terça-feira, 3 de agosto de 2010

Megalomaniac



(Independentemente das razões e vontades que me levam a afastar-me da filosofia destrutiva do Homem, que destrói o que mais odeia e também o que mais ama, a verdade é que acabo por ir sempre aproximando-me dele...Mas continuo a tentar afastar-me...Por enquanto...
Mas o ritmo do meu coração não se manterá sempre, não irá bater para sempre, por isso tudo o que posso fazer é alertar-me enquanto vivo e alertar os que querem por mim ser alertados. Chega? Nem um pouco...Posso fazer mais? Duvido muito...E o que ouço cá dentro, é essa pequena frase, que me faz doer as entranhas da alma, que arrebata o estômago com uma azia intolerável, e essa pequena frase parece simples, parece inofensiva...Mas de aparências bem aparentes está este mundo cheio...E sinto-me, feliz quando amo, pútrido quando desejo o mesmo que esse que querem sentir que o mundo é deles, que são os únicos, os melhores, os primeiros...Por vezes dou-me ao luxo de ser Homem, outra vez apenas um homem...Com sorte consigo ser monstro. A canção, em forma de espiral transcende o coração, passa todo o corpo através das veias chegando ao cérebro...A frase desta canção diz...)

"I must keep reminding myself of this..."(vezes e vezes sem conta) (The patient - Lateralus - Tool)

Mais de duzentos mil mortos...
Eram pessoas que estavam no seu dia-a-dia
sossegadas na sua vida...
E duas cidades ficariam para sempre recordadas
por duas bombas atómicas lançadas por cobardes dos céus:
Hiroshima e Nagasaki.
Por aqui me queria ficar, mas não fico.
Poderão pensar porque fizeram isto. Nunca foi a pensar em outros
foi sempre a pensar em si.
Megalómanos. Raça viva de quem quer sempre mais
sem pensar nas sequências, sensação de se ser superior
a todos e a tudo.
Nem sequer era alemão...Mas entrou na História por
elevar a Alemanha. Intelectual e genial
começou por subir aos poucos no Estado.
Foi útil e eficaz a construir uma Alemanha nova,
fortificada e segura, uma Alemanha que se aguentava
sozinha, se auto medicava, se auto sobrevivia.
Mas a ganância quando cresce no Homem
torna-o cego, sedento de uma fome infinita
que nunca para de crescer e que nunca encontra alimento
que sacie.
E essa raça dita pura, dita especial, superior
quis expandir o seu espaço vital...
E fica na História um povo aparentemente pequeno
conquistar toda uma grande parte da Europa...
E fica na História todo um massacre de milhares
de milhões...Inocentes nesse jogo
da expansão de um território
cuja única razão foi a expansão de uma suposta
superioridade.
Megalómanos. Raça viva de quem quer sempre mais
sem pensar nas sequências, sensação de se ser superior
a todos e a tudo.

Por vezes penso estar sozinho
e perdido neste mundo. E outros sentem isso todos os dias...enquanto
estão vestidos, a comer, distraídos a observar outros na mesma situação...
Depois existem aqueles que de facto estão perdidos e sozinhos
neste mundo:
sem ajuda humanitária do Homem, sem a ajuda divina de Deus.
Uma mãe sei leite no seio tenta alimentar o filho
que morre em poucos dias
vítima de fome, de doenças, de sede...
Como se chegou a isto?
Onde está a humanidade?
Onde está Deus?
E mesmo na ausência de um Deus que não acorda
os Homens preferem adormecer também...
Megalómanos. Raça viva de quem quer sempre mais
sem pensar nas sequências, sensação de se ser superior
a todos e a tudo.

Sou da mesma matéria do animal dito irracional
que sofre no corpo as modificações da sua casa:
a Natureza.
As vítimas? Todas as criaturas do mundo:
racionais, irracionais, e toda a matéria que dele faz parte.
Os culpados?
O Homem.
Quem cobiça nunca dá. Quem cobiça quer sempre mais.
Quem cobiça rouba. Quem cobiça destrói.
Megalómanos. Raça viva de quem quer sempre mais
sem pensar nas sequências, sensação de se ser superior
a todos e a tudo.

