terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cataclysm

Escrito por Diogo Garcia TH e Joana Garcia TH, pela quarta vez juntos...

E se a esperança morresse hoje?

E se a vida acabasse amanhã?

Sejam bem vindos ao ínicio do vosso fim;

Onde os anjos choram e Deus se esconde atrás

Do sol, onde ninguém o pode ver sofrer;

Onde as ondas do mar invocam antigos seres imortais

Capazes de fazer tremer o mais corajoso mortal.

Este ar pesado, quente, este vento que traz com ele

Restos desse Inferno já tão próximo...

Não existe tempo para mais sentimentais espirais;

Os vendavais trouxeram com eles furacões,

Enormes, colossais,

E o medo cresce, expande como todo esse

Universo que ficará para trás...

Desejam estar nesse vosso calmo mundo

Admirando esse calmo mundo

Sentados no vosso cais...

E é nesse mesmo cais que podemos ver as ondas gigantescas que se aproximam inevitavelmente. As ondas colossais que em breve afogarão memórias e vidas construídas a partir do nada, retratos de quem já existiu e vestígios da nossa própria existência. Ondas que por fim chegam a terra, a esta Lisboa cinzenta e pálida, pilhada de toda a cor que um dia possuiu. As ondas chegam, tumultuosas, numa revolta sem fim, mais fortes do que a força do Homem, mais imparáveis do que queremos imaginar. Começam a levar consigo pessoas e objectos que há minutos atrás faziam parte do nosso quotidiano, mas que agora, representam aquilo que foi arrancado à força. Há quem corra para a salvação, mas outros aceitam o seu destino e deixam-se ficar, apreciando o espectáculo que é ver o mar ganhar vida e em toda a sua glória, devastar o que lhe pertence. Eu corro. Corro com toda a minha energia e força, e rezo para que chegue a hora em que eu possa parar de correr. Mas, ironicamente ou não, as minhas preces são atendidas e eu páro realmente de me mexer. Páro até de respirar. Lisboa à minha volta encontra-se mais uma vez destruída, como se de sina se tratasse. E vejo-me rodeada de destruição, do caos, de um reboliço inimaginável. O pânico corre violentamente nas veias de quem ainda ousa viver só para morrer mais tarde e por breves segundos eu deparo-me com a catástrofe que é viver rodeada de outros seres que se intitulam de humanos. Porque neste momento nada têm de humanos, nada resta da vossa grande dignidade.

O medo invade-vos as veias a toda a velocidade!

Não existe mais espaço neste mundo

Para a verdade, a mentira e a cobardia

Venceram! Que comece a calamidade.

Trovões no céu escuro aclaram

A vossa realidade!, fazem lembrar

As horas em que a luz vos iluminava.

Agora talvez seja tarde de mais...

Pagam o preço elevado de ter errado.

O caminho nunca foi traiçoeiro,

As medidas apenas foram mal tiradas,

Recuaram, choraram em horas desnecessárias,

Mas não mostraram receio na ganância!

A morte está à espreita como uma criança

Curiosa, pronta para avançar sem que ninguém

A veja...

Desejava estar morto para não vos ver

Enterrados em sofrimento,

Nesse arrependimento...

Deus terá chegado o momento?

A sorte é cega para uma moeda

Com duas caras...

Agora sorrio, enquanto a natureza

Não deixa pedra sobre pedra!

