depois novamente. Volta a olhar.

Está preso o destino na vontade morta,
quebrada, dispersada, para sempre talvez,
talvez para nunca,
está presa ao destino de uma vontade morta,
aguardando de forma suspensa, sufocando
como sufoca essa folha de Outono
que no Outono
ainda morre mesmo sem cair.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

cor queimada

contam-se letras
com uma precisão igualada
aos números que formam palavras
evoluídos mais tarde em frases...Um texto,
sem sentido - com todo o sentido,
um rosto de drama escondido
de sorriso meio morto, fingindo estar mais vivo
já mergulhado nas rochas desse usual abismo.

desespero, desprezo, cada sopro do universo
é sincero, é a emoção, é a chegada
é a conclusão...
a vida nasce, a vida morre
a vida renasce, a vida é queimada.

o tempo que mais não volta,
o tempo que não chega,
é o tempo mais preciso - é o tempo mais desejado.

as cores escuras do sol
nas sombras claras das cores da lua.
a harmonia não existe - nesse grotesco todo
confuso, abstrato, sem arte do sentimento ou razão,
as cores que tudo pintam
foram pintadas baseadas na cor pessoal
e a beleza e a harmonia não vivem aqui dentro

nunca poderão pintar o lá fora.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pecado íntimo

se me tivessem pedido para esperar...

Esperar custa ou não custa, alguns
esperam outros não; atacam depressa o tempo
com uma fome desgraçada. As razões que me
fazem sentir, sentir-me neste sentimento,
são as mesmas que vos fazem cansar,
paragem, movimento, oração ao ser humano
sem resposta.
Se me tivessem pedido...para esperar...
(o tempo que fosse preciso)(feliz na espera porque...)
Mas. Mas. O mundo gira desta maneira. Girará?
Uns esperam, esperam sem razão até
morrer de sede, na altura da morte
já se esqueceram da razão que não sabiam de tanto esperar.
Esperar custa...(Custará?)
mas o peso do custo vai sendo absorvido
quando sabemos que vale a pena esperar.
Deus silencia-se em sinais tão facilmente
distorcidos pelas gentes. E a sua voz
pinta o mundo através de desenhos
e ações exteriores ao que precisávamos.
As vozes dos outros são igualmente vãs...
não é por serem gritadas que deixam de conter
o silêncio.
E a nossa voz interior é uma vaga miragem
que apresenta, constantemente,
um céu que acabou por secar...ou não? Ou sim?
É preciso saber, se é preciso esperar,
e só uma pessoa o pode dizer...
a pessoa por quem se vai esperar
até chegar o momento certo?
Se me tivessem pedido para esperar
(porque a espera era tudo)
eu teria esperado.

sábado, 17 de setembro de 2011

(Pleonasmo)

(não só a queda de um anjo caído
causa estrondo ao embater na terra,
por ser de mais alta altura...
tal homem, tal desejo de se elevar,
esquecido, obrigado a esquecer
tudo o que ficou para trás perdido,
fugido de palavras outrora conscientes
outrora falsas? Quando as palavras viram
poeira em memórias no que se deve acreditar?
a dor só com dor se mata,
o barulho preenche o silêncio
somente até o deixar novamente.
é como se o mundo tivesse parado.
alguns exigem imperfeição, sabem que somente
ela faz gerar a luta interior,
e o amor extremo ao próximo...
só existe uma forma de lutar por um círculo
perfeito: ser a sua imperfeição, louvar essa
imperfeição, abraça-la. alguns sentem-no
outros não, e o ciclo repete-se, e volta-se
a repetir, para sempre, como sempre, desde
sempre, porque é o Homem que comanda a sua mão,
os seus pés e o cérebro que tudo domina.
são certezas certas que aguardam mais alimento,
- como se fosse só isso que interessa nesta vida,
um vazio prolongado rastejando por um suspiro
dessa mesma vida...
ações de um louco, possuído por uma loucura,
crente em tudo aquilo que é facilmente negado
em tudo aquilo que é tão facilmente desmentido...
Não se iludam, a verdade raramente é o caminho certo
raramente mostra o que deveria ser visto,
sentido, porque na verdade o abraço não existe,
porque não é sentido como imperfeição...
não interessa a dor cuspida, a ferida que não sara
mesmo tentando ser esquecida...não.
Podem lhe chamar impotência, covardia, desmotivação
no peito...repetição de tudo, vezes sem conta
até ao cansar de Deus,

eu, olhando tudo isto nos olhos,
só lhe dou o nome de ilusão.)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Indestructible