É este o mundo que vamos passar
aos nossos filhos e netos...
Um mundo que outrora, durante séculos,
independentemente de criado por outrem ou apenas
criado por si próprio
estava em perfeitas condições...
Agora é um mundo partido, com feridas abertas
que já não saram, feridas que tapamos para não doer tanto
mas impossíveis de fechar.Megalómanos. Raça viva de quem quer sempre mais
sem pensar nas sequências, sensação de se ser superior
a todos e a tudo.



Tenho de me lembrar constantemente disto...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Anonymous

Começo por agradecer o comentário. Como agradeço todos os comentários, pois é sinal que existiu a necessidade do leitor de dar a sua opinião, o que desde logo é muito bom sentir, como desde sempre pedi: reacção, fosse ela boa ou não.
Este comentário mereceu no entanto a minha atenção por várias razões. Gostaria de pedir a todo o leitor, fosse quem fosse, que assinasse o seu nome. Mesmo sendo alguém que nunca venha a conhecer poderei lembrar-me do comentário e do nome da pessoa, em vez de o "Anónimo disse...".

Ora agora as partes mais importantes.
Bob Marley é de facto um cantor com músicas mais animadas, mas não sinto qualquer preenchimento quando o ouço. Sei que existem momentos para ouvir músicas mais alegres, outros para músicas mais enriquecedoras, e também existem os momentos para as músicas que nos ajudam sobrelevar quer o ódio quer o amor. Eu ouço de tudo um pouco, mas opto por músicas e canções reflectivas. Dessa forma consigo ser feliz e aprender. São exemplo bandas como: Tool, APC, Nirvana; etc's. Mas tenho também um enorme leque de músicas, bandas e cantores, de estilos mais "animados" e "felizes".
Foi óptimo saber que gostaste dos textos. E não existe qualquer necessidade de dar a minha opinião, até porque as respeito a todas, sejam positivas ou negativas; mas neste caso, por algum motivo algo se acendeu dentro de mim.
As pessoas que me conhecem sabem que tenho por hábito contradizer essa expressão: os gostos\opiniões não se discutem. Eu acho que se devem discutir. Não se devem é julgar.
Quando me perguntam que tipo de escrita produzo (tanto dentro da prosa como da poesia), costumo dizer o "básico": amor, raiva\ódio, reflexão, desabafo, "abstracto", etc; mas existe algo que digo sobre a maioria dos meus textos, que é na sua maioria a sua essência: poesia negra iluminada. Isto devido à frase "
a energia negativa que eles transmitem". Mais de 90% dos meus textos visam melhorar o meu ser, reparando os defeitos como ser humano que tenho, as minhas falhas, os meus erros; ou seja independemente da forma como os transmito na escrita ser mais "belo" ou "negativo" o que está por detrás deles, salvo alguns casos (que posso aproveitar para dizer que o texto que recebeu este comentário não é um desses raros casos de "negatividade" nem na forma nem na essência), é puramente positivo. Ou seja, mesmo me expressando de forma "negativa" o que quero é procurar em mim (ou no leitor) algo positivo. Seja através de mostrar o "mau" para saber o "bom", seja através de outras maneiras próprias de escrever.
Raro é pois o caso em que tanto a forma e negatividade estão juntas no mesmo texto, e apenas esses textos podem, na minha opinião receber essa definição.
Em relação ao lado feliz da vida...Toda esta vida que escrevo em textos é feliz para mim. Pois mesmo que não esteja em momentos melhores ao escrever encontro nisso, desde logo, algo bom, que serve para mim e para quem gosta ou não de me ler.
A questão aqui é esta: eu posso escrever no lado mal da vida, ou para o lado mau da vida, mas com o intuito de chegar à felicidade máxima, que é o que sempre desejei e sempre tentei atingir, independentemente de saltos e baixos inerentes à vida.
Textos "felizes", em que tanto a forma como essência sejam mais "alegres" são menos os casos no blogue, no entanto também os há. Poemas ou textos de amor, de injecção da alma...Existem ainda alguns.
Mas o importante é fazer ver que:
a escrita mesmo mais negra, negativa, em termos de forma, muito, mas muito raramente, é negativa na sua realidade. Por isso, peço "desculpa" se alguma forma passei uma energia negativa...Mas para quem conhece os meus textos depressa repara que o meu espicaçar, a minha maneira de ser e escrever consegue tocar a negridão literária, pois é a minha forma de me expressar melhor, apesar de com essa mesma forma a mensagem ser construtiva, apelativa, e se possível de espiral de iluminação. Com a minha escrita não procura deitar abaixo nenhuma alma nem a colocar ou afundar num lodo.
Por fim um grande: Obrigado. Que sejam feitos mais comentários e se possível tão activos e dignos de reflexo, como este.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Homem e o monstro (Lição Terceira)


