domingo, 8 de novembro de 2009

Palavras para quê?

Eu digo-vos para quê.
As palavras ajudam-nos a comunicar...
Ajudam na saudade, ajudam a manter as coisas no devido lugar,
E na sua História.
Nem só de palavras é feito o mundo.
Mas elas estão cá para nos ajudar.

Estarão mesmo?
Não sei...mas quero estejam...
Porque há pessoas que fazem com que as palavras
valham mais que mil imagens...
Há pessoas que fazem das palavras actos,
E reflectem tanta força e honestidade
que as sentimos tocar-nos, sentimos o seu sabor.

Palavras para quê?
Porque existe quem as escreva...
E me faça elevar...
Tão próximo como uma mudança necessária...
Tão luminosa como uma religião.
Porque existem palavras, que são o que são...Como isto:

Tool
Reflection

"I have come curiously close to the end, now
Beneath my self-indulgent, pitiful hole

Defeated, I concede and
Move closer
I may find comfort here
I may find peace within the emptiness, how pitiful

And it's calling me...
It's calling me...(x3)

And in my darkest moment, fetal and weeping
The moon tells me a secret, her confidant
As full and bright as I am
This light is not my own and
A million light reflections pass over me
The source is bright and endless
She rescusitates the hopeless
Without her we are lifeless satellites drifting

And as I pull my head out I am without one doubt
Don't wanna be down here serving my narcissism
I must crucify the ego before it's far too late
I pray the light lifts me out

Before I pine away...(x4)

So crucify the ego, before it's far too late
And leave behind this place so negative and blind and cynical
And you will come to find that we are all one mind
And capable of all that's imagined and unconceivable
So let the light touch you, so let the words spill through
And let them pass right through
Bringing out our hope and reason

Before we pine away...(x4)"


Não, não é obsessão...é continuar a saber que vale a pena...

sábado, 7 de novembro de 2009

Mer de noms 8º : Sophie

Sophie o céu está próximo.
Já podes fechar os olhos, deixar a vida
para trás, podes soltar as asas e voar.
O céu está próximo Sophie,
Deixa-te ir, deixa para trás o que tem de ficar:
Quem amavas, quem te amava, todas as matérias que possuias.
Um lugar melhor? Espero que sim...
Um lugar perfeito? Dúvido...
Apenas melhor
(Como se isso foi assim tão dificil de alcançar)
Muito melhor.
Sophie escolhe bem as tuas últimas palavras
Pois serão ouvidas com uma atenção nunca antes sentida
E ficarão na memória de quem escolheu estar ao teu lado...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Agradecimento

Só para agradecer a todos os que comentaram o post Sentimento versus Razão. Em primeiro lugar agradecer a duas pessoas que apesar de 'seguirem' o blog costumam ficar na 'sombra', retraídas:
O meu primo João (esse grande maluco), e à C.C. (obrigado).
Agradecer à nova comentadora, Maggie.
E claro, às três pessoas que estão comigo desde o inicio:
Sofia, Joana, Liliana.
Estou a fazer este agradecimento pois fiquei satisfeito com o número de comments...apesar de serem quase obrigados. Foi uma boa meta.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sentimento versus Razão



(Agradeço que quem quer que seja que leia este texto ganhe vontade para o comentar, dado o seu conteúdo. Obrigado.)

Este é um texto já à muito aguardado. Um tema que está dentro de mim desde que nasci, e que hoje em dia, mais do que noutra altura qualquer, ganha uma dimensão e uma importância bastante relevante. É tema de discussão, de reflexão, é de certa maneira a essência da condição humana, tirando outro grande tema que é: Bem versus Mal.
Finalmente, passado tanto tempo, encontrei um texto capaz de preencher a imagem escolhida...que seja para o românticos, os sentimentalistas, a sabedoria a sair do coração...Que seja para os racionais, a força suprema da razão a dominar e a vencer o coração.
Não lhe poderei chamar um estudo, dada população escolhida, mas em conversa com algumas pessoas, seis para ser mais concreto, em que uma delas sou eu, cheguei à conclusão (se lhe poder chamar conclusão...) que o resultado final foi 3-3.
Este assunto, mais estas conversas todas, já me davam vontade mais do que suficiente para querer escrever este texto...mas ainda faltava algo. E foi então, que hoje, em revisão de alguns textos, encontrei uma frase por mim escrita, que deu talvez, o golpe fatal, e me aclarou de vez o espírito...A razão para mim, é a vencedora:
Mas nem só de felicidade vive o homem…

