sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Orestes - A dúvida da dádiva

(Em construção...)

21:07

Aos voluntários - Mensagem

(Este é o email que ando a enviar às pessoas que me têm ajudado de livre vontade. Até agora estou a contar com sete pessoas que se voluntariaram. Se alguém que leia o blogue, quiser fazer parte desta forma de "avaliação ou opinião" escreva um comentário com o email, ou mande email para: diogogth. Muito obrigado.

Um obrigado especial à Sofia que colocou com empenho este processo a avançar com mais engenho.)

Antes de mais quero agradecer a todos a disponibilidade voluntária que todos tiveram para comigo, como já confessei não estava à espera de uma adesão tão positiva em apenas dois dias. Foi uma surpresa agradável do Homem. Alguns de vós já saberão outros ainda não, mas passo a explicar. Tenho andado a tentar escrever um livro, algo que neste país não seria muito difícil, se se tratasse de prosa, o que não é o caso. Já recebi duas propostas de pequenas editoras. No entanto também me vieram parar às mãos (obrigado às duas) alguns advices de como construir uma base sólida para conseguir realizar este sonho. Todas elas já as tenho andado a por em prática...Tirando uma: pedir a opinião a pessoas imparciais sobre o que escrevo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Quando um homem mau tenta fazer algo de bom


(É deveras engraçado a ironia do destino. E digo isto com uma ponta de ironia. O destino tem comigo uma relação bastante coerente, e disso não me posso queixar (ironia outra vez), está sempre lá, é constante e deposita em mim traços irónicos nesta linha (ou curva) que é a vida. É isso ou a frase célebre: nós pomos e Deus dispõe. Mas para este caso não faz diferença...Hoje tinha em mente três ideias bem definidas para textos: Acabar de uma vez por todas (ainda mal comecei) o tardio tributo ao Lateralus; fazer um texto contra o meu ódio de estimação primário, esse dito exército de Deus, devido uma cruz que vi numa joelharia; e um texto de reflexão, similar a outros. A verdade é que me encontro triste, a ouvir sem para o Sober, com a certeza que certeza nenhuma tenho. Fulo contra mim e contra todos. Consciente que a minha capacidade de amar os outros é tão mais pequena do a de me odiar, e de querer deitar abaixo todo este planeta. Era capaz agora de saborear o ódio e a raiva, e unir-me de corpo e alma a todos aqueles que realmente sofrem.
A diferença entre mim e os que também fingem sofrer é só uma:
ter consciência que toda esta dor é uma ilusão. Bem sei, parece idiota. Parece não fazer diferença. Mas a verdade meus leitores, é que faz...e é como tudo: leva o seu imprestável tempo. Mas faz a diferença.)


Não é por acaso que sinto isto por vezes. Uma espécie de vazio que aparece, que prolonga. Costuma vir acompanhado de raiva, tristeza e às vezes saudade. Deduzo que todos vós também o sintam. Talvez a vantagem de ser monstro é tentar dar um uso positivo a esse mesmo sentimento (que nada tem de positivo). A maioria das pessoas que sofre, sejam quais forem as razões, parece que se sente em casa com o sofrimento. E em vez de procurar ajuda, ou de se ajudar a si própria, encontra no sofrimento não uma razão de superar tudo o que pode ser superado, mas sim uma razão de sofrer ainda mais. O que faço eu com o sofrimento? Aproveito-me dele. E com ele escrevo um dos meus melhores eu. Nesta minha vida sempre quis dar uma filosofia de esperança a quem rodeia, e eu próprio, para não ser rotulado de hipócrita (e também por nela acreditar) vivo-a ao máximo. Basicamente defendo que nos devemos rir dos problemas. E com isto não procuro insensibilidade, nem irresponsabilidade. Procuro não me deixar ir abaixo com muitas coisas, tentando aproveitar algo nelas, tentando não deixar que elas me transformem em algo que não me faz bem. Não quero morrer, mas respeito a morte, e sei que ela está ao meu lado. Todos os dias são bons para morrer. Por isso, vivo a vida. Pois a vida é um curto momento que a morte nos concede.
No entanto, nesta minha curta vida, que conta com vinte e três Verões, também já tive momentos, em que me deixei ir tão ao fundo, de forma tão...digamos, consciente e de uma forma impotente propositadamente, que posso facilmente dizer que a vida parece-nos por vezes uma maldição. Mas no momento exacto em que digo isto arrependo-me. Porque sei que não o é. Apenas parece.