Existe apenas uma diferença básica entre o Homem e o monstro: o monstro sonha pois reconhece a sua importância como combustível da vida; e sonha com o único objectivo de sonhar e de fazer todos os movimentos necessários para realizar esses sonhos. Sonha para ser acção. O Homem comete dois erros sempre: ou não sonha, tornando-se um ser que vive sem vida; ou põe o sonho muito à frente da acção, sonha muito mas não faz, quase que se contenta com o sonho.

Homem: Monstro...sonhei muito...sonhei muito mas não fiz com que o sonho se concretizasse...Não lutei por ele, limitei-me a sonhar...Quando dei por mim era demasiado tarde. E agora, parece que deixei de sonhar. Perdi chama, perdi chamas...Monstro...Não quero viver tristemente.
monstro: O Homem já não sabe sonhar. Gosta de sonhar para se ir confortando...É triste Homem, vocês preferem sonhar do que agir, porque pensam que assim não sofrem derrotas nem desilusões. Mas a vida é assim mesmo. E o sonho pode parecer que chega, mas não basta, nunca bastará. Só se podem sonhar com coisas que sabemos que vão acontecer ou coisas acontecerão se lutarmos por elas. O sonho que sobra é em vão, é enganador, é um vazio pintado com uma tinta fraca de preenchimento que apenas esconde a dura verdade desse vazio mal pintado.
O Homem deve sonhar e lutar pelo sonho, transformar esse sonho em realidade, em acção. Sonhar mesmo quando sabe bem nunca se irá comparar a sentir-se esse mesmo sonho. E o Homem que quer ser feliz e saudável, para ele e para os que o rodeiam, tem de sonhar para depois o realizar...Por isso ainda não desiste da raça humana, porque a maioria ainda sonha...é faze-los acreditar que tudo vale concretizar esses sonhos. E para os que já não sonham, exclamar contra eles, acorda-los, para voltarem a sonhar! Homem, se ainda vais a tempo, sonha, luta...faz.

sábado, 31 de julho de 2010

Viagem sem retorno


Neste lugar agarrado ao chão
declino a oportunidade de ir mais além,
E não se trata de temer desilusão
tão pouco que alguém
me volte a fazer acreditar no Homem...
São raízes profundas nesta terra
que me fazem questionar o valor de cada passo.
Quando me disseram que aprender
é como subir algum tipo de serra
preferi não acreditar. Foi preciso morrer
para perceber que sou aquilo que sinto e aquilo que faço.

Estou vivo, não me entrego ao cansaço,
Mas todo o meu ser teve de entrar numa espiral
quase divina, exposta a uma realidade que não era a minha.
E foi preciso avançar, soltar-me e deixar-me ir...
E em poucos anos a metamorfose chegou, contemplou
a borboleta, as asas soltaram-se,
E mesmo sem renegar esse passado a borboleta
segue o seu caminho, seja ele qual for,
sem nunca voltar para trás...Porque atrás está algo
que não importa mais. Se conseguiu evoluir
retroceder seria uma mediocridade existencial...
Se consegue voar então não precisa mais do seu casulo.

