quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Master of puppets , parte Um

A ilusão do controlo. Ou a força da sua realidade.
Alguns são esmagados por ele em tenra idade;
para alguns nunca existirá um novo mundo.
Um ouvido surdo, um falar mudo,
é talvez invisível aos desatentos os fios que
prendem os músculos do corpo humano.

Expulsem a responsabilidade dos vossos actos
como se esta não importasse. Haverá tempo...
Haverá desculpa. Interessa que se saibam mover
ao som da vida; enquanto os fios são balançados,
puxados, deixados cair...

Duvido da capacidade humana para distinguir
a realidade da ficção; a verdade da ilusão,

Sem reflectir na consciência falsa de quem controla
os passos de quem anda, ou faz andar.
De quem cria o caminho, de quem o tentou criar, de quem
o pisa apenas, sem fazer por se mover.

Esperem...por momento consegui ver os fios!
Ou terá sido apenas a minha imaginação?

É o destino gravado nas estrelas, no plano de Deus,
na ironia dos sinais, ou das coincidências;
é querer ambicionar, ou pensar querer-se ambicionar,
sem dar tréguas à mais pura concretização.

Este momento não é único.
E não acaba por não se pensar nele.
Talvez por isso mesmo ainda lá esteja:
sonhando ver movimentos estranhos
ou a nossa própria essência em cada acto.
E não acaba...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sala de pânico


Se tirasses a camuflagem que protege
a paisagem da realidade sobrava a nudez.
Chamam-lhe verdade, arte, obra,
mas é apenas isso que sobra;
a lucidez da cobra que crava os venenosos dentes
na pele humana é total.
As paredes parecem fechar, sobre toda a alma,
não deixando espaço para respirar,
porque chega uma altura na vida
em que parece que nada faz sentido.
É como estarmos no chão deitados
sem nos lembrar-mos de ter caído.
O mundo não é como eu estou à espera;
e isso não é problema vosso.

O tempo escasseia, como grãos de areia
a fugir por entre os dedos das mãos;
A lavagem da alma em momentos de silêncio...
É um eco largado sem consentimento contra as paredes
que o reflectem de volta.

São batalhas de mágoa,
problemas que não sabemos de onde nasceram
nem porque se mantêm vivos,
Procuramos uma pista, um sinal...
É tão inútil como gritar debaixo de água.

Podem olhar à vossa volta...
As paredes parecem iguais?
A cor mantém-se?
Está tudo no mesmo lugar?

Desenganem-se. O sal só salga
se o deixarem salgar. Os milagres? Pertencem a Deus.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O que a realidade nos reserva : o exemplo do pinguim


O meu animal favorito é o pinguim. Gosto bastante de gatos (e felinos maiores), gostava bastante de ter um lince ibérico também; gosto de cães, gosto de coelhos. Também gosto de ver documentários sobre cobras e tubarões. E apesar de não gostar muito de ver coisas, animais ou pessoas maiores que eu (o que é muito mais que fácil), adoro o tubarão baleia (apesar deste nome, e de ser o maior mamífero marinho, é inofensivo para os humanos). Mas tenho de me focar no que interessa. Pinguins...O pinguim é conhecido pelos humanos como o animal "mais bem vestido", aquele pobre de smoking; o pobre coitado que até já tem a camisa branca por baixo, falta-lhe apenas (a menos que o queiram imaginar num jeito mais descontraído) o laço ou a gravata. Servirá às mesas? Peixe talvez. Ou fará horas extraordinárias no escritório? (Alguma empresa de peixe?) É assim visto. E com razão confesso. Vamos supor que de facto o é. Vamos então imagina-lo como o mais parecido com vocês. O trabalhador, o servente da rotina...Onde quero chegar? É fácil de ver este nosso amigo pequeno, que marcha de fato e gravata, a brincar com as suas crias...É fácil de ver este empresário a caçar em grupo. Este pequenino brinca e salta...e como a maioria de vós, ele ambiciona ser diferente...e é então que faz algo que vocês não conseguem fazer; ele solta-se, e desliza o tempo que conseguir, triunfante na leveza da felicidade, pelo gelo fora...Ainda consegue arranjar tempo para "trabalhar", olhar o horizonte, e tudo o resto (independentemente do tamanho e longevidade). E tudo, se quiserem, de smoking.
Há quase um ano atrás, vinha no autocarro. Vinha nessa linha quase recta chamada Estrada de Benfica; entre o Jardim Zoológico de Lisboa e a minha casa passei por um pequeno campo de basketball (que tem por detrás um pequeno jardim para os mais pequenos, assim como os respectivos bancos de jardim; tem ainda um chafariz mas se a memória não me falha já não funciona lá muito bem). O que vi? Algo que na altura mexeu comigo. Eram por volta das dezanove horas, ou pouco mais do que isso. O que vi? Um casal, já de roupa mais confortável a jogar com dois filhos...Uau. Pinguins. Fiquei feliz. Sorri bastante, quase até chegar a casa. Foi uma imagem, para mim, triunfante; ali estava a raça humana a mostrar-me: Sim, também nós conseguimos fazer algo de diferente, e sermos felizes; manter a chama da vida viva.

