terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Confissões de uma jaula

"I keep it caged but i can't control it...
The beast is ugly; i feel the rage and i just can't hold it...
It's just beneath the skin
i must confess that i feel like a monster."
(Skillet - Monster)
(post 500)

Como todos vós fui aprisionado
numa jaula de porta entreaberta
como se me tratasse de um ser inanimado.
Destruído em cada articulação
consumido em cada músculo
não represento nenhum perigo,
nem para mim, nem para os outros,
(nenhum perigo eminente).
Questionei-me a cada grade
a cada fechadura e a cada tentativa de janela,
o silêncio respondeu-me de forma silenciosa.
Não me poderia sentir de outra maneira qualquer
só desta forma posso estar grato por estar vivo
neste cativeiro mal fechado,
onde as verdades estão escritas num papel
sujo e molhado, enrolado ao canto deste local.
Não o leio há muito tempo...
Não receio a hora de sair daqui
nem de aqui ficar eternamente;
São escolhas, são vontades, são silêncios;
é hora de meditar. Está escuro apesar
de tanta luz; o sonho seduz mas o pesadelo
acorda cada um de vós.
Tentei perguntar se a dor era uma ilusão
ou se era a única coisa real,
uma confusão de identidades caiu sobre o mundo:
e a pergunta ficou sem resposta.
O segredo está bem guardado...
Fecho a porta, já não está mais nas minhas mãos
controlar as amarras deste monstro;
A chave está agora nas vossas mãos...
Soltem-me se o anoitecer vier
ou se o amor ganhar ao ódio.
Mas não me soltem em vão
se não culpar-vos-rei de toda
e qualquer
devastação.

Black Rainbow


(Uma tentativa de arte sem coincidência completa com a realidade) (post 499)

Queria morrer mas não consigo.
Sussurra o anjo: A vida é um pequeno momento que a morte nos concede....Grito-me: A melhor coisa da vida é a morte.
Sou dispensável, como qualquer criatura de Deus. Já ambicionei valer mais; mas desisti. E agora, perante o conforto desta paz morta, onde o sono permite-me viver as melhores horas do dia, não porque sonho (pelo contrário), não porque descanso, mas apenas porque não estou em pé ou sentado ou deitado a viver destas formas, aceito apenas ser aquilo que penso ser objectivos básicos de qualquer ser humano...(Eu sei, um desses objectivos devia ser ambicionar mais em várias ou todas as vertentes...Sem dúvida. Lutem por ele então, só vos fará bem). É tudo exagero, é tudo metáforas. As palavras não saem...e acabo por não perceber porquê. Serão as palavras mais do que suficientes ou insuficientes para exprimir-me? Sufocarei, ou respirarei melhor no silêncio? Tantas vezes nesta vida fiz por lutar em não desistir, por tantas vezes tentei que lutassem por não desistir...mas só agora encontro a verdadeira calma de estar ao vosso lado...E confesso, que é bem melhor lutar por desistir sempre. Só agora vos compreendo. Peço desculpa por todo o incómodo de vos fazer tentar lutar, fosse no que fosse. Na desistência está a paz, a felicidade. Então porque não me sinto feliz?, Com a paz mundial dentro de mim?
Nada disto é iluminação. Nada disto é compreensão. Nada disto é aprovação. Nada disto faz continuar nada...é como se o infinito me revoltasse mais do que o habitual. Nada é nunca aquilo que parece. E as preces são tão pesadas que nem sequer chegam onde deveriam chegar. Pela primeira vez na vida posso dizer, quase com alguma satisfação: isto é tão complicado...Queriam-me complicado? Podem agora ficar felizes. A simplicidade de tudo acabou. Está tudo perdido nesse esquecimento ainda quente. Eu sou o reflexo triste daqueles que me fizeram nascer. Eu sou as horas cinzentas de quem sofre. Eu sou um arco-íris negro. Continuo a fazer o que sempre fiz, e tento fazer tudo isso cada vez melhor, mas sem qualquer réstia de cor. E o preto não deveria ser uma cor, uma cor usada, uma cor sentida, uma cor interior. Mas é. Não sou paz, nem tão pouco sou amor. Existe cura, existe alternativa, e a seu tempo, se esse tempo existir, tudo voltará a encaixar no local correcto. Talvez. Porque a vida é assim mesmo: tudo menos uma utopia; dizem-me que é feita de momentos bons e maus...pois então eu resumo isso mesmo. Depois existem os momentos que várias coisas ou acontecimentos bons se dão, sabe tão bem, e parece quase impossível, mas sabe tão bem...Tantas coisas boas parecem uma prenda divina. Depois existem os momentos em que tudo o que é mau acontece, de forma azaradamente coordenada, pronta a deixar a humanidade de rastos. Talvez a vida se resuma a isto: contrastes (pólos), e o intermédio. O muito bom, o mau, e o razoável (que costumava preferir dizer satisfatório). É tudo uma questão de leitura não é? É tudo uma questão de peso ou leveza...Perdi e ainda perco demasiado tempo a tentar não sei bem o quê. Mas também é esse o problema, não sei que outras coisas fazer, ou onde mudar. O tempo nunca parou, nem vai parar; e nestas palavras todas, onde prefiro senti-las, mesmo que muito ao de leve, mesmo que quase não sentindo, do que restringir-me ao silêncio, não tento alcançar nada mais do que solta-las. Demasiado simples para mim? Não. Mas hoje não pude fazer mais nada. E viver dos sonhos dos outros, vivendo-os como se fossem meus, continua a ser a minha maneira de viver. Que morra de vez esta luz fraca...para que venham as trevas, ou outra cor qualquer. Alguém deseja um pouco de absinto?