E mesmo quando essa tempestade de aproxima,
trazendo com ela um apocalíptico clima,
A asas apenas abanam, sem nunca fechar,
E protegem: os orgãos mais importantes,
As pessoas que nunca nos deixaram de amar,
E todos os momentos que foram bons e marcantes.

Quanto mais nos agarrarmos às más cicatrizes
De todos os males da nossa vida expostos e sofridos
mais fundo
se enterram
essas ditas raízes...


(Não rimava desta forma há muito tempo...E apesar de gostar continuo a preferir o verso solto. Espero que gostem...)

Memórias rasgadas


"The hurt inside is fading this shit's gone way to far All this time I've been waiting oh I cannot grieve anymore For what's inside awaking You've taken everything and oh, I can not give anymore..." (Here to stay - Korn)


Cansou-se. A paciência tem limites.
E os que de paciência sofrem de escassez?
Este é o mundo que tenho
um mundo que respira porquês.
Um mundo que absorve tragédias...
É quase impossível segurar o
Homem com racionais rédeas.
São memórias rasgadas no Tempo
que conseguem perdurar...
Queimamos, corrigimos, afastamos,
mas as memórias mesmo rasgadas
conseguem manter-se vivas...conseguem
repetir-se.
Esta dor quase que vai desaparecendo,
Tudo o que fiz ultrapassou o lógico
o humano
o monstro,
Foi demasiado.
Posso segurar uma luz
ou terei de me contentar com uma vela?
Esta dor adormecida volta repentinamente
repetidamente...Que posso mais eu dar?
Terei de dizer: quase tudo.
Luto para sair deste luto em que o mundo
me deixou.
Nunca ninguém me poderá tirar tudo
pois eu apenas tenho pouco mais que nada,
É como se já tivesse quase nascido preparado
para este mundo,
onde os erros humanos se repetem ao longo
da História de forma similar.
Várias vezes...mais vezes...
Esta dor pode nunca passar
mas vai diminuindo...
E às vezes isso talvez baste...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O amor ao ódio

"Quem tem vergonha do que sente perde sempre e nunca ganha..."

Esta é a pequena história que se conta há muito tempo:
Certo dia o Amor, cansado de tanto ser mal tratado pelo ódio, pergunta-lhe:
- Porque me odeias tanto?
E o Ódio respondeu:
- Porque já te amei de mais.

Este mundo é feito de contradições. Eu prefiro chamar-lhe equilíbrio. Não interessa se os opostos se atraem ou se se afastam. Interessa-me compreender e aceitar que o mundo é feito deste modo: tudo tem o seu contrário. E de todas as forças que caminham contrariamente podemos distinguir algumas mais importantes: força e fraqueza, verdade e mentira...justiça e injustiça, certo e errado...e talvez as mais importantes: amor e ódio. São esmagadoras. Com elas tudo caminha para todo o lado, tudo nasce e morre, é um duelo de titãs de duas forças capaz de tudo, desde o melhor ao pior, são duas forças contrárias com uma força igualmente devastadora.
E é em dias destes que me transtorna a falta de organização de Deus neste mundo...é nestes dias que me apetece ignora-lo, quase esquece-lo. É em dias como este que não acredito numa ordem que tenta equilibrar todas estas forças contrárias. Karma? Destino? Justiça?
Podem-me mandar para o Inferno...não me importo pois já lá julgo estar.

