segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Projecto destruição

"Começámos na cave...Agora passamos à acção..." by Tyler Durden

Destruição em peso, maciça,
Levanto-me, estico os músculos,
Deixo para trás a preguiça...

Sou prodigioso, astuto,
Simples mas ao mesmo tempo
tão perigoso...
Sou fruto que cai da árvore
mas não chega ao chão.
Criaste o projecto
Eu coloco-o em prática...
Projecto de destruição.
Um ataque massivo, destrutivo,
Capaz de abalar o mais forte ser vivo...
Eu consigo. Tenho aptidão mais que suficiente
para fazer tremer toda a terra,
Cada habitante treme, todos tremem.
Rezem...
Peçam...
Um dia chegarão todos lá...
Por enquanto cerrem os dentes, fechem os olhos
e deixem-me ser livre,
Elevar os mares, criar Adamastores verdadeiros,
Assobiar ventos capazes de fazer ruir prédios,
Não temam...Apenas vim para ficar!
Crucifiquem o vosso ego, antes que seja demasiado
tarde...
Apertem o coração antes que este se parta,
Porque para mim destruir não é divertimento:
é uma arte,
que luto por aperfeiçoar...

Sou aquilo que vocês nunca serão:
verdade explicita, cor viva,
acção vitalicia...
Paralisados...nos vossos medos
nas vossas frustrações...
Pequenos animais ditos racionais
sem ordem, sem responsabilidade,
Sedentos de poder, amargura e arrogância...

Não é como se já tivesse morto alguém...
Já matei tantos. Nestes anos todos
desde que existo, desde que existo na vossa
existência.
Não é maldade...é excesso de sobrevivência.
Não é matar com honra, é matar com inteligência,
Com uma mão no poder e outra na consciência.

Querem brincar ao jogo dos deuses,
Ver quem tira mais peças ao tabuleiro
de Deus...
Minha gente: os milagres faz Deus
E não vocês.
(Ao dizer isto foco apenas
os miseráveis de alma
que se julgam maiores, melhores,
capazes de algo que não possuiem...)

Levantem-se furiosos, a escorrer
ódio como se fosse lágrimas, como se fosse suor,
Soltem-se...
E mais uma vez
Finjam querer mudar algo!

Como chegámos a isto?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Peça de Cristal

(A pequena peça cilindrica de cristal caiu ao chão...Um grito, um arrependimento, pena...
"Foi só um objecto que se partiu..." "Não passa disso mesmo!")

Sempre esmaguei com os pés nus
qualquer vidro, qualquer cristal,
E qualquer material partido,
espalhado no chão...
Mas algo mudou. Finita ou infinitamente,
até onde me levar a espessura, a compreensão,
a facilidade ou complicação de elevar uma alma...
A sua constante satisfação.
Demorei tempos a surgir das sombras,
O vento que por mim passou rasgou pele
deixou o terreno quase àrido.
E agora, como que assombrado com o medo
de partir uma peça de cristal,
Observo-a, comtemplo-a.
E a vontade de a manter intacta é forte o suficiente
para preservar a sua essência, a sua forma.
Contemplo-a, porque é única,
E a última coisa que quero
é vê-la partida, juntamente espalhada com
todo o vidro e qualquer material
que está amontoado no meu chão.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Prison sex


Intro:
Não escrevia há duas semanas. Pensei que o mês de Dezembro estava amaldiçoado. Mas não. Foi preciso um abalo na alma. E estou de volta.
Este título remota a uma música que ultrapassa a beleza real da podridão humana. E de certa forma encaixa nalguns destes textos. Princilpamente no último.
Estive numa pequena prisão. Julgo estar de volta.
Se alguém quiser comentar apenas um ou outro texto, pode faze-lo.
É bom estar de volta.



a)

O frio fustiga-me o rosto.
Mas não é frio que sinto...
Não sinto nada. Fechei a porta e um nó na garganta
Propaga-se em poucos segundos, num arrepio que corre
O corpo todo até chegar aos meus olhos.
Um suspiro sufocado de quem tenta abafar um choro
Sustem-se no ar por um breve instante.
Lágrimas tímidas aparecem nos meus olhos
Retraídas mas fortes o suficiente
Para não se deixarem ir...
Mais cedo do que tarde apercebi-me que o barulho
Por si só não bastava.
O barulho por si só não chega,
Não aperfeiçoa. Mesmo pensando
Que a sua ausência magoe...
Preciso que sentias isto, que me libertes,
Que te confies a mim...