O desespero dos sábios

Tinha de facto algumas coisas para escrever. A maioria delas sem grande importância. E maioria delas pouco ou nada talvez tenham haver com este título. Talvez nos dias que correm, com tudo aquilo que se passa à minha e à nossa volta, este título até faça algum (ou até muito) sentido...Curiosamente, em dez minutos eficazes, nos quais me desloco à rua, esta frase apareceu no meu espírito. Curiosamente? - Perguntam vocês. Talvez não seja assim tão curiosamente. E talvez, como disse um pouco mais acima, e reforço o talvez, esta seja uma frase que encaixa perfeitamente nas nossas vidas, na minha vida, e na vida do mundo. (Mas tudo consoante um talvez.)
Perdi-me. Tem-me acontecido mais vezes do que era suposto; ou no caso de ser suposto; mais vezes do que aquilo que eu queria.
Acabei por me lembrar hoje que só uma vez, em vinte e três anos, entrei num conflito físico. Que durou uns dez segundos. Se a memória não me falha, consegui levar um soco ao de leve (desviei-me a tempo) e consegui dar um soco também ao de leve...Moral da história: lamento até hoje só ter tido uma vez necessidade de recorrer à "violência" e que esse momento tenha durado tão pouco.
Perdi-me outra vez.
Ultimamente tenho escrito frases que as pessoas até gostam. Não sei se por serem belas, úteis, ou uma mistura agradável das duas. Acabam por ser frases que nasceram dentro de um texto qualquer, e que depois, à sua maneira, ganharam autonomia. No entanto houve uma excepção à regra: ás vezes esperar não é perder tempo, ás vezes perder tempo não é em vão. Aliás, escrevia na altura para mim próprio; sem ideia de beleza, apenas na tentativa de criar algo útil. Mas depressa se mostrou quase vazia...e tudo o que espero dela agora é que seja útil para outros, e se possível, mais do que foi para mim.
Nunca tive muito jeito para conversas de café...e se alguém já esteve comigo sentado ou sentada num café poderá comprovar isso mesmo. Eu preciso de algo diferente para fluir...e as palavras acabam por sair de todas as formas possíveis, menos num café. É uma coisa minha, e minha só talvez. Seja como for, chegámos à conclusão, que existem três tipos de pessoas, em relação a uma das variantes da alma: a) as pessoas que não sabem o que querem; b) as pessoas que sabem o que querem mas que não conseguem; e por último c) as pessoas que sabem o que querem e que conseguem obter. Eu, sem qualquer sombra dúvida, pertenço ao grupo b). E conheço alguém que está nos três grupos ao mesmo tempo...mas com um grande excesso de inércia. Logo não me preocupa tanto.
Este texto começa a fazer menos sentido agora que está a ganhar corpo do que quando era apenas frases soltas sem corpo...Algo que é deveras péssimo. Seja como for, já é tarde. E não quero ficar por aqui muito mais tempo.
Por muito imbecil que possa parecer, existem coisas que ficaram por falar, outras foram faladas sem sequer ser preciso, mas o grande objectivo disto, foi tentar arranjar um texto para colocar aquela frase, que nasceu sozinha...Agora estou livre, pelo menos nesse ponto. Fim.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Realise

-É isso? É só isso que tens a dizer?
-O que queres que eu te diga?
-(Que me amas) A verdade é mesmo feia e assustadora não é?
-É isso que te tenho tentado mostrar...(Eu amo-te).
Viram as costas, afastam-se...as cortinas fecham-se, sem demonstrar o sentimento de arrependimento, frustração, e negridão das personagens que se afastam. O afastamento da claridade.

