quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Puzzle


Sei que as peças encaixam mas continuo sem encontrar maneira de as fazer encaixar..

"Deep in this blackened void,
the space that used to be my soul...

Cause, It's not enough. I need more. Nothing seems to satisfy. I said, I don't want it.
I just need it. To breathe, to feel, to know I'm alive.!"
(LAM e banda do costume)

Largaram-te no chão, desfeita, sem pistas de encaixe,
Não te movias, não conseguias quase respirar,
Estavas sozinha.
Olhos nos olhos, olhos no chão,
Figura colossal aterradora, fome avassaladora,
Resta-te tentar não morrer...desfeita.
E os corpos encaixam, tão perfeitamente...
E os lábios encaixam tão correctamente,
Sentir as peças a separarem-se é obescuro.

Desde que existe memória, desde que se escreve a história,
Foste colocado no centro do mundo como se dele fizesses parte,
E tudo girou em vários sentidos, acabando por terminar no mesmo lugar.
Luz e fogo, sangue e trevas...
E quando me olho ao espelho, com um rosto lavado e novo,
Tento encontrar maneira de vos encaixar.
Simplicidade...simples, não aguento a vossa pressão. O vosso
peso.
Constante vivência entre pessoas.
Pedi-te que guardasses uma dessas inúmeras peças na mão.
Deitas-te-á fora. No chão, como se não valesse nada.
Como todas as pessoas.
As peças deviam-se mover todas para o mesmo lugar,
mas fogem umas das outras.
Uma velocidade de avalanche toma conta delas...
Deus queira que haja futuro, que exista evolução,
E que essa não dependa de mim, peça parada,
Nem de vocês que parados estão...
Foste crucificado, culpado sem razão.
E a pergunta permanece em todos nós...nos que acreditam
ou não.
A vida é um puzzle inacabado, talvez impossivel de acabar,
Resta a esperança de quem acredita na vida depois da morte
de conseguir chegar ao seu fim.
Sou essa peça esquecida, perdida por de baixo do tapete...
Aquela que tu pisas sem querer, na qual tropeças.
E por muito simples que fosse montar qualquer puzzle
Nunca o conseguirás montar
Porque eu sou aquela peça que falta e que tu nunca vês.




Ficou aquém das minhas expectativas. Mas não sabia que volta lhe dar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Elogio

(Nota: elogio - dedicatória feita a alguém que morreu.)

"and ive been thinkin
but it hurts me thinking..."
(Konstantine)

Cheguei agora a casa, a porta fechou-se tão bruscamente...
Terá sido o vento? Terei sido eu?
Receio tanto estar errado.
Ter cometido o erro...
Arrenpendido de não ter encontrado a razão mais cedo.
As minhas acções esconderam-se nos meus sonhos
e viveram lá eternamente.
Nunca disse que isto ia ser fácil.
Levar-te a casa, ver-te lá ficar sozinha, para sempre.
Longe.
Para sempre...
Cheguei agora a casa, a porta fechou-se. Fechou-se bruscamente.
Encontro-me sentado a escrever, com o cigarro meio acesso
meio apagado, a sufucar em fumo, a ignorar um possivel rumo,
Sou um fruto seco, complicado, que já deixou de dar sumo.
Tentei equilibrar na balança o sentimento e a razão,
Perdi tempo. Pensei ter passado por tudo isto, mas não,
Fiquei preso à esperança. Fiquei preso ao momento,
Estou desligado.
Acordo-te. Afinal já estavas acordada.
Tento imaginar-te a moveres o teu corpo por sitios onde
nunca fui, onde nunca irei.

Cheguei a casa, escrevi o elogio que quero que leiam
no dia da minha morte. Algo simples, correcto, sentido.
Verdadeiro...por uma vez na morte, já que não o tive em vida,
Quero sentir a verdade a entrar nos vossos corações,
Abalar-vos todo o espírito.
Quero que me sintam. Que me vejam.
Serão apenas letras. Vagas frases. Uma imagem minha...
Espalhada em letras, em frases vagas. Serei eu...um pequeno eu.

Dói-me pensar. Dói-me sentir.
Mas quero sentir e pensar, estar aqui.
Preciso disto. Preciso de vocês. Vocês precisam de mim.