Conseguirão algum dia arranjar tempo? Claro que sim, a menos que seja demasiado tarde. Haverá tarde de mais? Acho que há sempre; mas também acho que é possível fazer algo antes disso.
Os pinguins têm muito que se lhe diga (e deles sei muito menos do que o queria); e no entanto o pouco que já sei deles é reconfortante, cá dentro, naquele espacinho apertado, onde existe espaço para surpresas, para elevações, etc. Os seres humanos ainda podem fazer tanto por eles...
(Muito mas muito mais do que aquilo que pensam, e infelizmente, do que aquilo que fazem.)

Conseguirão agora arranjar tempo?
Espero que sim.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Conversa em dia

E às vezes tudo o que devemos fazer é ficar calados. Não digo isto num tom irónico. É a verdade. Porque às vezes é isso o que de melhor podemos fazer por outrem. Manter a boca fechada, mesmo que os pensamentos batam em todos os lados do nosso pequeno crânio como se quisessem fugir todos ao mesmo tempo. Às vezes o que as pessoas apenas precisam é de ser "escutadas" . E dessa forma entram numa espécie de monologo construtivo. Foi o que fiz hoje...calei-me. Calei-me apenas. Deixei que fluíssem para o universo, através de mim, para que eles próprios se ajudassem.
Com a devida autorização passo a transcrever o que me foi dito, ou que o foi dito para mim apesar de não o ser, pois às vezes, por a conversa em dia com o mundo é bem menos importante do que pormos a conversa em dia com nós mesmos...

"Então quando quiseres leva-me contigo...Preciso de arejar. Preciso de conhecer pessoas, preciso de conversar e desconversar, sobre tudo um pouco e um pouco mais do que isso. Não por estar sozinho, mas quero entre aspas começar de novo comigo mesmo percebes? Porque me sinto bem, ou quase tão bem como já não me sentia à muito tempo..."

Perfeitamente. Vamos?

Black pages

O sol bate nas pernas frias de quem procura
um intervalo de luz entre as nuvens,
aos poucos o corpo começa a receber o calor,
demora até se espalhar por todo o corpo,
mas desde logo é maravilhosa a sensação
do primeiro contacto solar com a pele nua.

A falta de resistência a receber nas mãos o peso
do azar, da loucura, das rotinas humanas,
É imensa. Por outro acordam cedo, ainda com a lua
a passear no céu, enquanto se prepara
para dar o lugar ao sol; e os pássaros cantam
nas árvores a festejar mais um dia na terra,
ou a amaldiçoar a rotina das suas vidas.

De um lado para o outro vivem o vosso dia,
Fazem pequenas paragens para descansar e alimentar
o corpo e o espírito; fazem pequenas paragens
para procurar pequenas motivações.
Um sorriso sentido, uma palavra, uma frase;
Uma imagem, um objecto, uma promessa;
Um milagre, uma desgraça, uma vida nascida,
uma vida morta, um acontecimento.