Já o disse anteriormente...Quando um homem mau tenta fazer algo bom, nada de bom pode resultar.

Neste momento sinto que perdi algumas cores.
Neste momento estou consciente que aquilo que quero
nunca terei, por muito que lute.
Neste momento tenho medo, no meu lado humano, de voltar a falhar
em coisas que já falhei.
Neste momento sonho muito e pouco faço.
Neste momento roço os defeitos e fraquezas do ser humano...sem ponto de fuga,
com uma sede sem lógica...
Neste momento posso ser alguém, mas sinto-me quase ninguém.
E aquilo que faço e digo
é como se caísse num cansaço
que já não é sentido.

Tudo o que posso entender é que tudo me revolta;
desde o essencial ao patético.
E revolta-me ser valorizado por quem não devia
e ser desvalorizado injustamente.

Pelo filho que tento ser,
irmão,
ser humano.
Orgulho-me unicamente do monstro que sou
apesar de toda a dor que daí advém,
apesar de toda a força,
apesar de toda a calma e quase felicidade.

Quando um homem mau tenta fazer algo de bom?
O resultado será o pior possível.
Ou ainda pior.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

We will be victorious



"The paranoia is in bloom, the PR
Transmissions will resume, they'll try to
Push drugs, keep us all dumb down and hope that
We will never see the truth around, so come on

Another promise, another scene, another
Package not to keep us trapped in greed with all the
Green belts wrapped around our minds and endless
Red tape to keep the truth confined, so come on

They will not force us
And they will stop degrading us
And they will not control us
We will be victorious, so come on

Interchanging mind control, come let the
Revolution take its toll, if you could
Flick a switch and open your third eye, you'd see that
We should never be afraid to die, so come on

Rise up and take the power back, it's time that
The fat cats had a heart attack, you know that
Their time is coming to an end, we have to
Unify and watch our flag ascend, so come on

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious, so come on

Hey, hey, hey, hey
Hey, hey, hey, hey
Hey, hey, hey, hey

They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
We will be victorious, so come on

Hey, hey, hey, hey..."

A ilusão da sanidade - Tamanhas almas


"É uma viagem ao meu interior, sinto a dor, e observo o terror da paisagem...A erosão da sanidade mudou-me, elevou-me, através da passagem..." (DLM)

Procuro justificação para esta dor:
Serei eu facilmente iludido
ou terão outros o engenho de bem iludir?
É este aquele tormento
que vocês tanto veneram
que se sente antes, durante e depois
do julgamento.

Verso a verso
passo a passo,
Queria brilhar como o sol
invadindo as trevas
parando apenas para adormecer
e descansar atrás das serras.

Onde está a voz interior
que me sussurra orientação?
Onde está a mão que me dá a mão
e me apazigua a alma? Onde está a permanência?
A vivência?
Esta ilusão da sanidade deixa-me louco.
Gritei até ficar de som rouco...
(Mas terei gritado o suficiente?!)

Tudo o que tenho são duas mãos
que são o prolongamento da minha alma;
a razão vai se deixando dormente,
e o sentimento está inconsciente.

Aguardo o quê? Aguardo para quê?
Onde está o monstro que dava valor
à dádiva de viver?
Onde me perdi eu nestas encostas bruscas
onde cada superfície parece magoar?
ONDE ESTÃO AS PALAVRAS?
ONDE ESTÃO OS GESTOS?
A minha fé dissolve-se...
Talvez a fé no Homem, talvez a fé na mulher,
talvez a fé em mim...

Não hesites em olhar nos olhos do espelho!,
És mesmo tu?, envelheceste, parece que percorreste
meio mundo...mas não é verdade.
Tens um aspecto amarrotado.
E nos olhos de quem tenta viver uma vida
sentida é notavel uma tristeza escondida
uma chama que tarda em sumir...
Lamento. E odeio. E é como se um ácido me corresse
nas veias em vez de sangue.

domingo, 15 de agosto de 2010

Interna emoção

Precisamos de magia?

Um dos sentimentos mais completos que os leitores me dão é dizerem-me primeiramente que não gostam de poesia, mas que depois de me lerem um pouco, começam a gostar, ou pelo menos, partindo do pressuposto não arrogante que a tento pelo menos fazer, gostam do que escrevo. Isto para mim é magia.