b)

Estou aqui enquanto aqui pertencer.
Depois estarei noutro sitio qualquer. Igual,
Diferente, ainda não sei ao certo. Saberei
Na altura certa. Na hora que tiver de perceber.
Na linha do tempo a taxa de sobrevivência desce para zero.
E para morrer qualquer dia serve.
E serve de qualquer maneira,
De qualquer dor.
Deus tenha misericórdia dos seus filhos...

c)

Tenho na minha vida um pentágono construido
Com base no tempo, nas situações, no conhecimento.
Alicercedo na raiva e no ódio e na evolução
Da minha espécie. Deu-me vida, deu-me confiança
Para voltar a erguer as costas, depositou energia nos meus
Musculos e voltou-me a fazer caminhar,
Sem medo, arrogante e convicto numa causa nobre
Chamada viver, lutar e aprender.
Renascido das cinzas.
Profeta, sonhador a quem o sonho não basta,
Divulgador. Eu próprio atenoador e recriador
Da minha própria dor.
Um pentágono com bases pouco tremidas,
Com cores carregadas que variam entre o negro
E o mais negro ao branco mais branco.
Sou a incógnita mais complexa na mais simples
Equação.
Degrau primeiro: barulho e melodia...
Degrau segundo: alguma escuridão.
Degrau terceiro: simplicidade envolvente.
Degrau quatro: inicio de aperfeiçoamento...
Degrau último: elevação.

d)

Tudo importa, tudo! até os...
Olhos que para várias direcções olham...e que para...
Olhos se deixam olhar, em todas as direcções..
Longe do que não importa, valorziando apenas o que vale a pena.

e)

Encontrei uma espécie de sanidade temporária
Neste sangue
(...) e restos da tua pele e carne que
Tenho nas minhas mãos. (Mas passa logo depois...)
Sublime.
Demorei tanto tempo a descobrir que nunca vou mudar.
É impossivel não alimentar esta adrenalina,
Esta vontade negra, mas que parece tão iluminada
Enquanto está a ser satisfeita...
Um pequeno monstro. Igual aos outros.
Mas saboreio...
Estou preenchido, mas finjo-me vazio...e tenho
De encontrar alguém, um mártir, capaz de
Me preencher, de me saciar seja qual for a vontade.
Penetro num mundo que não é de todo meu,
É meu apenas o tempo necessário,
Depois deito-o fora.
E dele não sobrará nada, nem mesmo uma recordação.
Pareces tão precioso...meu pequeno mártir,
Pronto para um ritual de sacraficio, só meu
E da minha vontade...
Encontrei uma espécie de sanidade temporária
Neste sangue
(...) e restos da tua pele e carne que
Tenho nas minhas mãos.
(Mas passa logo depois...Monstruisidade humana...o pior monstro.)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Central Testamento - Onde está a virtude

Existem dois géneros de sabedoria:
A encontrada ao simplificar algo visto como complicado,
E a encontrada nas entrelinhas, no centro, no meio.


Não foi por acaso que nasci humano.
Dotado de racionalidade, dotado de coração,
Capaz de escolher cada direcção, de procurar
a verdadeira verdade.
Não sonho com um mundo utópico, a utopia não existe.
Acredito na evolução e no auto-aperfeiçoamento.
Procuro encontrar-me, neste inferno paradisiaco,
Onde anjos e demónios brincam juntos no mesmo jardim.
Sou igual a todos vós: capaz do melhor e do pior.
Mesmo que me esforce no melhor o pior acontece sempre.
Errar humano, e o ser humano não vive sem o erro...
O erro é passo do homem, o fogo que queima,
O erro é com sorte o inicio, e não chega a ser a meta...
Uma planicie, uma árvore, nevoeiro...
Sinto a o cheiro da escuridão, que se move nas trevas.
Uma bola de cristal, um ponto de interrogação,
A verdade deitada na mentira, uma nuclear explosão...
Vivo nos sete pecados e nas sete virtudes.
Vaidade,inveja,ira,preguiça,avareza,gula,luxúria...
Humildade,caridade,paciência,diligência,generosidade,temperança,castidade...
Para definir o bem escolheram palavras compridas...
Para o mal palavras de fácil compreensão.