E como poderia, se as paredes estão a ruir como castelos de cartas ao vento? Como, se as paredes derretem mais rápido que a própria cera, deixando atrás de si um rasto de miséria e inseguraça? Deixaram tudo ao acaso, deram todo o controlo à grande Mãe, correndo o risco de perder o chão por baixo dos vossos pés, quando tentavam tão arduamente alcançar o céu. Quando tentavam quebrar todos os limites e barreiras imagináveis, mudar o que não devia ser mudado. Tentaram fazer o impossível, mudar a face do mundo que conhecíamos só para se poderem glorificar ainda mais, não pensando nas consequências. E agora, por isso mesmo, o fim está próximo. Estendo a mão e verifico que estão a chover cinzas quentes e poluídas, que revelam a verdadeira essência de algumas almas que andam por aí a tentar a todo o custo sobreviver ao que não se sobrevive. Que tentam já dar a volta por cima, que querem já colocar-se na vanguarda, criando vantagem sobre os o os rodeiam, pondo acima de tudo o egoísmo primal que reina a vida humana. Foi aqui, nestes últimos minutos, neste corredor cheio de corpos há muito mortos, que pude ver pela primeira vez, com os meus próprios olhos, o que numa vida inteira não fui capaz de constatar. Vi a verdade, escrita de uma maneira tão clara, tão absoluta e sincera, que deixei de temer o destino negro que a cada passo se aproximava. A hipocrisia, a falsidade, a inveja, a ganância, o egoísmo e o egocêntrismo levados ao extremo, escritos na cara de todos os que passam por mim, tentando vencer o inevitavél. Só queria que tivessem noção do que eu vejo, que conseguissem sentir a revolta que eu sinto ao ver o cancro comer-vos por inteiro. O cancro causado pela vossa alma, por vocês próprios. Caminho pelas ruas do que costumava ser Lisboa, capital de gente racional, abismada com o que a desgraça causa. O mar já veio e tirou o que tinha a tirar. O sol apagou-se deixando-nos nas trevas, a chuva tornou-se pó, cinza que vem contaminar quem há muito devia ter partido; e agora, por fim, para levar o que resta, as labaredas crescem em força, arrebatando o que nunca nos pertenceu. Arrebatando a vida humana à sua vontade, deixando-nos à mercê de um Deus qualquer, que nos redima do nosso núcleo não digno de assistir a tal baptismo de alma. Porque a desgraça só vem buscar o que de mal havia, e porque a tragédia só vem purificar a alma dos mais perdidos, deixando o que há de bom no mundo por descobrir. As labaredas tocam os céus, unindo duas dimensões, fundindo dois mundos opostos, mostrando-nos o caminho do fim do mundo. Nova onda de pânico atinge os menos iluminados quando vêem o mar ganhar nova força, ganhar novo alento de destruição, em direcção a terra. A onda vai devastando tudo à sua passagem, não poupando nada que respire ou finja respirar. Chega perto de mim, e antes de ter tempo de me cobrir por completo, fecho os olhos e sorrio porque sei que isto não é o fim.

É apenas um dos inícios.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A luz da noite

Tentei esconder-me na luz...
Fiz um esforço enorme para respirar tudo menos trevas.
Talvez neste imenso mar negro tenha tentado encontrar
uma ilha onde pensei poder fugir à escuridão...
(Mas foi em vão)
Ainda não chegou o momento que tanto tenho esperado...
Depressa nesta pequena ilha, que se avistava como
um oásis de claridade, começou a aparecer um nevoeiro
já por mim conhecido...e não é com alegria
que o vejo reaparecer como um amigo à muito perdido...
Às vezes acabamos por nos esconder, camuflar na luz
quando na verdade ainda somos trevas...Mais uma tentativa
falhada.
É este mundo que promete tudo, e são estas pessoas que não
fazem nada...
É este movimento preso, esta inércia pesada...
Tudo agarrado e bem preso como se se tratasse
de pedras na calçada...
Volto a mergulhar neste mar, este mar que conheço já tão bem,
Sempre preparado a sentar-me em ilhas que pareçam
sempre mais do que aquilo que são...
Esta é a vida, a vida que existe...Promessas,
vazios, não-histórias...Até que se encontre
a verdadeira ilha de claridade
no quase infinito de trevas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Outras espirais de origem

(Passo a vida a dizer à minha irmã: não te esqueças de onde vieste, das tuas origens, das tuas espirais...Mas poderão de facto as músicas, e\ou filmes, e\ou livros, moldarem quem somos? A fazer de nós alguém melhor\pior? Serão eles reais inspirações nas nossas modificações? No meu caso sei que sim. E a espiral que me invade de momento é a mesma de há já algum tempo atrás...e é forte, faminta, com fé de continuar a crescer e a girar, até...não sei ainda onde. No entanto quis recordar uma espiral que já fez parte de mim, e que na altura foi importante, e ainda hoje, mesmo já só somente pairando na minha memória, ainda está cravada com força bruta no meu coração...)