Está numa hora estranha de ir dormir; está na hora certa de me retirar. Obrigado.

sábado, 14 de agosto de 2010

Wrathful


(Talvez seja este um poema de tudo aquilo que não gosto, por outro lado, talvez temendo a verdade alheia seja aquilo que sou. Neste momento pouco ou nada me importa; o mundo gira ao contrário vezes de mais para o meu gosto, e o homem muitas vezes anda para trás...Trava-se na garganta um grito, algo que para outros parece apenas um gemido, e para outros ainda: um grotesco silêncio. A realidade afecta-me mais do que um pesadelo. A única dúvida que recai em mim é : Serei na minha essência um monstro ou um homem?? Que comece a marcha por um território já tão amado e ambicionado...Alguém entre dentro de mim com força suficiente para me dividir em várias partes. Alguém me parta, que retire tudo o que menos importa; alguém faça por mim o que tento fazer por todos. Talvez sejam braços enormes que querem abraçar todo o mundo...Mas disse-me a minha mãe: Não podes dar o que não tens. E fiquei sem saber ao certo, estarei eu, eu que tanto odeio a hipocrisia, a ser um hipócrita? Possivelmente não, mas neste momento já não sou capaz de afirmar nada com total certeza, e da forma que me vou deixando ir pensando acho que nunca tive certeza em nada, nem coloquei ninguém na certeza. A certeza, algo que tinha como certo e importante, aos poucos foi perdendo o sentido e o prático, e mesmo tentando lutar contra esse facto, a verdade é que o continuo a perder. E esta batalha é tão inútil como lutar contra algo que não sabemos o que é, sem ver o rosto, sentir o cheiro, sentir o sabor. Quando damos por nós temos a cara dorida, cravada na terra, a tossir pó...sentindo o sabor a sangue que saí de uma ferida que nem encontramos pois todo o corpo dói. É isto tudo.)

É tudo exaustão.
Não existe mais experiência que leve a combustão.
É como sentir que nos falta o chão. É como se o ar
que nos entra nos pulmões fosse um ar em vão...
São mais os que vão do que aqueles que ficam.

Não existem forças na pele
é tudo um interior meio morno,
meio parado, totalmente escondido, como se espera-se
por algo que o acorde.
Não existe vida, apenas se espera a morte.
Sou um edifício forte ao qual apenas
falta o suporte. E tudo isso é o que mais importa.

É preciso tomar um banho em todo o corpo
até tudo o que nos cobre estar liberto,
é preciso lavar toda a alma, e destruir o que menos importa.

É ler nas entrelinhas, não chega ver a porta, ver a janela,
é preciso mudar;
é preciso subir...Luz. Essa luz que segurava alto
que iluminava e que me iluminava
apaga-se a cada dia que passa
com uma explosão de silêncio...Não restam aplausos
nem gritos...Sobra essa sombra já meio fraca.
Nem sombra, nem luz,
é tudo no centro do nada.
E como detesto viver aqui.

Queriam amor?
Guardem-no.
Preferem o ódio?
Aliciem-me.
Queriam que fosse diferente?
Mas isso já sou.
Melhor?
Levo o meu tempo...

Coloquei palavras em todo o meu mundo
e desenhei com amor, como se ao mundo desse arte;
e a arte de sentir espalhei como poucos. E a arte de odiar
recrio como poucos...Mas odeio como muitos.
E tento amar como a maioria.

Nestes dias que vão findando
morre trancado da alma um desejo a mais
um desejo desesperado que se consome
em cada percepção da sua não realização.
Ante tudo isto não preferia a morte.
Ante tudo isto vou remoendo o sonho
até ao dia da sua evaporação...
Ante isto tento não sofrer muito mais, e recrio-me:
com o mesmo ódio de sempre,
a mesma elevação,
com a mesma forma de mudança.
Ante isto tudo o que eu desejo
é que tudo seja...

(Um dia conseguirei talvez levar nas costas outro peso que não só o meu...Um dia confirmarei que o arrependimento não mata, mas faz doer. Um dia mentirei para conseguir o que eu quero. Como todos vocês.)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nas asas do abismo


Dedicado à Sofia.