(..)

domingo, 29 de novembro de 2009

Melhor é impossível

"Sabes, fecho os olhos e vejo-te,
Com o braço esquerdo por cima
dos meus ombros.
Vejo-me encostada ao teu ombro
naquele simples banco de jardim...
Não preciso de muito mais para
relembrar a forma
como te viraste e me beijaste.
E acredites ou não
ainda que só a relembrar sinto
a mesma sensação daquele dia...
o mesmo friozinho, a mesma sensação de
faltar o chão..."

Não é ridiculo. Não é descabido.
Ridiculo é deixar as melhoras coisas da vida
passarem por nós.
Descabido é deixar fugir
a nossa outra parte.
Nem pensar.

sábado, 28 de novembro de 2009

Sleeping beauty (acoustic)

Acreditas em sonhos?
Só depois de os realizar.
De os sentir feitos.
Quero acreditar.
Mas só depois de os ver vivos em mim,
De não passarem de um desejo bom,
De serem verdadeiros na acção e no espaço.
Quando os tocar e quando começarem a fazer parte de mim.
Acreditas no amor eterno?
Não, mas quero acreditar. O ser humano é complexo
de tão simples ser. E tão depressa agarra a laranja
para espremer todo o seu sumo, que pode ser infinito ou não,
como a larga...às vezes ainda a encontra no chão,
outra vezes perde-a para sempre...
Acreditas no para sempre?
Acredito na imortalidade da alma, não na do corpo...
Porquê?
Porque é mais fácil...porque a alma não pode ter fim.
Porque quero.
Porque sou alma, e a alma não pode morrer.
Existes?
Estou cá sempre. Nunca desapareci.
Abandonaste-me?
Nunca. Sempre estive aqui. Foste tu que fugiste.
Saiste do meu raio de acção...foste embora.
Nunca te abandonei, e nunca o conseguirei fazer.
Serás sempre a pessoa com a qual nasci e vivi.
Lembranças dessas não se destroiem.
Mas foste embora...e isso não se esquece.
Mas lembra-te, quando recordares amarguramente
esse sentimento chamado saudade que foste tu que te foste embora.
Não posso reencontrar alguém que não quer ser encontrado...
Foste embora...
Aceitas o amor?
Sempre. E dou o meu melhor por ele.
Sempre.

Agarro a laranja com uma força sobrehumana!
Uma força louca.
Como se fosse a última vez que estivesse vivo,
E sinto-me vivo para sempre,
Por te ter encontrado.

E agora repouso, sossegado, e feliz,
E penso e sonho,
Mas um sonho de realização futura...
Felicidade.
No meu sono de beleza.

"I believe I can cure it all for you, dear...
...drag the demons from you...
Make it right for you sleeping beauty." (A Perfect Circle)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

o Teu nome

So long.´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´|No way to recall
We wish you well.´´´´´´´´|What it was that you had said to me,
You told us how you weren't afraid to die.|Like I care at all.
Well then, so long.´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´|But you were so loud.
Don't cry.´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´|You sure could yell.
Or feel too down.´´´´´´|You took a stand on every little thing
Not all martyrs see divinity.´´´´´´´´´´|And so loud." (Tool..)
But at least you tried.

o Teu nome foi rasgado em mil pedaços...
hoje tudo o que piso são cacos que foram
espalhados pelos que te julgam representar na terra.
o porquê da minha raiva? Como Tu, deveria perdoa-los?
não tolero escravos da cegueira, não tolero
cegos que conseguem ver...
o Teu nome é banal para eles...És para eles
razão de rituais, de ideais que nunca Criaste...
Saiam da minha frente, desapareçam e convivam
apenas no purgatório...quando lá chegarem...
Pois tão depressa não chegam a mais lado nenhum...
Comigo não Perderás tempo...seguirei humilde e sorridente
para o Paraíso...ou arrependido para o Inferno...
Mas não Perderás o Teu tempo...
o Teu nome às vezes utilizo em vão...
honestamente tento não ver nisso grande problema,
mas há quem o use para outros fins...e guiam massas
num rumo por Ti nunca planeado...
onde estás? Porque esperas para parar esta trágedia?
dizem espalhar amor e bondade...
vejo frustração desde tenra idade...
e uma maldade mesquinha, pior muitas vezes do que a minha...
espalham alegria? espalham dedicação?
não, não espalham...
Guardam apenas ganância, mediocridade...podridão...
dizei ajudar...mas não ajudam...
e guardam tudo para eles...
vivem no ouro e no ouro morrem...
Mas onde estás?
o Teu nome não é crença, não é para eles
razão de profunda e simples reflexão...
não...
o Teu nome é por eles sujo...atirado ao chão e cuspido...
o Teu nome é para eles uma razão de passar o tempo
em convívio...
e nem tudo é o que parece...
mas nem sempre posso estar errado...
o Teu nome...
o Teu nome.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Primeira vez

