domingo, 17 de outubro de 2010

Gritocalo .

Fechaste o livro. Arrumaste-o no lugar onde ele não pertence.
Ficará a repousar escondido, camuflado na realidade que queres esquecer.
Por ti nunca mais voltarás a pegar nele.
Chamam-lhe vencer os fantasmas.
De que forma posso escrever um livro que fique guardado no peito?
Como se fosse uma maldição
um elixir eterno...
Neste mundo terreno
gosto de brincar com o divino.
Fingindo escondido, quase clandestino, honesto
mas mentindo, mais podre de alma do que pobre.
E a mentira é narrada com uma poesia nobre.
Queria ser uma abertura.
E mesmo sendo-a
acabo fechado
e mato o caminho como uma saída. E chegou a hora
de te retirares.
Como de todas as vezes.
Encontrarei liberdade quando expulsar o veneno
dos outros por mim implementado.
Sou o azar das vossas vidas
a morte dos vossos sonhos.
Sou o pior que o mundo tem para oferecer.
Se querem ser felizes
não estejam ao meu lado,
e guardem o livro nesse local já reservado
onde tudo é intocável, inalterado.
Apanhas as folhas desse livro rasgado, como se fossem
doenças, dias para não mais recordar.
Dias de uma luta que nunca aconteceu.
De uma dor que nunca doeu, pois tudo é inexistente.
Nada aconteceu. Nada se viveu.
É o amanhecer das trevas...
(Mente)
Vivam o amor!
(Matem)
Amem.
(Aproxima-te)
O meu corpo não acompanha os meus pensamentos;

Está tudo demasiado à frente de mim,
e eu
estou a ficar velho.

Escorre uma lágrima transparente.
Se tudo pudesse ser diferente. Mas não é?
Por momentos pensei que todos os fantasmas
tivesse desaparecido. Os meus, os vossos, os teus, os nossos.

Todos os dias tento não me lembrar de ti.
Não rastejar por pessoas e acontecimentos
que outros vivem também por ti.
Talvez ninguém tenha sido escolhido para sobreviver desta maneira;
sorrirei de inveja daquele homem
que vencerá o que mais ninguém venceu.
O homem que terá o maior prazer que qualquer outro
algum dia sentirá.
A minha curiosidade deixou-me sozinho,
a minha vontade deixou-me com menos um pedaço que nunca
pensei que constituísse o meu ser.
É uma balança quase injusta a que pesa
os pesos do mundo;
e que me faz implorar um pouco de paz de alma
e felicidade no coração.

Em tantas primaveras...
É complicado rasgar a vontade
e trancar à chave a voz que grita
por ti;
e tentar ignorar
aquilo que me falta.

A menos que tenha feito por matar-me
aos vossos olhos
sei que sentem o mesmo.
A bondade e a crueldade do mundo já me ensinaram,
e ensinarão muito mais
até que a morte coloque essa forca em mim
e que puxe com toda a força.

Esse livro ainda está guardado.
E sabemos onde ele está.

As diferenças despercebidas

Os pormenores passam ao lado de todos nós...
Na maioria das vezes perdidas, perdemos muito.
Talvez desta forma,
desta peculiar forma
ainda vá a tempo de vos ajustar os sentidos...
Sejam felizes e aproveitem.

(Para os mais sensíveis este clip pode causar arrepios fortes ou mesmo um pequeno estado de euforia no coração, ou estado de elevação...)

(Danny Carey - Considerado por alguns o melhor baterista dos últimos tempos. Pormenor sublime a solo - e um pormenor ainda mais sublime no seu todo.)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Blood to whine

(É relevante dizer que este título não é obra minha. Aliás, em primeira instância, é tirado da Bíblia. Esse meu deus (com letra minúscula), começa de certa forma a afastar-se da espiral com que pintou os meus dias, para se transformar num autêntico Baco (deus do vinho). E apesar de ir trabalhando nos dois projectos que mais admiro dele a verdade é que não se consegue desligar de outros dois...Mas não serei egoísta, assim como outros não o estão a ser. Cada um deve fazer aquilo que ama, esteja ou não dando um contributo talvez prático a quem o segue. (Será mesmo?) Portanto vai cantando com os Púscifer...Portanto vai editar um livro sobre a sua nova arte e paixão. E pelo rumo das coisas tem o mesmo jeito para ela como tem para as outras. Sempre me disseram, e com razão devo acrescentar, que ninguém é totalmente perfeito ou imperfeito (se bem que é tentador afirmar que existe imperfeição total em algumas coisas ou casos), mas que realmente existem pessoas mais ou menos perfeitas que outras. A verdade é que este título é aliciante. Faz-me pensar em vários assuntos a explorar...
Ironia das ironias (que saudades tinha eu dela), agora que tenho um excelente título, com várias ideias, não consigo dar seguimento.
No entanto fica aqui esta janela aberta, de supostas oportunidades...
Talvez fosse a hora certa para entrar algures um Jesus, que cheio de poderes, fizesse esse milagre. Não sou do género de só acreditar quando vejo...mas ver ajuda.)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lateralus (seguimento)


