quarta-feira, 28 de julho de 2010

O amor ao ódio

"Quem tem vergonha do que sente perde sempre e nunca ganha..."

Esta é a pequena história que se conta há muito tempo:
Certo dia o Amor, cansado de tanto ser mal tratado pelo ódio, pergunta-lhe:
- Porque me odeias tanto?
E o Ódio respondeu:
- Porque já te amei de mais.

Este mundo é feito de contradições. Eu prefiro chamar-lhe equilíbrio. Não interessa se os opostos se atraem ou se se afastam. Interessa-me compreender e aceitar que o mundo é feito deste modo: tudo tem o seu contrário. E de todas as forças que caminham contrariamente podemos distinguir algumas mais importantes: força e fraqueza, verdade e mentira...justiça e injustiça, certo e errado...e talvez as mais importantes: amor e ódio. São esmagadoras. Com elas tudo caminha para todo o lado, tudo nasce e morre, é um duelo de titãs de duas forças capaz de tudo, desde o melhor ao pior, são duas forças contrárias com uma força igualmente devastadora.
E é em dias destes que me transtorna a falta de organização de Deus neste mundo...é nestes dias que me apetece ignora-lo, quase esquece-lo. É em dias como este que não acredito numa ordem que tenta equilibrar todas estas forças contrárias. Karma? Destino? Justiça?
Podem-me mandar para o Inferno...não me importo pois já lá julgo estar.

São muitas almas, são muitas doses de azar, é demasiado para um só alma numa vida ainda tão curta.
Sempre te admirei. Sempre me orgulhei de ti. Por tudo. Tudo. Mais do que algum dia saberás. Se pudesse escolher ser como alguém seria como tu. Mas ao que parece o universo fez uma suposta perfeição dividir-se em dois. E eu caí no lado menos bom. Mas foste parte de mim durante toda a minha vida, e custa ver-te sofrer. Sem quase culpa, sempre numa rotina tão baixa sentimentalmente...
Escolheste de forma sóbria defenderes a racionalidade. Existem mais como tu. Mas poucos são os que a usam tão eficazmente como tu...Sabes pensar, reflectir e agir, de forma quase fria mas certa. Raramente te arrependes. Raramente talvez te enganes...Queria ser como tu em quase tudo. Mas dentro de toda essa armadura dura existe um ser bem maior, bem mais comovido com o que está mal neste mundo...Um ser que ama muito e que apenas quer ser verdadeiramente amado...Mas parece que está difícil. E custa-me ver-te sofrer. Esta vida tem propósitos estranhos...Quero mais é que este mundo vá para o lixo. Que se lixe. Que morra.
Queria tanto reciclar este mundo. Não é que eu esteja mais certo...é apenas saber que não estou tão errado.
E podia estar ao teu lado, dar-te uma palavra amiga...Dizer-te que tudo se vai resolver...Que estou aqui para ti. Que nunca te deixei. Mas prefiro escrever este texto...Pelo menos é da forma que mais pessoas o podem sentir.
E depois perguntam-me porque sou um monstro? Porque venero tanto o ódio? Porque vejo o amor dar de si. Tantas vezes. Vejo o amor cansar-se de amar...E o ódio é da mesma força, e consegue vencer...
Eu não prefiro o ódio. Tenho é a consciência presente que o ódio, cada vez mais, por vossa culpa, por nossa culpa, ganha uma inércia em sair da nossa vida que o amor não tem...
Querem que eu vá para o Inferno?
Não gastem essa vossa preciosa saliva (que é mais útil em criticar, humilhar, destruir e afastar)
pois no Inferno
muitas vezes eu já julgo estar...
O amor ao ódio.
Porque o ódio cansou-se de amar.

Cais do Mundo

É com o maior prazer que volto a escrever com a Joana Garcia TH, minha adorada irmã. Este é o segundo texto que escrevemos juntos, e mais uma vez, penso que encaixamos literáriamente de forma perfeita. E agradeço-lhe o facto importante de ter conseguido com que eu escrevesse algo ligeiramente belo sem roçar o ódio. Por isso, e mais uma vez, parabéns aos dois, e que surjam mais oportunidades destas. Amo-te, keep going spiral out, contigo.


Chego ao cais bem cedo. O céu ainda está pintado com tons de violeta e laranja, e o sol não passa ainda de uma pequena esfera que ao longe, é tímida, mas ansiosa por nascer.