"Don't tell me what you've done..." (FATM)
"Cause I don't wanna know..." (APC)

Guiai-vos por isto, pois por vezes nada mais interessa:
(Fado Vadio - Dealema)

"Tudo que eu tenho é uma caneta e o pôr do sol desenhado
No canto de um papel, amarrotado pelo meu ódio
Acredito em pesadelos belos
Quando a vida dá-me estalos com luvas de ferro;
Mas de coração cheio, vou compreendendo
Que a máquina que move a vida é o sentimento...

Porque quem tem tudo, vive por trás de um escudo
Mas quem não tem nada, vive pela lei da espada
A sentença é pesada, mas encara-a de frente
Quem tem vergonha do que sente, perde sempre e nunca ganha
O peso na consciência é clara evidência da falta de experiência
No campo do relacionamento humano...

Criando o futuro, passo a passo
Nada aqui é permanente
Tudo o que tem começo também acaba
Cinzas, pó e nada...


A brilhar como o orvalho na madrugada
O nosso fado faz chorar as pedras da calçada...
Há quem viva esta vida em vão
Sem dar valor à dádiva, sem acção
Como um espectador de televisão
Qual é a direcção? Quem saberá...
Muita gente tira e muita pouca dá
A vida são dois dias, um deles é para acordar
O tempo começa a apertar
Está na altura de expulsar os vendilhões do templo
Criar sustento, parar, pensar e apreciar o momento
Somos guiados por valores:
Uma voz interior que me move
Encontro o verdadeiro norte
O coração sofre quando alguém parte
Porque o amor é forte como a morte
E foi na arte de viver que nos reconhecemos
Erguemos isto desde os velhos tempos, que saudade!
A nossa história é única, como uma rubrica
Canto esta canção com paixão, como se fosse a última...

Vivemos tempos soturnos, nestes locus horrendus
Não é à toa que vêm à tona os nossos medos mais intensos
Nós lidamos com sentimentos, sem ressentimentos
Seguimos pressentimentos
Vozes interiores sussurram orientação
Dão-nos a obrigação de ver na vida uma benção
Apesar da sucessão de depressões e desilusões
Perdi batalhas, mas nunca perdi lições...
Dias bem difíceis que passava para os papéis
Ansiedades e angústias abalavam a alma
Anestesiava os sentidos, tentava manter a calma
Vi sonhos ruírem como castelos de cartas
Quase desacreditei, abandonei as palavras
Neste mundo de mau carma, armas e pragas
Invado-me... A minha imaginação tem asas
Exorcizo fantasmas nas folhas de um caderno
Através da criação eu consigo ser eterno
Poeta boémio, gato vadio
Noctívago nas ruas deste Porto sombrio
Os meus pais perguntam-me o que é que eu vou fazer da vida
Prometo-vos, é este o ano em que tudo cambia
Tenho fé, esse é o meu trunfo na manga
Junto com os meus irmãos dou o grito do ipiranga..."

Estava à muito tempo para fazer isto;
pareceu-me a altura ideal.
Obrigado ao Norte pelos preenchimentos
na minha vida.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Almost tear droping

Ontem, na inocência da amizade, mas também na sua verdade, desejaram-me: inspiração.
Agradeci. Costumo ser educado, ainda para mais quando se trata de algo verdadeiro...

Mas de momento o que preciso não é de inspiração...porque essa está comigo quase sempre, seja nos momentos bons ou nos maus, e seja ela boa ou menos boa, ou até má...Mas não. O que preciso é de vida. Na linguagem de quem não é monstro: preciso de claridade.
É nestas alturas que me levanto, com um sorriso leve no rosto (com grande probabilidade de se extender mais), e digo a quem se encontra nestas situações: move-te, procura lugares onde não existem nuvens, onde o sol bate e o céu é totalmente azul...Sim eu sei. Sou eu de facto.