Escrevi, de forma talvez pouco usual para o que se vai escrevendo por esse mundo fora, um texto que comparava situações concretas (ou não) da vida, ou mesmo entradas e saídas de pessoas, com um acidente rodoviário. E não falei de probabilidade (tentativa de prever algo) mas sim de estatística, ou seja algo que de facto aconteceu. E dessa forma falei da força fatal dos impactos laterais e frontais que se podem dar num acidente.
Nessa altura, não diria que o mais importante, mas algo bastante importante, que contribuiu para a minha postura perante a vida foi estar completamente em sintonia e com uma fome douda de não parar de ouvir a música Lateralus.
Porquê ouvi-la agora? Porque às vezes temos de pegar em pequenos fragmentos do passado e voltar a estuda-los. Mesmo que não se saiba a razão para tal acto a verdade é que é assim que agimos.
E por momentos penso sorrir por dentro quando encontros peças soltas...Não sorrio por encontra-las. Sorrio por pensar que ficaram soltas de propósito. Para mim o acaso é inútil a menos que seja programado...E dado que toda esta afirmação é uma contradição, prefiro garantir a mim mesmo, nem que seja como consolo à minha alma, que nada é por acaso; que nada ficou ali por ficar. Dá-me uma enorme repulsa sentir que o atrito existente ou criado recentemente está lá apenas por estar...Não pode ser. Está lá para nos dar a necessidade, de mesmo sem querermos, encontrar uma forma de o refutar.
Como é óbvio tudo o que digo e escrevo caí depressa no esquecimento. Como está música desapareceu do meu cérebro, e mais grave ainda: da minha emoção de vida. Foi então que voltei a ouvi-la com a mesma atenção da primeira vez; com a mesma atenção da segunda vez; com a mesma iluminação crescente das vezes que se seguiram. E foi então que de certa forma algo dentro de mim acordou. Na minha cabeça surgiram algumas certezas novas. Mas algo é certo: ainda sou o mesmo que pensou partir. Talvez apenas esteja de volta. E na ausência, descubro um porta que se abre sem deixar escapar frio: esperança. Começo a juntar pequenas peças, momentos passados, que unidos significam muito.
Neste momento tudo o que posso odiar sou eu mesmo. Mais ninguém tem culpa de nada a não ser eu. O ser humano pensa sempre que tem de pedir desculpa ou que lhe peçam desculpa...É um erro normal. Às vezes não é preciso nada disso. Às vezes temos de nos desculpar a nós mesmos. Ou esperar que o tempo nos faça querer de novo. Voltar a querer as peças que ficaram soltas por essa razão que deve ser percebida.
No primeiro texto não mencionei um pormenor importante, que só agora enriqueceu o meu ser. Um choque frontal temos várias vezes na vida...temos um metro e pouco de metal que se vai encolhendo até chegar a nós com um pouco menos de força.
Pensem nisso...Vivemos em choques frontais. Não é hora de sentir a força de um choque lateral? A força do impacto será muito mais forte...e única.

"Spiral out, keep going! Spiral out, keep going! (Going...going...)"

sábado, 9 de outubro de 2010

Outra perspectiva do caminho marginal



Quantas mais versões terá a vida?
Quantas faces aguardam numa cara?
E fases?
Para quê mentires-te? Porque haveria eu de querer ver-te morrer?
A pressa é sempre a mesma,
o medo levanta-se e leva com ele tudo que és...
Minto. Leva apenas aquilo que quiseste que ele levasse.
Pensa nisso.
Ninguém está sozinho, mesmo numa espiral
auto-destrutiva; sentirás isso.
Quando? Quando tu quiseres.
Agarra a arma depressa
e mata o medo, num ápice
sem pestanejar,
consciente da melhoria
ou da mudança.
Quando? Agora.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Disposition - Watch the weather change

"Mention this to me
Mention something, mention anything
Mention this to me
Watch the weather change.." ( Disposition - Banda do costume)

(Dedicado de alguma forma ao meu coelhinho, pela forma como ama a música, e mais importante ainda: pela forma como ama esta chuva, este cinzento, este frio, este tempo.)

