Foi começado outro caminho,
na magia mais pura de ser caminhado devagar
mas não devagar demais...a calma em demasia
tende a magoar
desde o mais superficial ao mais escondido.
Como em qualquer caminho escolhido
a ser caminhado, existem as suas paragens...
E parar só pode trazer uma boa razão:
a reflexão por uns momentos.
Porque todas as outras razões...
ninguém as quer sentir na pele dos pés,
na sensação da energia da motivação.
Terá sido a melhor escolha?
O intermédio entre a boa escolha
e a escolha que se queria realmente?
Que impasses são estes que impedem
que os passos continuem a ser dados?
Mas isto não basta...
Porque quando um mal vem...
ele vem acompanhado.
Treinado e equipado com um só objectivo:
colocar à prova; de várias maneiras...em vários momentos...
por longos momentos.
E o suspiro de alívio dá lugar à inquietação.
Neste momento os Homens acreditam mais em anjos
do que os anjos nos Homens...
Nesta luta apertada contra o peito,
num peito que se quer petreficar,
toda a mais pequena pedra que apareça no caminho...é um alerta.
Mas eu, ser sentirracional, consciente de verdades simples
que se apresentam, suspiro aos caminhantes:
Se respiram ainda devem estar vivos,
Se caminham é porque ainda deve existir um sentido...
Na luta desistida só triunfa o último suspiro.
Agora, finalmente, tudo vai acontecer
como sempre deveria ter acontecido..
terça-feira, 30 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Suor de lágrimas
Desonrei a vida que me foi dada...
Perdido em sonhos medíocres
que fingem alimentar a alma humana.
Se for possível terminar um caminho,
mesmo sem a nossa completa vontade,
ou começar um novo,
mesmo sem outro ainda estar completamente terminado...
Então, chegou a minha hora.
O braço alarga o movimento possível.
Mas é esticado ao máximo, até a alma
suportar a dor do corpo.
Afastado de uma crença humana
que não consegue satisfazer a realidade
estou agora nas mãos...de outro, de outra,
de algo...
Cansei-me deste sentimento frígido.
E se não o posso combater
terei de me aproximar dele.
Porque não me falta uma vontade
mas apenas a sua concretização.
Espero que seja agora, a hora,
o estrangulamento desta falta de eficiência;
está na hora de esculpir-me, mesmo em algo
que ainda não me é de todo real...mesmo não sendo
de todo o que pensava ser o melhor...
Mas eu já não penso no que pensava,
não posso...Porque nada se concretizou.
Estou à tua vontade, mas consciente
que a metamorfose será a frio, a gelo,
quase à força, profunda, como se moldavam
as antigas estátuas...um trabalho àrduo.
A tua vontade...
...nas minhas mãos.
Perdido em sonhos medíocres
que fingem alimentar a alma humana.
Se for possível terminar um caminho,
mesmo sem a nossa completa vontade,
ou começar um novo,
mesmo sem outro ainda estar completamente terminado...
Então, chegou a minha hora.
O braço alarga o movimento possível.
Mas é esticado ao máximo, até a alma
suportar a dor do corpo.
Afastado de uma crença humana
que não consegue satisfazer a realidade
estou agora nas mãos...de outro, de outra,
de algo...
Cansei-me deste sentimento frígido.
E se não o posso combater
terei de me aproximar dele.
Porque não me falta uma vontade
mas apenas a sua concretização.
Espero que seja agora, a hora,
o estrangulamento desta falta de eficiência;
está na hora de esculpir-me, mesmo em algo
que ainda não me é de todo real...mesmo não sendo
de todo o que pensava ser o melhor...
Mas eu já não penso no que pensava,
não posso...Porque nada se concretizou.
Estou à tua vontade, mas consciente
que a metamorfose será a frio, a gelo,
quase à força, profunda, como se moldavam
as antigas estátuas...um trabalho àrduo.
A tua vontade...
...nas minhas mãos.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O último portal
(Vai-te, novamente, e que seja de novo para sempre
até que sejas finalmente minha. Até.)
Entra, caminha comigo nesses passos
de um caminho paralelo à rotina...
Os sonhos são iguais
só muda o verdadeiro sentido de os alcançar,
para os alcançar realmente.
A teimosia do tédio desfaz
a sorte em pedaços demasiado pequenos,
apesar da sorte caber no coração de todos
e de forma talvez até abundante...todos
a devemos ter, não a sabemos é definir.