...Esqueci-me talvez, e talvez só por tentar dar o meu melhor eu a outrém, nunca a mim próprio, que às vezes estamos enraízados...num lugar qualquer...e os nossos braços não conseguem para já chegar às nuvens...Temos de esperar que o tempo se encarregue de as sacudir do céu...e a espera é dolorosa mesmo que expulsemos a dor...e é cansativa, e tudo o que conseguimos pensar é que jamais as raízes vão romper, e pouco ou nada nos dá a esperança ou a calma necessária para acreditar que as nuvens vão acabar por desaparecer ou fugir devido a alguém que nos ousou abraçar e as afugentou.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Atraso

Chego sempre atrasado:
dois passos atrás da razão
um passo atrás do sentimento.
E eu que só queria chegar a tempo, a tempo de chegar, sentar e viver feliz
e sossegado.

sábado, 29 de janeiro de 2011

You told us...you weren't afraid to die

Já não sei o que esperar. E as palavras deixaram de fazer sentido na sua forma escrita.
Tenho mais medo da rotina, do morno, da preguiça, da falta de tudo, do que da morte. Que chegue depressa 2012 se isso significar o fim disto tudo...mas não deve ser. O ser humano falha sempre nas previsões que faz. Só queria que me matassem, para deixar de ser isto, e de viver isto, para ser só uma recordação; não quero mais nada se não isto.
Porque era suposto sentir:
"This world can turn me down but I
Won't turn away
And I won't duck and run, cause
I'm not built that way
When everything is gone there is
Nothing there to fear
This world cannot bring me down
No cause I'm already here..." (3DD)
Quando na verdade sinto:
"I'm too tired to fight
i'm just going to lay right here
but im too angry to sleep
...
i'm not at home with myself
...
i'm too scared to live
i love you so much
that i'm going to let you kill me..." (FATM)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Morte viva

Deixei-te cair em queda livre...mas nunca sentiste
O chão onde caíste. Talvez ainda te pareça
Que cais...numa queda sem fim.
Não tenhas medo...
Arrasto a razão como se fosse uma pedra
Enormemente pesada;
Mas puxo-a faminto, sedento,
Como se fosse aquela manta
Que a criança puxa porque não consegue dormir sem ela.
Não consegues viver sem aquilo que mais
Queres
Nem sem aquilo que apenas precisas,
Sem questionar, sem criticar...
És o sol mais quente e mais luminoso
Apenas inerte na escuridão...
Deixa-os vir...que abram as suas asas
Que toquem as suas sensíveis harmonias
Que cantem as suas calmas poesias,
Que me recebam como um velho amigo
Perdido há muito tempo.
Tu só fazes...
Tu não fazes o que por ti deves.
Já nos cansámos deste mundo,
Tentem sentir o coração, e não mentir,
Agora que a vida é mais um dia
(sem nós).

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sounds great



Colocando a razão de lado; colocando a iluminação noutro patamar, e deixando de lado talvez as únicas espirais que realmente importam...Não deixa de ser belo, nem que por momentos, dizer estas coisas:

I've been alone with you
Inside my mind
And in my dreams I've kissed your lips
A thousand times
I sometimes see you
Pass outside my door
Hello!
Is it me you're looking for?
I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You're all I've ever wanted
And my arms are open wide
Because you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much
I love you

I long to see the sunlight in your hair
And tell you time and time again
How much I care
Sometimes I feel my heart will overflow
Hello!
I've just got to let you know
Because I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely?
Or is someone loving you?
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying I love you

Is it me you're looking for?
Because I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely?
Or is someone loving you?
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying I love you

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Born in blood


Pain...
...Agony...
Suffering...