O tempo cura tudo...mas às vezes demora tanto.
E as respostas não surgem. Surgem perguntas.
Os sentimentos originam sentimentos.
O amor dá lugar ao ódio, o ódio volta a dar lugar ao amor,
E não saimos desta roda que gira e gira e gira e gira...

Gira o mundo, sem dar lugar a nada melhor,
Afasto as folhas do meu caminho, largo a tinta,
E deixo-me ficar, sentado a olhar para mim,
Sem arrependimentos, descansado de sentimentos,
Sem pensar em nada.

E vivo aqui, sem procurar-te, sem esperar-te,
Apenas aqui.
Rasgo o elogio. É cedo de mais para marcar a data
da minha despedida.
Poderás imaginar?
Poderás tentar mudar, ser mais?
Agarro-me. Seguro-me. Quando menos espero
adormeço. Nem uma criança dorme tão bem...

Aos poucos deixas de sentir a minha presença.
Descobres que estavas enganada este tempo todo.
E sofres, sabes que já é tarde.

Adormeci. Nem uma criança dorme tão bem.

(Lá no céu, nas nuvens, no centro ou na ponta do Universo, seja lá onde for,
Deus sorri e pensa: mais um passo dado na evolução humana...)

Ficou assim. Assim ficou.
Desci as escadas e fui caminhar.
A porta fechou-se em silêncio, sem pertubar...

sábado, 19 de setembro de 2009

A Primavera da minha vida


"I regret the times I didn't spend
Watching the flowers grow..." (Silence 4)

O que faz alguém perseguir a pessoa que ama?
A loucura, o amor, a vontade...

Cheguei a este estado de alma,
Onde receio não existir retorno.
Primavera da minha vida.
Sentado neste campo verde, encostado a uma árvore,
Recordo-me do teu sorriso, e gosto de vê-lo dentro de mim,
Antes que desapareça, devido ao tempo que passa,
Tornando-se num sorriso como outro qualquer,
Numa face de qualquer pessoa comum,
Num rosto sem expressão...
Atrás de mim tocam um piano, muito ao de leve,
Acompanhado de uma aragem de vento muito suave,
Sabe bem estar aqui.
Desejava-te aqui.
Tenho a tua voz trancada e presa por amarras
na minha memória, tão viva.
Vou por passos pequenos para chegar mais devagar.
O tempo que passo a desejar é tempo que perco
a fazer de facto. Misericórdia.
O piano toca agora um pouco mais depressa,
Vai criando em mim uma vontade de escrever
um poema ou uma música. Pode ser sobre ti.

E peço ao piano que não pare de tocar nunca,
Que seja sempre Primavera, a união perfeita entre frio
e calor, entre aquilo que amo e daquilo que mais fujo...
Sentimentos partidos recordam-me que ainda não estás aqui.
De repente o frio entra nos meus olhos,
E seguro pela rédeas o meu coração acesso.
Muito ao longe ouço partir uma peça de porcelena...
Alguns dos seus pedaços acabam por chegar aos meus pés,
Uma peça destruída, dividida, sem retorno.
E tu não estás aqui.
É como se fosses essa peça ao longe,
De ti só tenho pequenos pedaços que caíram por sorte
aos meus pés.

E o piano toca uma melodia alegre,
E eu agradeço.
A minha alma está azul, com alguns tons de cinzento,
Mas o piano tenta puxar-me para a força, para a luta,
Para uma ignorância, um esquecimento completo da tua pessoa.
Piano, doce música a tua: Primavera da minha vida.

Quando me levanto, depois de sacudir-te para fora do meu corpo,
Da minha memória, do meu desejo,
Olho para o piano,
Aceno com agradecimento...
E fico comovido, triste e delicado,
Pois és tu que estás a toca-lo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Sem título ( Insanidade intemporária )


("Olá a todos...O meu nome é Diogo". Um coro de vozes responde: "Olá Diogo!" No canto da sala observo uma pequena mesa com bolachas e copos de café suficientes para matar um elefante com um enfarte. Vejo alguns restos mortais de cigarros no chão e aproximadamente quatro dezenas de rostos eufóricos à espera para ouvir a minha história. "Eu...tenho um problema...". Faço uma pausa. É tão dificil admitilo, dizê-lo em voz alta. Todos esperam, com as mãos trémulas, desejosos de bater palmas. Enfim, lá terei de vos dar esse consolo. Continuo: "Eu tenho um problema...(mais um curto silêncio para depois lhes proporcionar o auge)...sou um ser humano." Aplausos, fortes aplausos, sorrisos, muitos sorrisos. Chegou a hora do café...)