Inspiro o repentino cheiro do mar e quase consigo sentir o sabor a sal dentro da minha boca.

Sento-me num banco e deixo-me absorver pela vida à minha volta, pelos odores que pairam no ar e pela importância do que eu estou a testemunhar. Barcos partem e barcos regressam ao porto com as suas imponentes velas brancas que se movem ao sabor da brisa. Trazem consigo pedaços de outros mundos, de outras realidades distantes que a mim me parecem irreais e inalcançáveis.

Pergunto-me de onde será cada navio e questiono o que os homens que vêm neles dizem na sua língua. Imagino o que carregarão dentro das grandes caixas que transportam e sinto subitamente que sou realmente microscópica, em comparação com o planeta onde me encontro. Sinto-me realmente pequena com a imensidade de beleza e, ainda que rara, sincera riqueza que existem neste mundo.

Com tudo isto no meu pensamento, aguardo pela chegada do sol que trará consigo calor, mais luz e sobretudo, mais vida.

Porque é de vida que precisamos, em cada dia,

E desse sol que nos aquece bem mais do que o corpo

Que nos aconchega e acalma a alma.

Não louvamos a morte nem por ela esperamos

Pois sabemos que a seu tempo chegará

Mas até lá vivemos, vivemos cada dia como se

Fosse o último, como se fosse único.

Neste cais sinto pequenas gotas de água

Que tiveram a coragem de se afastar do mar

E que se serviram do vento para me tocar na face...

Hoje sou as forças do mundo,

Hoje sou a paz mundial, a ordem universal de todas

As coisas, de todas matérias, de todas as verdades,

Hoje sou este mar, este sossego,

Hoje sou essa doce espera de um sol que virá...

Mas mesmo nesta tempestade exterior que cresce

Consigo encontrar beleza no meu viver

No girar deste mundo.

Este mundo que é tão estranho e intrigante, mas ao mesmo tempo reconfortante. A esta hora, noutras partes dele, são horas de acordar para alguns. Outros estão a apreciar um pôr – do – sol num banco de jardim e outros ainda estão a preparar-se para se entregar ao mundo dos sonhos, dizendo adeus a mais um dia.

Neste mesmo segundo que passo aqui abrigada da chuva, neste cais antigo e parado no tempo, algumas pessoas vivem num dia anterior ao meu, ou serei eu que estou adiantada a eles? Se vivo num mundo à frente deles, onde aqui é dia e lá é a noite anterior, poderei contar-lhes o futuro? Saberei as coisas que ainda não lhes aconteceram? Ou o tempo é o mesmo? A mim parece-me que é quase elástico, ele estica e encolhe conforme quer, nem que seja só para me confundir por um bocado.

Sinto-me perdida. Ainda há tanto para ver, tanto para descobrir. Tantas culturas para conhecer, tantas experiências por sentir... Como vou conseguir tudo isso se o tempo corre contra mim? Se parece querer que eu o persiga, só para me poder ganhar, sempre. Se parece que será uma batalha eterna, uma corrida contra o tempo para conseguir pelo menos sentir metade da terra que banha o planeta a que chamo casa...

É difícil ser mortal, mas também nunca ninguém disse que a imortalidade era fácil. Tenho é de encontrar o equílibrio dentro de mim própria, onde poderei eventualmente deixar-me ir à descoberta do mundo que me espera e que eu tanto desejo conhecer.

Porque esse mundo está à minha espera.

Sempre esteve à minha espera.

E não terá esperado em vão:

Pois chegou a minha hora de o descobrir,

De o sentir em todas as suas vertentes,

E saber sempre que não estou sozinha;

Quando adormeço sei que outros estão a acordar,

Quando sonho no sono

Outros sonham acordados,

Quando me levanto outros estão-se a deitar.

Enquanto vivo outros morrem, enquanto choro

Outros estão a sorrir...Mas enquanto choro

Ou rio outros podem-me também acompanhar.

Se vejo o sol outros estarão a ver a lua,

E existem ainda outros que sentem o sol ou a lua

Demasiado tempo.

O mundo aguarda-me. Chega de o fazer esperar...

Não quero ser chuva

Nem calor

Frio

Ou céu aberto,

Quero fazer apenas o que é certo para mim,

Sentir-me e ser sentida,

Explorar todo o mundo enquanto respiro e ando

Enquanto ambiciono e corro,

Esta sou eu, filha deste Tempo,

Aprendiza desta momento, ser humano

Consciente da aprendizagem que toda esta experiência

Chamada vida tem para me ensinar e moldar.