[este texto não ia ser um tributo...mas as condicionantes da vida ditaram que assim fosse. (Assim junto duas coisas). Algumas frases não são minhas e por essa razão estarão a itálico. Há já algum tempo que não conseguia escrever um "hino", agora tentei. Um texto para todos, que vos acenda alguma parte da alma.
RIP Andy Whitfield, serás para sempre o 'true Spartacus' - e o verdadeiro lutador também na vida real (http://www.imdb.com/news/ni15252464/) ]

...a minha mulher sempre acreditou em deuses. Colocava a sua vida (e a minha) nas suas mãos. - Mulher sensata.
Eu nunca acreditei em deuses. E se acreditasse sei que estaria acima deles, na razão, nos actos...na justiça. Sei que os poderia fazer sangrar... - Teimosia...arrogância. Só tu para ousares desafiar os deuses...
Mas chega...não levarei mais a vida da minha forma. Tenho virado costas, este tempo todo, a algo que alguém sempre acreditou. Errei, e errei por muito tempo...

(O que posso fazer? - Mata-os a todos. E que fazer agora? Mata-os a todos...)

A força física acaba por se tornar radícula, fútil quase, na vida do mundo...a força física é apenas o prolongar do pensamento, da alma, se tivermos a alma pouco espessa, agachada, o resto não vale de nada...
Mas só o mais atento...só o que não se perde naquilo que todos os outros se perdem, consegue realmente sentir e ver isto. Todos vós só conseguem ver as pequenas ondas no lago, que caminham em direcção a terra...Eu, e outros poucos, conseguimos ver a pedra a cair, a pedra que criou as ondas.

- Consigo ver nos homens coisas que neles mesmos conseguem ver...o meu trabalho é alimentar esse pequeno deus dentro deles, essa chama, até que toda ela expluda, se torne a energia que o alimenta todos os dias...

(Mata-os as todos...) Engana-se quem pensa que tudo começa na paz... (e paz é um termo tão relativo...) Primeiro é preciso lutar, de uma ou de outra forma, não deixar nada aprisionado. Guerras interiores não dão resultados, e a paz parece sempre utópica...distante.

Perdi o amor da minha vida mortal para sempre...e a culpa foi minha. Foram as minhas acções, as que julguei mais certas que me trouxeram até aqui...Errei. (Não, não erraste, este era o teu verdadeiro caminho...vejo grandes feitos no teu futuro. Estarei sempre contigo...até que te juntes a mim na outra vida.)
Afastei-me, certo desta necessidade, para me guiar, de toda e qualquer humanidade...é preciso lutar contra todos, todos os seres humanos, e as suas ideias, fazer deslizar máscaras...afastar-me da carne...que não passa de carne...
- Luta por mim, pela honra, pela glória...
- Só luto por mim, e por quem amo.
- Então luta por isso (e Mata-os a todos)...

| A mudança que inspirou quem viveu a história, que sentiu o que ele sentiu. Quem ainda sente |

A minha esposa acreditou sempre em deuses...nessa força que guia tudo, e que nos coloca sempre no caminho certo...se os abraçarmos, de coração livre e aberto...Está na hora de me entregar a eles. Não farei mais actos desejados somente por mim..

Seis prisioneiros, ex-guerreiros, entraram na arena...Estava previsto mais um festival de sangue, e todos eles, segundo os homens mais poderosos, deveriam morrer ali...e dar o maior espectáculo de sangue que fosse possível. Todos juntos lutariam contra um...
...a outra porta abre-se. O povo, mais do aclamar, aclama o gladiador. Chamam-lhe Spartacus, gritam Spartacus. ( Mesmo sem saber os feitos que se seguiriam num futuro próximo, gritavam o seu nome, como se fosse um deus..)
Mas hoje seria diferente...(é assim com o ódio, é assim com o amor...é assim em qualquer um deles...é preciso a pessoa aceitar e deixar-se levar. Há coisas que não se conseguem controlar, outras, nem devem ser controladas...é preciso colocar o coração nas mãos de outra pessoa e de outra vontade. É preciso fechar os olhos...e o caminho abre-se, pronto para ser caminhado...) Foi dado o sinal para se iniciar o banho de sangue. Todos gritavam por sangue, por morte. Mas Spartacus ficou parado...os outros seis, como todas as pessoas em redor, ficaram a olhar espantadas. Abriu os braços, de espada em cada mão, fechou os olhos e ergueu a face para os céus (Só tens de fechar os olhos e deixar que eles te guiem...). Segundos passaram, pessoas enervavam-se, os seis fartaram-se. Um deles ganhou balanço e mandou uma lança...este subiu, brilhou com a ajuda do sol, e começou a descer em grande velocidade em direcção ao Spartacus...este nunca se mexeu, e a lança afiada faz-lhe uma ferida na cara que começa logo a sangrar...mas apenas isto. Começou a festa do povo...