Help me if you can. It's just that this.. Why you're giving in to all these reckless dark desires? Why do you wanna throw it away like this? What's your rush now? Everyone will have his day to die. Outsider - A Perfect Circle

Ninguém se enganou,
Ninguém agiu de má fé.
A vida às vezes gosta de nos colocar à prova,
quer ver em nós alguém capaz de a superar,
Alguém capaz de sobreviver ao drama
à perda, ao lodo deste mundo,
à falta de sabor dos momentos
ao excesso de sabor dos desgostos.
Mas estou aqui para ajudar.
Não existe pressa. Existe muita vontade.
E com vontade, verdadeira vontade, tudo se faz,
tudo se realiza.
A verdadeira batalha está naquela em que se ganha
experiência, seja uma derrota ou uma vitória.
Só se perde verdadeiramente quando nada se aprende.
E encontrei-te na sombra de um pequeno abismo
que se abria, tão tentador, às portas da tua ira,
do teu desespero. Qual é a tua pressa?
É pressa de quem se fartou de viver sem chama...
Alguns preferem deixarem-se ir nesse tormento
sem fim, onde vão morrendo aos poucos de forma silenciosa...
Outros preferem fugir a tudo isto...
E tu, depois de acordares, preferes voltar a viver.
Não existiu queda física e a queda espiritual foi abrandada,
e foi um som de asas que se aproximou
agarrando-te os braços, todo o teu corpo,
elevando-te para o sítio onde pertencias.
É na vida que pertences, na esperança de novas emoções.
Cabe-me respeitar as forças dos anjos e de Deus
neste mundo, e cabe-me usar as minhas asas
para salvar quem vale a pena salvar.
A morte chegará a todos um dia...
Para quê viver sem pensar nela? Não vale de nada.
E viver com medo de amar, de sonhar mais longe
é criar uma inércia à vida.
Olha-me nos olhos
e diz-me que recuaste para sempre.
A minha batalha só está ganha
quando marco a mudança para sempre
pois mudar por momentos já não me satisfaz.
E o orgulho que guardo no ser humano
é um orgulho que raramente se sente em mim;
mas é por pessoas como tu que este se vai fazendo sentir.
Mentiria se dissesse que não temo este mundo
estas pessoas;
Mas não te temo
e de ti me orgulho.
Não tenhas pressa, vive um dia de cada vez;
e como outros (poucos) agarra o que a vida tem de bom,
mesmo que o que tenha de bom seja muito pouco,
pois é nesse valorizar do bom que encontrarás
o essencial da tua felicidade.

Foi na minha personificação de asas
que salvaram alguém especial dum abismo
que encontrei mais uma vez
a razão intacta de confundir o destino.
Não é egocentrismo, não é desafio perante o divino...
É saber que vales a pena
que és importante
para mim e para outros
e porque fazes parte dos que vivem.
É altura de viver.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ancestral spirit


(Post 400 nas Narrativas de um monstro)


"So let the light touch you, so let the words spill through And let them pass right through Bringing out our hope and reason..." (Reflection - Tool)

"A verdade é que a saudade que passou não é mais que muita..." (D.)

É com olhos de como se fosse sábio
que aprecio as labaredas desta fogueira
que vai consumindo cada pedaço de árvore
que foi ceifado e apanhado por esta família.
Não são perigosos terrenos, são terrenos humanos;
e são estas pequenas paisagens
que se aproximam da minha alma
com um calor capaz de tocar a face, as mãos,
que me fazem compreender que talvez esteja sozinho neste universo.
Será o abstracto? Onde está o errado ou o certo?
São estas pequenas viagens aos quatro elementos
a toda uma Mãe Natureza
que me fazem desejar sair do corpo
e falar, estar mais longe de tudo isto.
O calor toca-me mas mantenho-me sentado
a apreciar a magia de cada chama,
e tudo vai ardendo
numa calma celestial...
O relógio toca, e toca onze vezes, na sala de jantar...
Vim eu aqui outra vez
perder o meu tempo,
devagar, como essa madeira que vai ardendo sem pressa...
E ao longe fica o mar,
Ficam os rios.
O vento bate nos vidros da janelas...
Mas eu saio de casa
e sinto esse mesmo vento a bater-me na cara
sem esse escudo da janela;
e não me magoa. Com a dor física posso eu. Seguro-a
com mais força do que aquela que ela aplica em mim.
É fácil. É muito fácil.
Com esta dor posso eu bem.
E sinto o cheiro a terra fresca, molhada,
uma terra que era seca sofreu na pele toda uma chuva
que caiu abundantemente.
Levo a minha mão ao solo e tiro um pouco de terra.
A minha mão ficou fria, molhada,
e eu deixo-a cair, sem pressa, como a labareda
que continua a queimar devagar o pedaço de madeira
que outrora foi vida, foi árvore.
Não me basta fingir que controlo...Não me basta não.
E é então que cravo com toda a força toda a minha mão
na terra; os dedos as unhas, toda a mão;
E sinto a terra, as raízes, as pedras,
pequenas ou maiores, tudo na mesma terra;
são insectos, restos de folhas, restos de insectos;
frutos...tudo na mesma terra, em contacto comigo.