Chegou a hora de me descobrir

Descobrindo tudo o resto,

Chegou a hora de me deixar ir

E deixar levar.


Por Diogo e Joana, GTH.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A cor da carne - Poesia e prosa


"Time to feed the monster... ...I must keep reminding myself of this.." (The package & The patient)

A)

É hora de me alimentar dessa necessidade que controla o Homem,
A carne é fraca, mas é ainda mais fraca quando se trata de carne
e a carne é tudo o que importa...
É hora de alimentar o monstro que está dentro de nós...
Negar os nossos instintos é negar o que nos torna humanos...
Por isso, escolho estar deste lado, contrário ao vosso,
mas no entanto,
também eu sinto necessidade de satisfazer essa necessidade de carne...
Afinal de contas, apesar de monstro, sou como vocês:
um animal. Dotado de razão, dotado de sentimento e :
dotado de fome carnal. Não me nego, não me censuro, não me iludo...
Será essa uma diferença que nos separa sempre e para sempre.
Sou o que sou, e não o que é suposto ser, e não me minto
nem minto a mais ninguém.
A carne que sacia o meu paladar de um sabor único
quase imortal
que me deixa saudade em vida
e desejo em vida,
Fome; fome de desejo de tudo o que poderia ter
agora e sempre e para sempre.
A fome que me suspende do mundo exterior
deixando-me numa espiral diferente
onde todos os sentido caminham numa mesma
direcção: saciar, amar loucamente o corpo, sentir!, Meu Deus...
Monstros...Monstros...
São monstros dentro de todos nós
à espera de serem soltos
de devorar com dentes e boca e língua
falar tudo numa forma singular
simples e quase carente
sedente, uma fome infinita...Meu Deus...
Uma mistura de tantos sabores.

Não são horrores
nem monstruosas dores...Meu Deus,
Ser-me é isso tudo e muito mais...
De uma forma tão forte
e ser-se sentido
acolher na alma um corpo vivo...
É a cor da carne que nos faz querer
e sonhar desejando, ser, ser de outra forma
também ela vida e alma da nossa essência...
Ai, não nego tudo, aceito muito
enterro o nada...
Está na hora de alimentar o monstro...
E devíamos lembrar-nos disso sempre...

B) Continuação : sobrenome - o Nono Pecado

Quanto mais penso sobre o assunto mais estupefacto fico com o facto de o ser humano se agarrar a coisas sem lógica para descriminar. E apesar de qualquer acto de descriminação ser por si só um enorme acto retrogrado e sem lógica, a realidade é que utiliza-lo devido a diferença de cores da carne é algo no mínimo de um Homem cego de alma, olhos, e racionalização.
Mas afinal, vocês, seres humanos, conseguem encontrar justiça de julgar alguém pela cor de pele?! Como, pergunto eu. Como? Fará a cor de pele diferença na maneira de agir ou sentir? Fará? Serei menos humano, menos capaz, menos qualquer coisa devido à cor, seja ela a que for, que tenho no meu corpo? Pele essa que serve para proteger apenas o meu corpo? Não me parece...
E este é um nono pecado. A capacidade de julgar outrem, por pensarmos termos algo mais que não temos, e que mesmo que tivéssemos não nos daria nunca o direito de pensar estarmos acima, seja de quem for...Nunca. Eu digo nunca. E direi sempre. Raparem bem que independentemente da cor exterior todos temos os mesmos tipos de órgãos, nos mesmos locais, todos temos um coração e cérebro...
E reparei, pensando um pouco, que todos os animais desta terra, racionais ou não, comprovam de facto essa grande verdade que tanto utilizamos, ou deveríamos utilizar no dia-a-dia: o que importa não é casca (exterior) mas sim o fruto\caroço (interior) pois todos temos a mesma cor no sangue, todos, todos temos em nós a fluir esse líquido vermelho que corre todas as veias e que bombeia o sangue...
Todos somos iguais na essência.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Poeira vermelha


"Part vampire, part warrior,...


I need to watch things die from a good safe distance
Vicariously, I live while the whole world dies
You all feel the same so why can't we just admit it?

Your desire to believe in
Angels in the hearts of men...
Devour to survive
So it is, so it's always been ..."