...nesse dia Spartacus lutou sobre uma só influência: a dos deuses, lutou como uma lenda, um quase deus, um deus talvez, quase possuído. As suas espadas conseguiam cortar o vento, e a sua força conseguia furar pedra. Nesse o seu antigo eu morreu...e a chama, uma chama por ele desconhecida, acendeu-se, fazendo dele alguém melhor, indestrutível. Nesse dia morreram seis ex-guerreiros.

O que farias para poder voltar a acariciar a face da tua amada? Sentir os seus lábios? Dizer-lhe que a amas? Ouvir as suas palavras como se fossem a música mais bela? E agarra-la para sempre?... Eu mataria todos.

o autor:
A paz só se alcança depois de a luta ser travada. E não falo de pequenas lutas diárias, porque essas fazem parte do desafio de cada dia. Falo de um pequena grande luta...que nos muda, e que muda o mundo à nossa volta.
Se quisermos muito uma coisa...só existe algo que se pode colocar no nosso caminho para não a conseguirmos: nós...porque o universo há muito que nos deu a sua bênção. Isto porém é também a maior das ilusões.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Consciência


Soltarei a minha vida, depois de morto.
Quando tiver perdido alguma da minha
razão, alguma da chama do sentimento,
que me enraízou às almas da terra
e à própria terra.

O que vos faz tamanha falta como se
fosse oxigénio? Nesse labirinto
de emoções que construíram por debaixo
da vossa pele tenta viver uma calma
distraida...que não encontra aceitação,
que quase morta, espera recuar no tempo.

Perdi a fome, perdi o lamento,
fingi perder tanta coisa.
E o que perdi realmente relembra-me
constantemente que o sangue deve ser gelado.

Deixaram-se ir por vezes, a entrega
verdadeira preenche o coração,
Por verdadeiros momentos
de humana essência genuína
conseguiram...Agora? O que aconteceu?
Quem viveu tudo agora agarra uma recordação.

Entrei, falei para mim. Aterrado num medo falado,
partilhado. Como posso mudar isto? Não posso.
Rezo, desejo, aguardo que me mudes.

O que ainda pode ser mudado? (Tudo)
Já não caminham...preferem fugir, (novamente)
e qualquer lugar é perfeito para a alma se consumir.
Uma mão no cerébro, outra na ilusão do impossível,
esqueceram-se do mais importante.
Antes do tarde de mais reconquistem o que realmente querem.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Resilência



É um sentimento feliz
aquele que vos abraça
num amortecimento
de um peso constante nos ombros
e nas costas num pesar crescente
até ser amortecido.

Não nasci para ter algo,
algo só meu. Alguém que me amasse
como se fosse o único, o para sempre,
o verdadeiro destruidor do mais horrível
da nossa vida; o motivador.

Podem descansar nessa vossa jornada
de dor, por agora, nos momentos que
mais precisarem; esse lugar é a concretização
de uma miragem, num lugar onde reina a paz
a calma e o sarar de feridas, o descansar dos pesos
o partilhar dos pesos, um pequeno paraíso.

Este corpo amortece quedas...eleva,
degrau a degrau, a alma ao seu devido lugar: ao alto,
passo a passo os olhos foram motivados
nessa luz forte que ilumina todo um caminho de mudança
até ao limar de arestas,
à metamorfose tão querida nunca antes conseguida.

Exagerem...todos acabam por se cansar.
A felicidade não é fim, é o caminho,
exaustos de tentar tão pouco; e ao longe
um consolo sempre espera, cansado de consolar,
de ser luz, a raiva necessária, a palavra
mais sóbria nesta realidade escura, a motivação.