Foram noites a fio que vivi sozinho
na calma de uma cama que não era minha,
esperando que todo o escuro me envolvesse num sono
calmo e indolor, sem sonhos sem pesadelos, só queria dormir,
fiquei assim na espera, deitado a matar pensamentos
ou a tentar matar no escuro que não me acalmava...
Desta vez o tempo não iam mudando fora da janela, pois estava o mesmo
calor de sempre, e eu só queria dormir. O tempo ia mudando dentro de mim.
Metamorfose climática interior, onde sabores se misturam
dando lugar à agonia...
Vi o tempo mudar, apenas dentro de mim; e nunca mudou para melhor
o calor sentia-se longe e perto de mim, fora e dentro de mim,
Eu era calor, eu era explosão, eu era raiva aprisionada no suor da minha alma...
Um cheiro horrível instalava-se nas paredes dos meus orgãos, da minha pele,
e na minha saliva morria a esperança, nos meus olhos a ternura...e os meus dedos
perderam o tacto. Vi o tempo mudar, e tal como se fosse no céu, não pude fazer nada...

Hoje, sendo o mesmo que sou desde que nasci, com a experiência que aprendi
e que me ensinaram, vejo as nuvens a moverem-se muito mais depressa
ou muito mais devagar, e a chuva que cai intensamente.
Queria dizer algo.
Queria que me dissessem algo.
Mas vejo o tempo mover-se de forma cinzenta,
a ser ele próprio
e eu aqui a observa-lo.
Também a música me embalou os sentidos em noites mais drásticas,
horas de calma guiaram os meus sonhos.
O que me resta? Viver cansado?
O que me resta é sobreviver para depois voltar a viver.
Mas não é isso que quero.
Esqueceram-se de pedaços vários dentro do meu ser.
Vejo o tempo mudar
e nada posso fazer além do saborear. Menciona...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O cemitério dos vivos

Eu costumava ter uma voz...
Era uma voz que se fazia sentir perto
dos corações mais próximos.
Às vezes penso que posso ser mais,
mas depressa me esqueço como aqui vim parar,
Todos os dias são iguais,
todos.
Eu costumava mostrar caminhos
e sentir palavras
e gestos,
Eu antigamente era uma voz,
agora, e só agora, fiquei para trás.
E sou observado, de formas nunca antes sentidas,
e de uma forma que não me agrada.
Porque os dias são todos iguais.
Não sou eu que escrevo neste momento.
É outro qualquer, que costumava ter uma voz
e que cantava, e que sentia a voz fluir
num turbilhão de palavras que o faziam sentir feliz.
Sou outro qualquer, mas morto; sentindo os pés
de quem caminha neste cemitério.
Corroí-se-me a alma nestes momentos de solidão
debaixo desta terra, nesta cova que nunca cavei.
E é o coveiro que sorri de braço abraçado à enxada.
Sobrei nestes restos mortais
sem uma palavra,
eu que costumava ter uma voz.
Eu que não morri mas que estou morto.
As palavras foram mortas
facto que ninguém previu...
E foi isto que nunca fui, isto que nunca serei,
nas palavras longas e ocas
que na primeira oportunidade verdadeira
se sumiu.

sábado, 2 de outubro de 2010

Distúrbios vitais

Ænima

...alguém desligou o sol. E outro alguém esqueceu-se
de acender a lua, ficámos no escuro,
mas não foi um escuro duradouro.
Alguém se lembrou de unir pedaços de madeira
e com a força de mãos humanas
através de o forçar de atrito
criar uma chama, uma acção,
e ficámos a rodear uma fogueira.
A maioria nunca fará a mais pequena
ideia de como tudo aconteceu.
Censurada será a história de quem se uniu
ao pôr de um sol que desapareceu sem deixar rasto
de uma forma estranha
e de quem viu a lua nunca respirar...Está escuro, mas
não o estará por muito tempo...
Sinto-o,
sentiste o mesmo que eu?