Isto já não é sentimento, isto já não é pensamento.
É apenas sofrimento.
Rimo o que sinto, tudo isto é alimentação
do meu instinto.
Ainda não estou extinto. Não minto,
Não iludo, não tiro o chão a quem me sente e pisa,
A minha rima é negra mas purifica, é luz na guarida,
A magia por ela própria se concretiza...
A minha sabedoria é quase nula,
A única vontade que exerço na verdade é a gula,
Não desisto às portas do total, não me rendo,
Quero e vou querendo
Cada vez mais, enquanto respiro, vou correndo.
Força demolidora, irmã gémea da primeira vez,
Construo uma história só minha
Tento escrever e fazer aquilo que nunca ninguém fez.
Defendo a poesia, como se fosse rei ou rainha,
É a minha defesa, o meu melhor ataque,
A força que faz correr o sangue e que no meu coração bate,
A minha alma, nesta luta, neste combate.
Ignoro a arte e a beleza fútil, detesto véus,
Ignoro Vénus, Zeus, apenas abraço os meus
e tento não desapontar Deus...
Em cada acto, em cada demonstração, autenticidade,
Respeito, admiro e venero a minha cidade,
Lisboa, a terra mais bela, mais pura,
Em cada pedra da calçada, em cada rua,
Sinto-o como se fosse minha, como se eu fosse sua.
É um céu estrelado sem nuvens plantado
nesta realidade crua.
Sinto o sol, assim como sinto a lua,
Guerreiro que beija as feridas, sempre revoltado,
Até conseguir tudo o que quero não ficarei calado.
Não sou doença, tão pouco sou a cura,
Não sou deserto nem sou floresta,
Sou beijo na testa, sou alma modesta,
Estou vivo, sou crítico, contrariedade certa.
Como na primeira vez, caneta na mão
Rumo à revolução, destruidor da desilusão.
Continuo um ser vivo amante revelação.
O pior sabor vive no arrependimento
Tão certo como a tempestade
estar associada à cor cinzento.
Neste monte, só meu, onde sinto a realidade,
Onde penso para depois escrever
Onde sinto para depois viver,
Tenho de vos perguntar: Que mais querem para além da verdade?!

domingo, 22 de novembro de 2009

Tragédia

Criticar-me é como tentar implantar um cancro numa estátua...(I.M.)

Queria que se alimentassem disto
Como um mendigo que procura minuciosamente comida no lixo.
Cada monstro domina a sua interior fera
Reservando-se à implosão da espera...
Olhem que nem tudo é o que o parece
Como num museu de cera.
Sinto vergonha de quase tudo o que tenho visto
Em cada acto, em cada palco, em cada paisagem,
Perco a noção da verdade com a qual cresci...
Temo a realidade julgando ser miragem, e caio
na calçada, caio de muito alto de olhos fechados
para ignorar a vertigem.
Engulo em seco, respiro fundo, de rosto duro,
Olhos esquecidos no pensamento,
Escrevendo momentos na mente, captando o sentimento,
Fora do casulo abro as asas cinzentas e vôo para o cinzento.
Não rezo o Credo. Não me sento no desespero.
Não seco os gestos das minhas mãos na hipocrisia.
Não me rio da morte. Mas não a temo.
O tempo é curto e corre muito depressa...
Como se mesmo antes de pensar no assunto
já tivesse terminado a conversa.
Sou estranho como o desconhecido,
Sou trágico como uma bala a trespassar um corpo,
Sou a loucura de um louco,
Sou a carne morta de um morto presa no bico de um abutre.
O ser humano jamais me poderá surpreender...
Já nasci chocado, preparado, racionalizado...
E se vos condeno é porque já nasci condenado,
Firme na vontade de ver o vosso reino destronado.
O ódio é de novo desenterrado!
Ascendo numa espiral que me solta os sentidos...
Viagem espiritual, consciência ética e moral,
Descontinuação de um ritual, se vos quero ensinar o bem
tenho de vos mostrar o mal...
Cristão, rasgo almas de quem faz parte de associações
religiosas, essas mentes fracas que se julgam poderosas,
Criam em mim um monstro sem amarras
Capaz das acções mais horrorosas.
A ferramenta certa apazigua a tentação
de desiludir o mundo...
Como se vocês precisassem de ajuda...
Diria eu em tom irónico:
Uma tragédia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A marcha dos mortos - Sinfonia da destruição (inacabamento parte três)