(Achei que fazia sentido acrescentar: baseado em várias histórias verídicas e em uma fictícia. O autor.)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

The Nobodies

És o retorno. O assombro de uma sombra,
um trono sem rei, um trono sem liderança
sem razão de conquistar.
Não és ninguém
por muito que queiras ser.
Estás perdido.
Não vagueias num espaço infinito
estás preso a um lugar exacto
tão bem protegido
como se guardasse um artefacto.
Não queres sequer que te falem de amor,
Que sabem eles? O que pensam eles saber?
Nada. Eles não sabem nada. Nunca amaram.
Nunca sentiram o sentimento mais extremo.
Porque julgam então saber? E porque fingem saber
e espalha-lo como se fosse assim tão leve
e fútil? Não te sei responder.
És tão pequeno nas grandezas dos outros;
quase não existes,
Não fugiste, apenas não ficaste,
e caminhaste cuspindo lágrimas tristes...
Porque ainda respiras?
Porque ainda não estás morto.
Ainda...
Não és ninguém.
Não fazes nada que seja digno de ser contemplado
ou sentido,
Na tua imaginação tens a esperança
de já teres nascido amaldiçoado,
marcado desde o Início, para nunca seres ninguém...
Eu sei, também queria estar contigo,
dizer-te que tudo vai ficar bem,
e não só dizer; fazer com que tudo fique bem.
Mas não estou. Tens de sobreviver sozinho.
Mas não queres. Não consegues.
Pois venha então a morte, que te ceife de forma
exacta, como se fosses um guerreiro
portador de honra;
Que a vida se lamente agora, num grito
comprido, arrepiante,
capaz de causar terror à sombra.
Miserável solidão sem misericórdia...
Não olhes para o chão.
Nem agora, nem nunca mais...

Daqui passarás para nunca mais seres igual;
Agradece aos Céus, agradece aos teus;
é a tua vez.
É a vez de seres tu
mesmo que te digam:
és ninguém.
Porque um corpo só repousa
morto
quando deixa de lutar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Desde ontem

"Yesterday was a million years ago...
Now I found you, it's almost too late...
And I'm a black rainbow." (MM)

Passa o tempo, tão depressa, tão devagar,
Passa através de cinzas de um cigarro
meio acabado a voar ao vento.
Interessa pouco a sabedoria
e alegria que se pensa ganhar através do conhecimento.
Quando se olha para trás
a pintura está alterada, sofreu com a chuva,
sofreu com as humanas lágrimas,
Sofreu com a vida. E a vida são páginas...
Um sentimento esmagador mostra-me
que existem coisas que nunca mudarão.
Um sentimento de leveza acorda-me,
continuam a existir coisas que nunca
saíram da mesma posição.

Às vezes queremos tanto acreditar que tudo
isto não passa de um sonho, só para podermos sonhar
um pouco mais...e ficar nesse deleite de cores,
a sorrir...Trancados numa realidade fechada
que não é mais, que não é melhor,
que não é sonho tornado realidade
porque não queremos...
É esse medo constante de sermos felizes.
De ser.
De fazer.
De lutar um pouco mais por algo
que vale muito.

A iluminação nasce com o ser humano...
Pode ser apagada, reacendida, destruída.
Não me queria agarrar a tudo o que quero,
Mas todos nós deveríamos agarrar a tudo
o que queremos.
Ainda chegará o dia em que alguém me diz aquilo
que eu quero e que preciso de ouvir na mesma frase...
Quem não quer? Quem não deseja?

A força não é assim tão pouca...
Nem a vontade; nem o desejo...
Sou a personificação da decadência.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Outra desconversa conversada

(A reflectir anteriormente: http://versologista.blogspot.com/2010/12/desconversa-em-dia.html & http://versologista.blogspot.com/2010/12/conversa-em-dia.html)

Todas as pessoas me dão motivo de reflexão. A maioria sem querer. A maioria nos seus actos. Alguns, na maioria são estes os meus favoritos, falando positivamente, através das palavras.

X: "Pode não ajudar muito, mas lamento bastante. E pode também não ajudar muito mas acho que não foste a única a "perder"...
(Os vencidos da vida?)
(Um Ano bem melhor para ti!)"