Como consegui eu ser enganado pelos meus sentidos
nessa calma celestial?
Como enganei a minha alma
ao passar-lhe esta sabedoria
espiritual?
Como posso eu agir bem
quando tudo o que tenho em mim é o mal?
Acabei por perceber, como todo aquele que é sábio
que a verdade não está na união que criamos com
tudo aquilo que nos rodeia...e como todo aquele que é sábio
descobri-o demasiado tarde;
a verdadeira ligação, capaz de nos fazer devorar
com fome um pedaço de madeira de forma calma, como faz o fogo,
de forma a prolongar esse momento,
dando à sua volta o calor,
será apenas bem aplicado encontrando numa pessoa
a necessidade de nos transformar-mos em fogo.

Um chama perdida
consome o último pedaço de madeira...
Não restam dúvidas, valeu a pena.
Talvez o fogo encontre outros pedaços de madeira
para arder, para se unir, de forma a criar calor,
e magia. E talvez nenhum pedaço traduza o mesmo efeito...
Talvez o fogo não passe disso mesmo, uma magia sempre diferente,
sem forma de segurar para sempre
o calor mais vital.
Talvez a árvore que segurou o fogo
ainda tenha raízes
e volte a chegar a ele.

No abismo deste silêncio
a chama é poderosa,
porque a chama está viva,
e apenas um olho mais atento
um olho que nada teme
conseguirá perceber
que a única diferença
está na cor:
na cor do olho
na cor do fogo
na cor da árvore.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A outra face do monstro


"Can't tell you the truth
'least I don't lie about that...
" ( Any Way The Wind Blows - Sara B .)

Monstruoso é o coração de quem ousa amar;
Pelos sentimentos sofridos na pele
elevados ao sentido extremo do prazer
de se ser feliz; e aos poucos, muito devagar
encontramos a paz acesa que nos
faz querer melhorar e mudar tudo aquilo
que achamos estar mal nas nossas vidas
no nosso mundo...
Quando dou por mim a espiral é certa como
a morte; já desisti da sorte há muito tempo
e agora neste terreno humano oscilo entre
sabores de várias cores, músicas de vários sabores.
Quando dou por mim toda a minha vida apresenta-se
bela, concreta, sem dor, sem pavor,
Imagino como teria sido se nunca tivesse travado certas
palavras, evitado alguns movimentos;
torno-me naquele homem de longa idade
que recorda para justificar a vida.
Onde poderei ir?
Onde me quiser levar.
Não são duas faces diferentes:
são dois pontos de vista contrários,
obliquos, paralelos, um cálculo com incógnitas decimais.
Sonhei por pouco tempo nessa lua de Agosto que se escondeu;
e ao que parece nem o sonho foi de facto sonhado,
vivi num sonho que nunca sonhei
num desejo que acabei por sentir
em vão, como se para sofrer bastasse amar.

Mas não é verdade. Revolto-me com todas
essas amarras humanas, esses limites
que nada delimitam...Porque não podes estar aqui?
Pela mesma razão que eu não estou em mais lado nenhum:
eu só existo na minha imaginação
e na ousadia de quem me quer imaginar;
Porque pensar todos pensamos
e sentir todos sentimos...
Pouco ou nada é o que sentimos e pensamos.
Oscilo entre a razão que vivi e que deixei que fosse
seduzida; e o sentimento quase frio que me mutila
as mãos nos tempos que vivo.
Talvez seja injusto para quem de mim
apenas merece o melhor, o meu eu sentido,
Talvez.

Tóxico, pútrido neste sentimento de hábito
velho e gasto; drástico, muito seguidor
desse sentimento fraco e enfraquecido.
Desiludo mas também saio desiludido.
A maldição é o amuleto para a caixa de Pandora,
para os anos contados do fim,
para o findar de toda uma Era e Eras.

Não me canso do que fui,
canso-me de ser quem sou
de como sou.
Julgavam já ter visto a totalidade,
a verdadeira identidade deste monstro?
Pois ainda não viram nada!

(...)

A lição que falta a qualquer ser humano...A lição que falta a qualquer ser que queira ser um ser humano... A libertação total da escravidão diária..