A liberdade de nada vale sem desejo,
e a ambição é só uma, os erros são cometidos
sempre da mesma maneira, aceito este destino
apenas triste, sem esperança,
sempre aceite pela espessura da minha alma,
pela diferença que sinto nos vossos olhos...
Soltarei a minha vida, depois de morto.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

a Pequena pedra

Foi começado outro caminho,
na magia mais pura de ser caminhado devagar
mas não devagar demais...a calma em demasia
tende a magoar
desde o mais superficial ao mais escondido.

Como em qualquer caminho escolhido
a ser caminhado, existem as suas paragens...
E parar só pode trazer uma boa razão:
a reflexão por uns momentos.
Porque todas as outras razões...
ninguém as quer sentir na pele dos pés,
na sensação da energia da motivação.

Terá sido a melhor escolha?
O intermédio entre a boa escolha
e a escolha que se queria realmente?
Que impasses são estes que impedem
que os passos continuem a ser dados?

Mas isto não basta...
Porque quando um mal vem...
ele vem acompanhado.
Treinado e equipado com um só objectivo:
colocar à prova; de várias maneiras...em vários momentos...
por longos momentos.
E o suspiro de alívio dá lugar à inquietação.

Neste momento os Homens acreditam mais em anjos
do que os anjos nos Homens...
Nesta luta apertada contra o peito,
num peito que se quer petreficar,
toda a mais pequena pedra que apareça no caminho...é um alerta.

Mas eu, ser sentirracional, consciente de verdades simples
que se apresentam, suspiro aos caminhantes:

Se respiram ainda devem estar vivos,
Se caminham é porque ainda deve existir um sentido...
Na luta desistida só triunfa o último suspiro.
Agora, finalmente, tudo vai acontecer
como sempre deveria ter acontecido..

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Suor de lágrimas

Desonrei a vida que me foi dada...
Perdido em sonhos medíocres
que fingem alimentar a alma humana.
Se for possível terminar um caminho,
mesmo sem a nossa completa vontade,
ou começar um novo,
mesmo sem outro ainda estar completamente terminado...
Então, chegou a minha hora.
O braço alarga o movimento possível.
Mas é esticado ao máximo, até a alma
suportar a dor do corpo.
Afastado de uma crença humana
que não consegue satisfazer a realidade
estou agora nas mãos...de outro, de outra,
de algo...

Cansei-me deste sentimento frígido.
E se não o posso combater
terei de me aproximar dele.
Porque não me falta uma vontade
mas apenas a sua concretização.
Espero que seja agora, a hora,
o estrangulamento desta falta de eficiência;
está na hora de esculpir-me, mesmo em algo
que ainda não me é de todo real...mesmo não sendo
de todo o que pensava ser o melhor...
Mas eu já não penso no que pensava,

não posso...Porque nada se concretizou.

Estou à tua vontade, mas consciente
que a metamorfose será a frio, a gelo,
quase à força, profunda, como se moldavam
as antigas estátuas...um trabalho àrduo.
A tua vontade...
...nas minhas mãos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O último portal

(Vai-te, novamente, e que seja de novo para sempre
até que sejas finalmente minha. Até.)