Y: "PS: Eu também lamento. Mas perdi a luta, a verdade é essa. Um ano depois, olho para trás e vejo uma confusão de coisas, tão boas quanto más. Tantos risos quanto lágrimas. E, no fim, ficou tudo na mesma. Nada mudou. Há que aceitar as coisas como são, por mais que custe... Espero que consigas lidar com a tua "perda". Eu vou tentar fazer o mesmo. A pouco e pouco, passo a passo, lá chegaremos. Vais ver! :) Vencidos? Não! Vivendo e aprendendo, isso sim. Bom Ano 2011... Mereces!"

Faço minhas as vossas palavras escritas. Em parte. Em grande parte. No entanto o quero de facto escrever, consciente que é uma verdade em nada tranquila, onde só me apetece tentar chorar cada vez com mais força, é o seguinte:
(E julgo que todos vós querem isto)

Ainda chegará o dia em que alguém me diz aquilo que eu quero e que preciso de ouvir na mesma frase...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Apetece-me acordar (em) 2011...

(Primeiro texto de 2011...)
(http://apologiadomonstro.blogspot.com/2011/01/apetece-me-adormecer-em-2011.html)

Chegou mais um ano. Dizem que é novo. Que se deitou fora o velho. Dizem que tudo será diferente. Que tudo acontecerá desta vez...
Podemos ser honestos por um momento? (Muito obrigado.)
Nada mudou. Nada.
A única coisa que realmente muda é aquela parte da data que foi igual durante um ano, e muda apenas em quem a vê; na tecnologia de casa, nos transportes, na tecnologia fora de casa, nos alunos que ainda escrevem as lições e o sumário e a data. De resto? Está tudo igual. O que muda é uma data que se manterá agora por um ano até que mude novamente.
De resto está tudo no mesmo lugar. A passagem de ano serve para festejar, ainda não percebi bem o quê, para se estar com quem se gosta, etc., e tudo isto parece...para mim, suficiente. Porque tudo o resto, o resto de tudo, fica na mesma. Queriam a verdade? Hei-la. Se não a queriam, podem voltar à vossa vida, porque tudo o que quero é tentar acordar (em) 2011.
Terei tempo para dormir, no outro texto que escrevi, agora é hora de acordar. E acordar é mais doloroso do que adormecer. Porque na vida os sonhos escasseiam, e podemos tentar muito tempo para às vezes nem os termos. Enquanto dormimos, os sonhos aparecem com uma facilidade tremenda. Na vida os pesadelos ferem-nos, e ferem, e não podemos simplesmente acordar para depressa passar à fase do esquecimento, enquanto nos convencemos "Isto não aconteceu!"; aqui os pesadelos vão até ao fim, e nós estamos bem acordados. Não vamos a lado nenhum...
E os dias são todos "iguais", os dias têm todos os mesmo problemas, as mesmas resoluções (ou as suas tentativas); no entanto, a meia noite passa, salta-se, grita-se, abraça-se, beija-se, bebe-se, vê-se fogo de artificio...O primeiro nascimento do ano, a primeira morte (que ninguém conta, talvez por serem mais do que os nascimentos). As pessoas continuam a morrer à fome, de doenças que a nós, na nossa realidade, parecem doenças idiotas que por nós são facilmente curadas. Os mendigos passam frio e vêem o esbanjar do dinheiro a rebentar no céu, acompanhado de música. Idosos passam a noite sozinhos, na pesada solidão, na malvada doença, outros ainda têm a "sorte" (magoa-me utilizar este termo) de estar no hospital, e de certa forma não passam tão sozinhos...Este mundo revolta-me. E tenho de ser um pouco vicarious nisto, ver estes actos todos sem amor, compaixão, partilha e ajuda; actos desumanos, num suposto ser humano, faz-me pensar que não sou assim tão monstruoso como penso ser. Talvez até seja, mas por momento abrando-me...Que raio de mundo é este? Onde a futilidade esmaga o que é realmente importante? Onde tudo aquilo que alguns querem é o que outros deitam fora? Desperdiçam?
É isto tudo e muito mais. Por isso não fiquem espantados quando vos digo que este ano vai ser igual ou pior que os outros. É lógico que não é isto que desejo a ninguém. Apenas o sinto. Para mim vai ser igual ou pior, porque muitas destas coisas vão-se manter ou pior. Não me resta qualquer dúvida...é triste não é? Sou um vencido da vida, e ainda estou tão longe de tudo...
Tudo isto foi despoletado a partir de um bom cocktail, de várias coisas, onde a cereja no topo do bolo (para outros a gota de água) foi Jornal da Noite.
Talvez tenha sido só impressão minha, mas entre as crises, e as crises, e a crise que vem por aí, as pessoas que passam o Natal sozinhas porque foram abandonadas, a fome e a miséria; apenas um casamento de 65 anos (isto sim é amor, e é bom de tempos a tempos saber estas coisas, para contrastar com os divórcios e separações, e 'amores' que parecem paixões ou brincadeiras) e o grau de felicidade das pessoas conseguiram tentar dar cor a 2011. Sad world. Mundo triste.
Já ouvi tanta boa gente dizer que nunca desiste de nada, etcs, e coisas até boas de se ouvir, e depois nada. Tudo não passou de um grito do epiranga falso, tudo não passou de uma mentira. Pois então, para tentar ser diferente de todos vós, vou ser honesto, mesmo que triste: Hoje, perante tudo isto, perante tudo o que sou, e o que não tenho nem vou ter, por tudo o que nunca serei; só me apetece dizer "Desisto". Assim. Só isto.

Mas ainda não vou dormir. Quando for, aí sim, já terei desistido. Não falta muito.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

À frente do por de trás

(anteriormente: http://versologista.blogspot.com/2010/02/ininterrupta-realidade-interrompida.html)

Nota
Desafio: foi-me lançado este segundo tema. Bem mais complexo...A exteriorização da interiorização humana. O que percebo, por palavras minhas, é tentar observar, sem ser notado, aquilo que se passa dentro do ser humano e o que passa, por assim dizer, cá para fora. Ou seja, conseguir observar o que se dá no exterior da pessoa, mas tentando entender o que se passa dentro dela. O desafio é enorme, e mais uma vez espero estar à altura do desafio. Como sempre, farei o meu melhor. Este é mais um desafio lançado pelo meu amigo Fred.(Frederico). (A escutar: Vicarious (Tool), pode ser uma ajuda preciosa. E estar atento a frases como: negar o nosso instinto é negar aquilo que nos torna humanos (Matrix, I).) Obrigado pelo desafio, espero ser útil.


Sempre fui muito observador. Desde pequeno. Não quero dizer que tenho algum tipo de dom, ou maldição. É apenas algo com que nasci. Tenho a capacidade para notar, e notar sem ser notado. Às vezes os seres humanos apercebem-se que estão a ser descortinados, regra geral já tarde de mais. Consigo perceber primeiro alguns actos e maneiras de agir do que as próprias pessoas.
E existe algo que me atormenta. Diz-se que a única coisa que é verdadeira é a dor (J.C.); e que de certa forma só sentimos aquilo que é físico. No entanto dizemos sentir outras coisas que se praticam na nossa alma, com ou sem interferência no nosso exterior (o físico). Não sei até que ponto estará este assunto de uma batalha ou de uma aliança entre a razão e o sentimento, mas talvez seja um ponto a explorar.
Agora vejamos, através das minhas palavras, aquilo que consigo observar. Tento ir buscar situações aleatórias porque já todos vós passaram (ou passarão); e tento nelas procurar o reflexo (o que está fora) daquilo que se fez reflectir (o que está por dentro).
Sejam bem vindos a esta viagem ao centro da alma humana e da sua exposição...

#A
Estou sentado no estádio de futebol. Estou rodeado, por todos os lados, por pessoas que vibram da mesma forma que eu. Aqui não existem filtros de linguagem, nem controlo de volume. Gritamos e dizemos as palavras exactas que queremos dizer. A nossa energia, a nossa vontade está em sintonia. Somos um. Todos juntos somos o mesmo. Começamos felizes e excitados quando o jogo começa. A alegria e a desilusão vão-se apoderando de todos nós durante o jogo. Quando existe uma boa jogada, ou um quase golo, o coração bate mais depressa, gesticulamos com mais energia, saltamos, levantamos-nos, gritamos! Se for golo? Festejamos alto! Muito alto, gritamos ainda mais alto. O universo festeja. A energia é solta num salto, num grito, num abraço. Passados uns segundos tudo acalma, mas um sorriso mantém-se nos lábios.

#B
Ciúme...para alguns o ciúme é algo que não se deveria sentir. Ou demonstrar. Mas a realidade é que o ciúme é dos sentimentos mais primitivos (e por isso mesmo real e importante) do ser humano. Se vemos quem amamos a rir, a gostar de estar com outrem, ou de ver alguém a rondar, a estudar, a se aproximar, de quem gostamos, como se fosse uma presa, quase já a soltar as armadilhas, o que acontece dentro de nós é colossal...Como se fossemos invadidos por milhares de choques eléctricos, algo dentro de nós começa a tremer, e uma raiva cresce por dentro. Raramente é por medo de perdermos quem nos "pertence", ou de sermos trocados...basta essa aproximação a um território que está por nós delimitado. A nossa expressão muda e qualquer sorriso que apareça será um sorriso falso. A única vontade que temos é de caminhar em direcção à pessoa amada e beija-la com toda a força do mundo; seguidamente olhar nos olhos de quem "está a mais" e destruí-lo. Pode parecer idiota, mas o ciúme é das melhoras provas que existe amor.

#C
Na mesma semana vi duas pessoas morrerem mesmo à minha frente...A morte, aos nossos olhos nada tem de bela. Vemos um corpo estendido, paralisado, sem vida, que se move apenas ao ritmo das manobras de reanimação. Nas pessoas que me rodeavam vi esperança. Vi excitação. Vi fé em algo superior. Conversam entre elas como se isso ajudasse alguém. Preferi observar em silêncio. Rezei. Rezei algum tempo...Que a pessoa voltasse a este mundo, ou que fosse bem recebida noutro mundo qualquer. Sei que a primeira prece não foi ouvida. Durante mais de trinta minutos vi o ser humano tentar salvar a vida de outro...Em vão. As pessoas começam então a caminhar como se nada tivesse acontecido, no entanto sei que aproveitarão esse dia (pelo menos) para abraçar aqueles que amam.

#D
Todos nós já fizemos exames. Esses devem ser dos momentos em que mais estamos concentrados (ou deveríamos estar) e nos quais nos parece mais difícil estar. Antes de nos ser entregue para começarmos estamos muito nervosos, temos receio mas ao mesmo tempo queremos colocar no papel tudo aquilo que sabemos. Trememos, sorrimos ou rimos devido ao nervosismo. A maioria gostaria de estar lá fora, enquanto olha a janela, mas a necessidade e a responsabilidade obriga a outra coisa. É então que nos chega o exame às mãos e aos olhos. É olhado com uma atenção vã. Lemos algumas vezes mas não entendemos o que lemos. É preciso tentar relaxar. Vamos lá tentar novamente. Agora lemos cada pergunta duas ou três vezes com calma. As coisas começam a fazer sentido. Ainda estamos nervosos mas conseguimos distinguir o que está à nossa frente. Sentimos uma pequena leveza ao nos apercebemos que sabemos a resposta concreta a algumas perguntas, sentimos um pequeno choque quando a outras ficamos sem saber, pelo menos à primeira vista, o que responder. Agora é aproveitar o tempo.

#E
Amar. O amor não é nem demasiado simples nem demasiado complexo para ser descrito. A realidade porém é que conseguimos muito ao de leve talvez expressa-lo através de palavras e reacções no nosso corpo. Como é que se consegue explicar, por palavras, ou mesmo no físico o sentirmos-nos completos? Os olhos brilham de facto? Sorriem? Caminhamos com outra energia, e em tudo o que fazemos depositamos uma magia diferente. E mesmo as coisas más têm em nós um impacto menos intenso. Quando beijamos, um verdadeiro beijo, o chão desaparece dos nossos pés, e tudo o que está à nossa volta perde o significado. Encostados um ao outro tudo é infinito e tudo o que queremos é ficar assim para sempre. Tudo é paz, tudo é amor, tudo é aprovação. E não conseguimos parar de sorrir.

#F
Por último...a saudade. A saudade une-se na maioria das vezes ao desejo. E o desejo é uma palavra que ultrapassa o senso comum. O desejo usual resume-se a: desejo físico, ou desejo sentimental, ou de companhia, ou de outras coisas ainda. Mas o desejo é saudade presente, e envolve todos os anteriores, e talvez ainda mais. Um olhar meio perdido finge deslumbrar-se com paisagem da janela enquanto esta acompanha a viagem...mas é mentira. Esse olhar está tudo menos perdido. Está é noutro lugar. Esse olhar não foca nada em concreto à nossa vista. Esse olhar percorre um rosto, um corpo, uns lábios, gestos, momentos, frases e conversas, capta olhares, manifestações...Esse olhar está tudo o que pode estar menos perdido. É um olhar que nos parece distante...e está de facto, mas distante de nós, está algures noutra pessoa ou noutro local. E apodera-se um desejo de voltar para trás...ou de não sair do lugar (se ainda lá estivermos). Não quero ir. A vontade é forte, mas não bastará. E dentro de nós a frustração instala-se. Uma ânsia, uma revolta...Queremos tudo de novo. Queremos o que não podemos ter. Porquê? Não sei.
Se olharmos outra vez para aqueles olhos que fingem olhar o vazio podemos notar uma lágrima que escorre.
Porque existe uma grande diferença entre silêncio frio e palavras mudas.


Nota final
Amei do desafio. E fiz o meu melhor. Mas tenho consciência que podia ter feito isto de outra forma, não diria mais correcta, mas mais útil...Mas foi o que consegui, pelo menos para já.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O teu mundo

O teu mundo é igual ao meu,
mas diferente.
Onde tudo respira, onde tudo respira
numa paz celestial.
Um mundo onde todas as acções e melodias
têm um encanto especial, onde tudo faz sentido,
e o que não faz, aos poucos começa a fazer.

Mas...

Sinto este sabor ferroso nos meus meus lábios,
feridas abertas na boca ardem
não dando lugar ao que estou a perder.
O mundo nunca me chegará
porque nunca quis tanto.
No dia em que a esperança morrer o que nos resta?
Sermos engolidos pelos erros cometidos
eternamente amarrados a algemas por nós
construídas ao longo dos tempos?
Obrigados a dissecar o nosso ego que nunca morreu
crucificado? Numa ilha rodeada de chamas,
sem saída, onde respiramos fumo proveniente das trevas?

Mas...

O teu mundo é igual ao meu, apenas um pouco diferente.
Onde as palavras são palavras
e a acção é movimento.
Onde o amor tudo vence até que a derrota o vença.

Mas...

Sublimes criaturas com asas demoníacas
pisam-nos, e alimentam-nos o medo...
Quantas vezes podemos tentar viver mais?
Quantas vezes mais basta a vontade?
Voltar a errar seria um erro.
Deixámos de escutar quem mais interessa...
Uma perna presa em areias movediças
outra a tentar voltar para trás...
Nem sempre o observador distante é o que
está mais consciente dos caminhos ainda existentes,
às vezes tudo está dentro nós.
Onde está essa onda gigante capaz de fazer
apagar estas labaredas escaldantes?

Mas o teu mundo é igual ao meu.
Alguns procuram toda uma vida por algo
tão exacto. Outros tentam criar.
A verdade não se engana.
Tomara todos terem essa sorte...saber, sentir, poder fazer.

Mas...

Uma ave colossal sem penas, apenas com ossos,
que varre o céu deixando cinzas e agitação
aproxima-se.
Agarra-nos, leva-nos até muito alto,
e mesmo sem qualquer palavra
sabemos o que vem a seguir...
Escuridão vermelha
e dor.

Mas...Nem tudo é assim.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal - Sermão do futuro pastor aos peixinhos

A vida às vezes surpreende-nos. E a minha irmã repetiu duas vezes seguidas uma frase que lhe digo muitas vezes: por vezes o ser humano surpreende-nos. E a vida não é só levada ao som da sorte e do azar, do que se fez e do que não se fez; a vida é feita todos os dias, pelas pessoas. Deus? Possivelmente dá as suas lufadas de ar, sem que no apercebamos sequer...mas a vida é assim mesmo. Portanto, é no ser humano, para o mal e para o bem, que está a acção: a vida. E cabe-lhe a ele, não somente a ele, mas a ele em grande parte, viver, fazer, morrer (ou deveria caber). Este sermão que aqui deixo é especialmente deixado pelo Natal. Quando somos crianças sonhamos muito. Talvez demais dirão alguns...a verdade é que com o tempo essa capacidade é expulsa dos nossos corações com uma frieza responsável. (Está frio aqui. E não deveria estar. Pensem nisso.)
O sermão que aqui deixo, deixo-o para todos os que ainda querem sonhar. Este sermão já não é para mim. Já não. Citando Tolkien (criador do mundo d'O Senhor dos Anéis), sinto-me um pedaço de manteiga, já demasiado pequeno para barrar numa fatia de pão demasiado grande, já não completo com eficácia toda a sua largura e comprimento. Estou a ficar velho, sinto-o. Não velho no sentido de recordar o passado como um albúm de fotografias decorado no nosso cérebro. Nem velho que olha o horizonte especulando sobre a morte. Estou apenas velho no sentido que me sinto a envelhecer. Pode parecer idiota, mas estou-o de facto, e não espero muito mais do que aquilo que deveria esperar. Mas não me entrego à morte. Ainda vou fazendo o que posso e o que vou querendo fazer...aos poucos. Se isso me chegará? Talvez o pareça por agora, mas talvez nunca o seja. Mais tarde terei tempo para me amargurar, como qualquer ser humano terá.
A vida de um Homem, qualquer que ele seja, seria muito mais interessantes se fosse recordada e descrita 'in media res'. Quem me dera que assim fosse. Começar a narrar e a recordar apartir de um meio, não de um início. Passar à frente de pormenores pouco importantes, como o crescimento físico, as primeiras palavras, os primeiros passos. Se bem que o próprio Freud aplica uma importância ao início. Mas mesmo assim...A magia era mais valorizada. Era belo. Era interessante.

Sermão em si:
Nunca acreditei em milagres de Natal. E não se ainda cá estarei quando estes envolverem salvar milhões de pessoas que morrem de 5 em 5 segundos com fome ou com doenças. No entanto, dado que sou apenas mais um ser humano, ter pequenas provas de um "milagre de Natal", mesmo que apenas pequenas provas, já é algo digno de comover, e de aceitar ajoelhado. Este ano, um ano muito diferente, onde tudo se mexeu mais do que o habitual, em vários ângulos e tamanhos, prometia-me um desejo louco, e fora do vulgar em mim, que se desse o mais depressa possível a mudança de ano. Para mim o ano novo significa apenas uma coisa: estar com quem mais queremos. Amigos, família, amores. E apenas isso. Porque o Natal é da família. (Normal ou aumentada.) O ano novo deveria ser acabar um ano com quem gostamos para começar com esses mesmo um novo. Pode parecer patético...mas o que podemos pedir mais? Eu não peço mais nada. Para mim o ser humano é tudo. Não me posso basear em mim. Amo-me como me odeio. E penso que todos nós por vezes sentimos isso. O divino, como já disse, acaba por passar quase despercebido. Por isso baseio-me no sentimento, que por alguma razão me une a outros. A maioria de nós, hoje em dia, não se interessa, não dá valor à chamada essência, à chama, à ligação. É pena. Para quem? Para todos.
Ora este Natal, ao contrário de outros Natais, as coisas começaram bastante mal...e colocou-se mesmo em causa a existência do mesmo. Dois dias antes deu-se um pequeno milagre. Falo neste momento de uma situação em que 98% da possibilidade era mais do que negativa; a palavra certa seria destrutiva. No entanto, os 2% que sobravam: deram-se. Fiquei perplexo. Como foi possível? O Natal, nesta família, foi salvo. Quando ninguém imaginava. Disse cheio de sabedoria aparente: às vezes existe uma terceira hipótese (eu que geralmente só acredito em duas). Etc.
Quero dizer, com tudo isto, é que: não deixem de acreditar. Agarrem-se. Não percam a fé. Mas não se baseiem apenas na fé no outro, no outrem, não percam a fé em vocês. Lutem. Às vezes temos algo a centímetros dos nossos dedos e a preguiça, a apatia, o atrito, fazem com que fiquemos a olhar apenas. Não olhem. Agarrem. A morte está à espreita desde o dia em que nascemos...valerá a pena esperar apenas que venha? Não me parece. Façam a vossa história agora, e contem-na como querem que seja por vós vivida. Passa-se mais um ano, aprende-se, vive-se, morre-se, dá-se...Descarta-se um ano. Agora? Agora é o para sempre, agora é o talvez para sempre, agora é o momento. Agora é fazer. Vive.

Desejo um bom Natal a todos. E desejo um ano de 2011 melhor ou igual, mas nunca pior.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Legacy

Fizeram-me acreditar que acabariam os tormentos
depois de passado o cabo das tormentas...

O que moveu o Homem na sua jornada na História?
O que levou o Homem a deixar um legado?
É a insignificância do ser, a sua insatisfação,
A sua vontade de atar os demónios à terra...

Fizeram-te acreditar que tudo seria diferente............................................................................
Só por meros segundos, transformados em momentos
pelo tempo que finge modificar. Agora sentes alguma ira.
Mas a ira passará, como passa a ferida de uma mentira.
Lembrar-te-ás de tudo o que foi por ti conquistado,
seduzido, ultrapassado, descoberto. O que outrora
foi uma experiência só tua é agora ensinamento
para todos os outros.
Alguns podem seguir-te, outros apenas aprender-te,
mas estarás para sempre, de alguma forma,
ligado à História.

Mas existem alturas na vida que nada é o que parece ser,
e vives acostumado na calma
esquecendo-te que um dia acabarás por morrer.
E essa é uma luta na qual não podes vencer. Acordas;
o medo trepa o teu corpo com ambição
e quando o sentes de novo
já te magoa a alma.
Afinal do que valeu isto tudo?
Valeu para muitos , talvez para todos...
Menos
para
ti.