Todos aqueles que sentem um vazio interior
uma fome que reclama por um alimento que não vem
juntem-se a mim...
Reclamam por mais sangue...Pois seja ele derramado.
Será uma poeira vermelha que sobrará neste mundo
para contar uma história bem diferente do que a
que deveria ser contada...Mas eu já não faço mais nada,
fico a observar essa morte que nos aguarda
e que se aproxima a cada momento.
Oh sim!, esperavam mais de mim?
Enganei-vos tão bem...Eu adoro enganar,
Adoro fingir-me morto...calmo...um pequeno anjo
de asas meio brancas...Não. Chega.
Chegou a hora de não ser eu a contar a minha história
a tua história...
Quero morrer deixando para trás um rasto de ilusória
glória, corações arrebatados por fados enganados
que nunca existiram...foram apenas vividos,
mentidos, e depois pelo vento levados...Meu Deus,
dai-me fome neste lugar, não de sangue, não de derrota,

esta minha sorte já nasceu morta,
Mas continuo escrevendo...
Porque não admites?
Porque não admitimos?
O tempo escorre-me pelas mãos
e sinto-me cair num chão perpétuo...Que queda,
é lançada ao ar a moeda, essa que detém a sorte do Homem...

Não...
É esse vampiro que se aprisiona no nosso corpo
que deseja mais e mais sangue
esse guerreiro que conquista através do sangue...

Mas vocês nunca me conheceram como eu sou...
E depressa me abandonaram...

Pois sim gente deste mundo, o melhor homem
está no melhor monstro...naquele que é
vampiro que consegue ultrapassar a fome de sangue
e no guerreiro que conquista sem precisar
de derramar sangue...
Porque ambos precisamos dele...
Mas podemos viver sem ele...
Tenho
saudades.

(Vicarious - Dedicado)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Lágrimas de sangue

Na vida por vezes opto por dar exemplos exagerados...ou realidades muito acima ou abaixo da verdadeira realidade em questão. As pessoas, digamos, mais sábias, aproveitam esses meus exemplos hiperbólicos para os utilizarem com o fim que os uso: não perderem noção da verdadeira realidade. É como no olho dos Tool; nós com três ou quatro olhos possivelmente víamos muito mais, a realidade é que só temos dois...Pois bem, eu tento-vos dar esse terceiro ou quatro olho. É o que tento pelo menos. Se o faço bem? Não o tenho feito muito mal.
Valorizo o bom? Sempre...Desvalorizo o mau? Claro. Para quê massacrar-me com algo que não vale a pena? Não vale, por isso não me massacro. E é essa filosofia que tento "implementar" naqueles que aparecem na minha vida...seja qual for a origem, a grandeza, seja o motivo que os trouxe até mim ou me levou até eles.
Dizem ou leiem que Jesus terá chorado lágrimas de sangue...e existem cientistas que afirmam tal acontecimento ser possível devido ao sofrimento, pelo menos físico, de alguém. Todos nós já tivemos tentação ou a infelicidade de chorar sangue...No extremo longínquo da realidade.
Eu, no meu mundo, que é um mundo habitado por todo o tipo de seres, desde racionais, sentimentais, uma mistura dos dois, ou mesmo irracionais, ou ainda monstros, continuo ciente daquilo que é preciso fazer para evitar essas ditas lágrimas de sangue, sejam elas reais, quase reais ou apenas imaginadas.
E já o tenho escrito em dezenas ou talvez uma centena de poemas e prosas...já o tenho dito algumas dezenas de vezes a várias pessoas diferentes...E continuo a escrever e a dizer, porque julgo ser algo importante de ser ouvido,lido e depois apreendido.

Sim, sim...respondo já aos que dizem que a vida não é perfeita e bela...algo que nunca disse ou defendi. A vida tem altos e baixos, alturas mais negras, alturas em que parece que tudo o que nos rodeia não passa de lodo...Uns sofrem mais do que o que têm de bom, etc. Por isso, o que realmente me revolta, é ver praguejarem contra a vida que têm, em certas e determinadas coisas mais que pequenas, quando existem pessoas que de facto, por muita fé que tenham nelas ou em alguém, ou em algum deus/Deus, nada conseguem fazer para ter uma vida normal e boa. E eu falo de pessoas que vivem na rua ( sem ser por sua culpa..., apesar de mesmo tendo culpa a questão não deixa de ser pertinente), as pessoas que passam e morrem de fome ou doenças, rodeadas de pobreza e miséria e morte.

Quando comecei a escrever este texto pensava ter mais coisas importantes a dizer...mas desapareceu tudo...
Depois talvez continue.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A solidão nunca vem nem está sozinha



"Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
O antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?"

domingo, 18 de julho de 2010

(...) Dentro de um livro de uma não-história



"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas."

sábado, 17 de julho de 2010

O Homem e o monstro (Lição Segunda)


Existe apenas uma diferença básica entre o Homem e o monstro: o monstro esforça-se desde que nasce até ao dia da sua morte, deixando para trás um rasto para que outros o possam seguir; o Homem já nasceu rendido, e nada sabe sobre o significado da palavra lutar, seja por preguiça, medo ou covardia.

Homem: Monstro preciso de falar contigo!
monstro: Diz meu amigo Homem...
Homem: Perdi um ser humano para sempre...E já perdi outros que mesmo não sendo ceifados pela morte nunca mais vou ver...Perdi-o. Porque sinto um vazio e uma tristeza frustrada? Que posso eu fazer agora?!
monstro: Esse é um dos males do Homem...Prefere pensar que tem todo o tempo do mundo para se agarrar à espera. É arrogante ao ponto de pensar que terá tempo para tudo e mais alguma coisa...Mas a vida raramente é como queremos que seja, (porque não a queremos moldar ao nosso gosto, devido à falta de chama), e quando damos por nós...já é muito tarde. Existem duas soluções que te deixarão feliz e com um sentimento completo. Em primeiro lugar dizeres sempre o que sentes a todas as pessoas. Pelo menos os sentimentos bons, para o caso de te acontecer alguma coisa, ou a elas, nada fica por dizer, entendes? Assim o amor espalha-se; ama-se e agarra-se a pessoa, até chegar a hora do mundo findar. As pessoas por vezes tendem a fugir-nos, ou a esquecer-nos, e tudo o que podes fazer é não deixar nada por dizer ou sentir. Isto aplica-se a toda as pessoas. E é bom seja para quem desaparece do local da tua vida ou seja para quem sobe para os Céus. E agora, para aquelas pessoas que te fazem sentir um sentimento de perda, saudade, amor, e tudo o que te deixa completo e feliz, todos esses sabores e sentimentos, tem uma escolha além da que já te expliquei...Lutar. A pessoa está morta? Não. Então só te resta lutar por ela...até chegar o momento em que nada mais podes fazer. E esperar que façam o mesmo por ti. Já senti outrora um sentimento capaz de abalar montes, distâncias, maneiras de ser que eram como pedras...Homem, é hora de lutares e de dizeres. Enquanto há tempo: luta; enquanto há tempo: diz e dá e agarra...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sim?

O tempo é agora...
O lugar é ali...
Faz, não por mim, não por nós, por ti.
O que sentes?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lua negra

Nem de origem pombalino, nem de estilo gótico...Tão pouco sou um protótipo. Resumo-me à minha insignificância e à minha importância: sou eu próprio.

"Be yourself, by yourself!" ( Walk )

Vim aqui hoje declarar...que tenho saudades de quem fui.
Tudo nos custa quando tem de custar,
não é algo que possa por nós ser escolhido
ser ou não sentido.
Escolhe-se um ser humano
deste mundo e observa-se o sentimento
evaporar, tornar-se desaparecido.
Todo este tempo declaraste que morrerias por mim.
Custa-me sentir que talvez seja verdade. Que talvez
seja uma vaga verdade à qual não me dediquei.

Deixei um perfume vivo na tua roupa, deixei uma recordação
viva dos meus actos e pensamentos falados mais alto...
Deixei saudade. Deixei saudade onde ainda existia presença.

Uma lua negra paira num céu branco.
É tudo luz, luz que consegue colorir todo o céu,
e sozinha está essa lua negra, que escurece um pequeno ponto.

A paga é cara para quem não se deixa ser.
O erro pode causar repercussões no círculo que nos
rodeia...mas a verdadeira praga, o verdadeiro sofrimento
o verdadeiro abatimento vai-se fazer sentir em nós
próprios...
E sobra uma secura, uma solidão que se arrasta em loucura...
E no vazio que se estende existe ainda uma procura,
não se sabe dizer muito bem do quê
apesar de sabermos a sua essência.
E este pesar, ou esta saudade,
perdura...
E a teimosia da água
a pedra fura...
Tudo e nada
na mesma figura.
Sinto saudades de tudo
o que enche. Do vazio que enchi.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Monstruosidade de um monstro monstruoso

"None of them can even hold a candle up to you.
Blinded by choice, these hypocrites won't see."


"High is the way,
but our eyes are upon the ground."


"It's time now!
My time now!
Give me my
Give me my wings...!"


Cegos pelas escolhas que não sabem fazer...
Vivo num mundo estranho
apesar de ser um mundo normal,
Belo e grandioso e infinito
para a nossa vida curta,
Pesado e triste e pequeno
para finita fome que nos corre nas veias...na alma,
no corpo e na razão.
Um dia ouvirão falar de mim...aquele que bateu
duas vezes num gigante portão
e que bateu uma terceira para não virar
costas sem a certeza que tudo fez
para ser ouvido e sentido
visto e sentido
antes de virar as costas.
Quando penso que chegou finalmente a hora
de acreditar na raça humana
algo me empurra para o chão
deixando-me com o corpo sujo
a cara suja
e um pó nos pulmões e na garganta
que me sufoca por alguns dias...Durante meses
vive um sabor na língua, um sabor a pó, a terra,
que me relembra que não sou apenas um homem
que sou também um monstro que sofre através
dos Homens.
E Deus?
Acaba por ir sorrindo...por vezes um sorriso aberto
outras um sorriso triste. Como chegamos a isto?
Porque foi este o caminho que escolhemos
porque foi este o caminho que andámos.
Cegos por uma escolha errada, pela possibilidade de uma escolha
que nunca existiu. O ser humano talvez tenha o poder
de criar a escolhas, as suas escolhas...
Ou se calhar não.
Interessar-me-á saber a razão das escolhas
que regem este mundo a correr de certa forma?
Já me interessou menos...
Sei que tenho apenas aquilo que tenho
e neste vago monstro que vai crescendo
dentro de mim também decrescem as sombras
que nem sempre podem vir para ficar.

Estou deste lado.
Encurralado?
Não. Esperando ser esperado.
Completamente destronado, sem ramo
de árvore para trepar, sem sol
que me venha por fim secar, para um dia infinito.
Como poderei ouvir algo que não têm para dizer?
Como poderei voltar a confiar num espaço
que não preenche, que apenas finge preencher
um lugar que se vai tornando mais vazio?
Não consigo mais com tamanhas reticências,
com dependências que só dependem de quem
as molda, como uma muralha que serve para proteger
uma cidade...mas as vossas muralhas não protegem,...
As vossas muralhas servem de ponto fraco
para quem quer mais de forma errada.

É apenas demasiado doloroso para mim acreditar.
Sonhar não me dói muito...é apenas difícil dar uma
oportunidade à minha crença no ser humano...

Não nasci monstro.
Mas não fujam já...a culpa não é só vossa.
Muito desta culpa está aprisionada
em acções erradas que tomei
que vivi.
A fé foi derrubada por actos
cometidos por todo aquele que caminhou na minha vida
pela paixão de quem agarrou
uma fruto
sem se preocupar com a casca
mas apenas com o interior.

Tudo o que tenho é um por de sol,
é uma raiva parada
um ódio adormecido.

O monstro acordou tarde...
E talvez tudo o que ele sempre quis
foi não acordar.
Ficando-me assim, à procura de ser procurado,
de encontrar esse pedaço que falta à
razão do mundo girar.
Respiro com a única lógica
de continuar a respirar, e se
escrevo é porque ainda existe
um monstro
para alimentar.
Invado-me.
Precisava de escrever algo sobre isto, antes de escrever o próximo Vicarious a dois com a Joana GTH, ou mesmo de mais um texto reservado a espirais.
Um dos grandes problemas do ser humano não é saber receber...Isso sabe ele muito bem. A maioria dos seres humanos tem é uma dificuldade tremenda em dar...em saber dar, em escolher o que dar, como dar. No entanto, em certas ocasiões encontramos alguém, que talvez por ter sido vítima durante muito tempo de saber dar sem em troca receber o mesmo, seja no que for, acabou por esquecer o que é receber...e como receber.
As melhores pessoas são aquelas que sabem dar muito e receber muito também. O ser humano é como o universo: precisa de equilíbrio, e com ou sem razão para estar vivo é preciso é saber viver.
E esta música...enfim, hoje lembrei-me dela, e não pude deixar de pseudo-reflectir nesta questão. Não sei até que ponto escrevo isto devido a um passado ou para um passado...mas de uma coisa tenho a certeza: nunca escrevi com tanta força pelo presente.