Queria começar por esclarecer para as mentes mais futéis, para aquelas que mais depressa se rendem à facilidade de se ser cego, que eu, distingo com alegria pessoas
que às vezes são hipócritas (não fujo à regra...quem foge?) daquelas que vivem na hipócrisia. Interrogo-me até que ponto já terão pensado nisto...mais grave ainda, interrogo-me neste momento, depois desta explicação, até que ponto terão agora compreendido...

Minha querida irmã, também eu trespasso o pórtico e entro.
Mas eu apenas o trespasso quando nele se encontra
a total ausência humana e o total silêncio...
Os meus irmãos são de sangue, os meus irmão são de amizade,
Os meus irmãos são quem amo, os meus irmãos são aqueles
que sofrem a miséria no corpo e na alma...Os seus nomes?
Ainda não sei...
O músculo da minha memória reclama por mudança.
O meu ritual? Pensar com lógica.
O meu arrependimento? Tentar aprender com o erro.
O meu perdão? Para mim próprio.
O meu ódio? É todo vosso...

Caminha o senhor padre para o altar. Na mão direita segura a cesta destinada a recolher o dinheiro para os mais pobres...a cesta quase não pesa. Na mão esquerda carrega a cesta destinada à sobrevivência, humilde, apenas para pão e àgua, da Igreja. Mas esta cesta, pesa. Pesa o fervor das massas. Pesa a alma. Pesa, em suma, toda a fé, a bondade, dos fiéis.
Que comece o ritual...
Alguns com medo do julgamento humano alheio ajoelham-se. Os mais próximo do senhor padre nem sequer hesitam. E alguns, mas só alguns, cientes do seu potencial tamanho mantêm-se em pé. Este teatro, perdoem-me a honestidade mais pura, revolta-me. Revolta-me? Revolta-me.

Agora chega o momento de louvar ao Senhor. Todos cantam. Os que desafinam são olhados de lado. Os que não sabem a letra da música fingem cantar, para não serem julgados. E as crianças cantam por terem sido obrigadas a cantar.


Minha querida irmã, também eu consigo observar com nitidez as estátuas e personagens que me olham das paredes. Cobertas com o seu véu de mentiras.

Escolheu Jesus para seu copo, um objecto de madeira...
Mas não chega ao homem algo tão severamente simples,
Não!, o homem precisa de ser mais,
O homem precisa de ouro...
Na simplicidade da mensagem divina
Vocês preferem criar uma mentira tão complexa...
Tão pesada. Tão rica...
Por rica entenda-se vazia. Falta de preenchimento.

As aparências. O julgamento. Tudo diferente do que deveria ser.
Meus "irmãos"...continuamos a caminhar em sentidos opostos...
Meus "irmãos"...Como posso eu amar alguém que apenas finge amar,
Alguém que grita aos céus pela vida miserável que carrega?
Como posso amar quem é quem não quer ser?
Como conseguem vocês viver nessa ilusão que nem sequer
vos agrada?

Continua a mesma marcha de mortos nestas ruas do mundo...
Frustrados de fé, angustiados pelo sabor da hóstia,
O vosso ser repudia o excesso de viver
que se debate com a força de se manterem iguais.

O senhor padre segura no ar o pão,
E na fome dos que já não aguentam,
Solta-se um suspiro,
Entra um anjo pela porta principal,
E sem ninguém o ver, ajoelha-se,
Reza por força para o dia do Juízo Final.
O dia está belo e sem nuvens, apenas se sente o sol,
Dentro das almas mais cegas ruge um trovão...
Mas não passou de uma luz fraca, dada a escuridão...
Erguem-se os exércitos sem inspiração,
Pequenos seres vivos sem ritmo numa música de tambores
sem canção, um hino aos esqueletos que fingem caminhar neste mundo.
Que comece a sinfonia da destruição...