Voa o tempo difícil de agarrar
aproxima-se o Inverno,
o frio verdadeiro,
o sol mais apetecido.
Voam as folhas difíceis de agarrar,
aproxima-se o Inverno,
o verdadeiro frio,
e o sol mais apetecido.
Não tarda chega a primavera.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Refrão da morte

"La la la la la la la la lai...
La la la la la la la la lai..." (T.-Vicarious)

Algures da luz da escuridão
gritaram sinfonia da destruição.
Foi como se o mundo ficasse inquieto
mas aguardando em silêncio,
pois as dúvidas da acção, da verdadeira acção
são sempre muitas...
O que fazer? O que escolher?
Tudo o que vós sabeis é que não querereis morrer.
E mesmo morrer é um acto demasiado penoso.
Mesmo para quem viver nada significa.

O alto da montanha revolta o eco
que se fez sentir nas trevas,
e o tambores tocam alto como se fosse a primeira vez,
E é atento o ouvido de quem os escuta,
É sincera a lágrima que cresce no olho do mais sensível,
É terrível a dor e o desespero no corpo e no sangue daqueles
que ainda conseguem sentir.

Ainda respiras...Ainda transpiras medo,
E os teus olhos procuram uma luz real,
não interessa se humana, se divina,
interessa que esteja lá, mesmo que nunca lá tenha estado...
Seres superiores suspiram, deixam de bater as asas,
Outros sorriem, a verdade vem sempre ao de cima...

A mudança de clima é irrelevante,
Pode chover sangue, o vento só trazer poeira,
O sol é cinzento claro, e as nuvens cor de terra,
Mas a mudança exterior é irrelevante.

Deus observa de consciência cristalina.
Será o mal do mundo a sua criação?
Heresia, blasfémia, contra os vossos actos
a vossa essência,
O vosso coração.

A canção embala o ser humano,
alguns, como uma criança que ainda quer brincar mais,
tentam fugir ao seu destino.
Uns rendem-se mais depressa,
outros, mais devagar...
O sábio? Aprende depressa o refrão da morte,
pois sabe que este faz parte da sua vida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Museu de Cera

Bem-vindo ao mundo das ilusões que estará à vossa espera,
nem tudo é o que parece como num museu de cera...
(DLM)


Há pouco menos de uma década fiz o que mais ninguém fez
e desafiei Deus para um duelo de xadrez,
Moveram-se peças muito lentamente
e muito mais depressa cresceram os porquês.
E desde então tenho vindo a procurar
sem cessar tudo aquilo que posso encontrar,
A iluminação é como a vela sem companhia
que baila numa rua escura
onde a única luz que tenta fracamente destruir
as trevas é a luz da lua.

Neste mundo os sentidos estão todos ao contrário,
E o que é bênção transforma-se em maldição
e vice-versa num pequeno pedaço temporário.
Poeira.
Assenta a poeira, mas a brisa volta sempre
porque o vento é como o tempo
nunca pára verdadeiramente
apenas finge parar.

Tentativas de humana evolução
são geralmente miragens de ilusão
dissolvem-se como ondas na praia,
Podem parecer gigantes
imparáveis
até ao momento da rebentação.

Deus moveu a sua peça depressa de mais.
Agora é a minha vez.
Talvez nem tudo seja o que parece,
mesmo que pelas razões mais modestas.

sábado, 27 de novembro de 2010

illuminatus

Em tempos já fui católico. Na altura não foi um acto hipócrita. Aliás, sou relativamente contra aqueles que são batizados em bébés. Porquê? Por duas razões básicas: primeiro, estão a colocar um peso em alguém que nada sabe do mundo, e que ficará talvez para sempre "escravo" disso mesmo. Segundo ponto: (o que vejo mais vezes hoje em dia), renunciam à sua iniciação católica em jovens\adultos. Eu fui batizado com dezassete anos. Logo, foi um acto mais do que consciente, mas mesmo assim, fugi. Arrependo-me de me ter batizado? Não, porque na altura foi sentido. Sinto-me hipócrita agora por estar constantemente contra a Igreja? Nem por isso. Senti-me iluminado por estar de mãos dadas com a Igreja? Longe disso.
Mas isto sou eu. Porque se encontrar pessoas que descubriram na Igreja a verdadeira iluminação, algum tipo de sentido nas suas vida, não as julgarei. Cada um, dentro de si, encontra o caminho certo, seja ele qual for. No entanto devo dizer, que entre os actos grotescos, fúteis, hipócritas, de quem caminha e sorri dentro da Igreja, julgo que devem descobrir o Deus dos cristãos. Mas isso é apenas a minha opinião valor de grão de areia no deserto.
Onde comecei eu?
Sim, iluminação.
Disseram-me um dia destes que é preciso um "click". O problema dos "clicks" é que às vezes existem vários. E todos eles importantes. Portanto, como decidir o peso máximo de cada um? Como perceber aquele que de facto faz a diferença entre um caminho e não outro, entre entrar na luz ou nas trevas? A racionalidade dir-me-ia: pesa as consequências, os prós e os contras. O sentimento: saberás quando for o certo.
Mas também é indeferente. Hoje em dia o que interessa às pessoas é chegar a algum lado. Não importa como, nem porquê.

Ontem, em conversa com o meu amigo de longa data de um metro e noventa e três, descobri frases dignas de divertimento e reflexão. Passo a citar: "O povo só quer golos e vinho...", aucht!, mas de facto é o que parece. Achei graça. E é engraçado neste país rever o que é importante para o povo, os três F's, Fátima, Fado e Futebol.
Odeio fado. Gosto muito de música portuguesa, ou pelo menos abro umas excepções agradáveis...Rui Veloso, Madredeus, Silence 4, e toda a cultura hipopiana (mais do antigamente), principalmente a do Porto (que é a melhor) até Lisboa, abrindo ainda uma excepção para o Alentejo. Fátima...fui lá em criança. Chorei, a chamada "baba e ranho", pois levaram-me a um museu de cera. Desde criança tenho horror a tudo aquilo que parece demasiado real; mas mais horror do que isso só guardo a tudo aquilo que não era suposto mexer, mas que mexe. Era o caso. O meu avô Alfredo ria-se. Não compreendia o meu medo idiota. Estraguei a manhã à minha família. Por isso, ainda hoje, guardo algum pavor a placas que tenham escrito "Fátima, não sei quantos KMs". No entanto, gostava de lá voltar. Não pela fé, mas porque a sua grandeza, mesmo sendo esta uma comparação estúpida, é parecida à do Vaticano para Itália, mas versão portuguesa. Apenas e só por isso. E o futebol...esse tem os seus altos e baixos. Vai e vem, anima e deprime. Mas esse mesmo poder , de animar ou deprimir, prova a sua importância na minha vida.

Outra frase interessante: "Oitenta por cento das pessoas são doidas...", achei deveras exagerado, mas na altura cingi-me ao silêncio...Oito em cada dez pessoas ser "doido" (este não será o termo médico ou clinico) é muito. Das minhas observações valor de grão de areia no deserto, diria talvez quatro a cinco pessoas. Ele, como no passado, chegou à conclusão que na complicação e da complexidade estava a verdadeira felicidade. Por outro lado, tal como qualquer homem (com h pequeno), queixou-se da complicação e da complexidade, por ser complicade e complexa. Diria eu em tom irónico: homens? Não. Todos nós somos estranhos. Todos diferentes, todos iguais, todos diferentes naquilo que supostamente somos iguais. Alguns aspectos iguais, mas diferentes lá no senhor fundo.

Click.

Hoje de manhã dei comigo a praguejar à janela contra Deus. "Tu não dás sinais coisa nenhuma..." Serei consciente da realidade? Ou apenas arrongante? (Copo meio cheio ou meio vazio?Pormenores. E no entanto os "pornenores definem grandes planos".) Cheguei à conclusão que estava a ser arrogante. E como qualquer cristão, passei pelas brasas da minha essência, e resmunguei numa altura má, e também agradeço numa altura boa...o resto do tempo? Passividade, esquecimento. E não gosto de sentir isto. O ser humano cai sempre nesta rotina. E se por um lado achei patético outrora quem reza todos os dias à noite, agora respeito esse facto, e acho bonito. Quem diz isto, diz aquilo que outras pessoas mais cépticas fazem, como é o caso de lavarem a alma todos os dias antes de dormir.
Isto faz-me lembrar uma situação bem elaborada e inteligente por Eça de Queirós no livro Os Maias. Nesse excerto, o abade tenta convencer Afonso da Maia a instaurar uma educação religiosa no neto Carlos...Ao qual Afonso da Maia diz que Carlos vai aprender a ser justo, cavalheiro, honesto, lutador, (etc), através de uma educação séria, assim como os católicos, mas sem ser por temor a Deus, mas por ser um homem nobre. Excelente.

Estou K.O. (continua talvez.)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mensagem enigmática



Nem pareço eu...a menos que...
Talvez não me chame Diogo Garcia T.Henriques, talvez não viva em Lisboa,
Talvez não goste de escrever,
talvez não seja um monstro...
Talvez só queira ouvir mais uma música.
Talvez não esteja num sítio não assim tão longínquo daqui, onde vive a minha alma, mesmo estando aqui o meu corpo.
Talvez só queira ouvir uma música um pouco mais bonita.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ter-se-á Freud enganado?

(é favor carregar na imagem para conseguir ler, obrigado.)

Sempre gostei desta tira. Porque sonhamos nós? É a pergunta de muitos seres humanos. E de pelo menos um monstro. Não sei ao certo se os sonhos servem para algo em específico...Sei que nos parecem dar sinais e\ou mensagens por vezes, assim como matar saudades; etc. E o próprio Freud tentou esmiussar os sonhos. Chegou a algumas conclusões é um facto.
No entanto, esta fórmula mágica do Hobbes enche-me completamente. Porque sonhamos?
Para não estarmos tanto tempo separados (durante o sono) de quem mais gostamos. Assim podemos estar juntos nos sonhos, até à hora do nascer de mais um dia. Adormecer sorrindo, talvez dormir sorrindo...e acordar a sorrir. Não é fantástico? É com certeza. Até já.

domingo, 21 de novembro de 2010

Um pequeno favor?


Fiz mais uma pausa para reflexão, o Sr. Calvin e o Sr. Hobbes têm sempre este feito em mim.
Disse o próprio criador deles: Pagamos sempre pelo que queremos, nunca pelo que precisamos. E é uma grande verdade. Eu mesmo conheço muita gente que poderia pagar uma quantia pequena para receber um pontapé no traseiro. E eu mesmo às vezes também preciso de um.
Mas estamos dispostos a admitir que precisamos dele?
Não. Ou muito raramente.
Por isso façam-me este favor, se acham que eu mereço, pontapeim-me! Eu agradeço...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Criaturas, após a metamorfose


"Yes I am ugly as much as I can be..." (Silence 4)

Na minha melhor noite fui o meu pior pesadelo,
E continuo sem conseguir vê-lo, ao caminho
que deveria estar a caminhar.
Talvez não sejam assim tantas as perguntas
talvez não sejam assim tão poucas as respostas
mas o mundo mantêm-se no seu ciclo...
E eu? Como todas as criaturas
continuo vivo dentro desse perfeito círculo.
De um lado: a teoria
do outro a prática,
A passividade
a pragmática,
As letras, a matemática...Estou morto à tantos dias
que dificilmente volto a morrer.
Nunca pensei estar morto tanto tempo
enquanto chuvisco neste frio fraco.
Dizem que a verdade cura
mas a alma da criatura
tropeça nela, e choca nela
como se tratasse de uma rocha dura.

Será a verdade dolorosa que nos faz atingir o caminho certo?
A pessoa que se ama?
Ou pelo contrário...é a verdade dolorosa que nos afasta
daquilo que mais queremos por nos causar medo!?

São todas estas criaturas
de diferentes sentimentos
de diferentes alturas
que nascem, e vivem e morrem em nós.
São dias de sol
que se transformam em dias cinzentos,
e o calor da alma
que na cama invade uns pés frios.
São momentos completos
que o passar do tempo
de alegria ou saudade
nos causam arrepios...
Perder tudo
e deixar ir.
Para voltar a sonhar e lutar por tudo novamente.

Nunca será glorioso vencer batalhas
se no fim a guerra está perdida,
e não foi uma guerra.
Uma metamorfose começada
se não é acabada
é como se fosse nada.
O guerreiro que larga a espada
(sem que seja para descansar)
tornar-se-á em alma despedaçada.

Não quero ir a mais lado nenhum,
a menos que seja estar contigo.
A minha metamorfose está longe de estar completa.
E a tua como está?