São muitas almas, são muitas doses de azar, é demasiado para um só alma numa vida ainda tão curta.
Sempre te admirei. Sempre me orgulhei de ti. Por tudo. Tudo. Mais do que algum dia saberás. Se pudesse escolher ser como alguém seria como tu. Mas ao que parece o universo fez uma suposta perfeição dividir-se em dois. E eu caí no lado menos bom. Mas foste parte de mim durante toda a minha vida, e custa ver-te sofrer. Sem quase culpa, sempre numa rotina tão baixa sentimentalmente...
Escolheste de forma sóbria defenderes a racionalidade. Existem mais como tu. Mas poucos são os que a usam tão eficazmente como tu...Sabes pensar, reflectir e agir, de forma quase fria mas certa. Raramente te arrependes. Raramente talvez te enganes...Queria ser como tu em quase tudo. Mas dentro de toda essa armadura dura existe um ser bem maior, bem mais comovido com o que está mal neste mundo...Um ser que ama muito e que apenas quer ser verdadeiramente amado...Mas parece que está difícil. E custa-me ver-te sofrer. Esta vida tem propósitos estranhos...Quero mais é que este mundo vá para o lixo. Que se lixe. Que morra.
Queria tanto reciclar este mundo. Não é que eu esteja mais certo...é apenas saber que não estou tão errado.
E podia estar ao teu lado, dar-te uma palavra amiga...Dizer-te que tudo se vai resolver...Que estou aqui para ti. Que nunca te deixei. Mas prefiro escrever este texto...Pelo menos é da forma que mais pessoas o podem sentir.
E depois perguntam-me porque sou um monstro? Porque venero tanto o ódio? Porque vejo o amor dar de si. Tantas vezes. Vejo o amor cansar-se de amar...E o ódio é da mesma força, e consegue vencer...
Eu não prefiro o ódio. Tenho é a consciência presente que o ódio, cada vez mais, por vossa culpa, por nossa culpa, ganha uma inércia em sair da nossa vida que o amor não tem...
Querem que eu vá para o Inferno?
Não gastem essa vossa preciosa saliva (que é mais útil em criticar, humilhar, destruir e afastar)
pois no Inferno
muitas vezes eu já julgo estar...
O amor ao ódio.
Porque o ódio cansou-se de amar.

Cais do Mundo

É com o maior prazer que volto a escrever com a Joana Garcia TH, minha adorada irmã. Este é o segundo texto que escrevemos juntos, e mais uma vez, penso que encaixamos literáriamente de forma perfeita. E agradeço-lhe o facto importante de ter conseguido com que eu escrevesse algo ligeiramente belo sem roçar o ódio. Por isso, e mais uma vez, parabéns aos dois, e que surjam mais oportunidades destas. Amo-te, keep going spiral out, contigo.


Chego ao cais bem cedo. O céu ainda está pintado com tons de violeta e laranja, e o sol não passa ainda de uma pequena esfera que ao longe, é tímida, mas ansiosa por nascer.

Inspiro o repentino cheiro do mar e quase consigo sentir o sabor a sal dentro da minha boca.

Sento-me num banco e deixo-me absorver pela vida à minha volta, pelos odores que pairam no ar e pela importância do que eu estou a testemunhar. Barcos partem e barcos regressam ao porto com as suas imponentes velas brancas que se movem ao sabor da brisa. Trazem consigo pedaços de outros mundos, de outras realidades distantes que a mim me parecem irreais e inalcançáveis.

Pergunto-me de onde será cada navio e questiono o que os homens que vêm neles dizem na sua língua. Imagino o que carregarão dentro das grandes caixas que transportam e sinto subitamente que sou realmente microscópica, em comparação com o planeta onde me encontro. Sinto-me realmente pequena com a imensidade de beleza e, ainda que rara, sincera riqueza que existem neste mundo.

Com tudo isto no meu pensamento, aguardo pela chegada do sol que trará consigo calor, mais luz e sobretudo, mais vida.

Porque é de vida que precisamos, em cada dia,

E desse sol que nos aquece bem mais do que o corpo

Que nos aconchega e acalma a alma.

Não louvamos a morte nem por ela esperamos

Pois sabemos que a seu tempo chegará

Mas até lá vivemos, vivemos cada dia como se

Fosse o último, como se fosse único.

Neste cais sinto pequenas gotas de água

Que tiveram a coragem de se afastar do mar

E que se serviram do vento para me tocar na face...