Eu, na minha "tese", declaro com uma simplicidade algo extrema a principal diferença
entre razão e sentimento. Na minha opinião a diferença reside no que "sentimentos", no grau\nível da nossa felicidade. Dito isto, resumo:
Sentimento\Coração : a nossa felicidade oxila entre ódio e o amor, a nossa felicidade pode alcançar o melhor e pior. É talvez incostante.
Razão\Cérebro: a felicidade é constante. Varia muito pouco ou quase nada. Pode variar entre alguma felicidade a mais , ou alguma tristeza.


Apesar de odiar, repulsar, tudo o que seja morno, abro uma excepção produtiva e importante no caso da razão...

Na minha opinião, outra grande diferença são actos.
Na minha opinião quem sente, o sentimentalista, o romântico, raramente pensa. E por amar, não se confunda com pensar...amar é agir, é sentir apenas...é dar tudo, sem pedir quase nada em troca. De certa forma, é o ser humano em expansão...Ao amar, nem sempre se pensa no que pode acontecer de bom ou de mau. Quem ama pouco ou nada pensa...pelo menos inicialmente. Quem sente é autêntico, não mede, não foge, apenas dá o melhor de si. Será sempre isso bom? Nem sempre.
O racional pensa muito e não se dá ao amor tão facilmente. O racional já conhece o sabor da amargura e já conhece o sabor doce, mas não se engana. O racional sabe o que é uma cicatriz e sabe ou tenta saber como evitá-las. O racional pensa, e isso faz toda a diferença.

Já não me iludo. E de três grandes frases populares, uma delas minha preferida, e dada por mim como verdadeira é:
O que não nos mata, torna-nos mais fortes. E por fortes entenda-se tudo o que escrevi anteriormente: pensar, não entregar tudo, pensar.
Se me arrependo de ter mudado? Muitas vezes...Mas sei que sou melhor assim.
Se por um lado vocês provam o sabor melhor da vida
Eu por outro não provarei o pior.

(Sinto que ainda falta muito por escrever sobre isto, para já fico por aqui)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mer de noms 7º : Catherine

Catherine esqueceste o passado.
Catherine venceste a negação...
Trazes nas mãos a contrucão do teu fado, do teu destino.
E pergunto-me, de vez a vez, onde estarás escondida.
Não voltaste a casa, não mandaste carta.
Estarás tu algures perdida?
Sempre te reconheci uma sorte farta, mas mesmo assim...
Onde estás?
Seguro nas minhas mãos uma carta imaginada,
Onde contas a tua vida, os teus feitos,
As tuas conquistas...
Respondi-te...numa morada infinita.
Catherine...agora que penso em ti
só me recordas desilusão.

domingo, 1 de novembro de 2009

Espelho contraditório

Quando olho para o espelho vejo a minha cara. Como se fizesse uma lista de compras, coloco defeitos e qualidades. Depois olho para os meus olhos...Que fazes tu desse lado, tão perto de mim mas ao mesmo tempo tão longe...
Pois tudo não passa de falta de ocupação, como se amar alguém não fosse mais que um passatempo, uma brincadeira deste jogo chamado vida. Pois talvez até estejam certos, pois talvez eu esteja errado. Talvez, quem sabe, estejamos ambos errados.


Quando me vejo ao espelho
Não vejo quem sou, vejo o que os outros vêem.
Eu mesmo, sempre mais velho, mais desigual.
Um retrato pintado a tintas vivas que se mexe
ao sabor do tempo. Sento-me à margem desse rio enorme
chamado oceano olhando, sem fazer quase nada.

A paz que detenho é uma paz inglória, nada fiz para a merecer.

(a música embala-me enquanto passeio entre hesitações)

Não...
Mas desta vez fui apanhado sem querer,
Em algo mais forte nunca antes sentido...
Algo novo? Será esta sensação de todo desconhecida?
Até que céu conseguirei eu chegar
se me deixar ir ao sabor da brisa?
Por vezes esqueço...
Nós seres racionais esquecemo-nos de amar...
E os que amam, esquecem-se de pensar...E depois,
Sobra sempre ignorância, de quem não quer tentar.
Ou de quem vive tentando, sem conseguir.
No fundo, caminhamos todos para o mesmo fim...
Apenas caminhamos por estradas diferentes...com pessoas
diferentes.
E tudo o que vos posso ensinar é o que sinto,
O que penso, o que já fiz.
Tudo o que vos posso pedir é apoio para chegarmos
mais longe, mais fundo, onde mais ninguém esteve.
Esqueço-me...mas é a verdade,
Por vezes pensamos tanto tempo na maneira de fazer...
Que nos esquecemos de fazer de facto.
Dá-me as minhas asas...
Volto-me a ver ao espelho...o que mudou?
Nada...cresceram-me asas negras, num corpo humano...
Estarei certo? Ou serão asas brancas num monstro?
O que me importa? O que vos importa?
O que te importa?!
Importa-me ser...
E para já não quero ser nada...
Ou mais nada...



(Este texto começou há muito tempo a trás. Ficou guardado e foi completado hoje.
A ideia do espelho contraditório, não tem nada de especial. Tirando o facto de ter sido uma tentativa algo falhada de uma nova compilação de textos, que nunca existiu. Desde essa tentativa, apenas surgem poemas espalhados, sem ordem ou lugar, ou lógica de seguimento. O blog é o exemplo disso mesmo. Na practica, a ideia, a imagem que imaginei são dois espelhos frente a frente, criando aquela imagem bela de "infinitos" espelhos, dentro de espelhos dentro de espelhos...simbólicamente: o nosso infinito...a ausência de limites. Ficou a ideia registada. O contraditório...enfim...serve para todos nós um pouco?)

25\05\09 - 01\11\09

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vingança (Acto Terceiro)

"We spend our lives destroying, hating.." (LAM)
Desta vez, o único réu, sou eu.

Não cheguei a acordar do pesadelo...
Quando dei por mim, estava apenas a vivê-lo.
Os sonhos saboreiam-se até se ser reconhecido
a sua impossibilidade. E cai nessa altura
um trago amargo na minha garganta...
Como fui capaz de levar o sonho tão longe?
Mas o ser humano finge erguer-se,
Finge ganhar forças...
Finge tentar novamente.
Já o disse, há muitos anos, sou diferente
de vós por ser um monstro consciente.
As garras afiadas penetram carne humana,
Umas vezes para salvar, outras para deixar
menos viva.
Rasgo a realidade por tentar aplicar nela alguma cor,
alguma magia. Não algo ilusório. Algo com significado.
Por vezes consigo. Outras vezes mancho a realidade,
Com nódoas bruscas de tons cinzentos e pretos.
A minha pele é dura, mas a dureza tem pouca espessura.
E por dentro da pele, existem várias camadas.
Algumas estranhas, outras usuais, outras melhor limadas.
O desejo de encontrar algo pelo caminho é muito forte,
E quando encontro quase largo tudo, muitas vezes por nada.
Mas o ser humano chora, o ser humano finge ter aprendido
com o erro...
Eu não choro, eu não finjo ter aprendido. Ainda não aprendi.
Porque razão devo mentir? Devo colocar-me aos vossos pés,
Com uma face comovida, fingindo-me renascido?
Não...
Prefiro viver no meu pesadelo.
Existem duas saídas para quem vive com uma sombra de parceira:
Sair dela, mais forte,
Ou ficar nela, apodrecendo...
Se olharem para mim, como mero criador de frases,
Nada vos custará. Não vos voltarei a fazer sonhar,
Nem a querer mais do que o que podem.
E os meus olhos?
Os meus olhos valem pela clareza...
Olha-me nos olhos e verás o que sinto.

Vingança. Ultimamente vivo rodeado
de desilusão, tento agarrar pequenas peças,
Mas é tentar em vão.
E a frustração acompanha-me, em passos largos.
E quando penso...penso muito mal.
E por muito que queira,
o rancor, e a raiva, e o ódio,
Estão cá.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Wings for Marie

Hoje foi um dia estranho. Sobrou no meu espaço e tempo, capacidade para absorver músicas que me fazem sentir, sentir mais longe, transcender o normal de mim próprio.
Como vivo, como me alimento de sentimentos, que tão depressa aparecem, e não desaparecem logo...Ficam a bater no peito, sempre um pouco mais do que o necessário.
Penso sempre: serei só eu? Serei apenas eu que sinto isto? Acabo por ficar sem resposta. E mesmo que me ajudem, que me digam aquilo que sentem, continuarei igual...porque a resposta é minha. E terei de ser eu a mudar-me.
Mas fico sempre a pensar. Onde terei falhado, onde terão falhado.
E é por isso que cada vez mais tento ignorar o facto de me querer aproximar, de tentar escavar mais fundo. Porque mesmo sabendo que o tesouro está lá, mesmo que muito enterrado, prefiro parar a escavação, abrir portas ao ódio, e deixar-me ficar.

O meu maior medo, neste momento, neste instante, nesta fase da minha vida, é só um:

O medo de estar errado.
Não suportar errar novamente.
Ficar preso aquele que erra sempre.

E em tantas músicas, em tantas letras,
Revivo-me numa frase:

"Terrified of being wrong..." (The grudge - Tool)

(inacabado)

domingo, 25 de outubro de 2009

Na tua ausência

O sentimento de saudade não precisa de justifação,
É uma ausência que faz tremer a alma,
Que me comove a sensação.
Alimenta-me, preenche-me.
Pacifica toda esta pequena aflição...
Nunca devias ter chegado,
Sabendo que ias partir,
Deixando-me deste lado num fogo tão alastrado...Porquê?
O equilibrio, a verdadeira existência,
estando tu a meu lado...Porquê?
A felicidade traz com ela um enorme vazio?
Faltas-me. Tanto tempo
estive aconchegado,
Agora estranha-me o frio.
Prefiro o ódio, prefiro a raiva,
Prefiro tudo o que me deixa sentir
E não aquilo que me faz ficar sentido.
E o silêncio...a tua ausência...é tudo tortura.
Foge desejo...foge para longe,
Onde não exista necessidade de ser e estar,
Onde não encontre a tua presença...
Na tua ausência acabo perdido, sem lugar onde
aguardar, e sem querer acabo num lugar esquecido.

Longe dos olhos, longe do coração?
Enormes incultos, enormes sonhadores...
Eu quero aquilo que eu quero,
Aquilo que ninguém me pode dar...
E repito vezes sem conta, até que regresses
dessa tua ausência.
Pequeno pedaço divino, pessoa,
onde me deixo envolver, sem
pressa, sem lentidão,
Onde começo, onde sou, onde fico, onde acabo...

Porque não lutas por mim?
Já lutei.

Porque me olhas assim?
Porque nunca te olhei...esse véu, essa realidade,
E a verdade magoa...mas nem sempre.

Acabei de te reencontrar.
Eu sei.
Todo o tempo do mundo,
agarrado, fugido, tempo vagabundo.
De ti sobra algo que nunca terei,
Acaba por sobrar
teu o sonho de te querer,
E de fazer o que nunca tentei, não pude nunca.
Ficas comigo, apenas e só,
nesta ilusão, e sobras em mim
apenas na tua ausência...
Sem nunca ter agarrado a tua essência...
E sobras em mim apenas na tua ausência.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Bater no fundo para depois sentir a gravidade (3º e último)

(1ª parte : http://versologista.blogspot.com/2009/07/bater-no-fundo-para-depois-sentir.html
2ªparte : http://versologista.blogspot.com/2009/10/bater-no-fundo-para-depois-sentir.html)

Pequena nota final:
Cada um é livre de pensar o que quiser, mas quero explicar que este filme para mim não é um fanatismo, nem uma obsessão, sei apenas que é algo que de facto vale a pena. Passar, para este blog com palavras minhas, os seus melhores momentos, é apenas uma forma de vos tentar elevar a alma e o pensamento, nem que seja por breves momentos, como me fez a mim...Infelizmente, este é o último grande momento que encontro para descrever. Espero não ficar por aqui. Que ainda encontre outras formas de conseguir explorar e divulgar tudo aquilo que descobrir.
O filme da minha vida, Fight Club.

(Constituição escrita do filme.)

Estava irritado. E ninguém é perfeito. Mesmo querendo evoluir como ser humano, continuo e serei sempre um ser humano. E hoje senti-me posto de lado, quando o Tyler criou o Projecto Destruição...depois, senti ciúmes...Fui o sentido de rejeição do Jack...Isto para dizer que estava irritado. Durante mais uma sessão no Clube de Combate, numa luta normal, desobedeci a umas da regras...Gritaram : pára!, mas eu não parei...continuei a esmurrar a cara do rapaz que estava no combate comigo...não consegui parar...toda a minha fúria foi direccionada para o rosto do rapaz...as palmas e os uivos dos outros participantes foram diminuindo ao ver o estado facial do pobre coitado...mas eu não me apercebi disso...na minha mente só tinha ódio, e os meus pensamentos eram tão trágicos e maus como os efeitos de cada murro que dava:
Quero colocar uma bala entre os olhos de cada panda que não é capaz de procriar só para manter a continuação da especie...Quero encher de petróleo todas as praias francesas que nunca vi na vida! E no fim, o mais drástico...QUERO respirar FUMO!
O silêncio tinha-se instalado à minha volta...agora conseguia ouvi-lo. Olhei para a cara do jovem...estava desfeita. Alguns dentes tinham saltado...
-Levem o rapaz para o hospital. Disse o Tyler. Ondes estavas com a cabeça rapaz psicótico?
-Apeteceu-me destruir algo belo...Foi a minha resposta.
Seguido este momento, ambos entramos num carro. Fomos dar uma volta. O Tyler conduzia e eu ia no lugar do morto. Vinham mais dois participantes do Clube de Combate na parte de trás do carro. Passados uns minutos o Tyler:
-O que se passou contigo? Está tudo bem?
-Não, não está tudo bem! Porque não me contaste sobre o Projecto Destruição?!
-Então isto é sobre nós os dois?!
-Eu só gostava de estar informado sobre algumas coisas...fomos nós que começamos isto!
-Nós somos iguais aos outros, não somos especiais! É isso que tentamos mostrar aos outros...
-Mas eu só queria estar mais informado! (A conversa começava a irritar-me.)
-Cada um é que sabe o nivel de envolvimento que quer ter. O Tyler respondia-me de forma exagerada. Como se eu não fizesse bem o meu papel. E continuou:
-O que é que tu queres afinal? O que pensas da tua vida?
-O queres dizer com isso?
-Se fosses morrer agora, o que pensavas da tua vida? O que querias ter feito de facto e que nunca fizeste?
-Não sei!
O Tyler começou a deixar o carro passar muito devagar para a faixa contrária...via agora faróis que vinham na nossa direcção...Perguntei:
-O que estás a fazer? Estás doido?
-Se a tua vida acabasse agora, o que pensavas?
-Não sei! E pára com as brincadeiras! Volta a por o carro na faixa certa!
O Tyler continuou na faixa errada, alguns carros buzinavam e desviam-se do nosso:
-Diz-me, o que pensas da tua vida?
-NÃO SEI! O que queres ouvir??
O Tyler virou-se para trás e perguntou aos nossos amigos...
-Rapazes, o que foi que nunca fizeram mas que queriam fazer?
-Construir uma casa!
-Pintar um retrato!
-E tu?
-Não sei, DESVIA-TE!
Um camião desviou-se apenas alguns metros de nós e o Tyler voltou para a nossa faixa. Estava farto daquilo tudo:
-Porra para ti! Porra para o Clube de Combate! Merda para a Marla e para todos neste mundo!
O Tyler ria-se:
-Tu não sabes ao certo o que queres...Tão pouco te conheces. E ainda temes perder toda a esperança para conseguir tudo...Falta-te coragem, para ser aquilo que queres ser! Aos poucos, o Tyler começou a mudar de faixa, mas mais devagar...
-O que estás a fazer?
-Às vezes temos de nos deixar ir...
-Volta para a nossa faixa! O que estás a fazer?! Comecei a virar o volante...
-Olha para ti! És patético! Tens medo de tudo, há coisas que não podemos nem temos de controlar!
-Eu o quê? Não...
-Sim para de ser assim! Ganha coragem e enfrenta o mundo. Não te deixes perder na solidão de pensamento! Luta! E deixa-te ir!
Voltei a tentar puxar o volante...
-DEIXA-TE IR!
-Ok...Ok...
-Rapazes...apertem os cintos...
O carro continuou...o Tyler já nem segurava no volante...o carro ia a uma velocidade constante, 60\70Km hora...a chuva o vento...fazia o carro andar de um lado para o outro...a dada altura aparece do nada um carro parado...choque...

Passados uns minutos estavamos fora do carro. Todos partidos, mas bem...
-Sim!,gritou o Tyler. Estamos vivos!

Fim.......................................................................

O cabo do medo

Um casaco preto guarda uma pessoa, sentada em cima de uma rocha.
Sentada em todo um tédio existêncial.
As respostas, as perguntas, todos os ensinamentos.
Uma vida, algumas experiências...
Um rosto fustigado pela chuva aguarda sinais de tempestade.
Tudo o que pode fazer é reter o medo interior,
E aguardar, sentado numa rocha, ignorando o aborrecimento.
Simplificando...
O arrependimento não mata, mas faz doer...
A ignorância não mata, mas magoa-me.
A hipócrisia rasga-me a paixão de viver bem.
Incompleto.
Sou paciente...era paciente. Agora luto contra os ponteiros
do relógio, na vontade de os apressar...
Sempre gostei mais de ensinar, de mostrar melhores caminhos
a quem me rodeia...falta de humildade num ser inconstante.
Sorte tenho, em tudo aquilo que não quero observar,
E neste cabo do medo, vendo as ondas crescer,
A fúria pequena que me embala,
Mostra-me quem realmente sou.
Não reprimo ódios, solto-os, sem medo.
Não reprimo amor, mas já não o solto mais.
Conhecido por gostar de estar sempre acompanhado,
Apesar de estar quase sempre sozinho,
Procuro na vida algo que me atinja fortemente,
Que me faça agarrar tudo com toda a força,
Quero voltar a sentir o que já não sinto há muito tempo.
Não me considero perdido, estou apenas esquecido,
Um desencontrado à procura de um verdadeiro sentido.
Poucos conhecem o verdadeiro amor, que entra em nós,
Que se transforma numa luz forte, capaz de remover barreiras.
Quero voltar a sentir, vida a entrar e a sair de mim,
Como se fosse oxigénio.
Quero encontrar pessoas que façam por mim o que eu faço por elas.
Não que o faça pensando ter algo em troca...
Conhecido por simplificar todas as complicações criadas
por outrem, por tornar o complexo em algo mais
acessivel...mas começo a querer complexidade.
O mundo mais simples, a vida mais simplificada,
Começa a não fazer sentido...mas temo que
tornar tudo isto mais complicado não seja
de facto a solução.
Por vezes primitivo de pensamento, humano de instinto,
Sinto falta de ser importante. De fazer falta.
Saudades são para quem deixa fugir,
O importante é agarrar...aproveitar o fruto,
Nunca esquecendo que a verdadeira beleza
está no interior e não na casca.
Elogiado pelas frases que escrevo,
Por algumas frases que digo,
Continuo sem perceber o que me fica a faltar...
Várias fases, várias mutações,
Tudo na mesma pessoa.
A minha capacidade de destruir, de acinzentar cores,
Está-se a tornar uma constante, uma sede.
Mas não será por muito mais tempo.
Na teimosia de sonhar sem lógica, na verdade que magoa,
Começo a encontrar a saída da minha negridão.
Sou igual a todos vós...com a diferença
de querer ser diferente.
Não se iludam e não me iludam.
Um casaco negro afasta-se do vendaval. O mar acalmou...
E mesmo que volte a rugir, já não estará ninguém
para comtemplar a sua fúria...

Mer de noms 6º : Jimmy

Como foi veres a face da tua estabilidade,
Do teu equilibrio? A tua outra parte...
Mas quando voltas a olhar estás só,
Deixaram-me sozinho, esperando a morte...
Deixaram-te sem nada, sem esperança...
Porque não interessa a forma como aceitas o destino
Interessa sim a forma como o modificas,
A maneira como te serves dele para ser feliz, e melhorar...
Como foi veres a face da tua estabilidade?
Quando voltas a olhar, ela já se foi embora...
E tudo o que te resta, é gritar, mostrar reconhecimento no teu erro,
Para que Deus ouça a tua compreensão:
AHhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...

(Inspirado na música Jimmy (Tool))