(texto a bold : Joana Garcia, http://memoriasrasgadas.blogspot.com/2009/10/recado.html . Obrigado!)

domingo, 15 de novembro de 2009

Angel song


Disseram-me certa vez: Por muitas nuvens cinzentas e grandes que tenhas em cima do teu céu, lembra-te, que mesmo que não pareça, o sol está sempre atrás delas. A aquecer. A brilhar.
O que não me disseram é que por vezes fugimos do sol...outras vezes andamos à sua procura...
Esqueceram-se da lição: O que fazer quando o sol nos encontra, sem nós estarmos à espera...

As mudanças na nossa vida dão-se tão depressa como...como...um eclipse do sol! Sim! Uns instantes nas trevas...e de volta a luz...
Momento.

Este texto é talvez um apogeu da minha desorganização poética. Não por falta de empenhamento, mas por ter tantas coisas para dizer, tantas ao mesmo tempo que acabo por ficar a pender de um lado, descompensando outro, e quando corro para o equilibrar acabo por colocar peso a mais, voltando a desequilibrar.

Não existem círculos perfeitos. Não existe só o céu, nem existe só o inferno. Eles complementam-se. Pode parecer estranho, mas é o que penso. Eu não acredito no mundo perfeito. Acredito que podemos melhorar, mas nunca ser perfeitos.
Não existem círculos perfeitos. Mas talvez possam existir...

Estava no autocarro...olhava a paisagem difusa: sombras tremidas de árvores, alguns semi-montes, e muitos faróis de carros. Era noite. Aprovei o facto de não ter ninguém ao meu lado para me encostar ao vidro e relaxar...Como se isso fosse possível. Como podemos relaxar sabendo que estamos a viajar na direcção errada? Saber que estamos a fugir do sitio onde de facto deviamos estar? Não é do sitio...

..Como podemos estar relaxados sabendo que a nossa vontade ficou presa a alguém que ficou para trás? E nós...a ir na direcção oposta...

-Está a dar a tua música...no rádio.
-Angel Song?
-Sim! Como sabes?
-Também estou a ouvi-la.

Acredito no destino? Sim. Mas acredito que o destino nos dá duas coisas:
Sinais (pistas, ajudas) e alguma hipótese de escolha. Para o bem e para o mal.
Consigo sempre ver os sinais? Quase sempre.
Existem alturas mais importantes para reparar neles? Sem dúvida.

Estavamos sentados...num café.
-Estás a ouvir a música?

"Something always bring me back to you..."
-Sim.
(A primeira música de que falamos...Não fosse isso já por si um pormenor engraçado na altura...)


As coisas mais simples são as melhores...e esta frase carregada de cliché faz-me sorrir tanto. Eu sou assim mesmo. Peço tão pouco. E peço tão simples. E quando encontro? Sou a pessoa mais feliz do mundo.

Para quê complicar equações? Às vezes a solução é só uma...


Nada é em vão, e nem só de recordação vive o homem,
E um dos melhores sabores que podemos provar
é sentir o sonho tornar-se realidade
a vontade tornar-se acção...
É no meu corpo sentir a tua respiração.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Complex mess

"But you can't escape the truth, no matter what you want to believe, it always comes back to you." LAM

No que nos tornámos?
De onde viemos, para onde vamos?
Nós não compreendemos...
Compostos de divindade, bem e maldade...
Eu não compreendo. Por muito que queira compreender.
Passadas tantas horas...tantos dias...e muitos segundos
Encontrei finalmente uma luz, que não é falsa.
E já decidi.
As trevas podem ajudar a reflectir...
Se mal usadas podem levar à escuridão.
Por isso não a acolho.
E eu não posso fugir à verdade.
Nem ela me pode fugir.
Não pode. Ninguém foge muito tempo à verdade...
Porque a verdade não é só teórica, acaba por
querer aparecer, e torna-se acção.
Quando a verdade devolve a audição a quem não tinha
Quando tira a corda que nos tapava os olhos
Quando retira o gelo ou o quente do nosso coração:
Aí sim, é a verdade verdadeira.

Estou nesta complexa desorganização,
Onde ainda procuro coragem de arrumação, e um sabor,
Uma luz.
Mas já estive muito,
mas muito
mais longe...