Hoje sou as forças do mundo,

Hoje sou a paz mundial, a ordem universal de todas

As coisas, de todas matérias, de todas as verdades,

Hoje sou este mar, este sossego,

Hoje sou essa doce espera de um sol que virá...

Mas mesmo nesta tempestade exterior que cresce

Consigo encontrar beleza no meu viver

No girar deste mundo.

Este mundo que é tão estranho e intrigante, mas ao mesmo tempo reconfortante. A esta hora, noutras partes dele, são horas de acordar para alguns. Outros estão a apreciar um pôr – do – sol num banco de jardim e outros ainda estão a preparar-se para se entregar ao mundo dos sonhos, dizendo adeus a mais um dia.

Neste mesmo segundo que passo aqui abrigada da chuva, neste cais antigo e parado no tempo, algumas pessoas vivem num dia anterior ao meu, ou serei eu que estou adiantada a eles? Se vivo num mundo à frente deles, onde aqui é dia e lá é a noite anterior, poderei contar-lhes o futuro? Saberei as coisas que ainda não lhes aconteceram? Ou o tempo é o mesmo? A mim parece-me que é quase elástico, ele estica e encolhe conforme quer, nem que seja só para me confundir por um bocado.

Sinto-me perdida. Ainda há tanto para ver, tanto para descobrir. Tantas culturas para conhecer, tantas experiências por sentir... Como vou conseguir tudo isso se o tempo corre contra mim? Se parece querer que eu o persiga, só para me poder ganhar, sempre. Se parece que será uma batalha eterna, uma corrida contra o tempo para conseguir pelo menos sentir metade da terra que banha o planeta a que chamo casa...

É difícil ser mortal, mas também nunca ninguém disse que a imortalidade era fácil. Tenho é de encontrar o equílibrio dentro de mim própria, onde poderei eventualmente deixar-me ir à descoberta do mundo que me espera e que eu tanto desejo conhecer.

Porque esse mundo está à minha espera.

Sempre esteve à minha espera.

E não terá esperado em vão:

Pois chegou a minha hora de o descobrir,

De o sentir em todas as suas vertentes,

E saber sempre que não estou sozinha;

Quando adormeço sei que outros estão a acordar,

Quando sonho no sono

Outros sonham acordados,

Quando me levanto outros estão-se a deitar.

Enquanto vivo outros morrem, enquanto choro

Outros estão a sorrir...Mas enquanto choro

Ou rio outros podem-me também acompanhar.

Se vejo o sol outros estarão a ver a lua,

E existem ainda outros que sentem o sol ou a lua

Demasiado tempo.

O mundo aguarda-me. Chega de o fazer esperar...

Não quero ser chuva

Nem calor

Frio

Ou céu aberto,

Quero fazer apenas o que é certo para mim,

Sentir-me e ser sentida,

Explorar todo o mundo enquanto respiro e ando

Enquanto ambiciono e corro,

Esta sou eu, filha deste Tempo,

Aprendiza desta momento, ser humano

Consciente da aprendizagem que toda esta experiência

Chamada vida tem para me ensinar e moldar.

Chegou a hora de me descobrir

Descobrindo tudo o resto,

Chegou a hora de me deixar ir

E deixar levar.


Por Diogo e Joana, GTH.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A cor da carne - Poesia e prosa


"Time to feed the monster... ...I must keep reminding myself of this.." (The package & The patient)

A)