A respiração acelerou
o mundo deixou de rodar, perplexo na sua calma,
e todo um silêncio perdeu-se no preencher de um vazio...
Tudo o resto nunca será história contada,
tudo o resto é o espaço vital
de quem quis matar e fazer sangrar,

tudo o resto é o que sobra nas mãos de quem viu
o sol morrer de forma diferente,
e uma lua que nunca nasceu,
O coração do guerreiro silenciou
toda a luz que poderia existir,
e o distúrbio
nasceu e morreu
no mesmo instante que se deu.

Ænima

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cold Silence

A raiva voltou. A revolta também. Agora, só falta o ódio. Onde é que queres chegar com isto? Até onde é que a tua tirania te vai levar, até onde vais levar a tua obsessão? Estás tão cego que já pensas que a verdade é o que tu inventas. Não ouves ninguém; estão todos errados. Para quê perder tempo com pessoas imperfeitas, se tu estás sempre certo? Fazes-me rir. Estás tão focado na tua própria sombra que já nem ouves os teus passos. Já nem consegues ver as consequências dos teus actos. Estás tão focado no teu reflexo, afogado num mar de vaidade e egocentrismo, que nem te apercebes que a a imagem que vês reflectida se vai degradando rapidamente. Será que o mundo é teu e eu não me apercebi? Estarei assim tão errada, tão fora da realidade que não consigo ver? É que usas a tua coroa tão alta e tão confiante que fico espantada. Tu ainda me surpreendes! É incrível. Pensei que não me podias magoar de maneira nenhuma, pensei que nunca mais me podias causar estas lágrimas de sangue, mas enganei-me. Já não as sinto a cair... Não. Já estou mais do que dormente perante a tua arrogância. Perante a maneira como olhas para todos de cima, no teu trono de hipocrisia e presunção. A raiva voltou. A revolta também. Agora, só falta o ódio. Mas apesar de toda a raiva, de toda a revolta, Não deixo de ser quem sou. Foi um caminho que trilhei, que fui construindo, E construí-me. E agora espero o ódio. Esse ódio que se apodera de mim e me dá alma, me dá vida, que me ilumina de forma estranha para ver com os meus próprios olhos cor-de-raiva que nem tudo é o que parece, que neste mundo morre muita prece em vão, que o nosso esforço nem sempre acontece. Mas mesmo esperando por esse ódio que vem sozinho ou por nós puxado sei que prefiro viver apenas um dia defendendo a luz, o bem, a verdade, que uma vida eterna na escuridão, espalhando o mal, criando e alimentando a mentira. E falo, e canto e grito, e escrevo, e mostro-me!, não me entreguem silêncios, não me entreguem ao silêncio, não me entreguem o silêncio, Quero mais, mais de tudo um pouco para não ser frio, ser-me indiferente, Quero ódio na medida certa, na medida a mais se for para ser mais atento, mais forte, mais espiral. Não nasci revoltada com a vida, nasci com o coração aberto a todos, e a alma faminta, E se consigo gritar então grito mais um pouco, E grito com a mesma força que uma criança a nascer. Não mato esta solidão acompanhada porque o ódio ainda tem muito para me modificar. E quero aprender. Quero ensinar. E quero amar com a mesma força que já odeio. Porque o ódio é sempre fácil. Ele cresce numa pequena semente e a partir daí, ninguém a pode parar. Cresce, vai crescendo e quando dou por mim, odeio tudo o que me acontece, tudo o que me está a acontecer. Não é a verdade que me revolta. Não. Nem tampouco é a ideia que a verdade trouxe. É somente a mudança negativa que veio para ficar, é a ideia de que tudo podia ser melhor se um dia o Homem o tivesse querido.
É este silêncio que me gela as veias, que chega à minha cabeça e ao meu coração, parando-os num só bater. Tornando-me cega a algo que já nem eu consigo ver. Este silêncio funcionou como um despertar de sentimentos, de coisas escondidas, de algo que está seguro por apenas ruínas do que já foi belo. Foi esse silêncio acumulado que destruiu todos os caminhos que levavam à compaixão, todos os caminhos que levavam a algum lado. E agora? Agora... Agora já não resta nada para além de pedaços de madeira queimados. Eu própria ateei o fogo e vi-os arderem, no reflexo dos teus olhos. Os mesmos olhos que se não estivessem tão ocupados com o seu reflexo, veriam o que estava a acontecer mesmo à sua frente. Tudo o que alguma vez existiu, já foi queimado. Só restam cinzas. Cinzas de nós, cinzas de infâncias esmorecidas, cinzas de amor de ódio que violentamente abrem as feridas do meu coração e que ardem como sal. Passou tudo por ti. Não te apercebeste? Esteve sempre à tua frente, de todas as vezes em que chorei até adormecer, de todas as vezes em que a tua injustiça me deixou sem ar, de todas as vezes em que te recusaste a ouvir através dessa barreira que te impede de dar razão a alguém que não sejas tu. E para que me importam agora as tuas lágrimas? Onde estavas tu para limpar as minhas quando precisei? Estavas ocupado a construir e a aperfeiçoar o teu ser. Estavas tão centrado em ser eterno que não reparaste que as paredes começaram a ruir, até ficarem amontoadas no chão, à minha frente.
Para que me importa agora que fiques triste ao reparar que eu não vou olhar para trás, nunca mais? Deixa-me simplesmente morrer aqui, derreter ao sol, ao lado das chamas que eu criei para te apagar. Ao lado das memórias que tinham de ser soltas, para viajarem pelo vento.
Deixa-me aqui, na escuridão, onde ninguém possa ver as lágrimas de sangue que de tanto correrem, ficaram marcadas no silêncio dos meus olhos.
A minha sobrevivência está nas mãos do meu eu criador, do meu eu sofredor, está dentro da minha alma a capacidade de me mover acima do materialismo, do cinismo, da vossa capacidade arrogante de se considerarem superiores. Não conquistei um trono, nem conquistarei. Quero encontrar a verdade e nela me apoiar, quero viver um caminho por mim guiado, e guiar todo aquele que vê nos meus passos sensatez, e vontade de fazer deste mundo melhor.
As minhas lágrimas secarão...Deixarão marca. Mas acabarão por desaparecer sobre a pele, e eu, consciente da minha razão, daquilo em que acredito, triunfarei na minha verdade, na Verdade que quero atingir. Não preciso que me coloquem véus negros à volta dos meus olhos, nem que construam paredes que me frustrem os movimentos...Não somos uma ilha, mas não queremos ninguém que nos fira com falsas luzes, falsas crenças, e não toleramos hipocrisia. Somos humildes de alma, capazes de sentir e viver como filósofos que viveram apenas da vida...E não toleramos cegos aperfeiçoados. Não toleramos a mentira. Não toleramos que sejam o vosso pior eu. O que queremos está dentro da espiral que ruge nos nossos corações...Não tememos ser monstros...Tememos sim, monstros que se julgam melhores que todos os outros, e que esses sim!, são capazes das piores catástrofes. A todos vocês, que brilham de contentamento nesse vosso silêncio frio, a mensagem que deixamos é só uma:
Façam o esforço de aprender connosco, porque nós já muito aprendemos convosco.

(Terceiro texto elaborado por Diogo GTH e Joana GTH. É um prazer escrever contigo, e mais uma vez estiveste ao teu melhor nível. Obrigado.)

domingo, 19 de setembro de 2010

No fogo alguém tentou sentir a luz

" None of them can even hold a candle up to you,
Blinded by choices these hypocrites won't see ...

My little piece of the divine...

High is the way
But all eyes are upon the ground.

You were my witness, my eyes, my evidence, ..
Set as I am in my ways and my arrogance.
" ( 10 000 Days - 10 000 Days )

Chegariam dez mil dias no fogo que nos queima,
E talvez, este número, como outro qualquer,
Pareça demasiado pequeno, demasiado comprido,
Pois engana-se quem se deixa queimar
apenas por momentos;
engana-me quem me queima
e eu deixo-me queimar por quem me engana,
Nessa aurora que vem com as ondas no mar
ou com o sol escondido atrás de um jardim,
e a lua que cresce voando sobre o rio
deixando às pessoas a oportunidade de ser apreciada,
num caminho, nas estrelas, numa despedida,
Na morte.
Pois é na morte que nos encontramos todos,
algures num infinito qualquer
longe do alcance do ser humano,
Algures fora da nossa razão
e sentimento.

Seremos únicos
talvez não como os primatas que ergueram o pé
que ergueram a chama
que ergueram carne aperfeiçoada...
Talvez não sejamos ninguém.
Mas vivemos por ser alguém para nós,
e queimamos cada dia
pelo próximo dia, por nós, e por alguns
outros que são para nós peças chave desta vida.