São os filhos de Deus nesta terra que
têm o poder divino de nos alterar,
seres humanos, abençoados ou amaldiçoados,
capazes do melhor e do pior em tempos
que passam tão depressa.
A desilusão é grande; a realidade da mudança
e da verdadeira luta é descrita como ilusão,
jã não rastejo neste chão à procura da cura
para tudo isto; tranquei-me finalmente
às palavras exteriores, às ações exteriores,
e só procuro conforto nas palavras e nas ações
de quem me pode ajudar a provar que estou certo.
Mais certo ainda...no caminho de uma perfeição qualquer
que ainda sonha ser concretizada.
Gargalhas ou silêncios compridos enchem as paredes
da minha alma, como podem ser tão ignorantes?
Se estivesse errado aprenderia, o mais depressa possível,
não o estando também nada muda...
é como se a nossa vontade de nada valesse.
Colocamos o peso da nossa verdadeira essência
nas costas ausentes dos outros.
Caminhei. E continuo a caminhar.
Dou passadas rápidas, sem pisar o que não deve ser pisado,
consciente que estou afastado de tudo
para morrer quando puder
sem que nada fique por dizer,...
Numa união de elementos voltei-me a tornar coisa,
do líquido passei para o físico, preprado para ser
esculpido...No silêncio, no recolhimento, na solidão,
no lutar de sonhos mais pequenos...até que o tempo
se encarregue de me encaminhar para a casa do Pai.
Uns caminham por caminhar, ou por caminhar pensando que
realmente caminham...Juntei-me a vós.
Quero sentir o que sentem...mas agora consciente,
apto, mas aperfeiçoado.
O silêncio não me congela por fora
apenas por dentro
e a cada momento que passa
estou mais sólido...
Um dia serei pedra, antes de morrer,
e as gargalhadas ou os silêncios
deixarão de me fazer marcas na alma...
porque já estarei morto por dentro
apesar de vivo e perfeito na vida
de quem quer apenas viver.
até que sejas finalmente minha. Até.)
Entra, caminha comigo nesses passos
de um caminho paralelo à rotina...
Os sonhos são iguais
só muda o verdadeiro sentido de os alcançar,
para os alcançar realmente.
A teimosia do tédio desfaz
a sorte em pedaços demasiado pequenos,
apesar da sorte caber no coração de todos
e de forma talvez até abundante...todos
a devemos ter, não a sabemos é definir.
São os filhos de Deus nesta terra que
têm o poder divino de nos alterar,
seres humanos, abençoados ou amaldiçoados,
capazes do melhor e do pior em tempos
que passam tão depressa.
A desilusão é grande; a realidade da mudança
e da verdadeira luta é descrita como ilusão,
jã não rastejo neste chão à procura da cura
para tudo isto; tranquei-me finalmente
às palavras exteriores, às ações exteriores,
e só procuro conforto nas palavras e nas ações
de quem me pode ajudar a provar que estou certo.
Mais certo ainda...no caminho de uma perfeição qualquer
que ainda sonha ser concretizada.
Gargalhas ou silêncios compridos enchem as paredes
da minha alma, como podem ser tão ignorantes?
Se estivesse errado aprenderia, o mais depressa possível,
não o estando também nada muda...
é como se a nossa vontade de nada valesse.
Colocamos o peso da nossa verdadeira essência
nas costas ausentes dos outros.
Caminhei. E continuo a caminhar.
Dou passadas rápidas, sem pisar o que não deve ser pisado,
consciente que estou afastado de tudo
para morrer quando puder
sem que nada fique por dizer,...
Numa união de elementos voltei-me a tornar coisa,
do líquido passei para o físico, preprado para ser
esculpido...No silêncio, no recolhimento, na solidão,
no lutar de sonhos mais pequenos...até que o tempo
se encarregue de me encaminhar para a casa do Pai.
Uns caminham por caminhar, ou por caminhar pensando que
realmente caminham...Juntei-me a vós.
Quero sentir o que sentem...mas agora consciente,
apto, mas aperfeiçoado.
O silêncio não me congela por fora
apenas por dentro
e a cada momento que passa
estou mais sólido...