(Título baseado na série Dexter, palavras iniciais da introdução do Cataclysm(WoW))

"Why me Gabriel? Haven't I prayed enough? (...) Haven't I went to church enough?(...)"
"Because you smoke 30 cigarrettes every day since you had 15 years old..."
(Constantine)

"I have to live vicariously
through your life." (TUT)

Saía em 17 de Abril de 2006 a melhor música do CD 10 000 Days, música intensamente forte que jamais até hoje teve outra que se lhe igualasse neste ramo. Esta música e canção reflectem de forma soberba este sentimento, esta necessidade, esta sede, que todo o ser humano, de forma consciente ou não, vive e vibra com a tragédia alheia. Eu apenas admito, nem sequer tento colocar em questão essa verdade...(Why can't we just admit it?!)

(nota final antes do ínicio: este texto anda a remoer-se dentro de mim há três dias. Hoje levantei-me, e coloquei mãos à obra. E não me recordo, em todos os meus textos até hoje, de ter tido tanto trabalho na sua elaboração, e na sua pesquisa. A realidade é que o texto foi apagado na sua totalidade. Uma das últimas frases que disse no dia 31 de Dezembro de 2010 foi: este foi o pior ano da minha vida, que chegue 2011 depressa. As coisas não estão a melhorar em nada...E um texto, para quem sabe a sensação de o perder, nunca volta a ser igual ao anterior. Portanto, numa onda de positivismo (à qual me tornei céptico) vou pensar: se as coisas por alguma razão não deram; se perderam; se afastaram, a única razão é que para a próxima vai sair melhor. Óptimo.)

Dedicado a todas as pessoas que foram, são ou serão vítimas de catástrofes naturais ou humanas...Pessoas que sem qualquer culpa, de razão humana, pagaram um preço demasiado alto.

Esta cor está na História do mundo desde sempre,
Desde a primeira vez que o Homem feriu
ou que se feriu; desde a sua primeira morte,
desde a sua primeira caçada, desde a sua primeira
refeição...É esta cor vermelha que corre em mim
e que corre dentro de cada Homem.
É esta a cor que acompanha o Homem em toda a sua História;
desde as conquistas, às invasões, às guerras.
Sem ela o Homem não vive, apesar de ser com ela
que acaba por morrer.
Podem-me chamar monstro,
(eu não me importo...até sou capaz de ter em conta
como o maior elogio)
mas depois das linhas que se seguem
(e de muitas outras que já ficaram marcadas para trás)
perguntarei: afinal quem é o monstro?
E mesmo continuando a ser, existem bem piores.