Sou forçado a desistir, quando na verdade queria continuar,
E de nada me vale tentar fugir, ou negar, aceito-o,
Como um mendigo aceita a sua pobreza e solidão,
Aceito-o.
Volto a adormecer para não me desiludir.
A exautão já não me cansa, já faz parte de mim,
Já nem me imagino sem ela.
O meu melhor amigo é o ódio. Está comigo quando preciso,
Vem me buscar quando julgo estar perdido.
E tudo aquilo que eu mais quero
E tudo aquilo que não tolero
E tudo aquilo que eu mais quero
E tudo aquilo que eu não tolero,
Tudo trancado numa jaula, uma fera sedente.
Nem sentado, nem deitado, como se não encontrasse
A paz activa que tanto procuro em nenhum lado.
E o tempa passa, levado pelo vento
Como um cigarro esquecido no chão cinzento,
Nós fazemos as nossas escolhas, pensamos saber sempre
a melhor maneira de caminhar na vida.
Julgo que estamos enganados.
Refugiamo-nos na vida para fugir à morte,
Na solidão para não amar,
E quando pensamos no que somos
não encontramos resposta que nos alegre.
Tento trepar o conhecimento e a verdade como se fosse um monte,
Mas nunca chego a meio caminho,
E não desisto, nesse mesmo meio crio um ninho,
Onde procuro um pequeno momento para não estar sozinho.
Conto histórias ao destino na tentativa de o enganar
Mas ele é sábio, tenho de desistir.
A energia que necessito está guardada dentro de outros,
E um pouco dela está dentro de mim,
Por isso acabo por morrer de sede, de fome, e não encontro ajuda,
Fico sozinho, como se aquilo que me dessem não me bastasse.
Não me levem a mal...a vida é assim mesmo:
uma bela trama, uma teia, uma bela história.
Quando o amor se mistura com o ódio
o meu coração acorda, revela-se, dá de si,
Encontra apoio, e volta a bater,
Como que ressuscitado.
E quando bate, tenta bater muito forte,
para não voltar a adormecer,
Mas mais tarde ou mais cedo o sono vem...
E que posso eu fazer?
Eu queria fazer muito,
mas contento-me em nada fazer.
Resta-me respirar e encontrar novos caminhos,
Porque sou humano, e os humanos conseguem:
Viver, matar, e tudo ao mesmo tempo;
Querer e tirar, e tudo ao mesmo tempo;
Fazer e destruir...tudo ao mesmo tempo.
Quando nos voltaramos a encontrar estarei diferente.
Prometo.
E palavra de ser humano vale mais que outras mil palavras.
Os meus olhos não vão faiscar ternura,
A minha postura vai estar direita, recta, correcta,
Serei diferente, serei menos acessivel, e tudo o que possa
ser serei.
Uma nostalgia preenche-me, não sei quando será
a última vez.
Fico à espera.
Ficarei?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vingança


"Não deves julgar aquilo que não conheces." (LAM)




(Suspiro curto)
Vou recomeçar. Lembrar-me como tudo aconteceu,
Detalhar cada momento na minha mente,
Ressussistar as mágoas, as traições, a tortura...
(Suspiro um pouco menos curto)
Vim até aqui para te tirar as armas das mãos,
vim até aqui para te demover as ideias.
Vim até aqui para te mostrar um outro lado,
Diferente do usual, para lutares sem armas
basta não as ter na mãos.
(Começo a transpirar ódio...minha força, minha fraqueza?!)
Como se não te bastasse reunir exércitos sem inspiração,
Pequenos seres vivos sem ritmo numa música de tambores
sem canção, um hino aos esqueletos que fingem caminhar neste mundo.
Como se não te bastasse segurar na mão essa luz grotescamente falsa,
Isso não é luz nenhuma!, isso é escuridão clara..
(Respeito! Caminha! Respeito?...Caminha!)
Melodia calma, embuscada, sorte condenada,
Vejo-te encolhida, a transbordar uma aura tão sagrada..
VINGANÇA! E agora...VINGANÇA!
E vocês que me perderam, não esperem em paz,
A minha guerra só ganha asas, só expande admiradores.
Enquanto vocês pensam ter a vitória, e gozam numa paz aparente,
Eu corrigimo-me, esforço-me, não me rendo à arrogância.
Como se as palavras bastassem...não minha gente.
Nem de longe nem de perto.
(Suspiro um tanto mais longo......)
Não, as palavras não bastam. E não se atrevam a julgar-me.
Não se atrevam a colocar-me abaixo de qualquer coisa,
Deixo-vos ignorarem-me, porque mais tarde ou mais cedo
isso terá de mudar.
Porque por muito que se tente ignorar um corte na pele
a verdade é que ele não desaparece.
Lembrem-se disso.
Estarei sempre à espera do vosso erro, e logo vocês que tantos cometem.
Começo a encontrar nesta luta falta de dificuldade,
Entristece-me ver num ser tão francamente normal a todos os outros
uma força tão esmagadora e real comparada com vocês.
Deveras este mundo é estranho.

As tuas asas nem cheguei a ver abrir
já tu para longe partias.
Um dia passa, seguido de muitos dias,
E por muito que eu quisesse tu
nem as asas abrias.

Não julguem nada sem antes compreendê-lo.

Quero tanto e não consigo dizê-lo.
Acordei de um sonho, mas parecia um pesadelo.

(Limpo o suor do rosto. Quase que me sinto mais aliviado...)

Doença

Quando me vejo no centro dessas nuvens cinzentas, onde o ar me estanca a respiração, onde não encontro sossessego, onde tudo o que me resta é o medo de sair desse cinzento.
Porque o medo de sair dele é quase igual ao medo de o suportar, e por isso, mas só por isso tornamo-nos cinzentos, começa-mos a fazer parte dele. Às vezes não nos apercebemos, deixamo-nos ir...é demasiado fácil deixarmo-nos ir. Resta-nos a sorte rara de alguém nos puxar a tempo, de alguém chegar e soprar com muita força, para a afastar as nuvens cinzentas, derrotar essa pseudo-mãe-natureza-humana. Louvadas sejas essas pessoas, dispostas a estender a mão, a continuar ao pé de nós mesmo quando o cinzento já de nós fazia parte.
Tudo o que quero neste momento é voltar a casa. Sentir o cheiro da minha casa, do seu pó escondido que se esconde do aspirador, da vassoura. Quero sentir o calor farto do meu quarto nos dias de Verão. Quero pegar na minha gata e agarrá-la com força para saber que está viva e ao pé de mim.
Quero ficar na varanda, ver os carros e as pessoas a passar. Quero sentir uma paragem de autocarro cheia de pessoas vivas.
Porque o cinzento ainda não entrou dentro de mim. Mas já o senti de perto. Pode voltar talvez. Mas espero estar à altura dele.
Dele...dele...dele...

Esclarece-me as minhas dúvidas mais importantes,
As que me interessam, as que mais receio.
Porque essa dúvida, esse estado de alma que te percorre
o pensamento também me procura por vezes...
(Ninguém está só...)
Quando ignoras o mundo, e a parte que dele te influência,
Quando te recolhes ao teu espaço de pensamento,
Quando vives sobre telhados de acontecimentos que te infurecem
que te revoltam, que te fazem pensar deveras a sério,
Quando não encontras resposta esses mistérios...
Porque morrem, porque sofrem, porque sofrem e morrem...
E sentes uma inquietação na alma, sentes uma tristeza
inexplicável que te faz aproximar da janela para comtemplar a rua
com uma lágrima a escorrer.
Não a ignores. És humana. Sentes. Estás viva.
Ainda não te tornaste uma pedra. Ainda não te tornaste um músculo
escravo de outrem.

Afasto-me das nuvens cinzentas, pois sei que para lá delas nada de bom me espera. Raiva, solidão, pena de mim próprio. De sair agora, pelo meu próprio pé, ou com ajuda de quem de mim gosta, estarei a fazer um favor a mim mesmo.
Se as ultrapassar, se viver para além delas, nunca mais serei inocente, serei para sempre culpado.

Esta doença, de desconhecida natureza
faz-me pensar...

domingo, 6 de setembro de 2009

Razão


Uma única e exclusiva razão às vezes é mais do que suficiente para escolher o caminho certo, ou aquilo que sempre quisemos, aquilo que esteve sempre à nossa frente e que nós nunca conseguimos ver. Olha de novo e contempla.


Eu quero aquilo que só eu tão bem sei,
E ninguém me pode dar aquilo que eu quero,
Seja para todo o mal, seja para todo o bem,
O que quero só eu quero e não o quer mais ninguém.
Só queria começar de novo, como se tivessem apagado
toda a minha história, e toda a história do mundo.
Sem erros mutilados por louvados mediocres,
Sem lixo espalhado por inconscientes.
Estou gasto de tentar arranjar razão decente de escrever,
Sem jeito para conseguir refugio-me neste aparente
conforto, onde resta a música e a inspiração,
Onde bebo e como só quando necessário,
Onde a minha consciência apenas passeia, como se não existessem
horas nem compromissos, onde não existe razão prematura, razão
duradoura, onde nada se manifesta através de imagens ou letras
apenas através de actos, do toque, da imaginação física.
Quero sentir a realidade a tocar-me, para saber que é verdadeira,
Porque vê-la não chega, cheira-la muito menos...e nem sempre gosto
de ouvi-la. Serve-me a alma e serve-me o corpo, como se de uma ou outra
maneira me pertencesses.
Sou apenas um mentiroso, ou imbecil que confia nas razões de outrém,
Levado ao céu para a queda ser mais alta, mais dolorosa.
Faço parte da manada mesmo fingindo não fazer parte dela,
Como se fosse um cordeiro ambicioso sem força para cortar a trela...

Sou apenas mais um mentiroso, capaz de complicar as equações
mais simples,
Sou apenas mais um imbecil, que finge procurar uma razão,
Sou apenas...mais um cordeiro que finge querer fugir do rebanho
quando na realidade não se imagina em mais lado nenhum.
Sou aquilo que sou,
Quero aquilo que quero.
E por muito que encontre razões,
Por muito que encontre pessoas,
Por muito que me concentre num mundo diferente daquele que eu quero,
A verdade é que não me imagino em mais lado nenhum.
A razão é simples...

sábado, 5 de setembro de 2009

Voz

Tu "és aquela ferida no céu da boca, que sararia, senão estivessemos sempre a colocar lá a língua"...(FC)

Preciso de dormir um bocado...
Porque não te aproximas, o suficiente para sentir o teu cheiro,
A tua pele, a tua textura, porque não te aproximas?
O caminho é o mesmo em ambos os sentidos,
Mas o que me fizeram?
O que querem que eu faça?
Ouço a tua voz a perder proximidade, a deixar-se ir para longe,
Um longe que desconheço mas que ao mesmo tempo
agradeço por existir.
Vens e vais, vais e vens,
Numa roda tão viva,
Vais e vens, vens e vais...
Porque não te aproximas?
Mas o que foi que me foi feito?
Hipnotizado, desconhecido, forçado a ficar,
Que foi que me fizeste?
Eu,
Venho,
Muito devegar...
E vou,
Muito,
Mais depressa...
A tua voz larga-me a memória, larga-me o desejo,
Pareces tão preciosa agora,
A vida alucina-me nestes momentos de pura ironia,
Pareces tão preciosa, tão intocável,
E a tua voz...tão doce, como se a quissesse mais que tudo.
O que foi que me fizeste?
Terei de concentrar na ironia, não me fizeste nada.
Exactamente isso, nada.
E por isso a mesma voz que pensava querer
É a voz que me dá um imenso prazer quando a vejo
ir-se embora.
Eu,
Eu, assim muito devagar,
Vou saindo deste mundo,
Cansado de voar baixo, de sorrir com medo, de conseguir sem resultado,
Ao som da tua voz, que diz muitas coisas, das quais nenhuma delas
quero ouvir.

domingo, 30 de agosto de 2009

Intolerance


Tu mentes, enganas...e roubas-me.