Um dia serei pedra, antes de morrer,
e as gargalhadas ou os silêncios
deixarão de me fazer marcas na alma...
porque já estarei morto por dentro
apesar de vivo e perfeito na vida
de quem quer apenas viver.
domingo, 14 de agosto de 2011
Grilhões imortais
(Daqueles textos que não escrevia à muito tempo. A ideia não foi minha; obrigado pelas ideias que fizeram rular cabeças do Poder Humano na História, mesmo que só na teoria...neste caso o pouco - é melhor que nada.)
Sinto o pulsar do fogo
nas veias do mundo injustiçado...
Trancado por fora
trancado por dentro.
Esta esfera imútavel que nos esmaga é
enorme no peso e no tamanho,
é capaz de matar, capaz de fazer calar,
as vidas são números numa lista
sem qualquer importância...
Oprimidos, castigados eternos
obrigados a caminhar como mortos vivos,
escravos de uma força
dita superior.
Não gostamos que nos causem dor;
preferimos causar dor a nós mesmos...
Até à revolta, se o vento da sorte
não nos favorecer...acabarão por ser
derrubados - não
interessa por quem.
Sinto o pulsar do fogo
nas veias do mundo injustiçado...
Trancado por fora
trancado por dentro.
Esta esfera imútavel que nos esmaga é
enorme no peso e no tamanho,
é capaz de matar, capaz de fazer calar,
as vidas são números numa lista
sem qualquer importância...
Oprimidos, castigados eternos
obrigados a caminhar como mortos vivos,
escravos de uma força
dita superior.
Não gostamos que nos causem dor;
preferimos causar dor a nós mesmos...
Até à revolta, se o vento da sorte
não nos favorecer...acabarão por ser
derrubados - não
interessa por quem.
sábado, 13 de agosto de 2011
Negação
[Quando uma terra está seca à muito tempo...qualquer líquido que apareça é benvindo..E nem mesmo eu, nesta tentativa de fechar portas (porque nunca as consigo trancar de forma eficaz), consegui resistir a essa inspiração que se abateu por uns momentos. Agarrei-a logo, mesmo sabendo que voltaria a abandonar-me, para que por uns minutos pudesse escrever aquilo que mais ninguém vê, mas que todos acabam por sentir, independentemente da razão. Por isso este texto é como se não fosse meu, porque foi escrito por todos vós...Abençoado o momento em que o sol não se limita a cegar os olhos de quem já desistiu de procurar a luz.]
Se existe algo que ninguém viu
Esse algo nunca aconteceu?
Não existiu essa gota de mar
Que ninguém chegou a ver,
Desaparecida mesmo antes de aparecer,
Consumida por essa estrela quente
Nesse por do sol num braço curvado
Que protegia a face...
Esse sabor também é salgado,
E mesmo antes de ter sido derramado
Foi fingido esquecido,
Não se deixou largar ao mundo
(Por ainda não ser o seu tempo)
Largando mundos de sonhos que ficaram
Por derramar vivos.
E essa mesma lágrima viria
A poder cair nessa mesma praia,
Depois do sol fugir para dar lugar à lua,
Numa areia calma, ausente de esperança,
Na fome do alimento que falta,
Nessa beleza tão só das estrelas que
Dão magia ao céu...Nessa paz da nossa existência
Que não existe...Hipócrisia.
Deixem-me só, e não me culpem
Por gritar o nome, porque os nomes
Ajudam a pintar as faces das nossas histórias...
Tão só.
Poderia ter tudo para ser feliz.
Mas a solidão marca-me
Como o sol marca a minha pele
Em dias mais quentes,
E a saudade...é a saudade,
Relembra-me a verdade que não tenho,
Que não consigo voltar a ter.
Não tenho tudo para ser feliz,
Porque me falta o mais importante. E isto é a verdade;
Estar vivo não basta...
Não estou em negação.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
(Another) "Love song"
Confesso...tenho de confessar. Apareceu esta jovem senhora, bem mais nova do que eu, e a magia instalou-se no ouvido atento. Derrubando sem quase dificuldade os enormes A Perfect Circle (nesse já grande cover misturado do Love song), deixando qualquer um à mercê...disto. Em Portugal temos a música "Eu nunca me esqueci de ti" do Rui Veloso, ou o "Haja o que houver" dos Madredeus...em Inglaterra? Temos isto. E não existe inspiração ou sentimento que valha o movimento dos dedos...
só que depois
como que para nos fazer sentimensar...acontece-nos...isto.
só que depois
como que para nos fazer sentimensar...acontece-nos...isto.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Na grande busca do pouco
[Tenho andado inclinado a despedir-me das letras por um longo tempo. Sei que preciso delas, quase todos os dias, mas sinto que me repito, constantemente, não consigo dar lugar a algo novo...digo o mesmo, mesmo no esforço de usar outras palavras, outras expressões; dito de outra forma: (citando Scarlett Johansson em Lost in translation) 'i'm stuck', estou rotineiro. Sinto exactamente aquilo que digo, e se ainda escrevo, é porque "tem de ser". Queria uma rutura enorme, em grande escala temporal...E queria sair numa grande despedida, num texto completo e final, para não deixar pedras por serem derrubadas. Ontem, à janela, ao fim de tarde, uma fúria vinda não se sabe de onde abateu-se sobre mim, e lembrei-me daquilo que sou e do lugar a que pertenço, e senti-me quase bem, porque já estou habituado a ser isto, a estar aqui. Como fugir da nossa verdadeira casa? Da nossa verdadeira companhia? Sei que, se isto não for a paragem que tanto desejo (e que tarda em se afirmar) voltarei às letras menos claras, às mais escuras, de onde nunca consegui sair totalmente...
Assumo total responsabilidade de utilizar neste texto frases inspiradas nesse mundo paralelo que é o dos Madredeus...há três dias encontrei toda a discografia e tenho a certeza que foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos. Para mim, e vão-me perdoar os portugueses, existe alguém muito acima d'Amália. É uma voz que não é terrestre, uma melodia que vem de longe...de lugares que pensamos não conhecer, mas que estão bem próximos. E as letras...somos nós. Deixo aqui algumas sugestões de músicas para quem queira sentir outro sentimento. De certo não se vão arrepender.
(As cores do sol; O pastor; O labirinto parado; Vem(além de toda a solidão); Haja o que houver; A praia do mar; O tejo; A tempestade; Os dias são à noite; O fim da estrada; O olhar; entre outras...)]
Só tenho uma pergunta para fazer...
Queria que toda esta certeza fosse em vão,
e que toda esta razão estivesse errada, para que
pudesse aguardar um pouco mais
pela claridade humana.
E estes dias vão passando, vão-se arrastando,
deixando no ar esse pesado ar de dia de Verão,
onde mesmo o vento não consegue empurrar
um ar mais fresco para os pulmões;
Sei que se acordassemos
com quem mais queremos a nosso lado
tudo isto teria mais significado...Seria abençoado
e louvado todo este fado...Um caminho feliz.
Ao cair da tarde...
Ao cair do dia...Ao chegar da noite...
Não sei se é luz, se é névoa que
cada pedaço de carne e alma invade,
Fingindo alterar...e num ardor
que depressa se torna dormente,
Avisto esse sonho que arde ao longe...
E eu estou acordado, atento,
de vígilia, mas não é por tentar que se aproxime
que ele vem...
Mas queria não acordar se sonhasse um pouco mais.
Tenho agora a certeza que nem tudo é culpa
do silêncio;
é tão ou mais forte a ausência daquilo que
queriamos ou queremos ouvir.
Tenho uma só pergunta para fazer...
Olhos fogem de olhos, medo,
vontade escondida, vontade fugida
mas apenas fingida...
Receio essa sensação de uma viagem
concretizada e em concretização
por outros relembrada como ilusão.
Marcada como ilusão a letras que fervem
na pele; sem fuga ao esquecimento.
Essa sensação de tanto amar.
Uma mesma visão mesmo em olhos tão diferentes,
tão distantes.
Deus complicou o mundo
ao simplificar o caminho para felicidade.
Até onde nos leva o silêncio?
E a ausência de quem mais nos completa?
E as palavras ocas?
(Por agora poesia...)
E depois de todos sentirmos
essa fúria
calma
que é a saudade
a pergunta que falta fazer é
porquê?
Assumo total responsabilidade de utilizar neste texto frases inspiradas nesse mundo paralelo que é o dos Madredeus...há três dias encontrei toda a discografia e tenho a certeza que foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos. Para mim, e vão-me perdoar os portugueses, existe alguém muito acima d'Amália. É uma voz que não é terrestre, uma melodia que vem de longe...de lugares que pensamos não conhecer, mas que estão bem próximos. E as letras...somos nós. Deixo aqui algumas sugestões de músicas para quem queira sentir outro sentimento. De certo não se vão arrepender.
(As cores do sol; O pastor; O labirinto parado; Vem(além de toda a solidão); Haja o que houver; A praia do mar; O tejo; A tempestade; Os dias são à noite; O fim da estrada; O olhar; entre outras...)]
Só tenho uma pergunta para fazer...
Queria que toda esta certeza fosse em vão,
e que toda esta razão estivesse errada, para que
pudesse aguardar um pouco mais
pela claridade humana.
E estes dias vão passando, vão-se arrastando,
deixando no ar esse pesado ar de dia de Verão,
onde mesmo o vento não consegue empurrar
um ar mais fresco para os pulmões;
Sei que se acordassemos
com quem mais queremos a nosso lado
tudo isto teria mais significado...Seria abençoado
e louvado todo este fado...Um caminho feliz.
Ao cair da tarde...
Ao cair do dia...Ao chegar da noite...
Não sei se é luz, se é névoa que
cada pedaço de carne e alma invade,
Fingindo alterar...e num ardor
que depressa se torna dormente,
Avisto esse sonho que arde ao longe...
E eu estou acordado, atento,
de vígilia, mas não é por tentar que se aproxime
que ele vem...
Mas queria não acordar se sonhasse um pouco mais.
Tenho agora a certeza que nem tudo é culpa
do silêncio;
é tão ou mais forte a ausência daquilo que
queriamos ou queremos ouvir.
Tenho uma só pergunta para fazer...
Olhos fogem de olhos, medo,
vontade escondida, vontade fugida
mas apenas fingida...
Receio essa sensação de uma viagem
concretizada e em concretização
por outros relembrada como ilusão.
Marcada como ilusão a letras que fervem
na pele; sem fuga ao esquecimento.
Essa sensação de tanto amar.
Uma mesma visão mesmo em olhos tão diferentes,
tão distantes.
Deus complicou o mundo
ao simplificar o caminho para felicidade.
Até onde nos leva o silêncio?
E a ausência de quem mais nos completa?
E as palavras ocas?
(Por agora poesia...)
E depois de todos sentirmos
essa fúria
calma
que é a saudade
a pergunta que falta fazer é
porquê?
quarta-feira, 13 de julho de 2011
3 anos de monstro..
Faz exactamente hoje três anos - e quase poderia jurar que foi mais ou menos a esta hora: 19h28, a que escrevo agora; que foi criado este blogue. Não estou com grandes disposições para uma grande festa, por isso o texto não vai ser habitualmente gigante. Aproveitar só para agradecer aos leitores: ao que leiem desde o início, aos que entraram a meio ou agora, aos que largaram, aos que voltaram, aos que virão (se vierem). Agradecer ainda a todos os que pelas boas ou pelas piores razões me fizeram escrever, e ainda aos que me apoiam. Não desejo que este blogue conte muitos...desejo-lhe saúde, assim como a todos os leitores (esses sim podem continuar a contar muitos e longos anos). Ao monstro.
O autor,
Diogo Garcia TH.
O autor,
Diogo Garcia TH.
Desequilibrar a balança

"I guess there's a plan for all of us. I had to die - twice - just to figure that out. Like the book says, He works His work in mysterious ways. Some people like it. Some people don't." [Constantine - final quote]
De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos?
Viemos do erro, caminhamos no erro
na direção do próximo...Escolhas humanas.
Confusos no espírito, confusos na razão
de ser e de fazer, como se toda esta leveza
fosse peso, sentindo uma coroa de maldição
em lugar de uma benção...
A perfeição do universo foi destruída
no dia em que o ser humano começou a sentir.
Explorar o corpo humano é fácil...mas a alma
recorta-se em várias metades, todas com diferentes pesos.
E a minha monstruosidade observa
o anjo de asas negras, o demónio de asas brancas,
que se confundem nas verdades de cada mentira
preparados para colocar o Homem na dúvida,
deixa-lo à sua própria escolha...
Quero dar, mas ao mesmo tempo tirar-vos tudo,
Queria levar-vos mais alto...mas somente para vos
deixar cair?
Cravar-me a fundo no vosso coração...mas para sair
com tudo deixando-vos vazios?
Construir...destruir...
Parte de nós escolher a melhor metade?
Está em nós a vontade de escolher a parcela
que não nos pertence?
Este corpo que prende a minha alma...
Esta venda que cega o meu sentir...