É hora de me alimentar dessa necessidade que controla o Homem,
A carne é fraca, mas é ainda mais fraca quando se trata de carne
e a carne é tudo o que importa...
É hora de alimentar o monstro que está dentro de nós...
Negar os nossos instintos é negar o que nos torna humanos...
Por isso, escolho estar deste lado, contrário ao vosso,
mas no entanto,
também eu sinto necessidade de satisfazer essa necessidade de carne...
Afinal de contas, apesar de monstro, sou como vocês:
um animal. Dotado de razão, dotado de sentimento e :
dotado de fome carnal. Não me nego, não me censuro, não me iludo...
Será essa uma diferença que nos separa sempre e para sempre.
Sou o que sou, e não o que é suposto ser, e não me minto
nem minto a mais ninguém.
A carne que sacia o meu paladar de um sabor único
quase imortal
que me deixa saudade em vida
e desejo em vida,
Fome; fome de desejo de tudo o que poderia ter
agora e sempre e para sempre.
A fome que me suspende do mundo exterior
deixando-me numa espiral diferente
onde todos os sentido caminham numa mesma
direcção: saciar, amar loucamente o corpo, sentir!, Meu Deus...
Monstros...Monstros...
São monstros dentro de todos nós
à espera de serem soltos
de devorar com dentes e boca e língua
falar tudo numa forma singular
simples e quase carente
sedente, uma fome infinita...Meu Deus...
Uma mistura de tantos sabores.

Não são horrores
nem monstruosas dores...Meu Deus,
Ser-me é isso tudo e muito mais...
De uma forma tão forte
e ser-se sentido
acolher na alma um corpo vivo...
É a cor da carne que nos faz querer
e sonhar desejando, ser, ser de outra forma
também ela vida e alma da nossa essência...
Ai, não nego tudo, aceito muito
enterro o nada...
Está na hora de alimentar o monstro...
E devíamos lembrar-nos disso sempre...

B) Continuação : sobrenome - o Nono Pecado

Quanto mais penso sobre o assunto mais estupefacto fico com o facto de o ser humano se agarrar a coisas sem lógica para descriminar. E apesar de qualquer acto de descriminação ser por si só um enorme acto retrogrado e sem lógica, a realidade é que utiliza-lo devido a diferença de cores da carne é algo no mínimo de um Homem cego de alma, olhos, e racionalização.
Mas afinal, vocês, seres humanos, conseguem encontrar justiça de julgar alguém pela cor de pele?! Como, pergunto eu. Como? Fará a cor de pele diferença na maneira de agir ou sentir? Fará? Serei menos humano, menos capaz, menos qualquer coisa devido à cor, seja ela a que for, que tenho no meu corpo? Pele essa que serve para proteger apenas o meu corpo? Não me parece...
E este é um nono pecado. A capacidade de julgar outrem, por pensarmos termos algo mais que não temos, e que mesmo que tivéssemos não nos daria nunca o direito de pensar estarmos acima, seja de quem for...Nunca. Eu digo nunca. E direi sempre. Raparem bem que independentemente da cor exterior todos temos os mesmos tipos de órgãos, nos mesmos locais, todos temos um coração e cérebro...
E reparei, pensando um pouco, que todos os animais desta terra, racionais ou não, comprovam de facto essa grande verdade que tanto utilizamos, ou deveríamos utilizar no dia-a-dia: o que importa não é casca (exterior) mas sim o fruto\caroço (interior) pois todos temos a mesma cor no sangue, todos, todos temos em nós a fluir esse líquido vermelho que corre todas as veias e que bombeia o sangue...
Todos somos iguais na essência.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Poeira vermelha


"Part vampire, part warrior,...


I need to watch things die from a good safe distance
Vicariously, I live while the whole world dies
You all feel the same so why can't we just admit it?

Your desire to believe in
Angels in the hearts of men...
Devour to survive
So it is, so it's always been ..."


Todos aqueles que sentem um vazio interior
uma fome que reclama por um alimento que não vem
juntem-se a mim...
Reclamam por mais sangue...Pois seja ele derramado.
Será uma poeira vermelha que sobrará neste mundo
para contar uma história bem diferente do que a
que deveria ser contada...Mas eu já não faço mais nada,
fico a observar essa morte que nos aguarda
e que se aproxima a cada momento.
Oh sim!, esperavam mais de mim?
Enganei-vos tão bem...Eu adoro enganar,
Adoro fingir-me morto...calmo...um pequeno anjo
de asas meio brancas...Não. Chega.
Chegou a hora de não ser eu a contar a minha história
a tua história...
Quero morrer deixando para trás um rasto de ilusória
glória, corações arrebatados por fados enganados
que nunca existiram...foram apenas vividos,
mentidos, e depois pelo vento levados...Meu Deus,
dai-me fome neste lugar, não de sangue, não de derrota,

esta minha sorte já nasceu morta,
Mas continuo escrevendo...
Porque não admites?
Porque não admitimos?
O tempo escorre-me pelas mãos
e sinto-me cair num chão perpétuo...Que queda,
é lançada ao ar a moeda, essa que detém a sorte do Homem...