Não é por acaso que encontro
lições na dor, e é na dor que me modifico,
mas é no amor que também aprendo,
por isso, seja nesse calor da chama do fogo
do amor, ou na dor infligida por todo esse acontecimento
natural, aprendo-me...
Alguns fogem, outro refugiam-se...Não sei porque perdem
o vosso tempo!, E tanto tempo gastam sem viver de facto,

Iludem-se com a mentira, ferem com a hipocrisia,
Acordo deste pesadelo, consciente que de facto
estou a vivê-lo, é tudo real à minha volta,
falsas sensações espalhadas em várias classes de veneno.
Tudo isto me parece fútil, triste, absolutamente sujo
e digno de ser destruído.
Existem coisas que não fazem sentido,
e existem outras que deviam fazer...

Cortem-me de vez as asas todas, as que cresceram
as que ficaram por crescer e as que morreram sem nunca
terem sido abertas,
Julgo-me superior a todos?
Eu quase nem me julgo ninguém,
porque o que sou por vezes não passa de palavras
e os actos cada vez mais são levados pelo vento,
Perdoa-me, nesta arrogância leve,
Por cada vez que te traí e que me traí
por cada vez que o meu coração seguiu o caminho
da insensatez para depois dissolver-se no arrependimento...

Tentei em cada incêndio encontrar um caminho em direcção à luz,

Mas tudo o que passou por mim
foram pequenas chamas que me reencaminharam
para um lugar de cinzas, um lugar estranho
onde não sei a localização.

Sei cada vez mais, porque sou um monstro,
E os monstros não fingem.

sábado, 18 de setembro de 2010

Cataclysm - Parte I - O inicio do fim

Por esta poesia que se vai
desfazendo em pequeno bocados
pelas perfeitas espirais
que se acabam por transformar em
defeituosos quadrados...



Rugem os tambores
neste esforço musical
de uma sintonia que representa a Guerra,
A união de todas as guerras
num acontecimento único,
num acontecimento final...Crianças
choram, num ombro de alguém que ao seu
lado não sabe como explicar
todos estes acontecimentos.
Sobra nalguns uma sombra de dúvida
e noutros o medo que viveu escondido,
e no coração de cada animal
de cada ser humano
sente-se um aperto, de que nada está igual
que é tudo isto um acontecimento
que para o bem, que para o mal
é o esmagar da existência.
Treme o corpo, perde-se a voz
e tudo aquilo que por nós
foi construído
será destruído, será ruínas,
É o passado e o presente
num futuro ruído. Em nome do Pai,
em nome do Filho...do Espírito Santo...
Reza-se aos deuses, a deus, e a Deus,
e todos fingem aguentar firme
a certeza que a morte caminha na sua direcção.
São as crianças que choram sem um ombro firme
para as segurar, e todos choram
na verdade medíocre que viveram sem lutar,
Abra-se pois este abismo,
Que se destrua de vez todo este ilusionismo,
É hora de fechar os olhos
e talvez partir.
Receio ter chegado a minha hora.
Com a hora veio o tudo que nunca senti,
o tudo que fraquejou nestes alicerces.
Existem duas estradas
neste caminho único,
Ou seguro a espada, erguendo-a alta, brilhante,
pronta a ser usada,
ou fraquejo o braço deixando-a cair no chão...

Como chegámos a isto?
E porquê?

(Continua)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A lágrima falsa que deus chorou

"Sweeter than heaven and hotter than hell..." (Drumming Song - FATM)

Pela primeira vez na vida não gritei
para terem calma
mesmo quando via diante dos meus olhos
cada um com a sua diferente arma
amarrada às mãos
agarrada ao corpo
perante uma guerra qualquer
ou um abismo.
São opiniões diferentes
que oscilam entre
esse doce céu
ou esse quente inferno...
A realidade fria trespassa-me os sentidos,
como pude ter sido tão humano
em problemas terrenos?
Como me consegui iludir?
Este mundo promete mais do que aquilo que pode dar
ou talvez eu não esteja preparado para me deixar
ir e ser feliz...
Sim, nessa lágrima
encontrei a mulher perfeita para mim
ela é que nunca me encontrou,
pelo fim,
pelo inicio,
pelo fim.