Eu culpo, eu julgo, eu aponto o dedo em direcção à ferida
que estava quase a sarar...
Eu julgo, eu culpo, eu critico, eu firo.
Suspiro de liderança saborosa, coroa de rancor, olhos
de fobia, eu julgo e culpo.
Quase me imagino intolerável...

Eu culpo e eu julgo e prefiro criticar, fingir que sou um
pequeno deus, dono da verdade, conhecedor da realidade,
Eu julgo e sempre que posso também culpo e aponto o dedo.
Como se vocês se importassem...(Queria...)
Estou a falar com vocês, a criticar-vos, a julgar-vos,
A submeter a minha razão toda poderosa em vós,
A esmagarvos a opinião, a certeza.
Eu culpo...e eu julgo. E adoro apontar o dedo.
Quase me imagino intolerável.

Declaro-me vítima de insanidade intemporária...
Senhor das minhas letras e verdades. Egocêntrico.
Louvador da raiva, da miséria e da angústia,
Da dor, do desprezo, do meu querido ódio.
Enquanto tu mentes, enganas e me roubas a vida,
Eu culpo, aponto o dedo e julgo.
Eu não sou inocente...
Tu não és inocente...(Querias...)
Ninguém é inocente.

Quase me imagino intolerável.
Mentindo, enganando, roubando-me a vida...
Quem julgas tu ser?
Já não te consigo tolerar!
Ninguém é inocente...(Queriamos...)
Cansado deste silêncio, deste mar calmo,
A beleza parada pouco me altera,
Visões, paisagens, pouco me importam.
Gosto de as apreciar nos momentos certos.
E eu que quase me considerei intolerável...
Estou cansado do teu silêncio!
(Do vosso silêncio!)
Eu julgo, eu critico, e eu aponto o dedo,
Na busca também
de uma reacção!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A marcha dos mortos - Sinfonia da destruição (inacabado)



Pequenas notas iniciais:
1ºPonto: Este texto destina-se directamente a um dos leitores do meu blog (dos 5 a 7 existentes), tenho pena pois destina-se ainda a outros milhões de pessoas que fazem parte desse mesmo estilo de vida, o que é pois pena. Acaba por ser um desabafo. Espero que mais tarde ou mais cedo seja muito mais do que isso.
2ºPonto: Sempre lidei bem com o ódio e com o amor. Dou o devido valor aos dois. Defendo uma vida de amor e sou adepto da paz, mas sei encontrar valor no ódio. Por duas razões. Em primeiro lugar o ódio serve muitas vezes de combústivel às nossas acções, em segundo lugar, às vezes é preciso odiar para se dar mais valor à paz de espirito. O que de facto este texto reflecte é uma confusão de sentimentos na minha memória. Na minha história. Falo com lógica por muito que não pareça. Esta semana, e como dizia à pouco, sempre lidei bem com o ódio e com o amor, mas nesta semana tive de lidar com os dois ao mesmo tempo, o que me deixou, confuso. Repito confuso. Para o meu bem literário (há sempre algo de bom nas coisas más..) essa mistura acabou em ódio, raiva e desgosto.
3ºPonto: O motivo que me faz odiar os chamados "tarados", chamemo-lhes crentes em algo em abundância cega e infeliz (por uma questão razoável de educação) é a sua falta de bom senso, inteligência e dependência de outros. Tanto em relação a uma religião como em relação a duas pessoas que estejam juntas. Se repararem estas pessoas tornam-se cegas. Acabam por se fartar, pois um dia apercebem-se que vivem para nada. Ao serem crentes em algo em abundância cega e infeliz acabam por se afastar do que realmente em importa...estejamos a falar de um deus ou de uma pessoa.
Comprova-se facilmente com este exemplo simples. Se estiverem de fora de uma situação conseguem ver muito mais do que aqueles que lá estão dentro. Por exemplo: num jogo de xadrez, para quem está a ver o jogo consegue desde logo vislumbrar um inúmero leque de jogadas e mesmo perceber o que pretendem os jogadores quando movem as peças num dado sentido. Algo que escapa aos próprios jogadores. Basta estar de fora, para perceber melhor como tudo funciona. O jogador que no tabuleiro se conseguir "colocar fora" do jogo, será o vencedor. Xeque-mate.
4ºPonto: "O reino de Deus está nos vossos corações..." disse-o Jesus.

Só há duas coisas que podes saber de alguém: aquilo que ela te quer mostrar e aquilo que queres ver nela. (Dexter)

Lembrei-me deste título quando estava num estado ligeiramente febril. E sonhei com ele nessa noite. Se é que se pode chamar sonhar. Pequenos sonhos quebrados e interrompidos, derivados da febre. A segunda parte do título é de uma música, achei que encaixava perfeitamente.
Um dos meus piores defeitos é sonhar sem lógica. Fazer planos para coisas que nem sequer fazem muito sentido. Acabo por ficar à espera de algo que não vem e que muitas vezes nem se assemelha. É o castigo de se sonhar. A minha mãe sempre me disse: não deves ter medo de tentar, de perguntar, o mais que podes ouvir é um não. Tiro-lhe o chapéu.

A vida é bela, é simples, é tramada. Podemos vivê-la de braços abertos para o céu, aprender com o que nos rodeia, deixar que o amor entre e saia de nós. Podemos viver por detrás de uma máscara, com uma sombra atrás de nós, viver na cegueira da ignorância e fingir que somos felizes...(É neste momento que coloco um sorriso honesto na cara, olho para os meus e digo: hipócritas.)
Não sou sábio, devo ter um QI médio ou médio baixo, mas sou humilde, aceito que erro e aceito quando estou errado. Sei que nada sei, aceito o meu vai-vem de ignorância...e não sou cego, como vocês.
Não preciso de me confessar a um ser humano tão errante (possivelmente muito pior que eu) para me libertar. Medito, reflicto quando encontro necessidade.
Ainda me lembro de vos ouvir sussurrar, como se fossem um anjo à espera de uma oportunidade para mostrar que merecem as asas: Os rituais são tudo...Pobres seres vazios. A repulsa que tenho para convosco é totalmente verdadeira. Não a criei só para ocupar o meu tempo.

E por muito que te quisesse agarrar,
Assim como me tentaram agarrar outrora,
Seria impossivel...
Só o teu corpo está perto, e apesar de estares vazia,
Todo o teu eu, que era dos melhores eus que conheci,
Já está podre, recheado de nada, longe, consumido e sufocado.
Mesmo que a minha vontade fosse agarrar-te e puxar-te para
este lado seria impossivel.
Esse polvo agarrou-te, controlou-te fez de ti sua escrava,
Os seus tentáculos controlam-te como se fosses uma marioneta...
Estás longe, consumida por essas chamas negras.
O que me paralisa a força das pernas é saber que todo esse
veneno está espalhado pelo mundo inteiro.
As saudades tuas já não existem,
A arrogância, a tua falta de personalidade foi finalmente
rendida aos imbecis.
Sou filho de um Deus menor, um Deus que não quer malicia escondida,
Que nunca proclamou RITUAIS, que nunca pediu nada além de:
Sejam felizes e espalhem a minha palavra.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pequenos mártires

E o que vejo apenas, são vocês, pequenas criaturas de Deus, a arrotar das profundezas da vossa alma...(Inpirado de Eça de Queirós)...
E hoje, para não mudar a rotina, vou vestir o fato da hipócrisia...(Inspirado série Dexter)...

Olho-te, rosto deliniado pela miséria, por uma tristeza tão pesada,
Como se carregasses uma cruz colossal,
Vejo-te e sorrio...ali vai um pequeno mártire.
Nascido humano, criação de uma sociedade, rotineiro,
Cicatrizes que causam dor mesmo a quem não as tem,
Fome gasta, bater do coração deprimente,
Energia esgotada, morte de quem morre muito lentamente.
Aqui, mesmo sem ti, revejo-me em cada pessoa,
Em quase todos os passos,
Dos mais pensados aos menos exactos,
Como se fosse mais um miserável, que carrega essa cruz.
Iluminação, choro, dor,
Resignação, rosto duro, perdedor.
E não importa que me solte, que seja sempre o último a tentar,
Porque serei sempre eu a perder,
O único que chega à meta quando ela já não existe.

Não chores...
Pelo menos tu tentaste...
E tentar não vale de nada,
Chora pois então.