Não...
É esse vampiro que se aprisiona no nosso corpo
que deseja mais e mais sangue
esse guerreiro que conquista através do sangue...

Mas vocês nunca me conheceram como eu sou...
E depressa me abandonaram...

Pois sim gente deste mundo, o melhor homem
está no melhor monstro...naquele que é
vampiro que consegue ultrapassar a fome de sangue
e no guerreiro que conquista sem precisar
de derramar sangue...
Porque ambos precisamos dele...
Mas podemos viver sem ele...
Tenho
saudades.

(Vicarious - Dedicado)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Lágrimas de sangue

Na vida por vezes opto por dar exemplos exagerados...ou realidades muito acima ou abaixo da verdadeira realidade em questão. As pessoas, digamos, mais sábias, aproveitam esses meus exemplos hiperbólicos para os utilizarem com o fim que os uso: não perderem noção da verdadeira realidade. É como no olho dos Tool; nós com três ou quatro olhos possivelmente víamos muito mais, a realidade é que só temos dois...Pois bem, eu tento-vos dar esse terceiro ou quatro olho. É o que tento pelo menos. Se o faço bem? Não o tenho feito muito mal.
Valorizo o bom? Sempre...Desvalorizo o mau? Claro. Para quê massacrar-me com algo que não vale a pena? Não vale, por isso não me massacro. E é essa filosofia que tento "implementar" naqueles que aparecem na minha vida...seja qual for a origem, a grandeza, seja o motivo que os trouxe até mim ou me levou até eles.
Dizem ou leiem que Jesus terá chorado lágrimas de sangue...e existem cientistas que afirmam tal acontecimento ser possível devido ao sofrimento, pelo menos físico, de alguém. Todos nós já tivemos tentação ou a infelicidade de chorar sangue...No extremo longínquo da realidade.
Eu, no meu mundo, que é um mundo habitado por todo o tipo de seres, desde racionais, sentimentais, uma mistura dos dois, ou mesmo irracionais, ou ainda monstros, continuo ciente daquilo que é preciso fazer para evitar essas ditas lágrimas de sangue, sejam elas reais, quase reais ou apenas imaginadas.
E já o tenho escrito em dezenas ou talvez uma centena de poemas e prosas...já o tenho dito algumas dezenas de vezes a várias pessoas diferentes...E continuo a escrever e a dizer, porque julgo ser algo importante de ser ouvido,lido e depois apreendido.

Sim, sim...respondo já aos que dizem que a vida não é perfeita e bela...algo que nunca disse ou defendi. A vida tem altos e baixos, alturas mais negras, alturas em que parece que tudo o que nos rodeia não passa de lodo...Uns sofrem mais do que o que têm de bom, etc. Por isso, o que realmente me revolta, é ver praguejarem contra a vida que têm, em certas e determinadas coisas mais que pequenas, quando existem pessoas que de facto, por muita fé que tenham nelas ou em alguém, ou em algum deus/Deus, nada conseguem fazer para ter uma vida normal e boa. E eu falo de pessoas que vivem na rua ( sem ser por sua culpa..., apesar de mesmo tendo culpa a questão não deixa de ser pertinente), as pessoas que passam e morrem de fome ou doenças, rodeadas de pobreza e miséria e morte.

Quando comecei a escrever este texto pensava ter mais coisas importantes a dizer...mas desapareceu tudo...
Depois talvez continue.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A solidão nunca vem nem está sozinha



"Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
O antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?"

domingo, 18 de julho de 2010

(...) Dentro de um livro de uma não-história



"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas."