terça-feira, 29 de junho de 2010

Não peço muito, só peço o Apocalipse


Ai ai, notas...:
Primeiro lugar:
Algumas pessoas que me são próximas chamam-me parvo e incoerente por me intitular de monstro. Confesso que na altura que criei este nome eram 03h da manhã e queria algo capaz, só pelo título, que chamasse a atenção...Apesar de ter escolhido monstro por alguma razão (já mesmo na altura). Com o passar dos tempos, sendo eles curtos espaços de tempo ou mais longos, de facto acabei por ter consciência desse mesmo facto. É preciso realçar duas coisas importantes, em primeiro lugar: existem monstros bem piores que eu; e em segundo lugar, ser um monstro não me torna assim tão diferente de todos os outros. Serei assim tão monstro? Sim. O que me faz ter essa certeza? Ter consciência disso. Alguns dizem: Diogo és uma óptima pessoa, com um fundo enorme...etc's. Talvez sim, talvez não. Mesmo achando que exageram, uma coisa não inválida a outra. Sou monstro na medida em que admito ser, sem fugir ao mau e bom que tenho dentro de mim, sem ignorar os meus erros, sem me julgar dono de alguma razão ou sentimento...Sou um monstro. E os que dizem que isso é estupidez não me conhecem assim tão bem.
Segundo lugar:
Aproveitar para felicitar o amor. Há uma questão importante que observo desde o momento em comecei a reparar em certos pormenores, que é a seguinte: existe uma grande diferença comportamental entre homem e mulher quando estes estão a amar. E digo isto observando vários casos (que como é lógico são apenas alguns. E por esse mesmo facto isto conta apenas como desabafo, mas pode-vos por a pensar.) que me rodeiam, tirando apenas uma excepção. O homem quando começa a amar, e não digo paixão ou pequeno amor (apesar destes dois casos terem intensidades diferentes de pessoas para pessoas, de casais para casais), e algo que pelo menos a médio prazo ultrapasse meramente o físico, encontra na mulher amada alguém digno de ser agarrado talvez para sempre. Ou seja, o homem encontra na mulher amada não a mulher perfeita (que não existe) mas a mulher perfeita para ele. E neste ponto as mulheres diferem.
Mas quero louvar o amor, que nos faz dizer poesia sentida ao vivo e em directo. E louvar a capacidade do homem, para quando ama, mesmo não sendo através de bens materiais comprados, fazer com as suas próprias mãos algo pessoal para dar à sua amada. Tu és cinco estrelas, e vejo em pequenos gestos uma alma grandiosa, continua assim. Desejo-te toda a sorte, compreensão, e amor.
Terceiro lugar:
Eu amo escrever. Só troco o amor de escrever pelo acto de amar alguém (extra família). E apesar de amar escrever tenho sentido perder alguma da razão\espiral\inspiração para escrever, o que me faz também sentir frustrado. Ou mesmo quando a tenho é como se escrevesse apenas para dizer aquilo que pensei, sem pensar no prazer da própria escrita. E escrever é como amar\estar-apaixonado...ou se está ou não, não existe meio termo. Podemos pensar que sim, mas não. Por dentro, na verdade nua e crua do nosso coração\razão está lá uma delas...podemos é ignorar\fugir dela. E por isso, queria hoje, tentar por um pequeno "fim", mais um intervalo na minha escrita...
Tentar estar uns dias sem escrever...manter-me ocupado...tentar viver para voltar outra vez faminto. É como quando saímos de casa para férias, e depois sentimos uma imensa saudade do nosso "cantinho". Lar doce lar. Tenho escrito o melhor que posso, mas a uma velocidade excessiva talvez...sinto que tenho de abrandar. É claro que posso estar a dizer isto e amanhã voltar a escrever dois ou três ou quatro textos...mas não o queria fazer. Queria apenas...estar noutro sítio qualquer.
E apesar de ser um defensor agressivo de mandar tudo para fora, de não deixar nada dentro por dizer, fazer, escrever, cantar, proclamar, etc, sinto que é hora de me calar. Calar mesmo. E dar ao silêncio tempo de espalhar sementes...E se não for um silêncio frio, então podemos encontrar nele um conforto enorme. E um calor que nem todos podemos ter o prazer de sentir. E é isto. Eu sei que a vida é bela. É uma certeza que tomo como verdadeira...só que às vezes não parece. E aqueles que sabem disso, mesmo em dias maus ou menos bons, são as pessoas mais felizes e competentes a viver do mundo. (Um bem haja para elas.)

"Dim my eyes, dim my eyes!
Shine on forever
Shine on benevolent son

Shine down upon the broken
Shine until the two become one..."
(Jambi - Tool)

Porque eu nunca neguei a luz...apenas me aceito nas trevas até ela voltar. Se ela voltar. Até lá, serei apenas, e não só, o monstro que aguarda nessa negridão.

Nesta vida temos duas maneiras de agir, assim basicamente falando em linguagem tooliana:


"Wear the grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything..."

ou

"Drags you down like a stone
To consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go...
(AAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH)
Let the waters kiss and
Transmutate these leaden grudges into gold.
Let go!"
(The grudge - Tool)

Eu prefiro a segunda. Mas vivo na primeira.

É preciso ainda realçar, e escrevo isto como "nota final" (se algum dia for conhecido no futuro espero que não me associem a textos em que as notas iniciais são maiores do que o texto...), que é necessário saber aquilo que se quer, mas mais importante: fazer por concretizar. Assim como: continuar a escavar, até se sentir algo...Mas isto é tudo relativo e subjectivo...e sou apenas mais um a tentar falar um pouco mais alto...


Não peço muito, só peço o Apocalipse

Estará ainda na minha mente o mesmo objectivo?
Deixar tudo em ruínas
até ficar caído
tudo o que pode ser destruído?
Monstro, e ser humano
com uma fome tamanha
difícil de saciar,
e são também necessidades negras
impulsos, desejos,
que me mantêm acordado nesta realidade...
É uma fome de tudo o que não tenho,
um alimento que não é escasso
(ou talvez seja)
que não consigo reencontrar.
Eu já rastejei,
comecei a andar com quatro ferramentas de apoio...
Evoluí. Caminhei por entre todas essas cinzas
que deixaram o mundo sem reacção.
Desejei tanto este fim,
e agora hei-lo, enchendo-me de algo que pensava não ter:
pena e compaixão e saudade.
Chegou a altura de todas as verdades, e da Verdade.
O ser humano não me consegue surpreender muito mais...
E serei eu capaz ainda de surpreender?
É como se o encanto tivesse sido quebrado...
Está tudo morto, tudo passivo como sempre esteve...
Mas houve alturas em que tudo caminhava
de preguiça ao colo, com um peso enorme nas costas...
Eram egos demasiadamente pesados, sem coragem
e humildade de serem crucificados e corrigidos,
cruzes pesadas que eram carregadas sem necessidade...
Quase me custa dizer:
Agora é tarde de mais...
Quase me dói dizer:
Eu bem vos avisei...
Quase me custa respirar este...ar?
Esta poeira, estas cinzas, este resto de vida
este resto de algo belo e construído
que agora não passa de algo belo em ruínas.
Como sonhei ir mais longe,
Como quis ser mais alto, e saber ajudar,
fazer por mim e por todos,
E agora?
Agora a escuridão abatesse sobre o que resta
de corações com alguma luz...
e tudo se torna no mesmo.
Da mesma cor que esse universo.
Gostaria de dizer em forma poética
que é agradável ouvir este silêncio.
Mas estaria a mentir.
Sinto falta de tudo o que era dito,
cantado, tocado...
Sinto a falta da evolução,
das coisas boas que foram feitas...
Deus suspira...Não era suposto ser assim.

As minhas sombras sorriem-me.
Mas eu prefiro ficar sozinho.

Podia ter escolhido ter o fim do mundo
nas minhas mãos.
Fugir à luta de conseguir ter o que quero.
Podia ver a destruição de tudo isto
de forma paciente. Da forma que vivemos a vida...

Mas não.
Eu só peço o Apocalipse.
E o Apocalipse apenas significa:

Revelação.

O meu sangue noutro local, uma outra noite


Sou quase perfeito.
Além de ser dotado de razão
valorizo-a. Mas aos poucos
muito devagar
começo a valorizar o sentimento...mas muito devagar.
É de noite e volto a fumar na minha varanda...
Poderia dizer nossa varanda
mas o meu irmão passa mais tempo fora deste
"nosso" quarto que dentro dele.
Quando dou por mim ouço a voz
do meu amor do outro lado,
e respondo com um carinho só meu:
Olá pequenina...
Também estou cheio de saudades tuas!
De facto começo a ama-la. Quem diria!
A razão pode ser forte...mas o sentimento
não lhe fica nada atrás.
E vou fazendo algumas perguntas
e também vou dizendo:
se passar contigo as férias todas
já fico feliz...
Desligamos-nos. Mas antes disso ainda
disse baixo palavras de ternura
e lancei beijos como se fosse para o vento.
Eu visto-mo todo de preto
mas caminho sobre uma luz,
sei viver, com responsabilidade e saber,
e agora também amo...
Mas ali dentro, dentro de casa e fora da varanda
tenta dormir o meu irmão...
Não lhe tenho pena...Escolheu os seus caminhos...
E por muito colorido que pareça ser
vive mais nas trevas do que qualquer um de nós...
Desejo-lhe sorte
apesar de nela não acreditar...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dois anos de Narrativas de um monstro


E eis que chego ao segundo ano deste blogue. É com satisfação pessoal que atinjo esta meta. Dois anos de prosa e poesia, desde reflexões, pensamentos soltos, dores e alegrias, de pura negridão e de alguma luz (que acaba por estar quase sempre presente), de concelhos, de mostragem de portas e janelas, de "lições", de paixões, de elevações...e de tudo um pouco a acrescentar. Fiz sempre o melhor que pude. Com ou sem beleza lírica fiz sempre algo que veio de dentro, sem exageros, sem hipocrisias. Sempre fui muito fiel a mim mesmo, fosse no melhor ou no pior, algo que é subjectivo, daquilo que sou.
Conclusões?
Foi um ano, na minha opinião bem melhor, em termos escritos. Consegui bons textos, mais profundos, mais criativos. Mais "fortes". Orgulho-me principalmente dos textos que fazem parte do "Tributo",bastante útil e satisfatória, para além do facto de ter sido um enorme prazer escrever sobre todos esses tributos, talvez nestes casos tenha conseguido uma iluminação inspirada, uma elevação. Debruçar-me também sobre estes últimos textos, mais escuros que de certa forma revelaram em mim uma vertente diferente, pois enquanto os escrevia sentia-me quase outro. E claro, existem muitos outros textos que gostei de escrever. Esboçar um sorriso por ter voltado à Apologia do meu Eu, um outro lado do monstro...mas foi-me bastante útil, e continua a ser. Esboçar uma pequena tristeza pela Mitologia do nosso Eu. Quando pensei na ideia fiquei feliz, como se tivesse visto uma luz. E no sentido de prazer pessoal foi bom, adorei escrever. Pegar em deuses "mortos" e colocar as suas vidas e as suas experiências a correr ao lado na nossa existência. Mas em termos de leitura penso que foi uma enorme falha, um enorme falhanço...Mas é a vida. Não sei o que vou fazer em relação a isso...de qualquer das formas é um blogue finito, os deuses não são infinitos.
Agradecimentos?
Este ano perdeu leitores. Não sei se pela pioria do meu blogue, se por falta de tempo, se pela repetição de temas...Não sei mesmo. Aproveito no entanto para agradecer aos mesmos do costume: Joana Garcia (minha irmã), à Liliana (enormíssima amiga) e a Ana Sofia (grande escritora, quando tem tempo para respirar). Agradecer ainda aos meus comentadores masculinos: Frederico e João Tomás. Agradecer ainda aos que me lêem e aos quais dou algum prazer visual. E pedir aos que leiem, cuja a existência eu desconheço, para deixarem comentários. Não que isso seja o mais importante, mas gosto de saber se me "adoram" ou "odeiam". Se adoraram ou odiaram. Agradecer, entre algumas aspas e reticências, a quem me serviu de inspiração, quer para o mal quer para o bem. Aproveito para desejar saúde e inspiração a quem escreve sempre que pode, tentando dessa forma não rebentar ou simplesmente dar uma cor a este mundo.
Ficar grato pela música, ou melhor, a minha banda sonora inspiradora:
Tool (sempre. Por tudo. Espiral.), A perfect circle, Nirvana (Por vezes, e em várias alturas, muito importantes), London After Midnight (por alguma raiva e revolta), entre alguns outros, como: S.B., C.A., DLM (e outros do ramo).
O que quero agora?
Continuar vivo na escrita. Manter os meus sonhos vivos. E acreditar, mesmo duvidando imenso, que não existem limites...seja qual for o tipo.
Acreditar que posso fazer mais e fazer por isso.
Acreditar que todos os dias me posso aperfeiçoar e corrigir.
Acreditar que a inspiração encontra obstáculos mas que também lhes dá a volta...
Continuar a fazer da escrita a coisa mais positiva e produtiva da minha vida, porque nada mais faço digno de ser partilhado...nada. Vida longa às letras.
É um prazer todos os dias escrever para mim e para quem me lê. É um prazer criticar-me e criticar o que acho estar errado neste mundo. É uma honra amar com letras, é uma honra...esforçar-me.
O que não quero?
Ficar parado. Desistir. Ser um monstro que vive na escuridão da vida, ou que simplesmente não vive. Fartar-me do mundo para sempre. Saturar-me de tudo o que não compreendo e de batalhar para nada.
Do que preciso?
De amar e ser amado, e de me deixar fluir, fazendo que outro alguém também flua. Porque esse será sempre o meu melhor eu ( e ou muito me engano: será o melhor eu de cada pessoa).

domingo, 27 de junho de 2010

01:23


...objecto (...) que através de um processo estranho faz rodar dois pequenos ponteiros que regem o nosso tempo...

Batem as horas de um relógio de parede
antigo...
Deixou de dar as horas há muito tempo.
Sobra-lhe um pó que o veste
em todo o corpo.
Mas tocou.
E já é tarde.
Porque sinto que as horas começam a acabar?
Falta-me conseguir por esse relógio
antigo, de pó vestido, a funcionar.
Mas já é tarde
e sinto que as horas estão acabar.

Alguns queriam viver num espaço
sem tempo.
Sem uma morte para nos ceifar.
Queriam viver para sempre...
Não vos censuro. Mas eu prefiro
este tempo contado por alguém
que se vai consumindo.
E depois, consome-se o que sobra
do resto das nossas vidas,
desde o primeiro dia
até ao último.

São horas de agarrar a vida
porque a vida não espera por ninguém.
São horas de despertar.
São horas de colocar esse relógio parado
sujo de pó
a mexer os ponteiros.
E não interessa se as horas estão trocadas.
Porque existe sempre tempo para fazer
mais coisas
outras coisas,
o importante é não se estar parado,
nem desistir.
Não é por vocês,
é por mim.

sábado, 26 de junho de 2010

Dormência de quem deveria estar acordado


"Making every promise empty
Pointing every finger at me..."...hurting every one around me...


E eu iria até onde me levasses.
De olhos bem abertos
mas de coração seguro.
Agora estou meio acordado
meio adormecido
nesta realidade que me alegra pouco
e insatisfaz muito.
Porque não podemos dormir para sempre?
Isso penso eu agora...
Houve alturas em que não me saturava
de tudo isto.
Agora penso e repenso...tudo isto
serve do quê?
Estou dormente. E a dormência deixa-se estar
confortável no meu seu ser. E eu não me queixo.
Quase agradeço...
Quase.
Falta esse quase, de como quem está acordado
na cama à espera desse pequeno gesto de
saltar cá para fora...
Pensa nisso...
Apenas pensa nisso.

Exausto de me refugiar em nadas
prefiro agora escrever...assombrado apenas.
O sentimento que se vá remoendo...até se
auto-destruir.

Vivem para ser testemunhas da vida?
Eu não quero vê-la passar-me ao lado...
Mas eu já não me importo,
ou não me devia importar...
Estou cansado de magoar todos
por ser como sou,
farto que me apontem o dedo,
cansado de um silêncio pesado
que poderia ser um poema quase cantado
e sentido.
Eu devia estar a dormir...
Mas estou meio acordado...
Uma promessa vazia
é isso a minha vida.

O Pêndulo - A continuação


"Já não distingo o que sinto quando acordo..."

Sou a ilustração de medos e fobias...
Decretei guerra à paz interior.
E se vivo em pesadelos
é porque escolhi ser sonhador,
e agora pago alto esse preço
que me deixa num lugar que
não sei até que ponto mereço.
E estremeço se penso numa vida incompleta
mas não temo o fim de todo este universo.
Pode desabar que continuo aqui.
Estou num local sem lugar
onde nada pode ser totalmente destruído.
E soam os tambores, soa a libertação
que para muitos é ruído,
mas para mim é algo mais...
Tudo nesta vida representa para mim algo mais.
E enquanto o pêndulo dança para os meus olhos
eu deixo-me ir...dormente...para outro lugar...
Onde não sou o pior mentiroso, onde não sou apenas
outro imbecil, outro pedinte do destino,
onde não sonho, apenas faço, como se o sonho
em si fosse desde logo acção...
E não sonho com utopias, sonho com algo
que existe e que torna todo este mundo
mais colorido...
Quero aquilo que quero porque nunca vou
querer outra coisa que não isso,
sou fiel ao que sinto
e abraço aquilo que penso...
Posso ser só sombras
neste momento mais escuro...
Posso ter sido sempre sombras.
O que interessa?
Interessa nada.
Sou o que sou
e hei-de sê-lo sempre, mesmo
corrigindo falhas que me são vivas
e que marcam a minha existência.
Não quero ficar preso
mas também não ambiciono de todo
a liberdade que tinha.
Quero o quê então?
Eu queria aquilo que não posso ter.
E nesta negridão deixo-me levar
até bater com o rosto numa pedra qualquer
esquecida neste mar revolto.

Não passo disso mesmo:
um mentiroso, um covarde,
um ser sedento de qualquer coisa...
Um monstro cresce...e vai crescendo.
É o que sou
e neste momento a mais nada
me posso agarrar.
A luz escurece.
Balança-te pêndulo...

Re-Arranged


"Não é assim. Há coisas que só existem quando se completam, e que só então dão a felicidade que se procurava nelas."
"É muito complicado isso - murmurou ela, corando. - É muito subtil..."
"Quer que lho diga mais claramente?"


(Nota: Existem algumas coisas e pessoas excelentes em Portugal. Eça de Queiroz é uma delas. Sem dúvida para mim o melhor escritor de sempre e para sempre. A sua prosa é de uma arte sublime. Terei enfim, com todo o gosto, a oportunidade de voltar a falar dele, e da sua obra. Para já, fica lá em cima esse pequeno trecho de apoio ao meu texto que nada tem haver com Eça de Queiroz.)

Será sempre oportuno reflectir
sobre a cor da nossa alma.
Estaremos nós recheados de luz onde reside
um recanto sombrio?
Ou seremos nós trevas, duras e escuras trevas
onde existe algures uma pequena sala branca
como uma sala perdida e acolhedora
perdida no tempo e na memória?
A nossa existência neste mundo
é contraditória,
e por vezes as nossas acções roçam
a idiotice...roçam o animalesco.
Roçam a monstruosidade.
Roçam a humanidade.
Queria eu voltar a ver
nesses olhos a cor de uma chama,
de uma labareda forte, capaz de apaziguar
os meus maiores medos e receios.
Mas receio apenas poder sonhar com tamanho
acontecimento.
Apenas penso nisso.
Apenas sonhamos com isso.
E um sonho que se tem apenas para ser sonhado
sem força para o ver concretizado
é um sonho falhado.
Não me compreendem quando me esforço
por explicar esta vida com todas
as sensações que dela saem, que nela entram,
aceito por fim que é como se caminhasse sozinho,
para um escuridão ou para uma luz,
mas isso não interessa...porque o faço sozinho.
No entanto alguns batalham sozinhos
e quase veneram essa mesma solidão
porque pensam ser uma solidão acompanhada...
Pobres almas, pobres criaturas de Deus,
poderei algum dia colocar um ponto final
nessa vossa tristeza existêncial?
Não sei. Mas também preciso que alguém
faça o mesmo por mim.
Alguém me disse que as peças encaixam...
Porque esse mesmo alguém as viu despedaçarem
no chão.
E encaixam deveras.
Mas ninguém teve o bom senso,
ninguém teve a frieza
de pensar:
e se essas duas peças se afastarem no tempo
e na memória, e nas acções, e na razão
de terem por momentos (ou desde sempre)estado juntas?
Mesmo que pertençam juntas
existem coisas neste mundo que ainda não compreendemos.
É a verdade?
É aquilo que sentimos ou aquilo que queremos sentir
que importa?
Para mim só existe uma verdade
e essa verdade tem um nome.
Tudo o resto, por momentos e em certos momentos
desaparece, e tudo é paraíso, e tudo é paz.
Para que me engano eu?
Porque eu já nasci enganado...
Conto agora, aos poucos, abrir os olhos
a mim e a quem me dedica algum tempo.
A felicidade é...


Nesta minha vida, nesta realidade terminal
procuro por fim ir juntando as peças...
até que tudo fique certo, tudo no seu devido lugar.
Pois só desta forma posso viver
sendo mais feliz...
É tudo uma questão...não sei do quê.
Procuro algo que ainda quero encontrar.
Sou uma peça...
Preciso de me reorganizar, preciso de colocar
tudo no seu correcto local.
Sou uma peça...já faltou mais.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Não é uma velha imagem é um símbolo


"Só paga o preço errado quem não enxerga a outra face da moeda..."

Há muito para compreender
para descobrir...
Nisso não me duvido, nem duvido de ninguém.
Observar com sentimento de quem perdeu para
sempre uma imagem antiga,
sorrir com essa fome de quem a viveu.
Somos nós aqui, naquele momento,
naquele sentimento,
não é uma mera imagem
é um símbolo.
Estava vivo. E vivo estou se a observo.
Para trás ficará uma imagem
um estímulo, algo de difícil definição...
Apreciar um passado, pensar um futuro,
agarrar o presente...
Tirar lições constantes desse mar calmo
e turvo que é a vida...
Sentimento em bruto
à espera que dê fruto.
A moeda cai ao chão...
A maioria vê a face que ficou virada para cima.
Eu levanto a moeda e depois de ver a face superior
olho para a outra face.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sombras

"I am just a worthless liar, I am just an imbecile...There's a shadow just behind me
shrouding every step I take. Making every promise empty, pointing every finger at me..."


São sombras sombrias que me assombram...
E eu não gosto de me sentir assim.
Existe uma sombra que me acompanha mesmo quando não
há luz, que me segue durante o dia, mais silenciosa,
que não me deixa durante a noite.
E o sossego que povoa em mim
anda desaparecido de momento,
deixando-me sozinho nesta frustração
neste nervosismo, como se soubesse o caminho
mas não o conseguisse encontrar.
O que queres?
Eu quero o que eu quero.
E vou elevar-me para cair mais alto,
vou preencher para depois deixar um vazio.
Vou odiar-me durante muito tempo...
E a sombra acabará por ficar
algum tempo mais.

Arremessamento contra qualquer coisa


"Take everything from the inside and throw it all away..."

Pego em todos os pedaços do meu ser
e vou arremessando-os contra qualquer
coisa, a toda a força, a toda a velocidade.
E aguardo, quase paciente
por algum reacção.
Pego em todos os pedaços que tenho dentro de mim
e faço-os voar em várias direcções
contra qualquer superficie ou vazio,
E vou esperando ouvir um som que se propague
em mim, uma destruição qualquer,
qualquer evolução que me faça render
à verdade que todos estes pedaços nada faziam
dentro de mim.
Arremesso todos.
Partam-se, façam ricochete contra a parede
e voltem para mim! Magoem-me se for preciso.
Só quero mandar tudo contra alguma coisa,
seja o que for,
seja para o que for.
Eu
pela última vez
mando tudo embora de mim,
para me sentir aberto, ou fechado,
ou qualquer coisa que não seja isto.
Porque isto não me chega.

Piano, essa frágil folha de Outono


Enquanto a realidade ainda acredita...

Onde coloquei os meus dedos de pianista?
Eram finos, saudáveis, eram dedos numa mão
bonita, num tom de pele bronzeado.
Onde está o piano que nunca tive?
Nessas melodias que nos preenchem de tristezas,
nesse não saber se se está num vazio
ou numa aurora, uma melodia carinhosa
que nos sobe pelo corpo, arrepiando a pele,
até atingir o prazer do cérebro...
Onde está?
Essa melodia, nunca cansada, sempre profunda,
num ritmo que nos agita a alma, que nos faz pedir:
toca outra vez,
toca mais uma vez até eu ficar consolado
de toda esta realidade.
Toca outra vez, só mais uma vez,
até me sentir eu de novo,
até me sentir bem
como outrora.
E os dedos percorrem o piano, como se fosse
a primeira vez, sentem as teclas, sentem
o mundo que me rodeia. Os dedos têm vida
e dão vida,
tiram vida,
fazem milagres, e são capazes
das piores catástrofes.
Melodia perdida que ainda vive na minha memória.
Quem sabe onde?
Quem sabe como?
Quem saberá?
Sei o que sinto, sei o que existo,
mas pouco mais sei,
sei que não sei desses dedos belos que queriam
tocar uma melodia bela, mesmo não a sabendo tocar...
Os dedos estão desfeitos.
E a melodia toca, ou vai tocando,
lembrando-me o porquê desse Outono ter acabado
fora do seu tempo,
e vai tocando enquanto essa frágil folha cai
e cai num silêncio mudo, num som surdo,
cai e só eu a vejo cair.
É frágil mas poderosa como a música deste
piano que não toco, que não sei tocar,
e a folha caída está intacta.
Não a pisem...
Pelo menos hoje,
pelo menos nunca.

Parabol(a)


"Twirling round with this familiar parabol. Spinning, weaving round each new experience. Recognize this as a holy gift and celebrate this chance to be alive and breathing."

Dois pontos equidistantes vão se aproximando,
e não deixa de ser belo
apreciar a velocidade a que caminham um para
o outro.
Começam muito longe um do outro...
E é como se vagueassem sem rumo,
e apesar de não saberem da presença do outro
vão à mesma velocidade, vão na mesma distância,
vão juntos, coordenados, mesmo sem saberem...
E não é menos belo observar o que acontece
quando estes dois pontos se apercebem um do outro.
De inicio ficam surpresos, intrigados,
Será possível terem feito a mesma rota
ao mesmo tempo?
Os pontos começam a conhecer-se, de longe.
Quando dão por eles estão a correr cada vez mais depressa
como se isso os fizesse chocar, como se isso
os fizesse tornarnarem-se num só.
Uma luz começa a crescer dentro destes dois
pontos.
A velocidade aumenta.
É possível vê-los a aproximarem-se...naquela pequena
curva que une os dois caminhos.
Terão chocado?
Terão passado um pelo outro
trocando assim de lugar?
Meu Deus.
O que fui eu fazer?!
Morro.