Por onde conseguiria eu começar? Por onde?
Alguém sabe?
Poderá ter começado na primeira raiva sentida,
no sentido de defesa, mas o resto é fácil de descortinar...
As conquistas de pequenos territórios, de cidades,
de países...todas as revoluções mundiais, também elas
estão banhadas em sangue...
A Igreja...Essa dita Igreja, dita como Deus na terra...
"Não matarás..." e no entanto alguém saberá ao certo
o imenso número de mortes?
Pessoas inocentes que não quiseram ser cegas
como vós pagaram um preço caro...Pessoas que pensavam
muito acima do vosso limiar de inteligência
foram perseguidas, queimadas, torturadas...
Santa Inquisição...não. Todos vós representam
a cegueira e falta de amor na terra. Não se intitulem.
Este foi dos maiores rasto de sangue da História
(de culpa somente humana).
Mas outras religiões também fizeram (e ainda fazem) escorrer
muito sangue...Guerras e conflitos que ainda existem
que causam mortos diariamente, guerras e conflitos
que já nem vós sabeis a verdadeira razão de estar a ainda a
ser lutado...
Morrem muitos, mais inocentes que culpados.
Todos os dias estão pessoas a viver a sua vida
a sua vida neste mundo;
num segundo estão vivas, perdidas num pensamento ou gesto ou fala,
e no segundo seguinte: estão mortas...
Alguém ou alguns lembraram-se de se suicidar
e na ida para o outro mundo
de forma cobarde
quiseram levar outros tantos...que nem sequer pediram para ir.
(Às vezes queriam viver noutro mundo; um mundo sem vós.)
São todas estas guerras, e Guerras, que matam tudo o que lhes
aparece à frente...tudo. Não interessa se a razão é útil e verdadeira
se é fraca e incoerente, ou se existe até razão...o ser humano
de várias hipóteses escolhe sempre a sanguinária.
Passados tantos séculos na História do ser humano
e ainda é hoje a força que comanda as acções
como era no início. Como se não tivesse existido
qualquer evolução...
Alguns não encontram genialidade na loucura,
mas ela existe, nas coisas mais belas
e nas acções mais macabras da História...
Desde a procura pela submissão inicial dos povos
(racismo, escravatura)
até aos maiores e mesmo ao mais pequenos ditadores...
Tanto sofrimento, físico e mental, tanta morte...
As ditaduras de maior força
como foram exemplo a chinesa, italiana, russa
espanhola deixaram tanto sangue correr
que ainda hoje são estudadas...e lembradas.
Mas o pior massacre feito pelo Homem
(ao lado talvez da Inquisição)
foi essa mesma cegueira, apesar de não religiosa,
levada à acção por Hitler...
Hitler, esse génio enorme que se dedicou à maldade.
Deus da sua própria religião conseguiu o que mais ninguém
até hoje conseguiu...Fazer sangrar vários países,
diferentes continentes, e ser absoluto culpado de uma Guerra Mundial.
Holocausto.
Sho'ah.
Os mortos, que lutaram a defender fosse o que fosse,
dos vários países ultrapassam treze mil milhões;
e os inocentes que morreram, desses mesmos países que defendiam
fosse o que fosse
é um número tão arrepiante e impossível de perceber como o
dos que lutaram...
E numa escala bem menos monstruosa
mas de grau bem mais cobarde dos ditos
senhores do mundo (em termos instantâneos)
são os casos, e até agora únicos
(até o ser humano resolver outra vez
brincar com caixas de Pandora
que ele julga poder controlar)
casos de bombas atómicas
nas cidades de
Hiroshima:
duzento e quarenta mil mortos...
E de Nagasaki:
noventa mil mortos...
Alguns sofrendo a morte de um segundo para o outro
outros morrendo durante o sofrimento causado
por danos físicos exteriores ou interiores...
Quem é o monstro afinal?
Mas existem muitas mais histórias...muitas,
todas elas com uma participação bem marcada
na História...

Devemos fazer apenas uma coisa:
deixar a Natureza fazer o que tem de fazer...
(Mas: evitar sofrer com ela...
E, o mais importante: não a prejudicarmos ou tentar
controlar...)

Era uma vez um Poder tão grande
que assombra o ser humano desde a sua existência...
Apesar de esta força ter chegado antes da vida humana
a realidade é que se tem vindo a tornar mais fatal
e cada vez maior com o passar dos tempos.
Esta é talvez uma caixa de Pandora que sempre esteve aberta
e que nunca poderá ser fechada...cabe ao Homem não estar
constantemente a espreitar para dentro dela
ou tentar alterá-la.
Ciclones, chuvas intensas que levam a cheias,
vulcões, tempestades, Tsunami, terramotos,
Se esta foi a forma de Deus fazer-nos temer
algo que não de todo no nosso controlo: então
foi perfeito.
Todos os dias sofrem pessoas dívido à mãe Natureza,
em todo o lado deste globo, onde há frio, onde há calor,
onde parece existir perigo próximo
ou parece estar a paz do momento...depressa
tudo
muda
e muda
para pior...
A marca que a Natureza deixa no mundo
através destes actos é profunda...Se é destino,
se é vingança em forma de Carma por tudo o que temos causado nela,
não sei, mas estas forças demolidoras que atacam tanto em silêncio
como num barulho de destruição
fazem parte da vida deste mundo, para sempre...
Lisboa sofreu o seu grande terramoto acompanhado
de ondas gigantes,
Mas as verdadeiras ondas chegaram a Sumatra...
e desta vez acompanhamos com os nossos olhos
a destruição...mais de quatrocentos mil mortos...
Depois vieram os tambores da morte que abanaram o Haiti...
Falava-se em duzentos mil mortos; agora já pássamos os trezentos...
A História está banhada de sangue
tanto devido ao Homem
como da Natureza.
Não faltam exemplos com os quais deveriamos aprender...
Seja para ganhar força e sabedoria
quer apenas para ganhar coração e juízo.
Por fim, o massacre natural que mais matou,
deu-se por duas vezes no rio chinês
(ao qual o seu povo apelidou de "Dor da China")...
Cheias:
de uma primeira vez os mortos foram novecentos mil
e na segunda vez estima-se um número
algo parecido com três milhões de mortos...