Entra, caminha comigo nesses passos
de um caminho paralelo à rotina...
Os sonhos são iguais
só muda o verdadeiro sentido de os alcançar,
para os alcançar realmente.
A teimosia do tédio desfaz
a sorte em pedaços demasiado pequenos,
apesar da sorte caber no coração de todos
e de forma talvez até abundante...todos
a devemos ter, não a sabemos é definir.
São os filhos de Deus nesta terra que
têm o poder divino de nos alterar,
seres humanos, abençoados ou amaldiçoados,
capazes do melhor e do pior em tempos
que passam tão depressa.
A desilusão é grande; a realidade da mudança
e da verdadeira luta é descrita como ilusão,
jã não rastejo neste chão à procura da cura
para tudo isto; tranquei-me finalmente
às palavras exteriores, às ações exteriores,
e só procuro conforto nas palavras e nas ações
de quem me pode ajudar a provar que estou certo.
Mais certo ainda...no caminho de uma perfeição qualquer
que ainda sonha ser concretizada.
Gargalhas ou silêncios compridos enchem as paredes
da minha alma, como podem ser tão ignorantes?
Se estivesse errado aprenderia, o mais depressa possível,
não o estando também nada muda...
é como se a nossa vontade de nada valesse.
Colocamos o peso da nossa verdadeira essência
nas costas ausentes dos outros.
Caminhei. E continuo a caminhar.
Dou passadas rápidas, sem pisar o que não deve ser pisado,
consciente que estou afastado de tudo
para morrer quando puder
sem que nada fique por dizer,...
Numa união de elementos voltei-me a tornar coisa,
do líquido passei para o físico, preprado para ser
esculpido...No silêncio, no recolhimento, na solidão,
no lutar de sonhos mais pequenos...até que o tempo
se encarregue de me encaminhar para a casa do Pai.
Uns caminham por caminhar, ou por caminhar pensando que
realmente caminham...Juntei-me a vós.
Quero sentir o que sentem...mas agora consciente,
apto, mas aperfeiçoado.
O silêncio não me congela por fora
apenas por dentro
e a cada momento que passa
estou mais sólido...
Um dia serei pedra, antes de morrer,
e as gargalhadas ou os silêncios
deixarão de me fazer marcas na alma...
porque já estarei morto por dentro
apesar de vivo e perfeito na vida
de quem quer apenas viver.

domingo, 14 de agosto de 2011

Grilhões imortais

(Daqueles textos que não escrevia à muito tempo. A ideia não foi minha; obrigado pelas ideias que fizeram rular cabeças do Poder Humano na História, mesmo que só na teoria...neste caso o pouco - é melhor que nada.)

Sinto o pulsar do fogo
nas veias do mundo injustiçado...
Trancado por fora
trancado por dentro.
Esta esfera imútavel que nos esmaga é
enorme no peso e no tamanho,
é capaz de matar, capaz de fazer calar,
as vidas são números numa lista
sem qualquer importância...
Oprimidos, castigados eternos
obrigados a caminhar como mortos vivos,
escravos de uma força
dita superior.
Não gostamos que nos causem dor;
preferimos causar dor a nós mesmos...
Até à revolta, se o vento da sorte
não nos favorecer...acabarão por ser
derrubados - não
interessa por quem.

sábado, 13 de agosto de 2011

Negação


[Quando uma terra está seca à muito tempo...qualquer líquido que apareça é benvindo..E nem mesmo eu, nesta tentativa de fechar portas (porque nunca as consigo trancar de forma eficaz), consegui resistir a essa inspiração que se abateu por uns momentos. Agarrei-a logo, mesmo sabendo que voltaria a abandonar-me, para que por uns minutos pudesse escrever aquilo que mais ninguém vê, mas que todos acabam por sentir, independentemente da razão. Por isso este texto é como se não fosse meu, porque foi escrito por todos vós...Abençoado o momento em que o sol não se limita a cegar os olhos de quem já desistiu de procurar a luz.]

Se existe algo que ninguém viu
Esse algo nunca aconteceu?
Não existiu essa gota de mar
Que ninguém chegou a ver,
Desaparecida mesmo antes de aparecer,
Consumida por essa estrela quente
Nesse por do sol num braço curvado
Que protegia a face...
Esse sabor também é salgado,
E mesmo antes de ter sido derramado
Foi fingido esquecido,
Não se deixou largar ao mundo
(Por ainda não ser o seu tempo)
Largando mundos de sonhos que ficaram
Por derramar vivos.
E essa mesma lágrima viria
A poder cair nessa mesma praia,
Depois do sol fugir para dar lugar à lua,
Numa areia calma, ausente de esperança,
Na fome do alimento que falta,
Nessa beleza tão só das estrelas que
Dão magia ao céu...Nessa paz da nossa existência
Que não existe...Hipócrisia.
Deixem-me só, e não me culpem
Por gritar o nome, porque os nomes
Ajudam a pintar as faces das nossas histórias...
Tão só.
Poderia ter tudo para ser feliz.
Mas a solidão marca-me
Como o sol marca a minha pele
Em dias mais quentes,
E a saudade...é a saudade,
Relembra-me a verdade que não tenho,
Que não consigo voltar a ter.
Não tenho tudo para ser feliz,
Porque me falta o mais importante. E isto é a verdade;
Estar vivo não basta...
Não estou em negação.