Esse egoísmo; essa fraqueza,
esse sonho esquecido, essa realidade desistida,
essa lágrima de arrependimento...
faltou força? Encara o medo nos olhos,
ele que desapareça para sempre da tua vida...
Se cada pessoa
conseguisse sentir
o que um monstro tem de sentir
percebiam que a felicidade está tão mais próxima...
E que a vossa complicação está a destruir-vos
a cada momento que passa...E que a batalha
entre esses opostos todos
nunca existiu verdadeiramente...
porque a vossa escolha, aquela que deveria interessar,
(mas que é por vós ignorada)
aquela que deveria desiquilibrar a balança:
já está feita há muito tempo.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
A passagem
Alguns acreditam nos anjos
que habitam no coração do Homem...
Outro acreditam que os demónios estão
só de passagem...
Poesia...
ainda
não sou
teu.
Nasci num mundo que gira ao contrário...
A Religião e a Ciência...O Sentimento
e a Razão continuam a correr para lugares opostos.
Continuamos a ser tão pequenos;
ignorando o poder da criação nas duas mãos que temos,
universos de soluções e sabedoria num ou noutro
bolso...
Às vezes tudo o que parece importar é sobreviver,
matar essa fome monstruosa que faz de nós
aquilo que realmente somos; num ritual que louva
apenas o instinto...
Continuo a apanhar destroços da realidade
no desejo de a tornar de novo completa.
Os meus sonhos não se realizam...por muito que lute
por eles até que nada mais falte fazer.
Saudades dessa locomotiva que passeia pela nossa
vida, com esse som belo que encanta cada ouvido,
com a mesma intensidade, em todos os que nos rodeiam,
desses enormes pedaços de planetas ou estrelas ou rochas
do universo quando embatem nesta terra.
São peculiares sorrisos, arrepios,
olhos vivos brilhantes
(reflexo de uma alma que brilha),
são suspiros...não de quem sofre, não de quem
respira tédio...de quem deseja, de quem
sente saudades.
Não conseguem perceber...e o contrário de tudo
é o que sobra;
nessa sala onde sonham
para fingir tentar concretizar
é Deus que vos faz companhia
se o diabo bater à porta...e não o contrário.
Enquanto olho o escuro do céu
desejo apenas
que os nossos olhares repousem na mesma lua,
no mesmo pensamento...
como se ela não estivesse apenas de passagem.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A terceira metade
Não me consigo controlar
em controlar-me...Tentando mastigar
onze dias que passaram
sem palavras vazias
mas que não passam sem se fazerem sentir.
Poesia, continuo sem ser teu.
A espiral aguarda, a elevação,
a conquista de tudo aquilo que pode ser nosso
ou que já o foi,
estão abertos os céus para se conquistar a lua...
único farol nessa folha escura.
E será sempre com alegria
que vos verei a caminhar por esse destino...
Mas o meu é bem diferente,
escravo deste apocalipse
dentro do meu ser.
Não lugar, adormecimento,
aborrecimento fatal...
Não é uma ideia, é uma aceitação
na dúvida máxima de uma possível
(e de que forma)
absolvição.
O sol ou momentos rasgados de céu azul onde abunda
a força luminosa...
E com a minha mão tapo o sol,
cinco sombras de cinco dedos
prolongam-se pela face, crescem
atigindo toda esta realidade...
até que tudo acabe
são tentáculos de um polvo
a devorar o total,
controlando-o.
em controlar-me...Tentando mastigar
onze dias que passaram
sem palavras vazias
mas que não passam sem se fazerem sentir.
Poesia, continuo sem ser teu.
A espiral aguarda, a elevação,
a conquista de tudo aquilo que pode ser nosso
ou que já o foi,
estão abertos os céus para se conquistar a lua...
único farol nessa folha escura.
E será sempre com alegria
que vos verei a caminhar por esse destino...
Mas o meu é bem diferente,
escravo deste apocalipse
dentro do meu ser.
Não lugar, adormecimento,
aborrecimento fatal...
Não é uma ideia, é uma aceitação
na dúvida máxima de uma possível
(e de que forma)
absolvição.
O sol ou momentos rasgados de céu azul onde abunda
a força luminosa...
E com a minha mão tapo o sol,
cinco sombras de cinco dedos
prolongam-se pela face, crescem
atigindo toda esta realidade...
até que tudo acabe
são tentáculos de um polvo
a devorar o total,
controlando-o.
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