(Deus?)
(Homem?)

Nasci no sangue...Nasci no sangue simbólico
no sangue poético que este mundo teve
a delicadeza de deixar para o meu nascimento...
Nasci no sangue que vejo, mesmo que muito ao de longe,
ser derramado.
Nasci no sangue por respeito a quem nasce literalmente
no sangue...

sábado, 15 de janeiro de 2011

O mundo não pára. Em uma semana, num grupo bastante restrito, três novos casais. É de sorrir sim. E é de aproveitar a eficácia feliz, e de felicidade, dos outros.

Congrats.

Nightmare before life

(Depois do dia que passou...Queria abordar vários ângulos da realidade. No entanto, para não cometer um erro no qual erro sempre, vamos dividir as coisas. E escrever cada uma no seu lugar; tenho a vontade constante de encaixar tudo, mesmo onde talvez (e em alguns casos: com toda a certeza) não haja encaixe. Portanto...Para começar vai este. Depois o resto. Boa leitura.)

Nem sequer devia ter começado...
Nem sequer me deviam ter deixado acabar assim,
(Não desta forma)
Enquanto caminhava nesta estrada de Benfica
sobre um nevoeiro medonho e triste que nunca mais abandona
esta cidade, noutros tempos bela,
Mastiguei angústia. O grave foi não a ter conseguido cuspir.
É nestas alturas que me agarro ao passado,
e enquanto alguns com uma força grandiosa tentam travar um
futuro que não lhes agrada
e enquanto outros tentam apagar um passado
é com essa mesma força que tento matar um presente,
Mas a tarefa é mais difícil do que pensava...
Queria voltar a poder dar tudo o que tenho dentro de mim
sem medo de viver,
e como em outros tempos, onde a vida parecia da cor mais bela e pura
que tento oferecer aos outros,
voltar a conquista-la e vive-la sem medo de perder.
Não me digam o que não sentir;
mas também não me digam mais nada. O que vale a pena,
como essa correria constante de agarrar algo que é mais rápido que
nós, essa vontade louca de conseguir agarrar, como tão alegremente
cantam aos velhos e bons ventos
com essa esperança reacendida...Acreditam mesmo nisso?
A esperança é a primeira a morrer.
Uma epifania restaura-me um sentido. Mas mais nada do que isso. Resta-me?
Sobra-me? BASTA-ME? Basta a quem?!
Roubem-me, roubem-me por completo,
deixem-me nu...
(Nunca esperes pela morte...De maneira nenhuma!)
O Karma, ou o destino, ou o Deus que comanda,
fizeram com que ficasse quase céptico, obrigado a louvar
quase numa blasfémia, onde estás?
Funciona tudo de uma maneira hipócrita...Dar ou não dar,
fazer o melhor ou não fazer...Areia para os olhos...Engana-se
quem espera uma recompensa qualquer
mesmo não agindo melhor para a receber...Porque não será assim.
Como da minha própria poeira. Um dia, se lá chegar, terei tempo
para me arrepender do que digo...mas por agora, neste momento,
só desejo escrever, porque não deixo de pensar
e pensar e pensar mais um pouco...Odeio. Queria odiar mais
mas não devo.
Hoje caminhei...e por momentos, julguei-me a caminhar sozinho,
sem ninguém dentro de mim, sem centelha de qualquer matéria, ou alma.
Eu, eu e o frio e um rastro de fumo que saía da minha boca.
O cancro cheira a restos de cinza de cigarros acumulados
com um pouco de água da chuva, dentro de um cinzeiro, que captou
o ambiente à sua volta.
Tudo tem o seu tempo. Este é o tempo me segurar a uma corda