E a nossa compreensão não chega longe...
Nem ao Céu nem ao inferno, nem ao humano terreno.
Olho-te mais um pouco,
PORQUE ESPERO? PELO QUE ESPERO? DEIXA-ME APONTAR O DEDO,
FAZER-TE SENTIR A DOR, A CULPA,
TIRAR-TE A VIDA DE UMA VEZ POR TODAS!
Porque choras?
Porque choras?
Não chores pequena flor...
Não chores.

Vivem a vida como se fosse uma maldição fixa, rígida,
Um cancro em fase terminal, uma solidão sem fim...
QUERO SANGUE! QUERO RAIVA! QUERO DEIXAR-ME SENTIR APENAS COM ÓDIO!

E não chores...por favor, não chores mais.
Os vossos pés arrastam, mesmo quando estão tão próximos do que mais querem.

Areia movediça, força da gravidade exagerada,
Sangue inexistente, falta de circulação,
Sem ar, sem solução presente.

POIS SIM, PREFIRAM O SILÊNCIO!
MORRAM ANTES DE MORRER DE FACTO!
COBARDES!
ANTES DE ME OLHAREM NOS OLHOS CORRIJAM A VOSSA POSTURA
E A VOSSA MANEIRA DE SER!

Adeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuus!

domingo, 16 de agosto de 2009

Walk away


"Do you know when something is bad for you and you still can't let go?" (Christina Aguilera)

"My blood before me begs me
Open up my heart again.

And I feel this coming over like a storm again now.
And I feel this coming over like a storm again now.

I am too connected to you
To slip away, fade away.
Days away I still feel you
Touching me, changing me...

And as the walls come down
And as I look in your eyes
My fear begins to fade
Recalling all of the times..." ( H. - da banda do costume)

Perdoar-me-á o fado clandestino que me retoca os dias de tédio
Quando digo que sinto saudades de quem para trás ficou.
E deixo andar...como um objecto leve levado pelo vento.
Menos obscuro, mais cinzento, quase a atingir a brancura,
Sinto a minha alma, a cada dia que passa, mais pura, menos gasta.
Observo, fora do meu corpo, as saudades como se fossem imagens,
Ideias vividas, pessoas, momentos, algo de importante de facto.
Se o meu desejo fosse acção não sei onde estaria hoje...com quem,
Que estaria eu a fazer...
Sinto-me numa espiral, num remoinho, que vai e volta,
E que parecendo que roda pelo mundo,
A verdade, triste e bela verdade, é que não saio do lugar.
Por isso vou e volto, mas nunca saio do local de onde não parti.
E quero ir longe, talvez fugir, mas não fugir de facto, apenas passear.

E ver-te mudar, segurar bem alto a chama da vida, do amor,
Seria para mim uma melodia tão saborosa...
Arrenpendida, renascida, pelas chamas da revolução humana
Sentimental e física...
Acolhida nessa mudança de cores claras,
De cores vivas, novas sensações na busca do real total.

Vou sentir a tua falta. Sinto a tua falta.
Sinto que o nada nada me traz.
Serei concreto? Serei abstracto? Um pouco dos dois...
Amo e odeio e não sei até que ponto de facto quero.

Ninguém cessa este grito senão vocês,
Enfrentado cada fantasma que me agoira a alma,
Olhos nos seus olhos, até à verdadeira morte da esperança,
E se me escutarem com atenção, de onde falo ou grito ou escrevo,
Como se estivesse num palco, num púlpito,
Saberiam que só quero viver, aprender, mudar e conseguir...

Deixo a confiança à mercê de quem vier depois de quem quero,
Guardo as palavras para quem as merece,
Redijo a minha história com quem preciso,
De quem preciso, julgará Deus na devida altura, e os meus.

De resto, e que fique bem claro, custa por vezes
Seguir em frente, porque tentar apenas custa pouco.

É como se tivesses morto alguém,
Mesmo sendo metáfora, magoa,
Para que o fizeste? Porque o fizeste?
É mudar o rumo ao que não queremos,
É fugir à essencial questão,
É como qualquer ser humano:
Ignorar o que está errado, sem questionar, sem se mostrar revoltado
o suficiente para mudar...

(Peço perdão por algumas introduções musicais mais compridas, mas são de facto ideias (belas) de me complementar o pensamento. Nunca são escritas sem razão. Obrigado.)