Poucas serão as palavras que posso acrescentar a está mensagem. Talvez nenhumas. Mas o que interessa o que posso eu dizer? Aqui está tudo. Aquilo que nos falta, aquilo que temos a mais. Procuram equilíbrio? Está aqui mais do que o peso ou 'despeso' para a vossa balança...Querem-se agarrar a algo que valha a pena para viverem? Ok...Agarrassem-se à vida:

And you open the door and you step inside
We're inside our hearts
Now imagine your pain as a white ball of healing light
That's right, your pain
The pain itself is a white ball of healing light
I don't think so

This is your life, good to the last drop
Doesn't get any better than this
This is your life and it's ending one minute at a time

This isn't a seminar, this isn't a weekend retreat
Where you are now you can't even imagine what the bottom will be like
Only after disaster can we be resurrected
It's only after you've lost everything that you're free to do anything
Nothing is static, everything is appaling, everything is falling apart


This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
Doesn't get any better than this
This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
And it and it's ending one-minute at a time

You are not a beautiful and unique snowflake
You are the same decaying organic matter as everything else
We are all part of the same compost heap
We are the all singing, all dancing, crap of the world

You are not your bank account
You are not the clothes you wear
You are not the contents of your wallet
You are not your bowel cancer
You are not your grande latte
You are not the car you drive
You are not your fucking khaki's


You have to give up, you have to give up
You have to realize that someday you will die
Until you know that, you are useless


I say let me never be complete
I say may I never be content
I say deliver me from Swedish furniture
I say deliver me from clever arts
I say deliver me from clear skin and perfect teeth
I say you have to give up
I say evolve, and let the chips fall where they may

This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
Doesn't get any better than this
This is your life, this is your life, this is your life, this is your life
And it and it's ending one-minute at a time

You have to give up, you have to give up
I want you to hit me as hard as you can
I want you to hit me as hard as you can

Welcome to Fight Club
If this is your first night, you have to fight

domingo, 8 de agosto de 2010

O erro de Deus

Disse Einstein: Deus não joga aos dados com o Universo. E mesmo não me querendo intrometer numa das maiores mentes de toda a História tenho de admitir: tenho as minhas dúvidas.
São 03:20 e sinto necessidade de escrever. A noite volta a ser uma companheira, ou talvez uma pequena maldição...uma nuvem que vai e vem, e para a tornar menos negra, tento escrever, fazendo com o que o tempo que não gasto num necessário descanso seja utilizado da melhor forma. Será? Faço o que posso. Serei obrigado a mais? É possível.

O Deus em que acredito é o mesmo do que a maioria do mundo. Sou cristão. E esse Deus está algures (dizem que em todo o lado, algo que é complexo para a nossa imaginação limitada), a observar os nossos actos. Acredito numa certa ordem de acontecimentos, sinais...num pseudo-destino, com algumas regras, alguns limites...Mas acredito, que no fim, tudo é escolha nossa. É uma questão de aceitar ou de nos revoltarmos. Talvez Deus nos mostre algumas portas, mas cabe-nos abri-las. Talvez a minha imaginação seja fértil de mais; talvez a minha monstruosidade me obrigue a tentar procurar uma razão, várias razões para muitos acontecimentos que se passam nesta nossa vida.
Penso que Deus terá colocado o paraíso nesta terra. E de propósito ou não, talvez tenha sido um mero erro cósmico, o inferno acabou por também se cá instalar. Talvez tudo tenha começado com a evolução desse macaco que se transformou em Homem.
Acredito que se por um lado o Homem foi capaz de surpreender Deus criando maneiras de pensar, viver e sentir positivas e cheias de chama, também terá sido ele a carregar a chave para a caixa de Pandora. E com a sua existência, de propósito ou sem querer, acabou mesmo por a abrir. É de magia que precisamos? Não. Porque este mundo precisa de equilíbrio.

Talvez o erro divino tenha sido cometido no momento em que Deus pensou que o Homem ia apenas semear com um sorriso toda a felicidade e bondade do mundo todo...Mas o Homem não semeou ventos...Semeou logo tempestades.

O meu erro é estar acordado quando deveria estar a dormir.
Por isso, para não prolongar um erro que pode facilmente ser evitado, vou-me deitar. Deixando na mão do Homem a capacidade de sofrer e de mudar, de proteger e sacrificar o ego, de matar o ódio sem réstia de piedade; acabando por amar, da forma que se sente. Já se faz tarde, e os erros não se corrigem sozinhos; para mudar é preciso movimento; o meu, neste momento, é sair daqui, fechar os olhos e dormir.
O meu erro foi ter começado a escrever.