que desce de alguém que ainda não conheço bem, que nem sequer conheço,
ou que conheço mas que se esconde,
em que a minha outra mão agarra uma bagagem só minha...
Não me quero despedir desta vida assim...Já disse: não desta forma;
como se fosse uma luz que alguém apagou à espera de ser acesa;
Não me digam o que sentir...
Se quiserem não sintam
ou digam-me o que não deveria sentir.
O meu ouvido atento capta de longe
as palavras mais pequenas...
Não quero a vossa ajuda
nem a pena
nem as duas quando aparecem por aparecer...Vida triste,
vida do mundo...
Enquanto a morte ceifa tantos por esse mundo fora
que nem sabem sequer o que os atingiu
eu refiro-me a mim próprio como se isso significasse algo.
Não preciso de compreensão.
Tudo o que queria
era aprovação, numa almofada,
Esta vida são vários dias...
E mesmo que isto pareça, seja o que for,
talvez não o seja de facto.
Porque eu já não sei o quero
ou o que quero deixar de querer.
Nesse espaço escondido, cravado no fundo do nosso ser,
está sempre uma voz interior, um desejo que ruge,
um sentimento concreto...As minhas dúvidas
são as mesmas que as vossas...Os meus sonhos? Iguais.
Não somos assim tão diferentes...
Alguns esperam por um milagre, outros por um quase milagre,
outros lutam por fazê-lo...
Todos os dias quando me deito, rezo
para que o dia seguinte traga aquilo que espero
ou que me abra respostas
formas de me recriar...
Todos os dias, antes de vir o sonho antes da vida que chega no dia seguinte:
peço sempre a mesma coisa.
E não importa o que deseje ou lute
nem importa o tempo e a força que aplico
porque o dia nasce
e espero que chegue mais uma noite
para voltar a pedir.
Fecho os olhos
e peço aquilo tudo que não depende de mim
e um pouco do que depende.
É isso que agora quero:
fé que mate este pesadelo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Deterioração ou combustão

Cansaram-se de encarar a fase rosada da vida,
que correndo se cansou sentando-se cansada.
A vida nunca pareceu tão complicada
como se cada recta
parece-se uma encruzilhada...

Estou demasiado cansado para enfrentar
o sonho, para ser eu próprio mais uma
e outra vez, como se a verdadeira causa
da vida fosse viver ou chegar.

Numa corda meio fina meio grossa
olho para o chão...Não vou dizer que me mentes
a menos que me mintas...Só não me roubes
o que nunca me poderás devolver.
De um lado o sol, o calor o bem estar,
e ao mesmo tempo o calor que queima, que consome;
de outro lado a lua, na escuridão da noite a dançar
bela, tentando aclarar as trevas
e ao mesmo tempo roubando o dia, castigando
a luz, até quando, até onde, é tanto nada...

Não conseguem pensar mais;
Dói-vos o estômago, sangram das gengivas,
Dói-vos o lado esquerdo ou direito do crânio,
ou será do cérebro? E um impulso eléctrico
percorre algumas articulações, outras vezes
alguns músculos...E a sede com que beijam a vida
vai e vem
com uma intensidade terrível.
Estou demasiado exausto.

Estou demasiado zangado para adormecer...
Assim não consigo.
Nunca me sentirei a salvo, não aqui,
é essa a água que nunca beberei,
afirmando de forma arrogante, seca, fria,
com um ego tão grande ou maior do que o dos outros...

Não me chames mentiroso...
Não nesta vida.